Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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20 de janeiro de 2022

Akapella Kombat

Quando a música é boa, é necessário um talento muito especial para estragá-la. Então, provando que a música tema do filme Mortal Kombat (o original) é uma pérola imortal, o grupo vocal MayTree fez uma recriação acapella. Sim, sem nenhum instrumento (ou remix moderninho...), eles conseguiram reproduzir a faixa de uma forma surpreendente, usando apenas seus talentos no canto. O único defeito é que ela é curta, uma breve amostra de que é possível:

O MayTree é formado por coreanos e já tem 20 anos de estrada, tendo se apresentado em concertos e turnês pela Ásia, acumulando prêmios como grupo vocal. Eles tem um pendor para a cultura pop e já fizeram recriações de músicas de séries, filmes e outros jogos (como Minecraft e Subway Surfers).

Ouvindo: Christian Death - Between Youth

19 de janeiro de 2022

Jogando: Latarnix Puzzle

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(publicado originalmente no Gamerview)

Em uma era distante e quase inocente dos jogos eletrônicos, um grupo de finlandeses inventou uma história onde pássaros furiosos se vingavam de suínos ladrões com muita destruição. Nascia a franquia Angry Birds, uma marca que chegou a valer bilhões de dólares e pretendeu se tornar a nova Disney. Quando ninguém mais se lembrava deles, Latarnix Puzzle nos apresenta o inverso: um javali furioso que busca vingança contra pássaros ladrões.

As semelhanças terminam por aí, talvez lamentavelmente. Enquanto lá nos divertíamos com uma física caprichada e muito caos, aqui temos um completo foco na solução precisa de puzzles que envolvem encaixar blocos no lugar certo e nada mais.

Javali Pistola

A premissa não poderia ser mais simples e é apresentada antes mesmo do menu: os javalis estão de boa em sua vila, colecionando maçãs douradas, quando surge uma ave que rouba um cesto cheio das frutas. Cabe ao nosso protagonista, o simpático suíno Latarnix, correr atrás do prejuízo e recuperar as maçãs douradas perdidas, uma por nível.

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A casualidade de Latarnix Puzzle já aparece por aí. Você não irá retornar a esse enredo. Ainda que muitos títulos de fato dispensem um contexto mais profundo, talvez esse projeto fosse beneficiado com um tiquinho a mais de gordura. Um par de mapas depois e você nem se lembra mais porque precisa ir atrás das tais maçãs.

O que falta em atmosfera, sobra em multimídia. De um lado, temos visuais bastante atraentes e coloridos, com perspectiva de cima. Do outro lado, temos uma sonoridade meio medieval, com um bom uso de violinos. Infelizmente, o volume geral do jogo é bem baixo e eu recomendo configurar tudo no máximo para aproveitar os (raros) efeitos sonoros e a agradável trilha sonora.

Para manter de certa forma a proposta inicial, nosso javali furioso resolve tudo na base da cabeçada. É aí que entram as mecânicas de Latarnix Puzzle: empurrar caixas para os lugares certos e abrir caminho até a maçã dourada, enxagua e repete. Ao invés de simplesmente empurrar os blocos, o suíno bate sua cabeça contra eles para progredir.

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Latarnix Puzzle é de Endireitar o Rabo do Porco

Ao todo são cinquenta níveis, porém alguns (principalmente os primeiros) podem ser resolvidos em menos de um minuto. Em contrapartida, há outros que irão exigir um bocado de raciocínio e deverão deixar muitos jogadores empacados por dias, tão pistolados quanto o próprio Latarnix. É justamente nesse ponto que reside a principal falha do jogo: sua curva de dificuldade ascende bem rápido, com obstáculos desafiadores surgindo pelo caminho, como poços de lava, plataformas de propulsão e raios laser.

Para atravessar os níveis, você acaba gastando um tempo considerável apenas olhando para a tela e visualizando suas jogadas mentalmente, um xadrez reverso em que você sabe onde deve chegar e precisa desmontar os passos até lá.

