Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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25 de março de 2019

Através dos Olhos de Quem

Não escondo que To The Moon é um dos jogos da minha lista de favoritos. A obra-prima de Kan Gao combina magistralmente música e narrativa em uma experiência que narra os últimos instantes de um homem em busca de consertar os erros do passado e se reconectar com o grande amor de sua vida, a autista River.

A talentosa artista autista Ashanti Fortson produziu uma outra perspectiva sobre To The Moon, um ponto de vista que precisa ser levado em consideração dentro da obra. Seu quadrinho Through Whose Eyes me sacudiu de tal forma que acreditei que seria necessário divulgá-lo.

Entrei em contato com Ashanti para conseguir a autorização para traduzi-lo para o Português. Fui surpreendido pela extraordinária delicadeza da artista, que se ofereceu para refazer o quadrinho a partir dos originais, mas utilizando minha tradução. Trabalhamos em conjunto para chegar ao resultado final que você confere logo abaixo (contém spoilers do jogo):

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É um questionamento que To The Moon não responde e que cabe a nós avaliarmos diante dos desafios do autismo. Sou imensamente grato a Ashanti pela oportunidade de trazer esse olhar até vocês.

Ouvindo: Sleater Kinney - Off With Your Head

18 de março de 2019

Conan, o Cineasta

Depois de muito grinding, estou finalmente próximo de concluir minha jornada pelas terras do Exílio da esquecida Era Hiboriana. Revisitei alguns lugares do início de minhas aventuras, desta vez mais maduro, melhor equipado e uma máquina de destruição. Gargalhei dos inimigos que antes me assombraram.

Carregarei comigo as lembranças de uma odisseia selvagem em que forjei meu caminho com aço e lustrei com o sangue de meus inimigos. E quando a memória falhar, terei os magníficos vídeos de Michele Tosoni para reacender meu olhar:

O que este nobre escriba tentou alcançar com palavras na tela, ela obteve com câmeras e ferramentas de edição, celebrando a arquitetura e a atmosfera de Conan Exiles. Enquanto a desenvolvedora Funcom foi lamentavelmente indolente na produção de cutscenes para seu jogo, coube à Tosoni cumprir esse papel de forma espontânea. Seu canal possui uma boa coleção de vídeos sobre o mundo do bárbaro mais famoso da Ciméria, mas também possui um punhado de tributos a Warhammer: Vermintide 2 e alguns experimentos cinemáticos.

Ouvindo: Dmitry Petyakin - Bones Road

12 de março de 2019

Clube dos Corações Solitários

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Quando o coração bate, não há fronteiras ou barreiras de linguagem e um pequeno desenvolvedor chinês descobriu que existe muito mais compaixão no mundo do que se poderia imaginar. Seu jogo visual novel no Steam poderia ser mais um em um infindável mar de títulos parecidos mas Tiny Snow guardava em seu interior uma história da vida real.

Um dos jogadores criticou o título argumentando que a trama romântica não era convincente. A resposta honesta do desenvolvedor bateu fundo: "a trama não é convincente porque... eu nunca... experimentei amor. Porém, eu sou muito bom em escrever histórias sobre ser rejeitado e ser abandonado. Eu vou tentar melhorar da próxima vez".

A réplica conquistou a primeira página do Reddit. E foi o que bastou para cativar centenas de outros jogadores que já estiveram na mesma posição do desenvolvedor solitário. Em pouco tempo, não apenas as vendas de Tiny Snow foram alavancadas (embora o jogo esteja em chinês, sem qualquer tradução), como também o título foi bombardeado de reviews positivos e votos de felicidade:

Eu não consigo ler chinês, mas eu quero que o desenvolvedor seja feliz. *abraços*

Eu estou no mesmo barco que você, cara, então eu sinto sua dor. Eu definitivamente irei jogar o jogo, se algum dia tiver uma versão em Inglês :)

Honestamente, não escute a opinião de alguns manés sobre seu jogo. Nós todos iremos conseguir, mano, apenas não desista

Comprei esse jogo e a trilha sonora para te apoiar, eu queria poder fazer mais do que isso. Eu espero que você encontre o amor verdadeiro em um futuro próximo! Mas lembre-se de que nós sempre iremos te amar

Infelizmente, eu não falo chinês. Entretanto, eu queria dar apoio ao desenvolvedor e eu tenho certeza de que uma versão em Inglês estará disponível no futuro ou que pelo menos alguém irá postar uma tradução em algum lugar na internet. Obrigado pelo jogo caloroso e muita sorte para você em sua vida, dev!

