Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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25 de janeiro de 2021

Os Dez Melhores Jacarés Do Mundo Dos Jogos Eletrônicos

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(publicado originalmente no Gamerview)

Estamos todos com os dias contados. Com a vacinação contra a COVID-19 sendo iniciada no país, nossa desprotegida população corre um sério risco de "virar um jacaré", nas palavras de ninguém menos que o Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

Porém, será mesmo um destino tão inglório assim? Jacarés e crocodilos têm seu lugar marcado na história dos jogos eletrônicos, divertindo ou desafiando gerações de jogadores desde os anos 80 sem que ninguém reclame disso. Eles são perigosos para a sociedade ou apenas incompreendidos? Eles andam no seco? Basta de polêmica, basta de preconceitos e piadas contra tais répteis que tanto contribuíram e continuarão contribuindo para essa indústria. Colocando a mão na consciência, ousaria dizer que sem tais criaturas os games não seriam os mesmos.

Para retificar esse erro histórico e preparar o terreno para nossos leitores nesse novo normal, destacamos aqui dez dos jacarés mais significativos no mundo dos jogos eletrônicos:

1) Jacarés Sem Nome (Pitfall)

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Quando tudo isso aqui era mato, quando Jack Black tinha apenas 13 anos e Mario ainda era somente um carpinteiro que maltratava macacos, já era possível fugir de jacarés na selva perigosa de Pitfall. O título lançado em 1982 pela Activision (sim, essa mesma Activision que você está pensando) apresentou ao mundo os primeiros crocodilianos eletrônicos. O jogo foi o segundo maior sucesso da empresa na época do Atari, perdendo apenas para o superestimado Pac-Man (que não trazia um único jacaré, que vergonha).

Periculosidade: 11/1o de vai te dar instakill.

Chances de você virar um desses: 0/10

2) King K. Rool (Donkey Kong Country)

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A Nintendo jamais iria ignorar o potencial icônico de um bom jacaré. Já tendo apresentado ao mundo um gorila simpático e um italiano gorducho, era inevitável que a empresa japonesa prestigiasse também esse tipo de réptil. King K. Rool se tornou o grande antagonista da franquia Donkey Kong e cumpriu bem seu papel. Inesquecível, sua majestade acabou recebendo o convite para participar de Super Smash Bros: Ultimate, para surpresa de ninguém, exceto aqueles que odeiam jacarés e que brevemente serão absorvidos em nossa nova sociedade. Longa vida ao Rei!

Periculosidade: 6/10 de podia ser melhor e derrotar aquele símio maldito.

Chances de você virar um desses: 0/10

3) Swampy, Allie e Cranky (Where Is My Water?)

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Esse trio simpatia é a prova viva de que, com o jogo certo, qualquer um pode gostar de jacarés. A franquia Where Is My Water? é resultado de uma tentativa de retratação da Disney. Depois de décadas apresentando essas criaturas como vilãs para doutrinar nossas crianças, a empresa se arrependeu e criou uma série de jogos móveis desafiadores. Você sabia que Swampy foi o primeiro personagem original criado pela Disney especificamente para os dispositivos móveis? Atualmente, os títulos estão entre os mais recomendados para estimular o raciocínio da molecada.

Periculosidade: 0/10 de são fofos demais.

Chances de você virar um desses: 0/10

4) Vector (Sonic Heroes)

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A franquia Sonic desde sua concepção buscava ser uma versão mais radical de Mario. A Nintendo fazia "jogos de criança", a Sega queria fazer "jogos de adolescentes descolados beirando o cringe". Depois de um equidna marombado e uma raposa de duas caudas, a produtora finalmente teve uma boa ideia: um jacaré #vidaloka com cordão de ouro no pescoço, headphones e muita atitude. Vector é chefe de uma agência de detetives, curte cantar e é muito inteligente. Infelizmente, ele não conquistou o espaço que merecia na franquia e o ouriço continua nos holofotes.

Periculosidade: 8/10 de não mexe com ele!

Chances de você virar um desses: 0/10

5) Renekton (League of Legends)

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Renekton, o Carniceiro das Areias, permaneceu séculos enterrado nos desertos escaldantes de Shurima e emergiu para provar que sim, jacaré no seco anda. Em League of Legends, ele é um tanque poderoso, resistente e implacável que busca vingança contra o próprio irmão. Louco de pedra, ele acredita que o irmão é o responsável por sua longa hibernação na areia, mas aqui nós perguntamos: quem nunca tirou um cochilo na praia e acordou com insolação?

