Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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14 de novembro de 2018

Omnia Vincit Amor

Por dois anos, o alemão Jonas Manke trabalhou sozinho em seu sonho. O animador freelance tinha dez anos de experiência no mercado, trabalhando em títulos como State of Decay e filmes, mas queria algo mais. Queria criar um mundo.

OMNO é a soberba criação de sua mente e seu suor e o jogo agora está mais próximo da realidade do que nunca, com um Kickstarter bem-sucedido (mas ainda aberto a doações) e uma previsão de lançamento de setembro de 2019 no Steam.

Desenvolvido com a Unreal Engine, OMNO surpreende pelo design de suas criaturas e seu habitat, vasto e convidativo. Com uma jogabilidade que convida à exploração e promete muitos segredos e enigmas, é um título que chamou minha atenção e um mundo que eu gostaria de conhecer.

De acordo com Manke, todas as mecânicas estão completas e o mapa já está jogável, mas ainda faltam acertar os detalhes, adicionar elementos extras, criar mais personagens. Com sua meta no Kickstarter superada por longa margem e sua determinação, é praticamente certo que agora é apenas uma questão de tempo para se abrirem as portas de seu fascinante sonho.

Ouvindo: Oingo Boingo - Heard Somebody Cry

12 de novembro de 2018

Analisando: Fallout

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

O que era risível ou costumeiro em 1950, em Fallout, diante do horror do holocausto nuclear, recebe sua verdadeira face. Com o jogo é possível olhar para trás e ver quão cegos e ignorantes foram os donos do poder atômico, em seu otimismo irresponsável.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2011/07/anos-dourados.html

Ouvindo: The Smiths - The boy with the thorn in his side

11 de novembro de 2018

Elon Musk: Filantropo, Milionário... Criador de Jogos?

Musk

Tony Stark da vida real ou Norman Osborn em potencial, gênio ou picareta, Elon Musk é uma das figuras mais conhecidas e controversas do mundo da tecnologia atualmente, seja por mandar um carro em direção à Marte, seja por fumar um cigarro de maconha ao vivo na internet ou comprar briga na Tailândia.

É claro que um indivíduo com tantas facetas deva ter algum lado que nem todos conhecem e uma parte de sua história de vida pouco divulgada é que Musk já trabalhou no desenvolvimento de jogos eletrônicos e pode-se dizer inclusive que sua imensa fortuna começou aí.

Aos 10 anos de idade, o jovem sul-africano foi levado aos Estados Unidos à passeio por seu pai, um engenheiro elétrico. A viagem cimentaria o fascínio do garoto pelos jogos: "eu lembro que foi uma experiência realmente incrível, porque todos os hotéis tinham fliperamas. Então, a primeira coisa que eu fazia, quando chegávamos a um novo hotel, era ir aos fliperamas". Essa descoberta despertou um interesse precoce por computação que nunca o abandonaria e ele se tornou um autodidata: "eu pensei que poderia fazer meus próprios jogos. Eu queria ver como os jogos funcionam. Eu queria criar um videogame. Isso é o que me levou a aprender como programar computadores".

Foram necessários apenas dois anos para ele, em 1983, fazer o seu primeiro negócio. Aos doze anos de idade, Elon Musk vendeu o código fonte do jogo Blastar para a revista de informática PC and Office Technology por quinhentos dólares, uma soma significativa para alguém da sua idade. Blastar acabaria sendo preservado para a posteridade por Tomas Lloret Llinares, um engenheiro de programa do Google, que converteu aquele código de décadas atrás para HTML 5. Hoje, é possível jogar Blastar diretamente do seu navegador.

Se passariam outros dez anos antes de Musk voltar ao mundo dos jogos. Em 1994, já morando nos Estados Unidos, o futuro magnata trabalhava de dia com ultra capacitores na Pinnacle Research Institute e de noite ainda fazia um bico como programador de baixo nível na desenvolvedora Rocket Science. Quem procurar com cuidado irá encontrar o nome de Elon Musk nos créditos de Cadillacs and Dinosaurs: The Second Cataclysm e Loadstar: The Legend of Tully Bodine, dois rail-shooters que usavam e abusavam de sequências em FMV para aproveitar a febre do armazenamento dos drives de CD-ROM e do Sega CD.

