Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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9 de abril de 2020

BFF

Quem diria que Half-Life ganharia um novo capítulo? Quem diria que veríamos a verdadeira expressão da amizade em um jogo eletrônico?

O verdadeiro Half-Life 3 sempre foi os amigos que fazemos pelo caminho...

Ouvindo: The Union Underground - Turn Me On Mr Deadman

8 de abril de 2020

Jogando: Biped

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(publicado originalmente no Gamerview)

Jogos cooperativos podem ser divididos de duas formas: aqueles em que dois jogadores compartilham o mesmo universo, mas cada um cuida da sua vida em direção a um objetivo comum, e aqueles em que, se não houver uma colaboração tarefa a tarefa, a coisa não anda. Não é muito diferente da vida, vamos combinar.

Biped está com os dois pés enterrados na segunda alternativa: a sintonia fina entre os dois jogadores é essencial para se sair do lugar, mas sem muito stress, permitindo uma experiência compartilhada que é divertida na maioria das vezes, raramente difícil e, lamentavelmente, bastante curta.

Quem Precisa de Braços?

Em Biped, um acidente espacial ou algo assim força uma nave de robozinhos inteligentes a cair na Terra. Uma dupla desses robozinhos é enviada para diferentes pontos do planeta para consertar os faróis espaciais que impedirão que outras naves sofram o mesmo tipo de acidente. Parando para pensar, a história não faz o menor sentido, mas também é o que menos importa no jogo.

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O grande diferencial desse universo é que seus habitantes não tem braços. Eles são robôs bípedes (daí o nome), que fazem todas as suas tarefas usando as pernas que grudam magneticamente em superfícies (já que também não possuem dedos). É impressionante que eles tenham construído uma civilização que se expande por diferentes sistemas solares, mas é o que temos pra hoje e essa abordagem funciona em termos de mecânicas de jogo.

Portanto, mais impressionante ainda é o que a chinesa NEXT Studio tenha conseguido fazer com o que seria claramente uma limitação em um jogo de puzzles e plataformas. Cada jogador opera somente dois botões, um para a perna esquerda e outro para a perna direita. O simples ato de caminhar precisa ser coordenado passo a passo, embora seja possível deslizar em superfícies lisas para os mais preguiçosos, se apertar os dois botões ao mesmo tempo.

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A partir dessas limitações, os jogadores usarão as pernas para operar alavancas, se balançar em cordas, controlar barcos e até mesmo operar traquitanas analógicas de rachar a cuca. Entretanto, Biped não mostra a que veio na campanha solo e o jogador solitário pode acabar se deparando com um jogo convencional, para não dizer enfadonho, em que é preciso correr por cima de plataformas com tempo contado ou simplesmente operar alavancas repetidas vezes. Esse caminho apresenta desafios muito mais simples e trabalhosos do que a verdadeira gema do título e está ali, talvez, como uma exigência de contrato, um pontinho no Powerpoint original de apresentação do jogo para os investidores da produtora Tencent. "Sim, tem modo Solo sim, confia no pai".

A União Faz a Força

Biped é uma experiência muito superior quando jogado em dupla. É praticamente outro jogo, embora ambientado nos mesmos cenários. Os desafios são diferentes e realmente exigem que os dois robôs atuem em sintonia.

Um deles é o azul e o outro é o rosa. Em determinadas plataformas, por exemplo, é necessário que a plataforma seja primeiro pisada pelo azul, quando a plataforma muda de cor e passa a precisar ser pisada pelo rosa, se alternando. Um passo errado de um dos robôs e a plataforma some, jogando os dois no abismo do fracasso. Em outros momentos, é necessário um número exato de pés na plataforma ao mesmo tempo, obrigando os jogadores a prestar muita atenção e coordenarem a caminhada.

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A NEXT Studio explora muita bem essas possibilidades e, cada mapa, apresenta uma novidade. Quando o jogador achava que já tinha dominado tudo, é preciso realinhar o cérebro e decifrar um novo ritmo ou uma nova interação entre os personagens ou dos personagens com o ambiente.

Alguns desafios podem exigir um pouco mais de paciência até serem vencidos, mas não há nada no jogo que provoque irritação. É impossível perder a calma com a música tranquila e a fofura de seus protagonistas, que só é sobrepujada pela doçura dos NPCs, que conseguem ser mais desajeitados que nossa dupla de heróis, precisando de ajuda a todo momento, mas também retribuindo.

