Uma vez tentei jogar Saints Row 2. Tenho a estranha mania de tentar começar qualquer franquia pelo título inicial, mesmo que a franquia já esteja adiantada. Nem sempre funciona. Raramente funciona. Eu não aprendo. Infelizmente, o primeiríssimo Saints Row nunca saiu para PC. Então, isso me levou a Saints Row 2. Joguei por quase uma hora, passei do tutorial, fui jogado no mundo aberto e percebi as semelhanças gritantes com a franquia GTA. Como eu tinha outros títulos de GTA no acervo, não seria melhor ir logo para o material original. Desinstalei Saints Row 2, instalei GTA IV, seguindo a sequência lógica de onde eu tinha parado na franquia da Rockstar Games. Repentinamente me senti sobrecarregado pelo tamanho do jogo que iria vir. Isso foi durante a quarentena. O problema não era com Saints Row 2 ou com GTA IV, dois títulos que certamente tem seu valor. O problema era comigo, era com o momento. Nada disso sequer foi mencionado no blog.
Anos se passaram, meu filho me ultrapassou e zerou a campanha de GTA V e eu me lembrei como seria legal jogar algo parecido em modo cooperativo. E Saints Row The Third trazia essa possibilidade, algo que GTA algum trouxe em seu modo História. Instalamos.
O que pode ser dito de positivo de Saints Row the Third são suas sequências cinemáticas de enredo e sua estética cômica que beira o surreal. A desenvolvedora Volition percebeu que não tinha como competir com a Rockstar em termos de escopo e qualidade técnica e resolveu partir para a paródia descarada, para o bundalelê sem freio, para o humor de quinta série, para o bizarro. Espanquei transeuntes com um pinto de borracha gigante, participei de uma corrida de bigas puxadas por praticantes de sadomasoquismo, participei das filmagens de um filme B sobre alienígenas e outras extravagâncias. O quesito "parque de diversões" que sempre faz parte dos jogos da franquia GTA aqui se manifestava sem pudores.
Admito que meu filho e eu estávamos pouco nos importando com as intrigas relacionadas com a gangue dos Saints e sua luta para recuperar o controle da cidade. Acho que esse deva ser o jeito certo de se jogar um Saints Row. A Volition não tem as mesmas pretensões de contar uma saga policial dentro de seus jogos. Em contrapartida, após horas e horas de jogo, Saints Row the Third ainda estava nos empurrando novas mecânicas para aumentar nossa influência sobre as regiões, levantar dinheiro ou desbloquear armas e veículos, algumas atividades eram enfadonhas, outras eram até divertidas, mas as melhores missões, mecanicamente falando, ainda eram as missões de campanha mesmo. De minha parte, eu estava com uma preguiça enorme de tantas atividades disponíveis no mapa e gostaria de focar no essencial.
Sim, são as únicas três telas que lembrei de capturar de nossas sessões
Infelizmente, o modo cooperativo de Saints Row é desastroso. O lag beira o insuportável, como poucas vezes vi nos piores MMORPGs com servidor na Ásia. Dirigir pela cidade era um exercício de paciência e tentar antecipar os movimentos dos outros veículos e até do nosso próprio carro. Em algumas sessões, não havia nada a se fazer, a não ser desistir e tentar outro dia. Considerando que o jogo não tem um servidor central e a comunicação deveria acontecer apenas entre o meu PC e o PC do meu filho, o resultado é incompreensível. E estou falando aqui do Saints Row The Third Remastered, uma edição que deveria ter corrigido todos os problemas do lançamento.
Isso quando o jogo não fechava em nossa cara, no meio de uma missão, e o progresso não era salvo. Isso quando o personagem do meu filho não desaparecia da tela por completo. Isso quando os inimigos atirando não eram carregados, mas suas balas continuavam funcionando.
A mais pura teimosia nos movia em frente. Quando Saints Row The Third funcionava, ele era divertido. Quando os astros se alinhavam e São Acutis estava de olho em nossa conexão, o jogo era divertido.
Entretanto, não era para ser. Os arquivos de salvamento de Saints Row The Third se perderam durante a transição do meu PC para Obsidian. A Volition usa salvamento na nuvem para a versão do jogo no Steam, para a versão do jogo no GOG, mas não usa salvamento na nuvem para a versão da Epic Games Store, que era justamente aquela que estávamos jogando (por motivos de não ter pagado nada pelo jogo). Recomeçar nosso progresso do zero estava fora de cogitação, então nossa jornada turbulenta pelo mundo insano da Volition se encerrou prematuramente.
3 Comentários
Veja bem, ele tem uma história interessantíssima sobre racismo e escravidão, moldadas na revolução dos elfos e dos anões contra os humanos. O final é extremamente interessante, com teorias de multiverso e viagem no tempo, que nunca foram abordadas em nenhuma outra obra de Witcher.
Porém a gameplay é horrível. Simplesmente impossível de se entender as nuances dos ataques e suas efetividades, algumas batalhas venci sem entender como. Me vi em dado momento sem poções de cura o suficiente e sem lugares possíveis de conseguir os recursos para criar novas. Eu já estava com umas 30h de jogo e não queria buscar saves mais antigos. Tive que bater cabeça até passar da parte sem precisar de nenhuma poção, num loop quase ROGUELIKÍSTICO de recomeço sempre que morria e recarregava o save.
Mas o pior ainda estava por vir. Depois de uma quest enfadonha pra conseguir a melhor armadura possível e terminar o jogo vesntindo a mesma, eu começo o Witcher 2 e importo meu save. Pra minha surpresa a armadura está lá, além de pouquíssimas moedas de ouro. Mas a melhor armadura do universo no Witcher 1 é uma armadura ligeiramente melhor que a inicial no Witcher 2.
Porém fica pior: no primeiro jogo eu havia escolhido manter um relacionamento amoroso com uma determinada personagem em detrimento de uma outra. Pra minha surpresa, um dos itens importados do meu save 2 é uma carta de despedida de minha escolhida, e nos primeiros 5 minutos de jogo ele está na cama com a outra, ignorando completamente minha decisão. Eu esperava uma coisa meio Bioware, como Mass Effect e Dragon Age, porém recebi ABSOLUTAMENTE NADA de progresso de uma história pra outra.
O Witcher 2 é um jogo competente, diferente da porcaria completa do primeiro. Em termos de gameplay, claro. A história é bem mais fraca, apesar de mais curta e objetiva. Na tela de créditos descobri que alguns personagens foram dublados, mas eu nunca os havia visto na vida. Descobri que uma decisão durante o jogo fez com que eles não aparecessem na minha história. Um pouco triste, pois eram personagens importantes no 3, porém uma decisão interessante. Muita coisa da gameplay do 3 já estava lá no 2.
E aí vem o 3. Como falei, não é trazido nenhuma bagagem dos outros dois jogos. Na verdade o 1 começa de um ponto onde parece que já havia uma história posterior, muito provavelmente advinda dos livros que eu não terminei de ler. O gameplay e a história do 3 são simplesmente perfeitos. Comece pelo 3. No máximo assista um vídeo de resumo do 1 e do 2. Não tem por que se estressar com os outros. Pula pro melhor, se um dia tu voltar a jogar RPGs enormes.
Se quiser jogar a trilogia do Ezio, ela é bem sólida, mas tenta te libertar de todo o conteúdo vazio e foca na história. O 3 eu não joguei, mas parece bem bugado ainda hoje. O 4 é divertido, mas de novo, esquece a história. Daí pra frente vira playground. É como jogar Final Fantasy, cada número novo não tem relação nenhuma com o outro.