Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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19 de novembro de 2018

Analisando: Freedom Fall

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Neste conto de fadas às avessas, a princesa é a vilã, uma "doce" menina que entupiu o lugar de armadilhas mortais e desenhou mensagens por todas as paredes, estabelecendo um diálogo de grande humor negro.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2013/07/jogando-freedom-fall.html

Ouvindo: Tomas Dvorak - Budoar

17 de novembro de 2018

Era Uma Vez no Oeste

Outlaws

Cowboys valentes e foras-da-lei voltaram à moda com o bem-sucedido Red Dead Redemption 2 da Rockstar Games. Enquanto o jogo não mostra sua cara suja nas terras do PC, um grupo de modders está interessado em revisitar um western muito mais charmoso: Outlaws.

O clássico da Lucas Arts está sendo adaptado para a Chrome Engine 4, utilizando recursos e elementos de Call of Juarez: Bound in Blood. O resultado não poderia estar mais distante do original:

Outlaws Return é o mais próximo de um resgate de um grande título que nós iremos ter e isso apenas enquanto os ferozes advogados da Disney não solicitarem o cancelamento do projeto. Para quem tem Call of Juarez: Bound in Blood, pode valer a conferida dos dois primeiros níveis já concluídos da adaptação.

Chame-me de saudosista, mas a arte gráfica retrô (até mesmo para os padrões de sua época) fazia parte do encanto original de Outlaws, complementado pelas cutscenes em animação 2D com linhas elegantes e estilizadas. Isso é algo que você não pode simplesmente substituir por mais polígonos e ambientes 3D. Definitivamente, a Lucas Arts não estava atrás de realismo fotográfico e usava a linguagem dos desenhos animados para contar uma saga bastante adulta.

Para quem nunca jogou o título original ou apenas sonha com um Red Dead Redemption no computador, é essencial conhecer essa pérola escondida: Outlaws está vendendo no Steam, com um desconto camarada pelos próximos dias.

Ouvindo: Kraftwerk - Kristallo

16 de novembro de 2018

(não) Jogando: Fluffy Horde

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(publicado originalmente no Gamerview)

Coelhinhos felpudos de olhinhos vermelhos que se reproduzem rapidamente são um dos maiores clichês da fofura, mas desde Monty Python e o Cálice Sagrado a gente sabe que as aparências enganam e que esses demônios de pelo macio podem devorar os desavisados. Fluffy Horde parte da premissa absurda da invasão de uma legião quase infinita de coelhos e entrega uma jogabilidade compatível com o nível de insanidade.

Ao longo de 100 exaustivos cenários, você terá que aprender que é dura a vida de um homem vestido de coelho nesse universo. E que princesas apenas querem se divertir.

Pela Horda… Não, Pera!

Fluffy Horde é fruto de uma salada multicultural: a desenvolvedora independente Turtle Juice é tecnicamente brasileira, mas conta com profissionais oriundos não só do Brasil como também da Síria, Ucrânia e Inglaterra. Essa mistura de influências está nítida na salada mista de gêneros que transborda no jogo. Temos pitadas de tower defense? Temos sim, senhor. Mas também estão presentes side-scrolling e principalmente puzzles, então não espere aquele jogo tradicional de posicionar unidades e esperar os inimigos virem.

Na prática, você será apresentado a 100 mapas extremamente curtos com desafios variados e sem qualquer sensação de continuidade que possa ser chamada de história. Algumas partidas podem ser encerradas literalmente em menos de um minuto. De qualquer forma, se você demorar mais de três minutos em alguma, é certo que os coelhos irão se multiplicar como, bem, como coelhos e você será derrotado.

Ora será necessário proteger uma área contra a horda felpuda, ora será necessário escoltar um personagem pelo cenário, ora será apenas necessário destruir todos os coelhos. Há um total de quatro chefes no jogo inteiro, para dar aquela apimentada na avalanche de mapas. Infelizmente, com poucas opções de unidades ou variações táticas do que você pode fazer, os cem mapas acabam cansando e o jogo não é recomendado para sessões longas.

Fluffy Horde 03Fluffy Horde 08

Quem espera um jogo de estratégia vai se decepcionar com Fluffy Horde. A vitória aqui não é obtida pela paciência ou administração firme de recursos, mas sim pela análise do que o mapa pede e o uso dos elementos que já estão espalhados. Na maioria dos casos, apenas uma abordagem exata pode levar à solução correta, o que aproxima o jogo dos quebra-cabeças. Isso é agravado pelo fato de suas mecânicas raramente serem explicadas a contento antes do início da partida, com novos e inusitados elementos sendo adicionados sem aviso. Tipo "como assim esses coelhos estão sendo multiplicados por dez quando passam por ali??".

