Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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27 de agosto de 2014

Prepare a Pipoca

Sem aviso prévio, o serviço de distribuição digital de jogos GOG começou hoje a vender também filmes completos. E, como é o mantra da empresa desde seu início, sem qualquer tipo de DRM.

GOG - Movies

Por enquanto, são apenas documentários independentes, alguns sobre jogos, outros nem tanto, com preços que começam em seis dólares e podem chegar a 15 dólares, quando os descontos acabarem. Salgado? Talvez, mas não se considerarmos que não estamos alugando os filmes, mas comprando o direito de baixar e fazer o que quiser com eles. Sem DRM quer dizer sem ninguém lhe dizendo como, onde nem quando você pode assistir.

O GOG não chega a ser o pioneiro nesse sentido, uma vez que o Steam já distribui, timidamente, alguns filmes, como o Indie Game: The Movie e até um curta de terror, por exemplo. Entretanto, uma investida em larga escala deste nível de uma loja virtual antes dedicada a jogos eletrônicos? O GOG deu o primeiro passo.

Os poloneses garantem que a brincadeira não irá ficar restrita aos filmes do chamado cinema autoral ou documentários. "Nossa meta é oferecer a você clássicos do cinema assim como algumas séries de TV favoritas de todos tempos sem nenhum DRM".

Mas será que os ancestrais tubarões da indústria do cinema irão concordar com uma loja que vende seus produtos sem nenhum tipo de controle ou válvula contra a pirataria? Segundo o GOG, eles estão prestes a morder a isca. Em entrevista ao Kotaku, os grandes estúdios já foram contatados, já estão estudando a possibilidade e admitem que até agora o DRM não surtiu efeito algum na redução das cópias ilegais. Um passeio pelo The Pirate Bay ilustra essa verdade em poucos minutos.

DRM nunca resolveu. Soluções draconianas que limitam, assustam e oneram o consumidor legítimo são tratadas como foco de piada no submundo da pirataria e qualquer camelô de praça pública nos grandes centros urbanos sequer sabe o que significa a sigla e segue sua vida vendendo DVDs gravados com os últimos lançamentos. "A indústria inteira sabe que DRM é apenas um truque de fumaça e espelhos e não funciona, então por que não abandoná-lo?", pergunta o próprio GOG ao Kotaku.

No anúncio oficial do serviço, o GOG declara que os gigantes de Hollywood gostaram da ideia, mas não querem ser os primeiros a aparecer na loja. O medo do risco prevalece. Mas os poloneses arriscam. Mais uma vez.

Para uma empresa que nasceu justamente no mercado informal da pirataria, vinte anos depois ela traz a resposta óbvia para um antigo dilema e a promessa de um futuro digital unificado onde o consumidor é respeitado.

Ouvindo: Dead Kennedys - Buzzbomb

25 de agosto de 2014

"Para o alto e avante"

dc-universe-online-heroes-menthors

Surpreendendo a todos, inclusive a própria Sony, DC Universe Online se tornou o mais bem-sucedido jogo free-to-play da plataforma PS3 e PS4. No ano passado, o MMORPG contava com 11 milhões de usuários registrados. Agora, 2014 ainda nem terminou e o número saltou para 18 milhões de jogadores inscritos, um espantoso crescimento de 63% para um título de três anos atrás que não foi bem recebido em seu lançamento.

Naturalmente, o jogo se beneficiou das boas vendas do PS4, onde estava disponível desde o primeiro dia com o mínimo de concorrência. Para muitos jogadores, era chegar em casa com o novo console e baixar os mais de 20GB de DCUO gratuitamente. Um longo download, mas o preço é imbatível. No ano passado, o MMORPG recebeu melhorias gráficas já de olho na next-gen que estava se aproximando.

Vale elogiar também a estratégia adotada pela SOE de dar suporte contínuo ao jogo, com constantes atualizações, eventos e DLCs (pagas) a cada três meses. O jogo não apenas encerrou o arco principal envolvendo Brainiac, como também iniciou e concluiu outros, seguindo o exemplo das histórias em quadrinhos.