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Os cenários não são tão criativos quanto se poderia desejar, com o obrigatório mapa desértico, o mapa do gelo, o mapa da floresta… você espera por um mapa da lava, mas, felizmente, ele não chega. Por outro lado, é uma boa surpresa quando aparecemos em um rio a bordo de barcos.

O principal problema de Biped é terminar. Não, sério. Ele termina rápido demais. Jogando com meu filho, completamos a campanha cooperativa em cerca de três horas. Considerando que não somos speedrunners e nem chegamos perto dos tempos sugeridos pela NEXT Studio para cada nível, temos aqui uma experiência que periga durar apenas duas ou mesmo uma hora na mão de jogadores mais ágeis. Terá sido um par de horas bastante divertido, mas o gostinho de "quero mais" continua na boca. Na forma atual, tem a impressão de ser uma demo ou um protótipo. Felizmente, o preço do jogo acompanha essa curta duração.

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Para quem curte extras, há itens colecionáveis escondidos pelo cenário, além de desafios opcionais e moedas para juntar. Com essas moedas, é possível adquirir customizações na lojinha interna do jogo, embora fica a dúvida: para quê investir tanto esforço para comprar o item mais caro, se iremos utilizá-lo, no máximo, por duas horas?

O epílogo de Biped indica que o trabalho duro dos robôs pernudos não tem prazo pra acabar, então, ficaremos no aguardo de uma continuação que nos convide para uma nova aventura.

Ouvindo: KeeN - I Don't Care

7 de abril de 2020

Dever e Horror

Astartes

What is your Duty? To serve Emperor's Will.

What is Emperor's Will? That we fight and die.

What is Death? It is our duty.

What is your Duty?

A última semana foi particularmente pródiga para os servos do Imperador e os fãs de Warhammer 40K. Seu credo foi contemplado com três dádivas especiais.

A primeira é a impressionante conclusão do projeto Astartes, uma série de animação dividida em cinco episódios que vinha sendo desenvolvida por entusiastas do universo, sem nenhuma ligação com a Games Workshop. Foram dois longos anos para a conclusão da saga, mas o resultado compensou e muito a espera. Ainda que os quatro primeiros capítulos sejam extremamente curtos, com menos de dois minutos de duração cada, o capítulo final possui 7 minutos surreais que suplantam tudo que foi visto antes, tanto em termos de extensão como em termos de explorar rumos inesperados. É ver para crer:

O Gigante Acordou

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Poucos dias depois, a própria Games Workshop soltou a nova prévia de Angels of Death, a animação oficial que foi anunciada aqui no blog em dezembro de 2018. O novo trailer do trabalho mostra um foco muito maior nas batalhas espaciais de Warhammer 40K e podemos ver uma frota do Império diante de uma Frota Hive dos Tyranid.

Angels of Death deveria ter estreado em 2019, foi obviamente adiado e agora seus responsáveis garantem que a série será lançada ainda esse ano.

A Games Workshop não irá parar por aí e já está com outro projeto em andamento, desta vez uma antologia de animação em 2D com diferentes histórias curtas. A iniciativa recebeu o nome de Hammer and Bolter e o o primeiro episódio, Death's Hand, irá acompanhar um grupo de Assassinos Imperiais e recebeu uma prévia de 30 segundos:

Por muitos anos, a devoção por Warhammer 40K foi alimentada quase que inteiramente pela chama de seus seguidores. Em 2020, a Games Workshop está disposta a espalhar ainda mais seu evangelho e cantar ao mundo os auspícios do glorioso Imperador dos Homens.

Ouvindo: Nekromantix - World Of Dust

6 de abril de 2020

(não) Jogando: Magrunner: Dark Pulse

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Depois que a Valve lançou a pequena obra-prima Portal, literalmente abriram-se os portais para várias tentativas de clonar suas ideias. Não que eles tenham criado o gênero "jogo de puzzle em primeira pessoa com uma novidade mecânica". Ou talvez tenham. Mas é fácil identificar um clone. Entretanto, como em tantos outros gêneros que também tiveram um jogo marcante e uma sucessão de similares, não é simples capturar a fórmula do líder. Para cada Lightmatter lançado, tivemos dois ou três Q.U.B.E. que naufragaram em suas pretensões.

