(não) Jogando: Earthlock - Festival of Magic

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Estava ansioso por um RPG com combate por turnos nessas férias, talvez no ímpeto de reproduzir os resultados positivos de Might and Magic X – Legacy do verão passado. Ao mesmo tempo, precisava cobrir um hiato no canal do Retina Desgastada no YouTube e implementar uma nova série. Acreditava que Earthlock – Festival of Magic seria esse jogo.

O título da Snowcastle Games está mais próximo do amadorismo de um Lethal: RPG War ou de um Trulon: The Shadow Engine do que do refinamento de um Baldur's Gate 2 ou mesmo de um Regalia: Of Men and Monarchs. Temos aqui gráficos relativamente simples, design de personagens pouco criativo, trilha sonora modesta, diálogos que se aproximam do sofrível e alguns bugs irritantes. Mesmo que você selecione o idioma Português nas opções, em toda a sessão era necessário redefinir a configuração porque o jogo não guardava essa informação, por exemplo. Entretanto, títulos com pequenas idiossincrasias ou limitações orçamentárias não são raros na minha trajetória e alguns deles conquistaram o título de amados.

Não é o caso de Earthlock.

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Trabalhava Feito um Burro nos Campos

A Snowcastle Games tentou introduzir mecânicas em excesso, para criar um RPG complexo, com sinergias entre personagens, sistema de evolução baseado em cartas desbloqueáveis, gerenciamento de base e um modelo de fraquezas e resistências para tipos de danos. O esforço é louvável, mas o excesso de variáveis não consegue disfarçar que boa parte do jogo é extremamente repetitivo, com batalhas que duram tempo demais e são muito parecidas umas com as outras. Na maior parte do tempo, o jogador e seu time passarão enfrentando criaturas que simplesmente estavam no caminho, usando heróis que causam pouco dano ou possuem habilidades pouco funcionais.

O jogo abre mão de um sistema convencional de espólios e lojas, em que o jogador obtém recursos de inimigos tombados, fica com o melhor equipamento e vende o que não precisa mais. Há pouquíssimas lojas no jogo, não há quase nada para ser saqueado no ambiente. Em seu lugar, Earthlock introduz um sistema de fazendinha, em que o jogador precisa plantar os vegetais que servirão de base para fazer os diferentes tipos de munição dos personagens que usam arma, assim como servirão também para a fabricação de poções. O excedente da lavoura é vendido a conta-gotas para comprar outros recursos que serão utilizados para fabricação de itens de primeira necessidade.

Todo esse fluxo de trabalho gera um atrito desnecessário, mas também desbalanceado. O jogo não apenas permite como também praticamente incentiva que o jogador repita o ciclo de colheita infinitas vezes para ter recursos em quantidades absurdas. Tão logo se termine de colher a última planta, a primeira já está pronta para ser recolhida novamente, então passa-se um bom tempo repetindo o ciclo. Sai a euforia de se encontrar itens raros de um RPG convencional, entra o tédio de se passar múltiplas vezes pelos mesmos movimentos mecânicos.

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Ainda assim, eu insistia, para ver onde a história iria me conduzir. O combate não era exatamente satisfatório ou desafiador, o grinding era enfadonho, o processo de fazenda era insosso e o carisma dos personagens era quase nulo. Depois de uma dezena de horas também percebi que o enredo era básico e lotado de chavões. Desvendado o mundo de Earthlock, a promessa de encanto se desfaz.

Vítima da Era Obsidian

E, ainda assim, eu insistia. Desta vez, movido pela necessidade de completar a série no canal. Earthlock não era um jogo tão ruim ao ponto da vontade de abandoná-lo fosse tão forte. Era possível seguir em frente, no automático. Até mesmo uma batalha aparentemente impossível contra um dragão foi superada, com uma quantidade absurda de poções e uma ligeira mudança de tática. Seria assim dali pra frente: qualquer obstáculo mais significativo poderia ser superado pela força bruta dos recursos infinitos, por uma abordagem customizada para o alvo ou uma combinação das duas técnicas.

Porém, contra um adversário, não houve saída: uma completa reinstalação do sistema. Obsidian fez sua primeira vítima. Earthlock possui o recurso de salvamento na nuvem, porém esse recurso está ativo somente nas versões do Steam e do GOG do jogo. E eu estava jogando pela Epic Games. A loja dos criadores de Fortnite aparentemente não oferece salvamento em nuvem para jogo algum. Com o disco original formatado emergencialmente, todos os meus saves de Earthlock desapareceram para sempre, depois de dezesseis horas de jogo.

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Uma coisa seria seguir em frente com um título sem brilho, por pura inércia ou compromisso com um pico de três visualizações. Outra coisa seria repetir 16 horas de jogo até o ponto em que estava antes. Aproveitei a deixa para dizer adeus a Earthlock e avançar para algo mais prazeroso.

Ouvindo: Turok Evolution - Nehpets Towers

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