Segundo Rice, o desenvolvedor de Tiny Snow, houve um "erro de tradução" e sua experiência trágica foi exagerada no Reddit. Ele tranquilizou a todos e declarou que ainda acredita que o amor verdadeiro virá (na torcida para que isso aconteça antes da versão em Inglês do jogo).

A todos que atenderam ao chamado do clube dos corações solitários, Rice deixou um tocante agradecimento:

rice

Ouvindo: Retrovirus - Where The Ghosts Whisper

8 de março de 2019

Jogando: Conan Exiles - Parte 3 (A Maldição do Grinding)

Conan Exiles 59Pode-se argumentar que estou jogando Conan Exiles errado. O título de sobrevivência foi projetado desde o começo para ser uma experiência coletiva, onde um clã de jogadores com uma fortaleza colossal junta suas forças, suas armas, o avatar de seu Deus e suas feras para destroçar a base de seus inimigos, se fartar da carne de seus corpos, saquear suas posses e dançar ao som de seus lamentos. É o destaque em todos os trailers do jogo.

Entretanto, a Funcom construiu um mapa saturado de atmosfera e de mistérios, um desafiador convite para exploradores e que, apesar de tudo, também oferece um suporte relativamente satisfatório para bárbaros solitários. Esse convite lascivo, assim como o enigma que se esconde nos subterrâneos de uma cidade condenada, é uma armadilha para os incautos e, com mais de 200 horas de jogo, não posso negar que me joguei em suas garras sem cautela alguma.

Nesse meio tempo, domei meu séquito de bestas, transformei meu próprio filho em um devoto fervoroso de Crom, invadi templos profanos, desbravei regiões inteiras, confrontei inimigos horripilantes de todos os calibres, organizei massacres, construí um lar para chamar de meu,  escravizei e conquistei em minhas aventuras.

Conan Exiles 02Conan Exiles 54

Com a ajuda da Wiki oficial, desbravei seu complexo e hermético conjunto de regras. Como Minecraft, a sobrevivência aqui depende de mecânicas arcanas guardadas a sete chaves por seus criadores. Descobri a existência de uma meta final para meu obstinado exilado: a liberdade. Aprisionado nessas terras selvagens, é necessário reunir determinados artefatos, guardados por forças aterradoras, para realizar um ritual que finalmente quebrará o bracelete que o mantém confinado nessa vasta prisão e permitirá que ele abandone tudo que construiu e parta para outros horizontes, efetivamente encerrando o jogo.

Não é a forma como a maioria dos jogadores aproveita Conan Exiles, mas é a forma que eu escolhi para meu guerreiro: um sólido propósito de dominar os elementos, triunfar sobre as adversidades e arrancar a liberdade com aço e sangue do corpo frio de meus captores, se possível.

Nesse ponto, Conan Exiles esbarra em um inimigo ancestral que assombra MMORPGS desde tempos imemoriais: o temível grinding. As melhores armas, as melhores armaduras, as melhores fórmulas do jogo estão trancadas atrás do mítico Nível 60, o último patamar de evolução que seu personagem pode alcançar. Embora eu tenha conseguido obter a maior parte dos artefatos necessários para cumprir minha jornada antes de chegar no nível 60, o último deles reside em uma região onde apenas a morte me aguarda. O calor infernal de um vulcão ativo derrota meu exilado sem piedade e apenas um tipo específico de armadura ou determinadas poções talvez possam permitir que eu cumpra minha sina. E, mesmo assim, sei que uma batalha fatal se descortina depois disso, então ou eu tenho o melhor equipamento ou meu esforço será em vão.

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Estou aprisionado no nível 56 agora, tendo explorado quase a totalidade do mapa, deixado centenas, talvez milhares de cadáveres no meu caminho, derrotado alguns chefes mais de uma vez, arregimentado uma legião de feras. Até mesmo ergui uma base que nunca imaginei que faria em um jogo de espada e feitiçaria; sou Conan, o Construtor. Tudo em nome de prolongar minha estadia, em nome de atingir aquele ápice indispensável para a arrancada definitiva. E, ainda assim, contemplo o horizonte, muitas vezes, sem saber para onde ir ou o que fazer agora.