Atualmente, a proporção de jogadores se inverteu e 70% dos assinantes jogam a partir de um PlayStation 3 ou 4, contra uma minoria de 30% de jogadores no PC. Infelizmente, as duas tribos ficam segregadas em servidores diferentes, ainda que jogadores de PS3 e PS4 possam jogar juntos.

Gastei duas centenas de horas no mundo heroico de DC Universe Online, antes mesmo dos novos gráficos, e a mágica de interagir com personagens tão queridos e com seu legado não encontram similar em outros jogos do gênero. A Marvel tentou, com resultados que classifico como medíocres.

DC Universe Online pode não ter se tornado o fenômeno transmídia que pretendia ser, mas seus resultados manterão este glorioso universo longe de crises por um bom tempo. Merecidamente.

Ouvindo: Swamp Terrorists - Spawn

22 de agosto de 2014

O Que Bioshock Uniu... Ninguém Separa

Bioshock - New Beginnings

Essa é uma história de amor como outra qualquer onde moça conhece rapaz, rapaz e moça começam a namorar e o romance está no ar com um belo futuro pela frente. No caso aqui, tudo regado a tiroteio pesado, distopias steampunks e Ken Levine.

Stevie Kopas é a moça. Justin Starnes é o rapaz. Há três anos e meio atrás, ela voltou na GameStop onde comprou sua cópia do primeiro Bioshock só para comprar outra cópia do mesmo jogo para poder puxar papo com ele, que trabalhava como balconista.

Starnes nunca esqueceu do truque empregado pela namorada. E decidiu que o que Bioshock uniu, deve permanecer unido pelo poder de Ken Levine!

O rapaz surpreendeu a moça chegando em casa com uma raríssima cópia de Bioshock: New Beginnings. E se você nunca ouviu falar do quarto jogo da trilogia, é bom saber que ele é exclusivo do casal.

Bioshock - New Beginnings 02Bioshock - New Beginnings 03

Entre um manual de instruções totalmente customizado e fotos dos pombinhos, veio o pedido, com a frase que apenas um fã da franquia entenderia:

Bioshock - New Beginnings 04

Dentro da caixa, um saquinho com um item colecionável ainda mais precioso.

Bioshock - New Beginnings 05Bioshock - New Beginnings 06

Segundo Kopas, ela é agora a "mais feliz garota de toda Rapture".

Ouvindo: Rammstein - Klavier

20 de agosto de 2014

Lendo: Luka and The Fire of Life

Salman Rushdie é mais famoso por ter escrito o livro Versos Satânicos e ter sua cabeça literalmente colocada a prêmio por radicais islâmicos. Mas o autor britânico de origem indiana está menos preocupado com política do Oriente Médio e intrigas teológicas do que com a ficção, sendo um dos praticantes do que se convencionou chamar de realismo fantástico, o encontro entre o mundo mágico e o mundo real.

Luka and the Fire of Life

Não por acaso, Luka and the Fire of Life vem acompanhado de uma recomendação do autor de quadrinhos compatriota Neil Gaiman. Se você conhece a obra do homem que recriou Sandman na DC Comics, você já está familiarizado com o trabalho de Rushdie aqui: uma jornada épica por terras estranhas, com coadjuvantes oníricas, um clima de conto de fadas, tudo isso encobrindo um tema sério e adulto, como a Morte.

Este livro de Rushdie ganhou um pouco de holofote fora dos círculos da alta literatura, por assim dizer, por supostamente trazer elementos do mundo dos jogos eletrônicos para o universo do realismo fantástico. Rushdie escreveu o livro dedicado para o seu filho de 13 anos, que, como todo moleque nessa idade e nessa geração, é fã de Mario e outros ícones da jogatina.