Latarnix Puzzle sabe que não é pra qualquer um e sabe que muitas tentativas serão necessárias até encontrar a combinação exata de movimentos que desbloqueia a maçã. É um ato de gentileza que a desenvolvedora Mad Mimic exerce ao deixar à mão a possibilidade de reverter todos os seus movimentos um a um ou simplesmente resetar o nível inteiro com um botão.

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Entretanto, o botão de rebobinar nem sempre funciona como deveria quando você clica e exige uma segunda ou terceira insistida. O fato do Latarnix cabecear apenas andando pra frente na direção de um bloco pode gerar problemas para o jogador que está tão somente tentando posicionar o javali. Tampouco é possível remapear os controles e os botões para algo que talvez satisfaça melhor suas preferências.

O principal desafio da súbita subida de dificuldade é que o jogo não deixa muito claro o que fazem os novos elementos do cenário ou as regras do que reage ou não reage com a maçã ou com o próprio javali. Algumas de minhas mortes aconteceram por essa falta de orientação. Está certo que recomeçar de novo é rápido e praticamente uma necessidade em títulos desse tipo, mas pode incomodar quando você morre por desconhecimento.

Projeto Casual da Mad Mimic

É evidente que as aventuras do javali Latarnix representam uma pausa na produção da excelente desenvolvedora brasileira Mad Mimic. Depois de entregarem os excepcionais No Heroes Here e Dandy Ace, por que não buscar uma jogabilidade menos complexa, mas não menos desafiadora?

Então, Latarnix Puzzle acaba sendo um jogo que tem jeito de casual, que poderia ser facilmente portado para um celular. É aquele tipo de jogo que você abriria rapidamente na fila do banco ou no ponto de ônibus, jogaria um par de níveis, ficaria travado e fecharia para abrir outro título mais consistente ou mais fácil, mas não desinstalaria até terminar, se conseguir terminar.

Ouvindo: Aimee Blackschleger - DOA

17 de janeiro de 2022

Antropofagia Musical

kirby-cumbiaComo a maioria dos brasileiros, meu conhecimento de música da América Latina é praticamente nulo, fruto de nosso isolamento cultural, gerado por uma mistura de um país com dimensões continentais com certa arrogância reminiscente das guerras do século XIX. Enfim, descobri a existência da Cúmbia hoje. Esse ritmo originou-se dos escravos e seus descendentes levados para a Colômbia colonial e se alastrou por os países latinos. Hoje, a Cúmbia é um dos gêneros mais populares da Argentina e do México e eu não fazia a menor ideia.

O que me levou à Cúmbia foi Kirby. Sim, aquela esfera cor de rosa devoradora de tudo da Nintendo. Fazendo jus aos poderes do personagem, que tudo absorve e assimila, um certo Louie Zong (de Los Angeles, a metrópole mais latina da terra do Tio Sam) resolveu combinar a trilha sonora dos jogos de Kirby com o ritmo. O resultado foi batizado de ¡kirbia! e é extremamente cativante, ainda que sejam apenas quatro faixas curtas.

Então temos aqui um ritmo que veio da´África para a Colômbia, chegou nos Estados Unidos e foi recombinado com a sonoridade de um personagem japonês, para ser comentado em um blog brasileiro. É uma das maravilhas das fronteiras cada vez mais tênues entre as pessoas.

Ouvindo: Swamp Terrorists - The Vault I

13 de janeiro de 2022

Enter the Gecko

Nunca ouviu falar do Gecko? Tudo bem, o personagem é o mascote da empresa de seguros norte-americana Geico (não confundir com outro Gecko famoso do mundo dos jogos). Por algum motivo que escapa à lógica e à compreensão, a empresa resolveu fazer um anúncio ambientado no universo de Portal. Além de apresentar elementos visuais e mecânicas tiradas da franquia da Valve, os publicitários se deram ao trabalho de contratar a inigualável Ellen McLain para repetir seu papel como GLaDOS em algumas frases.