Desta forma, Conan Exiles promete uma gama de possibilidades para aqueles que chegam no seu último nível, mas há um claro desequilíbrio na reta final. Há conteúdo para entreter os novatos, sempre temerosos da morte. Há conteúdo para aqueles que já tem um certo nível, para que eles possam explorar apenas com um leve temor em seus peitos. Há conteúdo para aqueles que são poderosos e apenas desejam esmagar seus oponentes como insetos. Mas tudo cansa antes do final e o grinding se prova um inimigo muito mais devastador que qualquer outro.

Entretanto, fui longe demais para desistir tão próximo da aguardada liberdade. Que Crom se apiede dessa terra: precisará ter muito sangue derramado até que eu parta.

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Ayreon - The Theory of Everything part 2

4 de março de 2019

Varsóvia Se Ergue!

warsaw

O histórico Levante de Varsóvia será palco novamente de um jogo eletrônico. Nos idos de 1944, com as forças aliadas derrotando os nazistas por toda a Europa, o povo polonês acreditou que era chegado o momento de mais uma vez pegar em armas e tentar expulsar os invasores alemães da cidade de Varsóvia. Mas, com o recuo das forças soviéticas e a falta de reforços necessários, os civis foram massacrados pelo disciplinado, melhor equipado e mais brutal exército nazista. É uma história sem um final feliz, que só chegaria mesmo após a derrota definitiva da Alemanha.

Lamentavelmente, o Levante de Varsóvia foi inspiração de um jogo sofrível anteriormente: o espúrio Uprising44: The Silent Shadows. Uma luta tão trágica de um povo que nunca se curvou diante do poderio nazista merecia um título à altura.

Tudo indica que esse jogo chegou:

Sem ignorar a carga dramática dos eventos originais, mas sem abandonar totalmente a estética inspirada nos animes de seu primeiro jogo, a Pixelated Milk parece ter a competência e a visão necessárias para fazer um jogo grandioso. Warsaw será um título de estratégia e tática, com combates em turnos, um sistema de classes sofisticado e jogabilidade não-linear.

Em termos mecânicos, tenho certeza que a desenvolvedora será capaz de entregar um título desafiador. Regalia: Of Men and Monarchs escondia uma jogabilidade complexa por trás de um visual despojado. Por outro lado, sair do universo mágico e leve de seu jogo anterior para a realidade bruta da guerra, ainda mais ancorada em fatos reais, pode ser uma prova de fogo para o estúdio. Visualmente, Warsaw já abandonou as cores vibrantes de seu RPG de estreia em prol de uma direção de arte mais próxima de títulos sombrios, como Darkest Dungeon, que deve funcionar aqui como sua principal referência. Essa decisão é um bom indicativo de que a Pixelated Milk está na direção certa.

Warsaw não tem data de lançamento ainda, mas deve chegar no início do segundo semestre, para PC, PlayStation 4 e Switch.

Ouvindo: Portion Control - Death By Venom (Ricochet Mix)

26 de fevereiro de 2019

Jogando: Ys Origin - Primeiras Impressões

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Desde o começo de fevereiro e até o final de março estou envolvido em um projeto que me consome um tempo precioso, além das atividades normais de freelance. Obviamente, em um dia com apenas 24 horas, alguma coisa precisava ceder e o blog e o tempo para jogos foram afetados.

Entretanto, uma rotina estafante de trabalho precisa ser equilibrada com jogos.

Depois de concluir o rápido e rasteiro Clutch, percebi que dividir o escasso tempo entre o buraco negro que é Conan Exiles e partidas rápidas de Overwatch não seriam suficientes. Rodei de novo meu sistema randômico para ver o que o destino colocava em minhas mãos.

A primeira opção foi The Vanishing of Ethan Carter, um jogo belíssimo, talvez um dos mais detalhados que já vi, mas lento, para não dizer enfadonho. No início da madrugada, antes de ir para cama, no horário que me resta para jogar, exausto, não era o tipo de jogo que eu estava esperando. O fato de eu ter errado tudo em minha investigação e precisar repetir um longo trecho do mapa foram a gota d'água para guardar o título para um momento melhor.

A segunda opção que caiu na aleatoriedade foi Life is Strange, um título elogiadíssimo que eu tinha comprado, mas nunca aberto. A sensação de voltar para uma sala de aula, para os corredores de um colégio, com todas as suas ansiedades, rituais adolescentes e incertezas me causou mais ridículo do que identificação com a personagem. É uma realidade já tão distante que nem esperei o fantástico do jogo se manifestar para guardá-lo, igualmente para um momento melhor.