Entretanto, estes mesmos elementos fora do seu contexto parecem ser utilizados com pouco jeito por Rushdie, claramente um forasteiro no meio. O protagonista Luka usa save points em sua jornada, tem um mostrador de vidas no canto de sua visão, mas é só isso. Nenhuma das duas concessões a esta "modernidade" tem qualquer influência concreta no desenrolar da história e Rushdie obviamente não entendeu como o conceito de "vidas" funciona, uma vez que Luka costuma perder dezenas com um único golpe. Em dado momento, os mundos de cada jogo são referenciados como existindo com a mesma força que o mundo real ou o mundo mágico das histórias literárias, mas é uma passagem rápida, que nunca é explorada.

Rushdie brilha de verdade quando não está tentando pateticamente falar a linguagem dos jovens digitais e prova, com absoluto domínio, que uma história não precisa de truques baratos para se mostrar atemporal e capaz de cativar aquela mesma juventude que ele está mirando. Por que Luka and the Fire of Life é uma montanha-russa de encantamento, dotada de uma prosa deliciosa.

Na trama, Luka, filho de um contador de histórias, se associa a um urso chamado Dog e um cachorro chamado Bear para entrar no Mundo Mágico e roubar o Fogo da Vida para restaurar a saúde do seu pai, vítima de uma misteriosa doença. Qualquer semelhança com o mote de Mirrormask, escrito por Neil Gaiman, é apenas fruto do acaso de mentes geniais repensando temas ancestrais.

É um roubo definido como impossível desde o começo, mas com a ajuda dos mais inusitados aliados e figuras mitológicas de diversas culturas, Luka irá tentar.

O livro é a continuação de Haroun and the Sea of Stories, protagonizado pelo irmão mais velho de Luka, mas não é necessário ter lido o livro anterior para embarcar de cabeça nesta nova aventura. Foi traduzido para o português como Luca e o Fogo da Vida e publicado pela Companhia das Letras, mas não sei como está sua disponibilidade no Brasil atualmente.

Sem cair no hermetismo que ocasionalmente assola o próprio Neil Gaiman, Rushdie constrói um road movie fantástico com suas próprias regras, fácil de acompanhar e que funciona como uma celebração da própria arte de imaginar.

Ouvindo: Queensryche - Silent Lucidity

18 de agosto de 2014

Arquitetura do Tédio

ArcheAge

Não me considero um especialista em MMOs. Não me deixo enganar por duas centenas de horas em DC Universe Online, ou por algumas dezenas de horas em Guild Wars 2 ou Warhammer Online. Apesar de expandir meu horizonte com algumas visitas a Meridian 59 ou ter experimentado World of Warcraft. Não, não sou um especialista.

Mas sei reconhecer quando um título não engaja. Quando o tédio e um vago dever de reportar o que vi são os únicos motores de minha jornada.

ArcheAge vem cercado de muito hype e já foi descrito como um jogo com "TradeRun como o Silkroad, PvP em massa como o RF". Na página oficial, temos ainda batalhas navais, asa deltas, julgamentos e cerco a castelos.

archeage-ships

Não vi nada disso.

Em três horas de jogatina durante o Closed Beta 3, cheguei ao Nível 8 do personagem e o mais legal que experimentei foi comprar um filhote de montaria e fazê-lo se desenvolver. De resto, batalhas sem sal, gráficos de 5 anos atrás, um universo frágil de lore, uma ausência de sentido maior para tantas missões que se completam em pouquíssimos minutos, monstros risíveis, uma interface atravancada, falta de senso de evolução e a estranha sensação de que ajudar outro jogador não dá nem XP, nem loot.

ArcheAge - Servidores

Muitos servidores cheios: em alguns momentos havia até fila para entrar

Três horas não dão para avaliar corretamente um jogo com tantas promessas. Em contrapartida, os desenvolvedores não deveriam deixar o impacto inicial no jogador ser tão frustrante. Em uma hora de DCUO, eu já estava lutando ao lado de Superman. Em uma hora de Warhammer Online, eu já tinha enfrentado um monstro que era maior que uma árvore e testemunhado a melancolia e o desespero que cercavam aquele mundo. Em meia hora de Guild Wars 2, tinha enfrentado um monstro duas vezes maior que uma árvore, em uma noite de tempestade com música épica tocando ao fundo...

