Cartilagem Desgastada (A.K.A. Lista de Melhores do Ano)

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Olhando para trás, eu consigo perceber algo que talvez não tenha ficado tão claro vivendo um dia depois do outro: 2025 foi um ano bom. Não foi um ano isento de problemas, não foi um ano isento de obstáculos, porém, colocando na balança ganhos e derrotas, foi um período gentil comigo. E também foi um ano gentil com o blog: pela primeira vez em mais de uma década, o Retina Desgastada recebeu um novo visual.

A maior conquista veio no campo profissional. A política do trabalho bem feito de forma constante finalmente rendeu frutos. Meu talento na escrita ganhou reconhecimento, meu faturamento aumentou para um patamar em que finalmente posso me sentir mais sossegado para sustentar meus gastos, minha família e nossos projetos. Se o ano abriu com economia e trabalho duro para migrar de computador, ele se encerrou com a expectativa de que o próximo computador poderá ser mais fácil e mais rápido de ser adquirido (se as IAs não destruírem a indústria de peças de hardware).

Com um orçamento mais tranquilo, foi possível ir atrás de esclarecer uma dor na região da bacia que vinha me incomodando de muito tempo. O medo era grande de ser algo grave. Quem não sente esse medo sempre que algo foge do controle em seu próprio corpo? Felizmente, não é nada assustador. Descobri que estou com a "cartilagem desgastada" entre o fêmur e a bacia. Foi esse o termo utilizado pela ortopedista e, no mesmo instante, achei que precisaria trocar minha alcunha. É a idade: mais e mais coisas se desgastam ao longo do tempo, enquanto acumulamos experiências. O tratamento dura seis meses, além da recomendação enfática de largar o sedentarismo de vez.

Porém, falemos de jogos. Esse é o propósito desse blog e posso declarar com convicção que 2025 foi um ano excepcional para jogos. Quem fugiu do arroz com feijão dos AAA em 2025, foi contemplado com uma safra extraordinária de títulos.

No meio desse caldeirão de jogos bem selecionados, não posso deixar de exaltar a importância que foi Clair Obscur: Expedition 33 para mim. O RPG francês restaurou uma fé no potencial dessa mídia que eu nem sabia que estava enfraquecida em meu peito. Não por acaso, tomei a decisão de consagrá-lo não como o melhor jogo dessa lista, mas como o melhor jogo que já experimentei em toda uma vida. É um fenômeno, dos bastidores até o resultado final e também por aqueles que virão depois. Ver meu filho jogar logo em seguida e se fascinar como eu me fascinei me fez perceber que passei sensibilidades e olhares adiante.

O Que Joguei

Enquanto analista do Gamerview, experimentei:

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Por iniciativa própria, joguei:

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O canal do Retina Desgastada chegou em 656 inscritos, ainda que o volume de visualizações tenha caído. É impossível agradar o algoritmo e a proposta nunca foi essa mesmo, ele segue como um complemento da experiência do blog, seja trazendo análises em formato de vídeo, seja trazendo campanhas completas sem comentários, seja só apresentando jogos, muitos que sequer ganham texto no blog. Desta forma, no canal, passaram com exclusividade (sem texto):

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Além disso, meu filho concluiu e eu publiquei outros tantos jogos:

Somando títulos que joguei até o final, demos e títulos que larguei pelo caminho, o meu total foi de 63 jogos experimentados em 2025, um retorno à sanidade. Depois do recorde de 82 jogos do ano anterior, volto para uma média menos inquieta, trocando volume por qualidade.

Os Melhores de 2025

Clair Obscur Expedition 33 - Lumiere

Eu vi o trailer no meio de tantos outros trailers em algum evento de jogos de 2023. Os inimigos estranhos e a interface charmosa chamaram minha atenção e me candidatei a receber o jogo pelo Gamerview. Iniciei o jogo como tantos outros. Em menos de uma hora, estava em êxtase. Em menos de uma hora fui das lágrimas ao choque. Estava muito claro que aquela seria uma experiência ímpar, uma obra de arte, um impacto que nunca parou de se renovar até literalmente o último segundo, o último acorde de uma decisão mal tomada. Era óbvio qual seria o jogo do ano. Meu e do mundo.

Porém, 2025 foi um ano tão excepcionalmente bom que a dificuldade ficou em escolher o pior jogo. Não apenas experimentei títulos magníficos e muito bem escolhidos, como até mesmo os títulos que não curti tinham seus méritos, fosse em seus nichos, fosse em suas épocas. Repassei a lista diversas vezes, até tomar a decisão de qual jogo receberia esse demérito…

A vitória de Nuclear Nightmare também merece explicação. Ele repete a conquista de Content Warning, do ano anterior, um azarão triunfando sobre títulos muito mais polidos. Talvez a fórmula dos jogos AAA multiplayer esteja estagnando para nós, ou talvez só tenhamos escolhido títulos sem viço. Nuclear Nightmare me mostrou cooperação emergente extremamente divertida. Meu filho tomou decisões táticas de vida e morte, superou seu medo de jogos de terror e assumiu as rédeas de nossa vitória. Foi uma experiência curta, mas muito mais marcante do que aquilo que vivemos na Bolívia ou em Yara ou em Steelport.

(recapitulando os anos anteriores: 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024)

Encerrei minha lista de 2024 sem deixar expectativas para o ano que começava. Ironicamente, foi um dos melhores anos de todos os tempos, nos jogos, na profissão e em família. Não vou mexer uma vírgula nessa ideia. Deixa acontecer outra vez.

Ouvindo: The Faint – Sealed

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1 Comentários

Raphael Airnmusic disse…
Feliz ano novo Aquino! Que seja outro ano excelente e com menos partes do corpo desgastadas! As retinas e a cartilagem já parece estar de bom tamanho :)