A mesma Geico utilizou os personagens de Angry Birds em outro comercial no ano passado, então essa iniciativa faz parte de alguma decisão tomada por seu departamento de marketing. Eles podem estar dez anos atrasados nas tendências do mercado de jogos, mas meu coração saudosista vibrou por trinta segundos com esse breve retorno à Aperture Science.

Ouvindo: Starbreeze - More than Ideal

9 de janeiro de 2022

Jogando: Bioshock

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Eu poderia escrever um extenso pedido de desculpas sobre como não gostei de Bioshock, embora tenha terminado o jogo (no modo Fácil). Ao invés disso, gostaria de focar no esperançoso fato de que ele foi o primeiro título que concluí em 2022, depois de sete meses me arrastando pelos corredores de Rapture, em sessões extremamente espaçadas. Entender a fama de Bioshock e entender minha relação conturbada com ele estão intimamente atadas ao mesmo elemento: a época, o zeitgeist que o cerca.

Em seu lançamento, Bioshock tinha a pretensão de ser um sucessor espiritual do magnífico (mas possivelmente datado System Shock 2, favorito da casa). Essa informação pode ter se perdido no tempo depois que Bioshock em si se tornou uma franquia com asas próprias e System Shock prepara um retorno se agarrando a suas raízes de survival horror. O fato é que Bioshock é um survival horror que se pretende FPS e está tão próximo desse último gênero que trouxe um sopro de "novidade" para um mercado saturado por conflitos militaristas pseudo realistas.

Em sua época original, Bioshock, portanto, convidava o jogador de FPS para um pesadelo. Desprovido de suas coberturas, isolado do vigente sistema de cura automática, equipado com armas quase improvisadas e utilizando superpoderes, o jogador da nova geração de FPS era surpreendido com uma ode aos velhos tempos ou o que teria acontecido com a evolução dos FPS se Call of Duty tivesse fracassado no mercado. Há muito de Shadow Warrior (o clássico) ou Blood em Bioshock, aquela luta frenética pela própria vida, com inimigos surgindo do nada, fugindo de sequências encenadas, em corredores convolutos.

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Tampouco há qualquer sopro de heroísmo épico nas profundezas do Oceano. Não há honra, camaradagem e o destino do planeta não está em suas mãos. Lutamos por nossa sobrevivência, lutamos pela verdade em uma terra de mentiras, com um pouco de compaixão e menos pragmatismo, talvez seja possível lutar pela salvação de uma pequena parcela de Rapture, mas o jogo não deixa essa possibilidade escancarada. O jogador é um "forasteiro" nas ruínas de uma utopia que deu muito errado, um tema muito familiar para quem atravessou os System Shock anteriores. Chegamos atrasados na decadência, perdemos o brilho do que deveria ter dado certo e colhemos apenas os escombros da sociedade sufocada por suas próprias falhas psicológicas. O paraíso racional e objetivista de Ayn Rand fracassa da pior maneira possível. Bioshock é um jogo sem esperanças ou otimismo, que sufoca mas traz um lirismo macabro ao mesmo tempo.

Há uma reviravolta inteligente no meio do jogo, mas a trama se sustentaria mesmo sem ela. Fico feliz que Bioshock não aposta todas as suas fichas no truque. O que Ken Levine e sua Irrational Games fizeram foi construir uma atmosfera tão palpável quanto angustiante. Esse mérito lhes é inegável: sempre foram magníficos construtores de universos em que o principal desejo do jogador é gritar e buscar uma saída dali, de preferência com sua sanidade intacta. A construção dos cenários de Rapture (embora seja somente um aperfeiçoamento do que System Shock 2 já trazia) é um estudo de caso para jogos de todo tipo, cada ambiente transpirando narrativa, em que praticamente cada elemento largado pelo caminho é uma peça de um grande quebra-cabeça, uma paisagem do Inferno, um espaço onde pessoas sofreram, morreram ou foram transformadas quando tudo que queriam era fugir do mundo normal. Navegar abaixo do nível do mar, onde a natureza teima em reconquistar e purificar esse mundo, é uma experiência ímpar.