Em três horas de ArcheAge, eu estava apanhando de Mandrágoras, uma criaturinha do tamanho de um cachorro vira-lata, sem me lembrar do motivo e fazendo uma coleção de Poções. Metade das missões dão como prêmio Poções de Saúde. A outra metade dá Poções de Mana. Não estava usando nenhuma delas.

De pontos positivos, eu destacaria apenas a trilha sonora, cativante e que pedia por um jogo mais rico. Para um Closed Beta, também é de se impressionar a ausência de bugs: tirando um NPC que falava em coreano, não encontrei mais nada de errado ou fora do lugar.

ArcheAge - Nacnar

Por ironia do destino, escolhi um Elfo, uma raça cujas habilidades incluem um tempo maior prendendo a respiração embaixo d'água e maior velocidade de natação. Pensava no meu filho, que é obcecado por mergulhar em todo jogo que vê. Lamentavelmente, não encontramos uma única massa aquática que tivesse alguma coisa embaixo da superfície além da própria água. Nada de peixes, nada de algas, nada de monstros, absolutamente nada. Talvez nas batalhas navais, essa habilidade faça a diferença. Ou não.

A impressão que fica é que ArcheAge é focado no jogador de último nível, aquele que geralmente reclama de falta de conteúdo em outros MMOs. Há guerras para travar, casas para construir, Guildas para formar e rotas comerciais para proteger.

Mas, para o noob, para aquele que tem pouca experiência em MMOs, ou está nos níveis mais baixos de ArcheAge, sobra uma recepção fria e a promessa de aventuras no futuro distante. Um futuro que deixo agora para os mais entusiasmados.

ArcheAge 03

Ouvindo: Rammstein - Du Riechst So Gut

16 de agosto de 2014

Time de Sonhos 2

Não se passou nem um mês do anúncio do jogo que irá reunir vários personagens de títulos independentes em uma única aventura e já surge outro?!

Paperbound é um jogo multiplayer que se descreve como um "Smash Bros no crack". Não é uma metáfora das mais bonitas, mas serve para descrever a intensidade do mata-mata que desafia a gravidade e retrata uma sangrenta batalha entre personagens saídos de livros se digladiando em arenas inspiradas em outros livros. Gravidade invertida, corrida pelas paredes, ataques de tinta, saltos frenéticos e amizades destruídas.

O jogo já tem sua própria lista de personagens para escolher, mas alguns protagonistas de títulos independentes também entrarão na brincadeira. Segundo os desenvolvedores, entre os livros da biblioteca onde se passa a batalha, havia uma revista de jogos, logo... bem, é uma desculpa esfarrapada para alguns camaradas indie já estabelecidos darem uma força para quem está entrando.

Por enquanto, estão confirmados no jogo Juan Aguacate, de Guacamelee; Captain Viridian, de VVVVVV; alguns membros da trupe de ladrões de Monaco e KR-17, do jogo homônimo.

Juan

Paperbound ainda está arrecadando verba através do Kickstarter, mas já tem duas demos (uma pública e outra para a imprensa) e campanha em andamento no Greenlight.

Ouvindo: Moby - Bodyrock

12 de agosto de 2014

Minecraft - Notas de Viagem

Quando sentei para escrever minha análise final de Minecraft, eu tinha uma lista mental de itens para comentar, mods para sugerir, detalhes técnicos e impressões. Depois do segundo parágrafo, joguei tudo pro alto e resolvi fazer um texto que tentasse apenas capturar o lirismo da narrativa emergente que o jogo possibilita.