O que temos aqui, então, é um título onde você provavelmente irá perder na primeira tentativa, apenas para entender como tudo funciona e decifrar o enigma para uma segunda investida. É a insanidade presente em sua atmosfera, aplicada em uma jogabilidade, que deixa o título mais próximo do inesperado de um The Gardens Between do que da tática ofensiva de um Mushroom Wars 2, para ficarmos em exemplos recentes.

Fluffy Horde 05Fluffy Horde 06

Temporada de Caça ao Coelho

Se a jogabilidade não é exatamente o que eu esperava, Fluffy Horde compensa pela simpatia. Usando uma arte em pixel caprichada, dá gosto de ver uma chuva de flechas pulverizando um tsunami de coelhos ou uma vaca recebendo uma chuva de leite que jorra de uma flor gigante (não faça perguntas, abrace o caos e aprecie). Quando catapultas estiverem jogando criaturinhas por todos os lados, sua princesa estiver sendo devorada viva e você for obrigado a repetir o mesmo nível pela décima vez, pelo menos você terá a certeza que será tudo bem desenhado, com aquele climão retrô que faz escorrer uma lágrima dos jogadores veteranos.

A arte se completa com uma dublagem (em inglês apenas) que também mira no humor, com uma princesa que teria vaga em um filme de patricinhas dos anos 90 e um ator fracassado vestido de coelho que sente orgulho em servir de isca. A música acompanha o tom de galhofa, embora dê nos nervos depois de um tempo. Mas quem foi que disse que você irá jogar Fluffy Horde por uma hora seguida?

Fluffy Horde 02

Para quem tem um amigo com o jogo na sua biblioteca, é possível preparar uma partida multiplayer, onde um de vocês assume o papel do xamã que comanda o exército dos coelhos e o outro controla a força dos humanos. Sem servidores externos, o modo depende de um dos lados se tornar o host, gerar um código e enviar esse código para o parceiro. É uma complicação que acabei não testando, na falta de conhecidos que também tivessem adquirido Fluffy Horde.

Entretanto, o resultado final é um jogo que vale a pena ser conhecido. Seja para quebrar a cabeça em alguns mapas, seja para relaxar depois da janta, em partidas rápidas e descompromissadas mas com risos garantidos. O preço de R$ 10 (ou R$ 8.50 no desconto de lançamento na Steam) também ajuda na decisão: mais barato que aqueles ovinhos de chocolate marotos com brinquedo dentro, com a vantagem de ter muito mais conteúdo e, certamente, muito mais surpresas.

Ouvindo: SEGA - Back 2 Back (Sonic Rush)

14 de novembro de 2018

Omnia Vincit Amor

Por dois anos, o alemão Jonas Manke trabalhou sozinho em seu sonho. O animador freelance tinha dez anos de experiência no mercado, trabalhando em títulos como State of Decay e filmes, mas queria algo mais. Queria criar um mundo.

OMNO é a soberba criação de sua mente e seu suor e o jogo agora está mais próximo da realidade do que nunca, com um Kickstarter bem-sucedido (mas ainda aberto a doações) e uma previsão de lançamento de setembro de 2019 no Steam.

Desenvolvido com a Unreal Engine, OMNO surpreende pelo design de suas criaturas e seu habitat, vasto e convidativo. Com uma jogabilidade que convida à exploração e promete muitos segredos e enigmas, é um título que chamou minha atenção e um mundo que eu gostaria de conhecer.

De acordo com Manke, todas as mecânicas estão completas e o mapa já está jogável, mas ainda faltam acertar os detalhes, adicionar elementos extras, criar mais personagens. Com sua meta no Kickstarter superada por longa margem e sua determinação, é praticamente certo que agora é apenas uma questão de tempo para se abrirem as portas de seu fascinante sonho.

Ouvindo: Oingo Boingo - Heard Somebody Cry

12 de novembro de 2018

Analisando: Fallout

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

O que era risível ou costumeiro em 1950, em Fallout, diante do horror do holocausto nuclear, recebe sua verdadeira face. Com o jogo é possível olhar para trás e ver quão cegos e ignorantes foram os donos do poder atômico, em seu otimismo irresponsável.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2011/07/anos-dourados.html

Ouvindo: The Smiths - The boy with the thorn in his side

11 de novembro de 2018

Elon Musk: Filantropo, Milionário... Criador de Jogos?

Musk

Tony Stark da vida real ou Norman Osborn em potencial, gênio ou picareta, Elon Musk é uma das figuras mais conhecidas e controversas do mundo da tecnologia atualmente, seja por mandar um carro em direção à Marte, seja por fumar um cigarro de maconha ao vivo na internet ou comprar briga na Tailândia.