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Por uma dessas coincidências do destino, os três jogos apresentam temáticas que se tornariam marcantes na trajetória de Musk: espaço sideral, carangas possantes e um veículo rápido sobre trilhos. Entretanto o empreendedor largaria a indústria dos jogos pouco depois, para iniciar uma sucessão de negócios que o levariam mais longe e se manteria ligado ao passado apenas como um jogador fervoroso de títulos como Overwatch e Civilization.

Ouvindo: The Chemical Brothers - Don't Think| Out of Control | Setting Sun

10 de novembro de 2018

Turok Vive! (Mas Já?!)

Parece que outro ano mesmo Turok estava de volta aos quadrinhos e aqui está ele novamente.

Turok - Cover

Na verdade, a quinta encarnação do personagem histórico nos gibis aconteceu mesmo em 2017 e, ao que tudo indica, não foi para frente, pois ele está vindo para um novo reinício em Janeiro de 2019. Novo cenário, nova equipe criativa, nova origem, mas ele continua sendo um índio e continua enfrentando dinossauros.

Essa é a terceira investida da editora Dynamite Comics em quatro anos, de onde podemos concluir que eles não sabem muito bem o que fazer com a marca. Desta vez, o escritor veterano Ron Marz quer uma espécie de volta às tradições clássicas dos primeiros e distantes gibis de Turok e a história será ambientada nos anos 1880, quando o protagonista sai ao resgate de seu irmão Andar, capturado pelas forças da Cavalaria do invasor branco. Sua jornada irá levá-lo, junto de Andar, alguns soldados norte-americanos e até um caçador de recompensas no seu rastro, para uma terra desconhecida e misteriosa, esquecida pelo tempo e habitada por feras primitivas.

Marz já assinou vários personagens importantes no passado, como Lanterna Verde e Surfista Prateado, e promete uma saga que pode funcionar tanto como um ponto de partida para quem nunca leu uma história de Turok antes como também não descarta suas iterações anteriores. Ele garante que haverá boas surpresas para os leitores de longa data.

Turok 01Turok 02Turok 03

A arte dessa sexta encarnação de Turok ficou por conta de Roberto Castro, que já desenhou o último encontro entre Conan e Red Sonja, além de Flash Gordon e Vampirella. Obviamente, não há qualquer previsão para o lançamento dessa revista no Brasil.

Com tantos renascimentos de Turok nos quadrinhos nos últimos anos, volto a perguntar: onde está o seu retorno para os jogos eletrônicos?

Ouvindo: Faith No More - Smaller and Smaller

9 de novembro de 2018

Crônicas da Nemédia ou Um Guia de Conan Exiles Para Principiantes

Você começa o jogo pelado, com uma mão na frente e a outra atrás. Ou provavelmente não, porque a opção Sem Nudez é ativada por padrão, mas sabe-se lá no que você andou mexendo antes do jogo começar. Esse guia pretende tornar sua vida de exilado a mais tranquila possível, considerando que nove em cada dez seres vivos nesse jogo desejam sua morte.

É perfeitamente possível jogar Conan Exiles no modo Solo. Uma das vantagens é não precisar utilizar mais o recurso BattleEye, que é um sistema anti-trapaça obrigatório para quem irá jogar em servidores. Remover o BattleEye acelera um pouco o lento processo de carregamento do jogo. Você pode remover o BattleEye clicando com o botão direito do mouse no nome do jogo, em sua lista lateral na Biblioteca do Steam e escolhendo a opção Uninstall BattleEye. Se mudar de ideia e desejar testar a sorte no modo PvE ou PvP, o jogo oferece instantaneamente a chance de reinstalar o serviço.

Conan Exiles 13

Agora que você está sozinho nesse mundão, é importante saber que você pode morrer de fome, sede ou ataques de inimigos.

A fome é relativamente fácil de combater nesse começo, desde que você não veja problema algum em comer insetos e larvas. Basta usar o botão de interação (normalmente E) em todo arbusto que encontrar pela frente e logo terá uma boa coleção de fibras vegetais, insetos e sementes. Se inseto não é sua praia, providencie logo uma fogueira, onde será possível adicionar as sementes e fazer uma sopinha bem básica.