Acredito ter conseguido, ainda que várias histórias tenham ficado de fora como o cachorro ladrão de trem, o Mar das Torres, as tensas madrugadas na Pedra do Caçador, a busca incessante por gatos do mato ou a perturbadora Ilha Cogumelo.

Entretanto, Minecraft ainda merece algumas considerações finais.

Cartografia

Existem diversos programas para gerar mapas das áreas exploradas de Minecraft. Utilizamos o Minecraft Overviewer que roda por fora do jogo e gera mapas que podem ser navegadas da mesma forma que o Google Maps.

Fiquei tentado a publicar online os arquivos da minha exploração, mas a pasta total do mapa gerado pelo Minecraft Overviewer tinha mais de 3GB!

overviewer

Não é o meu mundo. Mas o cara que construiu aquelas duas pontes ali tem uma paciência infinita!

Ao instalar mods no jogo, esbarramos em um problema técnico: nenhuma alteração do jogo pode afetar terreno já explorado. É o que impede, por exemplo, que um mod destrua aquele castelo que você levou meses para construir. O mesmo vale para atualizações da própria Mojang ao código de Minecraft: qualquer paisagem nova, animal novo, bloco novo, só poderá aparecer em um lugar que ainda não foi visitado, que ainda não foi gerado e armazenado no diretório do jogo.

Exploradores que somos, meu filho e eu, nos vimos em uma situação complicada: para cada mod instalado, era necessário viajar uma longa distância para ver as novidades.

Para administradores de servidores, esse é um problema bastante grave: o tamanho do mapa vai crescendo quanto mais os jogadores vão explorando e gerando arquivos permanentes. Lembram quando eu ofereci o meu mapa em Março para download? O arquivo compactado tinha 71Mb. O mais recente backup tem mais de 800Mb. Para servidores com vários jogadores, esse tamanho pode ser bem maior, o que dificulta a manutenção e o armazenamento.

overviewer1

Os "caminhos de rato" no servidor feitos por exploradores. O tamanho total do mapa é de 35GB neste exemplo

Procurei por meses a fio uma forma de contornar esse problema, de resetar as áreas que já tinha visitado no Minecraft sem afetar as áreas onde algo foi construído. Teoricamente, pode ser feito manualmente com o MCEdit e a função purge, que devolve as áreas visitadas ao seu estado natural, antes de serem geradas pelo algoritmo. Mas, com um mapa gigantesco, a ideia de navegar por cada chunk e resetá-los no braço não era viável.

Felizmente, encontrei o Minecraft Map Auto Trim. Ele analisa seu diretório de mundo pedaço por pedaço em busca de blocos que não poderiam existir naturalmente sem a sua intervenção (como tochas, camas, hortas, baús etc.). Se um item a ser preservado é encontrado, ele ignora aquele chunk. Caso contrário, ele é apagado dos arquivos do jogo para ser gerado novamente somente quando você voltar lá, seja lá com quais modificações você instalou.

Funcionou como uma luva. Finalmente, tínhamos camelos na porta de nosso Reino e Elefantes não muito longe. Uma das minhas pontes foi cortada ao meio e novas vilas foram geradas onde antes não havia nada, mas voltamos a ter coisas novas para descobrir sem precisar realizar uma odisseia.

Trapaceando?

Para enfrentar o Dragão, o inimigo final de Minecraft, você precisa encontrar o portal para sua dimensão. Não dá para construir a passagem. Tem que achar. E eles só existem em fortalezas subterrâneas.

stronghold

Em todo mundo de Minecraft são geradas somente três fortalezas, entre 640 e 1152 blocos de distância do ponto onde você começa. É um raio estupidamente grande para sair cavando e procurando. Para isso, a Mojang criou um sistema onde você forja um item que flutua no ar por dois patéticos segundos e voa em direção à fortaleza mais próxima.

Mas o item é feito com dois itens raros que você extrai de criaturas perigosas. Depois de lançar o terceiro item no ar, só para vê-lo sumindo dez metros à frente de onde eu estava, procurei saber uma forma menos estressante de achar uma fortaleza.