Um dos equívocos mais comuns ao se tentar reproduzir o sucesso de Portal é acreditar que protagonista lacônico é um elemento essencial ou que o jogo fez sucesso porque a Aperture Science era uma corporação maligna e impessoal e todos os cenários precisam seguir esse mesmo pressuposto ou um dispositivo cientificamente fantástico é fundamental para a trama.

Magrunner: Dark Pulse comete esses pecados em seu início, surpreende com uma reviravolta totalmente inesperada logo em seu primeiro quarto, e volta a falhar, desta vez por seus próprios méritos.

Como em uma lista de pontos em um PowerPoint, Magrunner: Dark Pulse traz uma corporação poderosa, baseada em tecnologia, com propósitos escusos. A arquitetura de seus níveis é uma mistura de minimalismo com cores vibrantes. O protagonista utiliza um equipamento inovador e essa é sua principal fonte de interação com os enigmas. Há caixas para se mover, plataformas iluminadas e até mesmo mensagens edificantes de propaganda nas paredes. Cave Johnson teria orgulho dessa empresa.

Magrunner - Dark Pulse 02

Durante uma longa e extremamente expositiva introdução, somos apresentados a uma premissa absurda. A tal corporação quer enviar cosmonautas para um planeta distante, mas apenas os mais sagazes e hábeis serão escolhidos. E o processo de escolha é cruzar uma série de salas com desafios físicos, usando um aparelho que controla campos magnéticos. Você é um magrunner. Um dos sete finalistas desta disputa e o menos habilitado para estar aqui: você veio do povão, é um autodidata amparado por um mutante rejeitado pela sociedade e você mesmo construiu seu dispositivo improvisado, porque você ao mesmo tempo não tem recursos e é um prodígio. James Halliday ficaria orgulho desse herói.

Os primeiros puzzles são bem tranquilos de resolver e dão a impressão de que não há muito o que explorar com essas mecânicas tão básicas. E não há mesmo. Algumas soluções parecem mais improvisadas do que corretas. Eu tive mais a sensação de estar "quebrando" as regras e usando gambiarras do que exatamente resolvendo de uma forma lógica, como usar o cabo de uma chave de fenda para bater em um prego madeira adentro.

O que salva Magrunner do completo fiasco é o "Dark Pulse" do seu título e aqui valeria até mesmo um aviso de SPOILER, se não estivesse falando de um jogo de sete anos atrás ou como se as próximas telas não fossem entregar a surpresa. A Frogwares realmente se esforça para diferenciar sua história e, subitamente, sem nenhum aviso, o jogo ganha tons lovecraftianos. Para ser sincero, a transição é abrupta: temos um breve curto de luz, depois alguns murmúrios em outra fase e logo somos apresentados a uma abominação meio humana, meio peixe devorando uma vítima. É uma falta de sutileza que beira o risível, mas Dagon ficaria orgulhoso desse choque.

A partir daí, saltamos para Portal 2. Ao invés das salas assépticas da instalação, passamos a navegar por salas progressivamente mais destruídas até chegarmos nos bastidores bizarros do prédio. A mudança de ares cai muito bem e alguns momentos podem ser realmente tensos. A criatividade nos puzzles retorna por mais alguns níveis e tive o falso alívio de que jogo havia encontrado sua identidade e seu brilho.

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Magrunner - Dark Pulse 11

Ledo engano. A capacidade de seus criadores de produzir puzzles se esgota bem rápido e outra vez me vejo apertando parafusos com o canto de uma lima, mais realizando tentativa e erro do que efetivamente raciocinando. Quando os puzzles são lógicos, as etapas cansam, mas mesmo esses são preferíveis aos absurdos "improvisos".

A trama estagna. Há insinuações inesperadas sobre o passado do herói, mas progridem a conta-gotas. Prevejo uma longa exposição final, a revelação de que o presidente da corporação é um cultista de um Antigo e precisa ser derrotado, mas esse jogo também carece de um grande vilão até aqui. Portal sem GLaDOS não é Portal, mas os desenvolvedores não entendem e acreditam que ambiente estéril mais quebra-cabeças já são suficientes para motivar o jogador.

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Há horrores cósmicos e belas paisagens na reta final de Magrunner: Dark Pulse, mas não tenho fôlego para suas mecânicas cansativas e sua história, que, a despeito do potencial de seu mito, não empolga. Cthulhu não ficaria orgulhoso desse jogo.