A esta altura do campeonato, as entidades que regem o Caos e a Aleatoriedade já estavam insatisfeitas com minha falta de apreço por suas oferendas e colocaram Dementium II HD na minha frente. Felizmente, o jogo travou depois da cena de abertura e provavelmente fui poupado de um título tosco em essência.

Desesperado, lancei minhas lamúrias no Twitter. Sem aviso, o camarada Yuri @arara_ largou um presente no meu Steam: Ys Origin.

Ys Origin - Obrigado

Bem-Vindo ao Japão

Em todos esses anos de jogatina, nunca tinha experimentado um RPG japonês. Tudo bem que Septerra Core ou Breath of Death VII eram inspirados por sua estética e mecânicas e o memorável Anachronox é outro que bebe na mesma fonte. Mas um jogo tru japonês? Jamais.

Para meu espanto, Ys Origin me cativou já na abertura do menu, com uma belíssima trilha sonora que se mostraria marcante ao longo do resto do jogo. A cena de abertura, em estilo anime, também foi uma experiência sensacional e inédita para mim. Então, antes mesmo de controlar qualquer personagem, antes de colocar a mão no teclado, já estava interessado em conhecer esse mundo.

O choque inicial dos gráficos quase me afastou. Parece algo pouco melhor do que um Game Maker, mas é apenas uma impressão equivocada. A bela arquitetura de Ys Origin mostra a que veio assim que a história começa pra valer e me vejo transportado para um lugar mágico, no comando da simpática Yunica. A imersão é quase imediata: ela tem vontade de conhecer, de explorar, mesmo não estando exatamente preparada para isso, compensando sua inexperiência com disposição. Yunica era eu e eu era Yunica nesse aspecto.

Ys Origin - Torre

Imediatamente, mudei as configurações do teclado, porque não sei em que planeta os responsáveis pelo port vivem, mas ninguém usa o botão V para pular. Espaço é o botão de pulo em 99% dos jogos, por favor. Demorei um pouco mais para entender que é possível comandar a personagem com as setas do teclado, ao invés do mouse, o que foi uma mudança muito bem vinda.

Como o camarada Yuri já tinha me explicado, Ys Origin não é um JRPG tradicional. As batalhas não são em turno, você não comanda um time. Aqui, quem manda é a ação, o que aproxima o jogo do nível de cliques de botão de um Diablo da vida, mas sem a complexidade de gerenciamento de loot desse. A jogabilidade é fluida e os inimigos que aparecem pelo caminho não chegam a ser um desafio. Nem mesmo o respawn infinito, que costuma me irritar em vários jogos, conseguiu tirar o sorriso do meu rosto em cada nova passagem por lugares já explorados. O combate é simples, mas viciante, e a história prende o suficiente para que eu queira continuar avançando e explorando.

O problema, e esse é um problema meu, não do jogo, são as batalhas contra chefes. O que os combates com os inimigos comuns trazem de simplicidade, as lutas com chefes exigem coordenação motora e precisão que escapam um pouco das minhas habilidades. Mas o que eu podia esperar de uma recomendação do Yuri, recordista mundial de speedrun de Crowtel, um título que eu e meu filho desistimos por ser infernal? Decidido a jogar Ys Origin até o final e fazer uma série no canal do Retina Desgastada no YouTube, a segunda batalha com um chefe já se mostrou um obstáculo intransponível.

Ys Origin - Segundo Chefe

Por três dias, esforcei-me ao máximo para derrotar o miserável e não atrasar o vídeo. Como disse lá em cima, nesses meses, tempo se tornou um artigo de luxo. Em contrapartida, não estou disposto a largar Ys Origin. Gostei do jogo.

Gostei tanto que mandei tudo para os ares e recomecei a jornada no nível de dificuldade Easy. Não é uma decisão que costumo tomar, mas se a dificuldade estava no caminho entre terminar um jogo bom e largá-lo por minhas próprias limitações, então, por quê não? O primeiro chefe já caiu de novo, desta vez com muito mais tranquilidade do que na vez anterior. Estou à caminho do segundo.

E vou passar por ele.

Ouvindo: W.I.T. - Inside Out

24 de fevereiro de 2019

Tacando Petróleo na Fogueira

Mercenaries 2Um ambicioso político populista ascende ao poder em um país da América Latina após um bem-sucedido golpe militar e se mantém no poder com base em um discurso que promete dividir o petróleo, a maior riqueza nacional, com a população faminta. No seu caminho, forças militares estrangeiras dispostas a incendiar o país para destituí-lo.