Por tudo isso, é inegável que Bioshock tenha deixado seu nome inscrito na história dos jogos eletrônicos. O que não necessariamente significa que Bioshock seja um título que agrade a todos os públicos ou que tenha sobrevivido incólume ao teste do tempo.

Would You Kindly?

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Foi um grande erro abrir Bioshock no ano de 2021. Não apenas porque o distanciamento temporal poderia afastar o jogo de seus méritos inerentes de sua época ou poderia acontecer uma comparação injusta com títulos que vieram depois e se aproveitaram de seu pioneirismo. Mas, também (ou sobretudo) porque 2021 não foi um bom ano para mergulhar na experiência depressiva de Bioshock. Aqui estávamos nós lutando contra uma aparentemente inevitável decadência por questões sanitárias, depois de termos tentado inicialmente lutar como uma Humanidade unida contra um inimigo comum. E ali dentro de Rapture, o processo se repetia, em estado ainda mais avançado: o colapso do contrato civilizatório, apesar das boas intenções, em meio a um conflito de interesses egoístas de grupos obcecados pelo poder. Saía do horror do mundo real para ver seu espelho profético nas profundezas do oceano.

Talvez esse paralelismo tenha tornado meu olhar mais aguçado para o que acho a principal falha de Bioshock: suas mecânicas excessivas. Para um FPS, há elementos gerenciáveis demais, minijogos demais. Para um jogo de survival horror, há combates demais e muito pouco tempo para se respirar e absorver a sensação de paranoia.

Bioshock exige que o jogador alterne entre um número grande de armas, cada uma delas com opções de munição alternativa, ao mesmo tempo que troca de poderes com outro conjunto de botões, para derrubar inimigos mistos com múltiplas vulnerabilidades, enquanto também se tenta tirar vantagem das características ambientais de cada cenário, tudo isso no ritmo pulsante de qualquer FPS, realizando esquivas e mantendo o olho no mostrador de vida. É exaustivo, mas pode significar a diferença entre a vida e a morte. É preciso traçar táticas em frações de segundo ou simplesmente confiar sua sobrevivência na arma com a maior quantidade de munição possível e torcer pelo melhor.

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Não por acaso, me vi reduzindo a dificuldade de Normal para Fácil no meio da partida, um recurso que também utilizei em System Shock 2. Porém, enquanto naquele jogo, foi o ponto de virada para curtir efetivamente o jogo e marcar um ritmo mais compassado para mim, aqui, foi um recurso indispensável que apenas tornou minha travessia suportável. Ironicamente, a parte mais divertida de Bioshock foi a fase em que me foi removida a possibilidade de escolha de meus poderes. Com uma preocupação a menos, foi uma oportunidade de concentrar meu foco em outros aspectos dos combates. Em contrapartida, reduzir a dificuldade se mostrou um banho de água fria na batalha final, que perdeu totalmente seu peso dramático.

A constância de inimigos e sua periculosidade removeu também a paranoia: não era uma questão de se há ou não há uma monstruosidade me esperando na próxima esquina, é certo que o encontro aconteceria. Essa permanente tensão, agravada pelo constante renascimento de inimigos em áreas já "pacificadas", tornava cada sessão de Bioshock em uma sessão de agonia, novamente, em um ano já tão conturbado.

Entendo que a Irrational Games tentou aqui oferecer uma ampla gama de opções para os jogadores escolherem sua jogabilidade (alguns casos até bem fora da curva, como a possibilidade de encarar todos os problemas somente com a chave inglesa na mão). Experimentei diferentes combinações de habilidades, armas e munições e nenhuma delas me pareceu confortável. Não encontrei meu lugar em um jogo que foi projetado para diferentes tipos de jogadores.