Ouvindo: The Eyeliners - Instramatic

5 de abril de 2020

Quarentena - Semana 3

Battleship

Do pânico, passamos para a normalização, para a anestesia. Mesmo com os números crescentes, a sensação geral de se estar vivendo uma guerra vai se esvaindo e até mesmo uma pandemia pode se transformar em uma rotina, o que se configura um erro, uma vez que o vírus não pensa, não liga, nem se importa com os estranhos mecanismos psicológicos de suas vítimas e apenas aguarda inativo o momento de guarda baixa. Mal passamos do começo da crise e já há aqueles que proclamam seu final.

Como já aconteceu comigo antes inúmeras vezes, completar uma tarefa nunca significa um tempo extra. Para onde foram aquelas horas diárias dedicadas àquele trabalho que se completou? Foram destinadas a outras tarefas e o dia de 24 horas parece encolher para 20, 18 horas. Felizmente, a pressão de entregar metas aliviou e minha saúde mental em meio à quarentena agradece o alívio no pé do acelerador.

Meu filho e eu atingimos uma espécie de patamar estranho em Ark, bem mais rápido do que eu imaginava. Agora temos dinossauros voadores, dinossauros caçadores, um dinossauro telepata que provoca medo em seus inimigos. Há poucos inimigos na região que nos impõe medo, armaduras metálicas recobrem nossos corpos. Meu filho ergueu uma nova base em uma área bastante ampla, com espaço para expansão. É bom ter um teto de pedra sobre minha cabeça, com várias mordomias. Contribuí adicionando iluminação de tochas, uma escada na porta da frente e uma cisterna que ainda precisa ser integrada com encanamento. Até uma tesoura eu consegui e finalmente foi possível aparar meu volumoso cabelo e portentosa barba, apenas para vê-los crescer novamente em uma única sessão.

Por conta desses avanços, o ânimo do garoto esfriou um pouco. Não há muitos desafios próximos e temos reservas abundantes de recursos. É um ponto na curva de evolução bastante comum em títulos de sobrevivência e eu sei o que isso significa: é chegada a hora de se preparar para expedições de desbravamento por terras desconhecidas.

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A sessão semanal de filmes que fazíamos juntos havia anos, agora virou bi-semanal. Abrimos com Aves de Rapina na quinta-feira e não foi ruim. É um filme com (raros) momentos de vergonha alheia, (algumas) boas lutas e uma estética que achei bem da hora. É um Batman e Robin que deu certo, digamos assim. Destacaria a curta, mas impecável atuação de Mary Elizabeth Winstead, que acerta o timing cômico melhor que todo mundo ali. Ewan McGregor está claramente se divertindo, cafonérrimo, mas no tom certo do filme.

O segundo filme, no sábado à noite, foi Battleship. Descontando o enredo sem sentido, os personagens sem carisma, os furos inexplicados e Liam Neeson fazendo nada, é um filme divertido. Os roteiristas gastam um tempão para apresentar os personagens, ao ponto do meu filho perguntar "cadê os alienígenas?", o que geralmente é uma boa decisão. Entretanto, os personagens continuam unidimensionais, a subtrama é inútil. O ápice do filme é quando o protagonista dá um CAVALO DE PAU em um navio de 46 mil toneladas! Foi o momento que eu levantei do sofá rindo. O filme é salvo pelo AC/DC e os efeitos especiais.

Pelo Gamerview, entreguei as análises de Biped e Gigantosaurus - The Game. O primeiro é um divertidíssimo e criativo jogo cooperativo, que conseguimos zerar juntos em três horas. O segundo é um jogo infantil do qual meu filho preferiu manter uma boa distância e não posso julgá-lo, uma vez que, se eu pudesse, também teria mantido uma boa distância. A análise de Dreamscaper Prologue também já está pronta, mas não foi publicada, já que há uma dúvida se o jogo tem um modelo de episódios, se é Early Access, se é uma demo gratuita. Por ter escrito três análises fora do blog, fica explicada então minha baixa produção por aqui essa semana.

Inaros

Em Warframe, estou usando Inaros e o personagem gerou uma curiosa conversa de pai para filho aqui em casa. Como eu já havia explicado, o garoto havia adquirido o personagem com Platinum, o dinheiro do jogo, que ele comprou sacrificando parte de sua mesada. O fato de eu ter obtido o mesmo personagem que ele (ainda que eu não tenha pagado) não soou bem em seus ouvidos e ele estava disposto a se livrar do próprio herói por que agora ele não era mais "exclusivo" dele. Ensinei que não era para ser assim, que Inaros continuaria tendo valor para ele e que ele deveria estar feliz de eu ter desbloqueado o personagem e que deveria servir como um tutor para mim, oferecendo dicas de customização, uma vez que ele era um jogador já experiente de Inaros. Funcionou. A crise foi contornada e espero ter conseguido evitar o surgimento de um futuro "manchild" que não sabe dividir seus gostos.