Realidade? Claro que não. Estamos falando de jogos. Ou, mais especificamente, de Mercenaries 2: World in Flames, da finada Pandemic Studios. No jogo de tiro de mundo aberto, o jogador  assume o papel de um dos mercenários do título em busca de vingança em um país imaginário batizado de Venezuela.

Nesse universo ficcional, Ramon Solano trai o grupo de mercenários que o ajudou a subir ao poder, se torna o comandante supremo do país e nacionaliza as empresas petrolíferas que estavam instaladas ali, provocando a ira de interesses poderosos. Mas esse detalhe é colocado de lado diante da missão do jogador: derrubar o ditador por motivos meramente pessoais. Para isso, será necessário realizar missões de extrema destruição em um país já devastado por conflitos, jogando facção contra facção até conseguir seu objetivo final: eliminar Solano e restaurar a democracia.

Algumas vagas semelhanças com o mundo real atrapalharam os projetos da Pandemic, que foi alvo de críticas do governo de um país também chamado Venezuela. Felizmente, a empresa esclareceu o mal-entendido, explicando que "todas as pessoas, histórias e eventos são puramente fictícios e não têm relação com eventos reais. Tal como acontece com qualquer número de jogos, filmes e livros, a decisão de escolher eventos e locais interessantes é puramente concebida para contar uma história convincente, bem como fornecer uma experiência divertida e rica para o jogo".

Apesar da posição oficial cristalina, ainda assim Gunnar Gundersen, um dos fundadores da  Venezuela Solidarity Network, levantou um questionamento válido na época: "você pode imaginar se uma rica empresa venezuelana de criação de jogos, ligada aos militares e financiada por um famoso artista latino-americano, inventou um jogo em que você invade os EUA para assassinar o presidente e assumir a economia?".

Vale mencionar que a Pandemic Studios já havia desenvolvido anteriormente, sob encomenda do exército dos Estados Unidos, o jogo Full Spectrum Warrior, utilizado como ferramenta de treinamento oficial de táticas militares nos quartéis. Entretanto, a desenvolvedora negou toda e qualquer possível relação entre a produção dos dois títulos.

Mercenaries 2 - Fuck the People

Nada como o cheiro de libertação do povo pela manhã

Alheia à controvérsia, a produtora EA Games realizou uma campanha de caridade no dia do lançamento de Mercenaries 2 na Inglaterra. Um posto de gasolina na região norte de Londres foi alugado pela empresa e transformado em uma réplica de bunker militar. A partir do posto, foi distribuído de graça o equivalente a 20 mil libras em gasolina para quem quisesse encher o tanque do seu carro. O congestionamento formado por quem estava interessado em gasolina foi considerado um sucesso, uma réplica da atmosfera do jogo. De acordo com Louise Marchant, da produtora, as coisas são assim mesmo: "é ambientado na Venezuela, você joga como um mercenário e combustível é usado como moeda".

Conflict Deniep OpsPor um desses acasos do destino, a fictícia nação da "Venezuela" já tinha sido palco de outro jogo no mesmo ano de 2008.

Separado por alguns meses, Conflict: Denied Ops mostrava um roteiro bastante similar: o General Ramírez, com o apoio do exército, nacionaliza refinarias em um golpe de estado e ameaça os Estados Unidos, se a nação ianque insistir em se meter em seus assuntos internos. Dois operativos da CIA são enviados a essa tal de Venezuela em uma missão secreta (as tais "operações negadas" do título) para derrubar o ditador a qualquer custo antes que ele consiga armas nucleares. O jogador controla a dupla e o foco aqui estava mais na furtividade e sutileza do que na destruição desenfreada e catártica que viria depois.

O título foi o quinto e último episódio de uma franquia militar que já havia mostrado forças de elite norte-americanas em ação na Guerra do Golfo, na Guerra do Vietnã e contra milícias colombianas e células terroristas na Ásia. Todos eventos ficcionais sem qualquer relação com fatos ou situações históricas.

Enquanto isso, na Venezuela do mundo real, entre crises e conflitos, reais e imaginários, a indústria de jogos local luta para se manter de pé, bem longe de polêmicas. E o título mais recente e conhecido de dentro de suas fronteiras é um simulador cyberpunk de bartender inspirado em animes... mas isso é assunto para um outro dia.

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Ouvindo: Love & Rockets - Na American Dream

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Conan Exiles