E encontrei uma ferramenta online que te diz as coordenadas exatas de cada uma delas: Stronghold Finder. Não precisa nem instalar: é só fornecer o seed do seu mundo ou indicar o diretório onde seu mundo está salvo e ele diz com precisão onde escavar. O mesmo site também tem localizadores de Vilas, Templos de Deserto, Templos de Selva (raríssimos, só encontrei um em toda minha jornada - mas não foi usando o site) e outras estruturas.

Seguro Morreu de Velho

MCSaveDe vez em quando, Minecraft não carrega direito. Você insiste. O jogo fica irritado e carrega, carrega, sim, mas você está sem nenhum equipamento, nenhum ponto de experiência e de volta ao ponto inicial. Satisfeito agora?

Uma das grandes falhas de Minecraft é não ter pontos de salvamento. É um único save por mundo. Fez besteira? Aguente as consequências. O jogo sumiu com sua armadura de diamante encantada? Reclame com a Mojang.

Percebi que as alterações no mundo são permanentes e não tem crash que desfaça o que você construiu. A única coisa que você pode perder por causa de bug é aquilo que carrega no corpo. O que já pode ser uma grande perda, se você está voltando para sua base com 512 blocos de ferro quando o travamento acontece.

MCSave é um utilitário que salva automaticamente o seu progresso, em intervalos programados por você. Nunca mais perdi meu equipamento ou minha experiência, ainda que o aplicativo não salve sua posição no mundo.

Mais Mods

Na busca incessante por novidades (e "animais novos", meu filho sempre perguntava por "animais novos"), outros mods foram instalados além daqueles que já analisei aqui.

A lista a seguir é compatível com a versão 1.72 de Minecraft:

Mobmania: Acrescenta apenas quatro novos animais ao jogo (pinguins, ursos pandas, orcas e borboletas). As criaturas são bem modeladas. Cuidado com as orcas e com os pandas...

Project Zulu: Bem mais ambicioso que o mod acima, esse aqui adiciona uma penca de animais novos, monstros novos, estruturas novas e até algumas plantas novas bem interessantes. Outra grande vantagem é que ele é facilmente customizável editando-se os arquivos de texto de configuração. Contar mais, estragaria as surpresas. Acredito que ainda não tenhamos descoberto tudo que o mod oferece.

Piramide

Too Many Biomes: Esse é bem famoso e acrescenta novos biomas e estruturas ao jogo. Para quem já explorou demais as paisagens do Minecraft básico, é sempre bom ver novos terrenos.

Mo' Creatures: Se você procura por criaturas novas, esse é O mod. São tantos animais e monstros assustadores acrescentados ao Minecraft que ele fica parecendo outro jogo. Infelizmente, os animais não eram "capturáveis" com nossa Pokébola, o que tornou o mod incompatível com nosso projeto de zoológico. Para evitar conflito de geração de animais e aumentar as chances de encontrar animais que podiam ser capturados, desinstalamos depois de um tempo. Mas a noite, com os novos inimigos, é uma experiência aterradora com essa modificação.

Eterno Retorno

Por enquanto, meu filho e eu estamos dando um tempo de Minecraft. Ainda há muitos mods a serem explorados e um novo mundo está sempre ali ao alcance de um botão. Mas também há outros jogos e uma pausa se faz necessária.

Meu sonho é ver meu filho assumindo totalmente o controle do mouse e do teclado e construindo seus próprios objetivos, labutando muralhas, enfrentando desafios, pedindo ajuda, triunfando, minerando em busca de tesouros e emergindo com um sorriso no rosto, orgulhoso para me mostrar o que fez. Ainda estou falando de Minecraft neste parágrafo? Sim e não. Muitas jornadas e blocos ainda aguardam no horizonte.

Ouvindo: Dead Can Dance - The Host of Seraphim

Retina Desgastada

Blog criado e mantido por C. Aquino

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