Para substituir Darkest Dungeon, os Deuses da Aleatoriedade colocaram em meu caminho o grotesco Action Alien. É um Killing Floor de baixíssimo orçamento com missões para cumprir. Apesar de seus inúmeros defeitos, vai ficar aqui por mais um tempo e o primeiro vídeo do que talvez seja uma série está programado para ir para o canal nessa quarta-feira.

Magrunner: Dark Pulse será removido em breve do PC, tão logo eu tenha tempo para sentar e escrever sua análise. Apesar da história ter dado uma reviravolta que ajuda a destacar o jogo no gênero dos puzzles parecidos com Portal, suas mecânicas parecem esticadas ao limite. Por três salas seguidas, a impressão que tive não era que estava raciocinando de acordo com sua lógica, mas improvisando gambiarras na base da tentativa e erro. A descoberta não é fluida como costuma ser em títulos melhor produzidos. Apesar de ter chegado ao meio da jornada, estou exausto de tentar adivinhar que caminho tortuoso o jogo deseja que eu faça. Lamento apenas não ter chegado ainda nos níveis "cósmicos" do jogo...

Lá fora, o horror invisível nos observa.

Magrunner

Ouvindo: Neurotic Fish - Mechanic of the Sequence

1 de abril de 2020

Resultado da Promoção Raspa do Tacho

O resto do resto, a sobra da sobra. Desta vez, não ficou nenhum jogo pra trás, mas essa era mesmo a proposta da Promoção Raspa do Tacho.

Essa iniciativa não seria possível sem a boa vontade de colaboradores como JohnnyC, Daniel Puia, Shadow Geisel e Tais Fantoni. Os agradecimentos vão para eles! Um forte abraço nessa quarentena!

zombie-night-terror

O estratégico Zombie Night Terror devorou a concorrência para se tornar o jogo mais cobiçado nessa promoção, com nada menos que 17 interessados. O participante Daniel Matheus foi o grande ganhador e em breve comandará hordas de mortos-vivos do conforto do seu lar.

Por ser uma promoção mais curta, a divulgação foi bastante intensa, para não dizer diária. Obtivemos 25 concorrentes, se digladiando pelos jogos que estavam disponíveis.

Desta vez não sobrou nada e, em breve, começaremos outra promoção (sim, outra!) somente com jogos inéditos.

Segue abaixo a lista completa de vencedores de cada jogo.