Periculosidade: 9/10 de o bicho é brabo!

Chances de você virar um desses: 0/10

6) Jacaré sem nome (Resident Evil 2)

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Temos que admitir que o motivo que nos levou a produzir esse artigo informativo foi o meme do jacaré de Resident Evil 2 na internet. Alguém resgatou essa foto de baixa qualidade dos porões da internet para ilustrar nossa transformação depois da vacina e a imagem não sai da cabeça. A criatura realmente é marcante, responsável por um dos maiores sustos da franquia. Entretanto, o bichão também foi um pioneiro para outros crocodilianos na série e retornou com visual repaginado e mais ameaçador ainda em Resident Evil 2 Remake.

Periculosidade: 10/10 de você já morreu no susto.

Chances de você virar um desses: 0/10

7) Croc (Croc: Legend of the Gobbos)

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Em um mundo perfeito e justo para nós potenciais jacarés, Croc seria o mascote de algum console. O personagem é um dos raríssimos protagonistas de sua espécie e pioneiro nos jogos de plataforma 3D. Resgatado ainda filhote pelos felpudos Gobbos, Croc se torna no futuro a única esperança de salvação deles quando seu povo adotivo é capturado por um tirano. Esbanjando charme poligonal, ele chegou a ganhar duas continuações e alguns derivados, ainda que nunca tenha atingido a glória merecida, vivendo apenas na lembrança de quem reconheceu seu valor.

Periculosidade: 0/10 de boa praça.

Chances de você virar um desses: 0/10

8) Sobek (Assassin’s Creed Origins)

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Os antigos egípcios mandaram a real milhares de anos atrás: jacaré é deus, jacaré é tudo. As criaturas infestavam as margens do Rio Nilo, onde os egípcios ergueram sua civilização e, consequentemente, não foram esquecidas na hora de representar suas divindades. Sobek é o patrono dos faraós e dos militares, mas também era o deus para o qual se rezava quando você queria lavar uma roupa no rio sem ser comido. Infelizmente, ele não foi bem retratado em Assassin’s Creed: Origins e vira só mais um chefe que o jogador enfrenta (como se isso fosse possível).

Periculosidade: infinito/10 de, mano, o cara é uma divindade.

Chances de você virar um desses: 0/10

9) Killer Croc (Batman: Arkham Asylum)

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Waylon Jones não tomou vacina, ele nasceu desse jeito. Entretanto, ele é o mais próximo modelo de jacaré humano no qual nós podemos nos espelhar. O personagem atazana o Batman desde 1983 nos quadrinhos mas foi em Batman: Arkham Asylum que ele teve seu momento de brilhar. Habitando os esgotos do referido asilo, ele só queria viver a vida dele, sem treta com ninguém, quando seu cafofo foi invadido pelo vigilante mascarado. Sem alternativas, ele partiu para a agressão, mas Killer Croc terminou novamente humilhado, após uma luta em que Batman apelou (como sempre).

Periculosidade: 7/10 de há chefes melhores no jogo.

Chances de você virar um desses: 0/10

10) Naked Snake (Metal Gear Solid 3)

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Na convoluta cronologia da franquia, Naked Snake está destinado a se tornar Big Boss. Entretanto, o grande sonho de sua vida era mesmo se transformar em um jacaré. Na ausência de uma vacina naquela década distante e naquele pântano insalubre, a única forma do protagonista de Metal Gear Solid 3 satisfazer seus impulsos mais primitivos era matar um crocodiliano e sair por aí ostentando a cabeça de um deles como um chapeuzinho. A camuflagem funcionava muito bem na água e a peça de vestuário retornaria em outros títulos da série.

Periculosidade: 10/10 de não se brinca com o Big Boss.

Chances de você virar um desses: 1/10 (se você matar um jacaré e pegar sua cabeça)

Ouvindo: Devotos - Rotina

23 de janeiro de 2021

Jogando: Bless Unleashed (Closed Beta)

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MMORPGs são uma doença. Uma doença da qual você nunca se livra realmente, apenas a coloca em hibernação. A expectativa de explorar mundos colossais, enfrentar ameaças poderosas, evoluir de zero a semideus, viver um mundo habitado por centenas ou milhares de outros jogadores é um chamariz quase irresistível. Um MMORPG ruim como Neverwinter pode sufocar esse desejo por anos. Um MMORPG bom como Defiance pode saciar esse desejo por anos.