Como resultado, minha peregrinação por Rapture aconteceu em surtos, com semanas de intervalos entre um avanço e o próximo. A narrativa e o cenário me convidavam para uma amarga jornada, as mecânicas me chicoteavam pela ousadia de retornar ao jogo. Ao mesmo tempo, não queria repetir o fiasco de Risen 2. Enxergava em Bioshock um título que merecia ser concluído.

Tudo esse conflito terminou de uma forma inesperada. Após uma arrepiante cena conclusiva, o epílogo, me fez ver que, afinal, tomei a decisão certa. Em um jogo que brinca com a impossibilidade de escolher seu próprio destino, eu havia decifrado o enigma e traçado meu término. Se cada um fizer sua parte, pensar no próximo na hora de fazer suas escolhas, abrir a mão, talvez possamos juntos sair desse horror e já não sei mais se estou falando de Bioshock. É abrir um ano novo, virando a página de um ano ruim.

Ouvindo: Zwischenfall  - Flucht

4 de janeiro de 2022

2021 Nunca Mais (A.K.A. Lista de Melhores do Ano)

Escrever sobre 2021 nesse momento é uma experiência diferente do que seria se tivesse escrito cinco dias atrás. Pela primeira vez em praticamente dois anos, viajamos em família para fora de nosso casulo protetor, livres de demandas de trabalho ou escola, uma merecida pausa de um ano que pareceu uma década, de um par de anos que pareceram uma vida. Apesar do medo pairar no ar, com o uso constante de máscara e álcool em gel, sentimos que havia vida lá fora, que havia esperanças fortes para 2022.

Em contrapartida, soube do relato de um amigo que passou a virada do ano em família e, das 22 pessoas presentes na casa alugada, 16 testaram positivo para Covid-19. Não há consequências mais graves por enquanto, mas o sinal para eles (e para todos nós) é de que 2020 (sim, 2020) é um ano que não terminou ainda. A variante ômicron se espalha, países fecham fronteiras, quarentenas são implementadas e torço para que o primeiro parágrafo desse texto, não o segundo, dite a tônica de 2022.

Para o bem ou para o mal esse foi um ano mais distanciado de jogos completos  por aqui. Senti uma certa fadiga, para não chamar de apatia. Títulos foram largados pelo meio do caminho ou empurrados com a barriga, enquanto buscava refúgio no conforto da jogabilidade de Warframe, de novo e de novo, ou abria meu horizonte para uma grande quantidade de demos. O próprio blog ficou meio largado de lado, enquanto afundava minha rotina em inúmeros projetos, engordava minha conta bancária e esvaziava minhas energias.

Minha parceria com o Gamerview entrou em seu quinto ano, porém com uma reviravolta: afastei-me das notícias do dia a dia para assumir a newsletter do Código Fonte. Saiu o Aquino jornalista de jogos voluntário, retornou o Aquino jornalista de tecnologia remunerado. Não me arrependo da troca, mas a saudade bate. Enquanto analista do Gamerview, experimentei:

paint-the-town-red

Por iniciativa própria, passei somente por:

fish

Agora com quatorze anos, meu filho de peixe segue sendo meu maior parceiro, seja em tela, seja nas extensas conversas com esse potencial designer de jogos. Juntos, compartilhamos:

desolate

Em 2021, meu filho revelou querer gravar conteúdo para o canal do YouTube. Com essa injeção de novos vídeos, passamos a abastecer a plataforma com material novo de segunda a sábado, um vídeo inédito por dia. Ao mesmo tempo, no final do ano, adquiri um microfone profissional para gravar análise e outros vídeos. Isso renderá algum fruto em 2022? Difícil dizer. No canal, passaram com exclusividade:

sable

Fazendo a soma, de alguma forma testei ou completei 60, uma saudável redução dos 72 títulos, o recorde absoluto, do ano anterior. O número desse ano é claramente inflado pelo volume de demos e títulos que não cheguei ao fim, mas computei assim mesmo. Não irei avaliar agora, mas certamente 2021 foi o ano em que menos vi a tela final e os créditos, na última década.