Os Ganhadores

  • Chico venceu outros 13 participantes e conquistou o jogo Bone: Out From Boneville.
  • Chico nem viu nenhum dos outros 13 participantes e levou o jogo Zen Bound 2.
  • Raphael S. Neto venceu outros 10 competidores e levou o jogo Osmos.
  • Zolini dominou os 11 interessados e ganhou o jogo Jack Lumber.
  • George Chaves Pacheco dominou os 9 concorrentes e levou para casa o jogo AaaaaAAaaaAAAaaAAAAaAAAAA!!! for the Awesome.
  • Dori Prata dominou os 15 competidores e embolsou o jogo Star Wars Starfighter.
  • Joe De Lima venceu outros 12 competidores e vai curtir sozinho o jogo Solar Flux.
  • Mussabagre venceu outros 11 concorrentes e conquistou o jogo Tetrobot and Co..
  • Nelson Junior Da Silva foi o vitorioso sobre 11 interessados e recebeu o jogo Toast Time.
  • George Chaves Pacheco venceu outros 14 leitores e vai curtir sozinho o jogo Tormentor X Punisher.
  • Daniel Matheus foi o vitorioso sobre 13 adversários e recebeu o jogo Rivals of Aether.
  • Rafael sapatateou na cova dos 12 participantes e ganhou o jogo The Norwood Suite.
  • Ernani Feskiu foi o vitorioso sobre 15 leitores e embolsou o jogo Mr. Shifty.
  • Marcio Vinicios teve mais sorte que os outros 13 interessados e vai curtir sozinho o jogo Splasher.
  • Chico sapatateou na cova dos 10 concorrentes e conquistou o jogo Serial Cleaner.
  • George Chaves Pacheco mandou beijo no ombro pros 10 camaradas e vai curtir sozinho o jogo Acceleration of SUGURI 2.
  • Rafael nem viu nenhum dos outros 11 competidores e faturou o jogo Bear With Me.
  • Alexandre Bueno mandou beijo no ombro pros 13 oponentes e conquistou o jogo Crazy Machines 3.
  • Joe De Lima foi o vitorioso sobre 11 adversários e vai curtir sozinho o jogo Running with Rifles.
  • Daniel Matheus venceu outros 17 participantes e levou para casa o jogo Zombie Night Terror.
  • Chico sapatateou na cova dos 11 competidores e vai aproveitar o jogo Desert Thunder.
  • Rafael nem viu nenhum dos outros 10 concorrentes e vai curtir sozinho o jogo Knightshift.
  • Nelson Junior Da Silva triunfou sobre os outros 10 competidores e recebeu o jogo Memories of a Vagabond.
  • Mussabagre dominou os 9 oponentes e levou o jogo Ampu-Tea.
  • Chico dominou os 9 oponentes e embolsou o jogo DarkEnd.
  • Zolini derrotou 9 adversários e ganhou o jogo Ionball 2: Ionstorm.
  • Rafael mandou beijo no ombro pros 8 camaradas e ganhou o jogo Numba Deluxe.
  • Chico foi o vitorioso sobre 8 participantes e levou para casa o jogo Pester.
  • Raphael S. Neto nem viu nenhum dos outros 11 candidatos e levou o jogo Super Killer Hornet: Ressurrection.
  • Rafael venceu outros 8 camaradas e vai aproveitar o jogo Terra Lander.
  • Chico triunfou sobre os outros 9 competidores e vai curtir sozinho o jogo The Culling of the Cows.
  • Raphael S. Neto venceu outros 9 participantes e faturou o jogo Alien Spidy.
  • Zolini triunfou sobre os outros 8 participantes e embolsou o jogo Pressured.
  • Raphael S. Neto derrotou 10 camaradas e conquistou o jogo RADical ROACH.
  • Zolini nem viu nenhum dos outros 10 candidatos e levou o jogo Speed Kills.
  • Alexandre Bueno triunfou sobre os outros 10 competidores e faturou o jogo Uriels Chasm.
  • Zolini nem viu nenhum dos outros 10 competidores e recebeu o jogo Uriels Chasm 2.
  • Ingrid Mendes dominou os 12 leitores e embolsou o jogo Ticket to Ride.
  • Chico mandou beijo no ombro pros 13 interessados e vai aproveitar o jogo Sattelite Reign.
  • Chico derrotou 11 oponentes e levou o jogo Forward to the Sky.
  • Mussabagre mandou beijo no ombro pros 13 competidores e faturou o jogo The Swindle.
  • Alexandre Bueno foi o vitorioso sobre 10 interessados e recebeu o jogo Mushroom Wars.
  • Raphael S. Neto triunfou sobre os outros 9 leitores e faturou o jogo Caveman Craig.
  • Rafael venceu outros 8 participantes e embolsou o jogo Collider.
  • Marcio Vinicios sapatateou na cova dos 10 oponentes e levou o jogo SWR JST DX Selective Memory Erase Effect.
  • Chico derrotou 10 candidatos e ganhou o jogo 3 Stars of Destiny.

Como é muita gente, pode demorar um pouco para cada um dos ganhadores receber sua(s) chave(s) ou link(s) de ativação por e-mail ou diretamente pelo Steam. Tenham paciência, por que para os vencedores essa semana terá jogo inédito garantido!

Quem insistiu em cadastrar uma conta de Hotmail ou Outlook, talvez tenha que dar uma olhada na caixa de Spam para ver se o email não caiu lá. Desculpe o incômodo!

Ouvindo: Suínos Tesudos - Porca Miséria

31 de março de 2020

(não) Jogando: Darkest Dungeon

Darkest Dungeon 01

As garras pútridas da escuridão tentam se fechar sobre meus quatro heróis, um maltrapilho bando de aventureiros atraídos pela falsa promessa de fortuna e glória. Nas profundezas de uma mansão em ruínas, habitam somente abominações amaldiçoadas, bandidos traiçoeiros e horrores indizíveis que não podem ser desafiados. O cemitério será o destino de praticamente todos aqueles que ousarem atravessar esses corredores sujos.