O que nos leva a Bless Unleashed. O furor de retornar ao gênero se apoderou da minha mente justo no momento em que o jogo está se preparando para aportar nos PCs. O MMORPG foi lançado originalmente para Xbox One, depois chegou para PlayStation 4 e agora está vindo para PCs ainda em 2021. Fiz minha inscrição e a do meu filho no Closed Beta que aconteceu entre 15 e 19 de janeiro, na expectativa de, pela primeira vez, começar uma jornada em um MMORPG lado a lado com o garoto.

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É impossível não mencionar que Bless Unleashed lembra Guild Wars 2 em quase todos os aspectos, menos naqueles em que o outro jogo realmente se destacava da multidão. O que eu encontrei aqui foi um combate dinâmico, personagens belíssimos, história clichê sobre um Mal antigo que desperta e raças diversificadas (mas não muito). Por seu próprio mérito, Bless Unleashed apresenta gráficos exuberantes, compatíveis com aquilo que se espera de um título moderno, porém não vai além disso em termos de diferencial.

Assim como em Guild Wars 2, o jogo prima por um sistema de combate que depende menos de cooldown de habilidades e mais da agilidade do jogador, para esquivar de ataques e contra-atacar. O título oferece um sistema de combos que não é obrigatório ou intrusivo e ficar alternando os botões do mouse já gera um resultado satisfatório. Na prática, é um modelo até mais simplificado do que aquele que aparece nos golpes de DC Universe Online ou Warframe. Se, por um lado, não complica a vida de quem deseja apenas se divertir, por outro lado pode frustrar quem busca resultados mais efetivos em sua luta. Joguei como um Elfo Ranger, até mesmo para comparar com minha experiência anterior em outros títulos.

Assim como em Guild Wars 2, todo mundo aqui é deslumbrante, do mais modesto NPC até o mais rico dos nobres. Eu sei que, a esta altura do gênero, é praticamente uma regra obrigatória, mas ainda considero muito estranho que todos sejam jovens, no ápice de um ideal artificial de beleza. Há bastante sensualidade, mas não chega a incomodar. Se serve de algum consolo, a roupa decotada inicial de minha elfa arqueira era rigorosamente a mesma roupa que meu segundo personagem, um elfo arqueiro, usava. Em outras palavras, homens e mulheres se vestem da mesma forma, como se sentissem muito calor em pleno Carnaval.

Nessa fase beta há um glitch visual que altera a cor da pele e do cabelo do seu personagem. Meu elfo de pele negra ficava de pele rosada em vários momentos. A maga de cabelos azuis do meu filho mudava de cor de cabelo na mesma frequência.

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Assim como em Guild Wars 2, há uma conspiração em andamento. Um Mal ancestral despertou (ou está em processo de despertar) e seus agentes estão espalhados pelo mundo, semeando o caos na forma de atentados de todo tipo. Porém, enquanto em Guild Wars 2, nosso papel no grande esquema vai se construindo aos poucos, aqui somos predestinados desde o início, abençoado pelos deuses que almejam preservar a harmonia.

Infelizmente, as missões são triviais e é fácil se sentir um zé ninguém que serve de mensageiro, pelo menos nesse começo do jogo. Embora não aconteçam missões do tipo "colete 5 cogumelos" (o que me traz péssimas lembranças do início de ArcheAge), há aquele tipo em que você é solicitado para localizar fulano e fulano está dez metros mais adiante e você fica indo e vindo entre dois personagens que poderiam se mexer um pouco ao invés de me usar como telefone.

O que mais nos desanimou foi o fato de meu filho e eu formarmos um time e o jogo ignorar isso completamente. Não compartilhávamos experiência, uma missão completada por um não contava como completada para outro e, muito frequentemente, nem mesmo conseguíamos estar na mesma instância. Ao chegarmos no nível 5, desbloqueamos um tipo de missão coletiva, uma batalha de arena em dupla contra um oponente que claramente não era para ser enfrentado por dois novatos de nível cinco. Fomos massacrados.