Não ouso prever minha rotina para 2022, apenas espero retornar ao ritmo de 2019, com menos preocupação no trabalho e na vida, mais tempo para relaxar e curtir. Desejo também um ano eleitoral o mais suave possível e uma transição democrática, um desejo por si, desnecessário e garantido até tempos atrás e, agora, incerto. Copa do Mundo? BBB? Não poderia me importar menos.

Os Melhores de 2021

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Se o ano anterior foi marcado pela hegemonia de Warframe, não posso afirmar que me afastei totalmente do jogo em 2021. Houve retornos (ou seriam recaídas) e a mais recente me trouxe a magnífica Nova Guerra. Entretanto, não seria possível e nem necessário que Warframe repetisse o pódio: no ano que passou, dois títulos entraram para a minha Lista de Favoritos, um acontecimento raro e bem-vindo.

Para eleger o melhor do ano, meu coração ficou dividido entre essas duas obras, cada uma primorosa em seu respectivo cenário. Lost Words: Beyond the Page fala ao coração e expande o que é possível de ser conquistado com um jogo eletrônico, mesclando narrativa e jogabilidade de formas inéditas e impossíveis de se obter com outras mídias. Matematicamente falando (já que conseguiu a nota 10 em minha analise no Gamerview), o mérito deveria ser dele. Entretanto, Chernobylite é surpreendente em todos os seus aspectos, como um sucessor espiritual de S.T.A.L.K.E.R. que consegue ir além de sua fonte de inspiração em vários momentos e também apresenta estruturas narrativas inéditas e bem casadas com a jogabilidade. Então, esse é o primeiro empate na história do blog:

  • Melhor Jogo: Lost Words: Beyond the Page e Chernobylite
  • Maior Surpresa: Paint the Town Red
  • Maior Decepção: Risen 2
  • Pior Jogo: Base One
  • Melhor Título Cooperativo: Desolate

(recapitulando os anos anteriores: 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | 2018 | 2019 | 2020

Para 2022, aguardo tempos de paz, tempos de glória. Há muitos títulos em meu backlog com nome e peso que merecem sair para a luz do dia, mas ainda posso sonhar com Half-Life 3, talvez?

Ouvindo: Machinae Supremacy - Winterstorm

24 de dezembro de 2021

Jogando: Impious Pumpkins

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(publicado originalmente no Gamerview)

Estamos no meio de dezembro, aquele clima de Natal, árvores armadas, decoração em vermelho, verde e branco e aquelas cantoras de sempre relançando seus clássicos comemorativos. Ainda assim, há espaço para um pequeno jogo brasileiro que coloca fantasminhas simpáticos para puxarem briga com abóboras macabras em cenários sombrios. É Impious Pumpkins, o título de Halloween atrasado da Note Missing Games.

Ignore o timing equivocado e o que nós temos aqui? Um jogo simples, mas não menos divertido ou desafiador, que pode ocupar seu tempo até mesmo em meio a nozes, panetones e o indefectível arroz com uvas passas.

Rivalidade Ancestral

Você sabia que espíritos do outro mundo e abóboras nefastas são inimigos desde tempos imemoriais? Nem eu, nem esse jogo. Porém, é essa a explicação que eu encontro para o que acontece na tela em Impious Pumpkins.

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O título de estratégia vai direto ao ponto, sem trama, sem enredo, sem personagens, sem construção de prédios ou coisa que o valha. São abóboras mal intencionadas surgindo em pontos aleatórios do mapa e você deve destruí-las com seus fantasmas, dentro de um prazo determinado. Não é necessário varrer o cenário das leguminosas, mas manter a vantagem numérica quando o tempo estourar.