É claro que um indivíduo com tantas facetas deva ter algum lado que nem todos conhecem e uma parte de sua história de vida pouco divulgada é que Musk já trabalhou no desenvolvimento de jogos eletrônicos e pode-se dizer inclusive que sua imensa fortuna começou aí.

Aos 10 anos de idade, o jovem sul-africano foi levado aos Estados Unidos à passeio por seu pai, um engenheiro elétrico. A viagem cimentaria o fascínio do garoto pelos jogos: "eu lembro que foi uma experiência realmente incrível, porque todos os hotéis tinham fliperamas. Então, a primeira coisa que eu fazia, quando chegávamos a um novo hotel, era ir aos fliperamas". Essa descoberta despertou um interesse precoce por computação que nunca o abandonaria e ele se tornou um autodidata: "eu pensei que poderia fazer meus próprios jogos. Eu queria ver como os jogos funcionam. Eu queria criar um videogame. Isso é o que me levou a aprender como programar computadores".

Foram necessários apenas dois anos para ele, em 1983, fazer o seu primeiro negócio. Aos doze anos de idade, Elon Musk vendeu o código fonte do jogo Blastar para a revista de informática PC and Office Technology por quinhentos dólares, uma soma significativa para alguém da sua idade. Blastar acabaria sendo preservado para a posteridade por Tomas Lloret Llinares, um engenheiro de programa do Google, que converteu aquele código de décadas atrás para HTML 5. Hoje, é possível jogar Blastar diretamente do seu navegador.

Se passariam outros dez anos antes de Musk voltar ao mundo dos jogos. Em 1994, já morando nos Estados Unidos, o futuro magnata trabalhava de dia com ultra capacitores na Pinnacle Research Institute e de noite ainda fazia um bico como programador de baixo nível na desenvolvedora Rocket Science. Quem procurar com cuidado irá encontrar o nome de Elon Musk nos créditos de Cadillacs and Dinosaurs: The Second Cataclysm e Loadstar: The Legend of Tully Bodine, dois rail-shooters que usavam e abusavam de sequências em FMV para aproveitar a febre do armazenamento dos drives de CD-ROM e do Sega CD.

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Por uma dessas coincidências do destino, os três jogos apresentam temáticas que se tornariam marcantes na trajetória de Musk: espaço sideral, carangas possantes e um veículo rápido sobre trilhos. Entretanto o empreendedor largaria a indústria dos jogos pouco depois, para iniciar uma sucessão de negócios que o levariam mais longe e se manteria ligado ao passado apenas como um jogador fervoroso de títulos como Overwatch e Civilization.

Ouvindo: The Chemical Brothers - Don't Think| Out of Control | Setting Sun

10 de novembro de 2018

Turok Vive! (Mas Já?!)

Parece que outro ano mesmo Turok estava de volta aos quadrinhos e aqui está ele novamente.

Turok - Cover

Na verdade, a quinta encarnação do personagem histórico nos gibis aconteceu mesmo em 2017 e, ao que tudo indica, não foi para frente, pois ele está vindo para um novo reinício em Janeiro de 2019. Novo cenário, nova equipe criativa, nova origem, mas ele continua sendo um índio e continua enfrentando dinossauros.

Essa é a terceira investida da editora Dynamite Comics em quatro anos, de onde podemos concluir que eles não sabem muito bem o que fazer com a marca. Desta vez, o escritor veterano Ron Marz quer uma espécie de volta às tradições clássicas dos primeiros e distantes gibis de Turok e a história será ambientada nos anos 1880, quando o protagonista sai ao resgate de seu irmão Andar, capturado pelas forças da Cavalaria do invasor branco. Sua jornada irá levá-lo, junto de Andar, alguns soldados norte-americanos e até um caçador de recompensas no seu rastro, para uma terra desconhecida e misteriosa, esquecida pelo tempo e habitada por feras primitivas.

Marz já assinou vários personagens importantes no passado, como Lanterna Verde e Surfista Prateado, e promete uma saga que pode funcionar tanto como um ponto de partida para quem nunca leu uma história de Turok antes como também não descarta suas iterações anteriores. Ele garante que haverá boas surpresas para os leitores de longa data.

Turok 01Turok 02Turok 03

A arte dessa sexta encarnação de Turok ficou por conta de Roberto Castro, que já desenhou o último encontro entre Conan e Red Sonja, além de Flash Gordon e Vampirella. Obviamente, não há qualquer previsão para o lançamento dessa revista no Brasil.

Com tantos renascimentos de Turok nos quadrinhos nos últimos anos, volto a perguntar: onde está o seu retorno para os jogos eletrônicos?

Ouvindo: Faith No More - Smaller and Smaller

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