Impossibilitados de viver uma aventura em comum, o garoto desanimou e foi para outros títulos. Eu insisti mais um pouco e percebi que Bless Unleashed não deslumbra, mas tampouco é insosso. Há bastante potencial ali, embora não tenhamos a vivacidade do mundo de Guild Wars 2, com seus eventos espontâneos e sua jogabilidade mais fluida.

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Bless Unleashed será lançado de forma gratuita e me flagro pensando se resistirei ao seu chamado ou se darei uma nova chance ao seu mundo.

Ouvindo: Dark Void - Theme From Dark Void

22 de janeiro de 2021

#Quaranteens

Fortnite

Essa história é de maio passado, mas sem perspectiva de um término rápido da quarentena para muitos de nós, ela permanece relevante. Com os sazonais ataques que os jogos eletrônicos sofrem na mídia, ela permanece relevante.

Essa é uma história sobre uma mãe, seu filhos adolescente e seu comportamento durante o isolamento:

Meu filho de 15 anos passou cada segundo de seu tempo livre durante esta pandemia fazendo rolê online, jogando videogame com seus amigos. Ele começou classificando-se nas camadas de elite de #ApexLegends.

Disseram-me que isso é uma façanha e tanto. Honestamente, eu acredito porque ele e seu amigo levavam 6 horas por dia durante uma semana para ter uma classificação tão alta.

Depois disso veio #SeaofThieves. Ele se juntou a mais amigos e navegou nos oceanos digitais até que a pirataria perdeu seu brilho. Além disso, quando dois amigos começaram a discutir no jogo 2 noites atrás, eles planejaram se encontrar como um grande grupo em Fortnight (sic). Nenhum deles joga Fortnight pra valer porque o público é um pouco mais jovem. Mas eles não queriam se esforçar muito para jogar, eles só queriam ficar juntos.

Ontem à noite, seis deles se encontraram novamente para sair e jogar #fortnight. Eles estavam brincando, fazendo coisas estúpidas de adolescentes, quando conheceram um jogador solo chamado JamMaster.

Às vezes, se eles encontrarem jogadores solo que são bem tranquilos, eles juntam forças. JamMaster parecia muito jovem, mas ele estava sozinho e eles estavam se divertindo mostrando o que sabiam sobre o jogo. Eles o convidaram para se juntar ao grupo.

Logo eles descobriram que suas primeiras impressões estavam corretas. JamMaster ERA muito mais jovem do que eles - apenas 10 anos de idade. Eles também descobriram que era seu aniversário pela manhã.

Os meninos perceberam que JamMaster tinha ficado sozinho a noite toda, na véspera de seu 11º aniversário - que ele passaria sozinho em quarentena.

CLARAMENTE ALGO TINHA QUE SER FEITO.

TODOS ELES ARMARAM AQUELA FESTA DE 11 ANOS PRO GURI.

Eles o levaram para um monte de aventuras, deram-lhe todo o saque que podiam, ajudaram-no a vencer algumas batalhas e fizeram com que ele ficasse até a meia-noite para que todos pudessem cantar parabéns para ele.

Esta manhã, enquanto meu filho me contava suas aventuras, comecei a chorar. Eu estava tentando dizer algo como "Oh, isso é tão bom", mas as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Ele não conseguia entender por quê.
Mas, mas...

Você pode imaginar a decepção de ser colocado em quarentena no seu 11º aniversário apenas para ser encontrado por um pacote de seis jogadores adolescentes aleatórios que decidem que você é incrível e querem lhe dar uma festa de aniversário?

Que montanha-russa. Que experiência. Que coisa incrível de fazer para um jovem jogador.

Em conclusão: videogames, com certeza.

Ouvindo: Gorillaz - 19-2000 (Soulchild Remix)

19 de janeiro de 2021

Jogando: Far Cry 5 - Dead Living Zombies

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Desta vez fui abandonado de vez pelo guri. Depois de atravessarmos lado a lado a campanha de Far Cry 5 e até mesmo boa parte da DLC Hours of Darkness, o garoto, no auge dos seus 13 anos, sentiu o cheiro de tosqueira e me deixou sozinho para jogar Dead Living Zombies.

Errado ele não estava.

A expansão zumbi do título é uma galhofa mal executada pela qual você teve que pagar, seja comprando individualmente ou com o Season Pass ou com a versão Gold do jogo. Enfim, você foi enganado. Ainda assim, o DLC é ousado e divertido, desde que você não espere nem altos valores de qualidade nem a mesma jogabilidade do jogo principal ou mesmo uma boa história. E a proposta era rigorosamente essa desde o início.