Já que você fez uma fogueira, já pode cozinhar umas carnes. Evite comer carne crua. Cozinhar é rápido e evita o risco de intoxicação alimentar. Para tirar carne dos animais que você matar, desça o machado nos cadáveres até não sobrar nada. Pode ser uma picareta também e mais pra frente você terá facas especiais para resultados melhores e/ou mais rápidos.

Não há itens de cura ou regeneração automática nesse início do jogo, então comer e comer muito é sua forma de se curar. Mas não se entupa de alimento, seu bastardo glutão! Cada comida restaura sua vida por um intervalo de tempo, então espere acabar a restauração anterior antes de começar a próxima.

Sede é um problema grave e o um indicador amarelo vira um indicador vermelho muito rápido. Mas não se preocupe com o indicador vermelho, ele não irá durar muito tempo: você estará morto em segundos. Então, se estiver amarelo, corra para o rio mais próximo ou aprenda a fazer um cantil. Nesse início do jogo, é conveniente se manter próximo aos vários rios que o mapa oferece. Para beber água de um rio, basta entrar na água e apertar o botão de interação.

Conan Exiles 14

Por último, temos combate como uma necessidade vital. Embora você até possa matar seus inimigos com o mesmo machado ou picareta que usa para coleta, uma arma dedicada é muito, muito mais eficiente. Conselhos válidos para qualquer jogo são essenciais aqui: evite lutar contra mais de um inimigo por vez, aprenda o momento de se esquivar, entenda as animações de ataque e as melhores formas de encadeá-las e não tenha vergonha de fugir. Se você tiver uma barra de fadiga cheia, conseguirá escapar de qualquer luta. O perigo é não saber para onde correr e terminar fugindo da frigideira para o fogo. No modo Solo, grandes inimigos são uma sentença de morte a menos que você esteja muito, muito bem equipado (ou com mods). Se uma criatura parece maior do que o normal, não encare.

Além de carne, os seus oponentes poderão render outros saques depois que você passar o machado ou qualquer outra ferramenta neles: ossos, couraça, cabeças. Guarde tudo, você nunca sabe o que irá precisar no futuro. Baús de madeira e armários serão fundamentais tão logo você aprenda a construir seu primeiro cafofo.

Tenha sempre um saco de dormir preparado. Ele é o seu ponto de ressurreição até você fabricar uma cama decente. Quando explorar um lugar novo e ameaçador, deixe um saco de dormir próximo. Em Conan Exiles, todos os seus itens ficam armazenados no seu cadáver em caso de morte e você terá que recuperá-los nu (ou de tanguinha), com metade da vida. É bem menos desagradável se você não precisar cruzar quilômetros nessas condições.

É possível desabilitar a perda de itens e ressuscitar com tudo equipado nas configurações de "servidor" do seu jogo solo. Embora essa limitação seja uma tradição de jogos de sobrevivência, Conan Exiles é assolado por um bug que pode tornar seu cadáver "invisível", impossibilitando o resgate do seu equipamento. Passei por essa situação três vezes antes de capitular. O corpo acaba reaparecendo depois que você reinicia o jogo por completo, mas é uma perda enorme de tempo e paciência.

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Se for alterar qualquer coisa nas configurações, atender o telefone ou ir ao banheiro, lembre-se de que o jogo não tem pausa, mesmo no modo Solo. Enquanto você está fazendo um sanduíche no mundo real, um crocodilo pode estar fazendo um sanduíche do seu personagem.

Nas configurações de servidor, eu também recomendo desabilitar a Hecatombe no modo solo. É uma mecânica interessante no papel, mas brutal na prática. Com a Hecatombe ativada, de tempos em tempos sua base sofrerá um ataque de forças hostis que vão tentar matar tudo que estiver lá e destruir suas construções até os alicerces. Em minha primeira e única Hecatombe fui forçado a encarar 8 invasores simultâneos, morri quatro vezes, ressuscitei em minha cama e os matei, mas não antes de eles destruírem o equivalente a uma hora de trabalho pesado de coleta de recursos.