O paralelo mais próximo para Impious Pumpkins seria um Tower Defense de mundo aberto, sem limites de linhas, onde seu inimigo pode surgir em qualquer ponto e onde você pode posicionar suas tropas também em qualquer posição. Lembra vagamente Revenge of the Titans, porém, mesmo ali, os monstrinhos tinham um objetivo a alcançar, enquanto aqui as abóboras apenas desejam matar o maior número de fantasmas possível antes do fim do prazo.

Essa jogabilidade livre deixa o combate bastante imprevisível. Você pode falhar em um determinado cenário e terá a certeza de que sua repetição será diferente. É um fator positivo, porque as partidas são rápidas, mas divertidas e refazer determinados mapas pode ser uma garantia de estender o jogo.

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Impious Pumpkins é Isso Mesmo, Pegar ou Largar

Se as posições são aleatórias, o mesmo não pode ser dito das unidades. Os fantasmas contam com apenas quatro tipos de personagens: um fantasma de espada, que se aproxima do inimigo para um corpo a corpo; um fantasma de estilingue, que ataca em linha reta a média distância; um fantasma feiticeiro que bombardeia inimigos a longa distância, mesmo por cima de obstáculos; e o fantasma médico, que cura seus aliados, mas só pode ter um no mapa. Eles tem custos diferentes de convocação e é necessário clicar nas bolas de energia (?) que surgem para acumular o mana necessário.

Portanto, se você entendeu como funciona o primeiro mapa e curtiu, parabéns: daqui pra frente vai ser essa mesma jogabilidade. Se você achou simples demais ou desejava mais opções, talvez a árvore de habilidades possa evoluir suas unidades em direções mais satisfatórias, porém, elas continuarão sendo desses quatro tipos.

Equilibrar seus pontos fracos e seus pontos fortes é o primeiro desafio de Impious Pumpkins. Por um lado, você quer que seus espadachins protejam suas unidades mais fracas de um ataque corpo a corpo, por outro lado, esses mesmos espadachins se afastam para caçar inimigos e não voltam mais.

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Uma vez colocada no campo de batalha, a unidade está por conta de sua inteligência artificial. Então, posicioná-las inicialmente da forma correta é importante. Outras decisões surgirão: economizar mana para investir em um médico ou se virar com o que dá? Evoluir os feiticeiros para torná-los mais resistentes ou investir naquela pedrada venenosa da galera do estilingue?

Abóboras do Inferno!

Seu segundo desafio será superar a curva de dificuldade injusta do jogo. As malditas abóboras passam a pipocar pelo cenário quanto mais você avança para os níveis mais difíceis. É muito comum a balança se desequilibrar em segundos. Uma vez que o número de abóboras supera o número de fantasmas, é muito improvável, para não dizer impossível, reverter a derrota. Eu já falei que a as abóboras também contam com unidades de elite, com superpoderes de fogo, tornado e veneno? Pois é.

Não tenho vergonha de dizer que não cheguei até o final. Porém, trago uma dica: é possível resetar a árvore de habilidades e reinvestir os pontos de forma diferente. Essa tática pode, ocasionalmente, reverter fases aparentemente impossíveis.

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Nesse lançamento, Impious Pumpkins ainda apresenta alguns travamentos esporádicos, se recusando a fechar ou a retornar ao menu.

Apesar de sua simplicidade e problemas, o jogo instiga o jogador a continuar tentando, seja avançando ou repetindo aquela fase mais azarada. A boa trilha sonora marca o tom de Halloween tardio, assim como os cenários e isso pode oferecer uma distração fora de época.

Ouvindo: Garbage - When I Grow Up (live)

Retina Desgastada

Blog criado e mantido por C. Aquino

Outcast - Second Contact