Cada um dos sete cenários de Dead Living Zombies é uma trama e um mapa fechado lotado de zumbis e, ocasionalmente, outras ameaças. Não há mundo aberto, não há uma forte narrativa ligando tudo, não há variedade de inimigos, evolução de armas ou algo assim. É quase uma sucessão de arenas não conectadas, um Killing Floor rasteiro e rápido, despretensioso, para não dizer tolo. Se você se sentir especialmente entediado, é possível repetir cada mapa em busca de uma pontuação maior para desbloquear itens cosméticos de valor duvidoso no jogo principal, que você provavelmente já terminou a essa altura do campeonato.

Fields_of_Terror_cover_FC5_DLCO que genuinamente salva essa DLC do total desastre é a meta-linguagem e o fato de seus criadores terem plena consciência de que ela é ruim. Lembra de Guy Marvel, o cineasta Z com quem você esbarra em Montana? Ele é o fio condutor de Dead Living Zombies. Cada um dos sete cenários nada mais é que uma proposta de filme novo do biruta, então, você está, na verdade, jogando o que ele pretende vender como um filme para algum produtor, em cutscenes hilárias e constrangedoras. Como seus filmes são vagabundos, assim também é cada narrativa.

Desta forma, "Fields of Terror" é o cenário introdutório em uma fazenda minúscula, que está ali tão somente para te apresentar a ideia por trás da expansão. "Burned Bridges" é cafonérrimo em sua história, mas coloca o jogador em uma ponte (também minúscula) que remete muito ao clima de um Left 4 Dead e ainda traz um chefe final surpreendente. "Undying Love" não faz qualquer sentido, mas deixa o jogador um pouco mais solto na exploração e recompensa os desvios no caminho com bom equipamento, em troca de inimigos poderosos.

Em "Escape From Rooftop", bateu preguiça nos desenvolvedores. "Killer Climate" surpreende por elevar ao máximo o potencial metalinguístico, com produtor e diretor brigando e alterando o mapa em tempo real, enquanto você tenta sobreviver. "The Fast and the Fiendish" é curtíssimo, a partir do momento que sua proposta é atravessar o mapa de carro, atropelando os zumbis e dar uma alfinetada em Dead Island.

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Por último, temos "Laboratory of the Dead" e a consagração de Guy Marvel. O mapa final é o maior deles, embora não seja inédito em nada: você atravessa de jet ski o que parece muito uma paisagem ribeirinha de Far Cry 5 para logo depois explorar um bunker idêntico em quase tudo aos bunkers da Seita.

Ao descer as cortinas e subirem os créditos, Dead Living Zombies cumpre o que promete: ele é tão divertido, tosco e descartável como os inúmeros filmes de zumbis de quinta categoria que ele busca emular.

Ouvindo: Carbona - Wencha

18 de janeiro de 2021

Fallout: A Fronteira Final

Por muitos anos, o Nexus Mods tem sido um dos principais portais de acesso para mods de jogos de PC de diferentes empresas. Na semana passada, o site tombou diante do volume de acessos para baixar o mod de um jogo lançado mais de dez anos atrás.

O jogo era Fallout: New Vegas. O mod se chama The Frontier.

The Frontier é um trabalho de amor, o ambicioso fruto de sete anos de dedicação de uma comunidade de desenvolvedores. Dentro do universo pós-apocalíptico da franquia, nenhum outro mod se aproxima em termos de tamanho e novidades.

Aqui, o jogador se afasta da região de Nevada para mergulhar nos mistérios de Portland, Oregon, em um mapa descrito como tão largo quanto o mapa original de New Vegas. No papel de um Courier, deve-se evitar um iminente conflito entre as forças da Nova República da Califórnia e as Legiões de Caesar, ao mesmo tempo que a própria cidade de Portland guarda mistérios que antecedem o holocausto nuclear e traz suas facções únicas para a trama.

Como se o seu enredo e seu cenário já não fossem prodigiosos o bastante, rivalizando com grandes produções de grandes estúdios, The Frontier ainda acrescenta mais de 150 novas armas ao universo de Fallout, armaduras inéditas e a possibilidade de se dirigir veículos.

Tudo isso de graça. Sem cobrar nada dos jogadores. Como a vasta maioria dos mods, é um presente de fã para fã.