Decadência. Fracasso. Trevas, Loucura. Darkest Dungeon não é um jogo para ser jogado, é um roda de tortura para ser sofrida, uma descida à derrota que gira lentamente e a cada rodada vai apertando cada vez mais, esticando ossos, rompendo ligamentos, arrancando gritos de sofrimento.

Tudo que você alguma vez ouviu falar sobre Darkest Dungeon é real. Esse é um jogo brutal, projetado do zero para te oferecer a ilusão de que a vitória é possível, enquanto joga dados nas sombras manipulados para te condenar. Ainda assim, por longas 11 horas, ou tortuosas 14 sessões documentadas e compartilhadas em um exercício de exibicionismo masoquista, eu perseverei buscando um Graal inalcançável.

Darkest Dungeon 03

Para quem não conhece, Darkest Dungeon é um jogo de RPG com combate tático por turnos em que um grupo de aventureiros explora as ruínas de uma mansão abandonada e amaldiçoada por horrores lovecraftianos. Agora que finalmente experimentei em primeira mão suas mecânicas e estética, posso afirmar com convicção que WARSAW é um plágio desarvorado que, pelo menos, é honesto em deixar claro que o sucesso não é uma opção.

Aqui, há várias mecânicas empurrando resultados negativos e o mero contato com os horrores da dessas salas e corredores vai lenta, mas inexoravelmente, dilapidando a sanidade de seus personagens, atribuindo desvantagens que são difíceis de remover ou acumulando efeitos negativos que podem levar ao total descontrole ou mesmo a um ataque cardíaco fatal. Ninguém escapa ileso de uma sessão e administrar corretamente a recuperação de seu time é quase ou mais importante que as decisões tomadas no calor das batalhas.

Isso torna Darkest Dungeon um jogo inclemente. Entretanto, esse é justamente o seu apelo: por quanto tempo mais sua inteligência, suas escolhas, sua sorte, irão manter seus guerreiros vivos e sãos? O jogador é constantemente desafiado a testar suas chances e sua sagacidade em empreitadas que podem ser aparentemente fáceis, mas que podem se transformar em uma carnificina após um único erro ou falha crítica. As lendas falam de jogadores que chegaram ao final, que triunfaram sobre a máquina de esmagar esperanças. Esses mitos sussurrados na internet atraem novas vítimas e a roda não para de girar.

Porém, ao contrário de WARSAW, aqui a estratégia de morde e assopra é muito bem equilibrada. Você sente que o jogo é difícil, mas não injusto. Para cada luta dura, há uma luta fácil. Para cada erro fenomenal, há um sucesso decisivo que infla seu ego e traz consigo a perspectiva de um triunfo. As engrenagens não são tão visíveis. Demorei horas para perder meu primeiro personagem. E outras tantas horas para perceber que meus recursos estavam se esgotando mais rápido do que se acumulando. O golpe final foi perceber que meus campeões preferidos e mais experientes tinham a mesma chance de sobrevivência de novatos que nunca viram batalha. A Morte ri para você da escuridão mais profunda.

Darkest Dungeon 04Darkest Dungeon 05

Fosse tão somente um título desafiador, Darkest Dungeon não teria permanecido por tanto tempo em minha mente. Ele vai além e transporta sua sensação de iminente derrocada para seus gráficos pesados nas linhas escuras, sua trilha sonora quase gutural e sua narração soturna. Não há um pixel no jogo que não seja sufocante, não há um ruído que não seja ameaçador, não há uma palavra dita que não mereça sua atenção. A atmosfera medieval da Idade das Trevas é recuperada e não abre espaço para um único fio de poesia. A vida é bruta e o destino de seus personagens não é nem a glória, nem a fortuna que eles imaginavam.

Criei histórias paralelas para meus personagens para tentar lhes oferecer um tom mais épico. Histórias de obsessões e vinganças. De um cuidador de cachorros disposto a derrotar a infame Sereia a qualquer custo, após abandonarmos nossa freira em suas garras em uma fuga nada heroica. A Sereia tombou, mas a luta cobrou o mais alto dos preços do homem e seu companheiro canino. Não há lugar para histórias aqui, apenas para o matadouro mal iluminado da masmorra mais escura.

Despeço-me do jogo, ciente de que talvez desistir seja a única vitória ao meu alcance. Que outros tolos valentes sejam atraídos por suas promessas.

Ouvindo: Theatres Des Vampires - Angel Of Dust (live)

Retina Desgastada

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