Ouvindo: Breeders - Hellbound

16 de janeiro de 2021

(não) Jogando: The Final Station

The Final Station

É estranho começar 2021 abandonando um jogo, mas infelizmente essa é minha sina com The Final Station. O que começou como uma nova série para o canal do YouTube tomba no seu segundo capítulo. Não por demérito do jogo, que fique claro desde o início.

The Final Station mistura o apocalipse zumbi com Snowpiercer, virando uma espécie de Train to Busan de ficção-científica. Apesar de minha tentativa de categorizar o jogo e compará-lo com outras obras, a verdade é que ele coloca na mesa um universo genuinamente original, mesmo tendo conseguido absorver menos do que gostaria de sua história. Você comanda o maquinista, um operador de um trem futurista praticamente automatizado que conecta diversas cidades como seu principal meio de transporte. Suas responsabilidades e o que você conhecia de normalidade caem por terra diante de uma infestação inexplicável que transforma as vítimas em sombras vorazes, possivelmente de origem extradimensional.

Um dos grandes charmes do jogo (além de sua arte em pixels muito bem executada) é a narrativa ambiental que mostra passo a passo como o cotidiano se altera e a civilização tomba. A cada nova cidade visitada pelo trem, o caos se amplia, até mergulharmos de cabeça no colapso total.

Desta forma, The Final Station combina duas jogabilidades: a curta viagem de trem entre as estações, quando é necessário administrar as necessidades do próprio comboio e seus passageiros; e a exploração das cidades afetadas pela catástrofe, em busca da chave numérica que desbloqueia o trem para seguir em frente. A parte do trem não oferece grandes desafios, está aquém de um FAR: Lone Sails, tanto em termos mecânicos quanto emocionais.

É na parte de exploração que The Final Station me derrubou. O jogo é claro em explicar que é impossível abrir seu caminho à bala em meio às criaturas que agora dominam as cidades. Entretanto, você não está completamente indefeso: armas são oferecidas e até objetos podem ser arremessados nos monstros para destruí-los. Porém, muitas vezes, a quantidade de infectados no cenário se mostra um obstáculo intransponível, principalmente em ambientes pequenos. Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

The Final Station 02

Tentei repetir diversas vezes o mesmo nível que me derrubou, sentindo mais raiva a cada nova tentativa, a cada avanço que era recompensado com mais criaturas ainda e emboscadas. Cheguei à conclusão que me faltava a habilidade necessária e, pior, a vontade de prosseguir nessa fórmula. Nem mesmo me preocupei em capturar telas do jogo e são screenshots oficiais que ilustram essa análise.

É evidente que uma experiência apocalíptica não deve ter o mesmo nível de dificuldade de um walking simulator cujo foco seja contar uma história (embora 35MM e The Light Remake tenham conseguido combinar as duas premissas). Porém, dificuldade em excesso tem sido um repelente para mim desde o começo do Retina Desgastada, um repelente cada vez mais efetivo com o passar dos anos.

Deixo The Final Station parado na mesma estação, ironicamente cumprindo a profecia silenciosa de seu título.

Ouvindo: Siren 2 - Collapse

15 de janeiro de 2021

Casa dos Sonhos no Respirar Selvagem

Não é segredo que desde cedo compartilhei minha paixão pelos jogos com meu filho. Hoje, singramos juntos esses horizontes, muitas vezes de forma cooperativa. Entretanto, tirando alguns projetos nunca executados de colocar pôsteres de Overwatch em seu quarto, não me passou pela cabeça trabalhar essa paixão no mundo real, talvez pela minha falta de habilidade manual com qualquer coisa que não envolva um teclado e um mouse.

Ainda assim, mesmo que eu tivesse feito algo, não seria do nível do que esse pai fez para seus filhos: uma casa no quintal idêntica em cada detalhe a uma casa de The Legend of Zelda: Breath of the Wild!

É um projeto impressionante de carpintaria, aprimorado com um painel dos Champions, uma Majora Mask, as armas de Link e até um vaso quebrável com uma moeda dentro! O quão mágica será a lembrança dessas crianças no futuro?

Obviamente, a casinha conta com um console para que se possa jogar Breath of the Wild dentro de Breath of the Wild.

Ouvindo: Front Line Assembly - Mindphaser (12' Version)

Retina Desgastada

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