De tempos em tempos acontece outro evento, uma tempestade de areia de proporções cataclísmicas que varre o mapa inteiro. Tente não ser pego no meio dela sem um abrigo. Na falta de uma construção ou cavernas, fique próximo a grandes rochas ou embaixo de arcos naturais para minimizar o dano recebido. Um ícone de "abrigo" aparece na tela se você estiver mais ou menos protegido.

Conan Exiles 24

Golpes Rápidos

  • Ao contrário de muitos jogos de sobrevivência, o mapa é sempre o mesmo, não importa quantas vezes você reinicie o jogo.
  • Tudo no mapa tem respawn, incluindo inimigos humanos, criaturas, plantas e até rochas!
  • Esse mapa interativo pode ajudá-lo a localizar pontos interessantes.
  • Diferentes ferramentas podem extrair recursos diferentes do mesmo objeto. Experimente usar uma picareta em uma árvore.
  • Arcos não disparam sozinhos: você precisa arrastar e soltar as flechas para o mesmo slot onde o arco está para carregá-lo.
  • Você pode interagir com as paredes, portas e chão de sua casa usando a tecla de interação. É possível a partir daí deletar o objeto, se desejar.
  • Você não precisa jogar fora uma ferramenta ou arma quebrada. É possível repará-la, se você tiver os recursos necessários no seu inventário e é muito mais econômico do que fazer outra.
  • Existe um limite máximo de nível de 50. Ou seja, não será possível maximizar todos os seus atributos ou talentos, então escolha com cuidado que caminho de evolução quer seguir.
  • A barreira de energia que circunda a região é mortal. Basta um toque para matar.
  • O botão V habilita uma espécie de modo foto. A combinação Alt+Z desabilita a interface para captura de telas (um truque que eu claramente não sabia até agora).
Ouvindo: L7 - Bad Things

7 de novembro de 2018

Jogando: Thronebreaker: The Witcher Tales

Thronebreaker-The-Witcher-Tales-header

(publicado originalmente no Gamerview)

De imediato, quero deixar claro que não joguei até o final nenhum título da franquia The Witcher, embora tenha lido alguns livros. Pronto. Estou livre para esclarecer sua dúvida: Thronebreaker: The Witcher Tales se eleva em cima dos ombros de um universo já construído previamente ou se destaca por seus próprios méritos?

A resposta é que a CD Projekt Red tem literalmente nas mãos mais uma obra que vai sacudir o gênero ao qual pertence e que brilha, aliás, fulgura, em seu próprio trono. É um tributo a uma obra de fantasia, certamente, mas também é um sopro de vigor entre os card games.

Deus Salve a Rainha!

Em Thronebreaker: The Witcher Tales você assume o comando de Meve, Rainha dos reinos de Líria e Rívia, muitos anos antes da época de um certo Geralt. De personalidade forte, ela precisa tomar decisões duras e comandar as forças que possui contra as ameaças internas e externas que surgem em seu caminho, desde a ação de bandoleiros locais até a invasão em larga escala de um império inimigo, passando por confrontos com os monstros tão característicos da franquia. Entretanto, como já vimos anteriormente, nem todos os monstros tem formas assustadoras e o ser humano, principalmente aquele em quem você depositava sua confiança, pode se revelar o mais perigoso e traiçoeiro de todos.

A CD Projekt Red assume para si a tarefa de triunfar sobre um desafio quase impossível: como criar uma campanha sólida para um jogo de cartas? E a desenvolvedora polonesa consegue a façanha combinando uma narrativa épica que se escora em um texto rebuscado com uma dublagem impecável e um roteiro que apresenta todas as reviravoltas que você espera de uma corte medieval. Desenvolvido inicialmente como um modo de Gwent, Thronebreaker: The Witcher Tales ganhou peso e força para merecer um lançamento separado com dezenas de horas de conteúdo.

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No caminho de Meve irão aparecer diversos personagens carismáticos que poderão se juntar ou não ao seu grupo, incluindo alguns rostos e nomes que deverão ser familiares para os jogadores dos outros títulos do universo de The Witcher. Seus diálogos muito bem executados compensam a falta de uma animação em 3D desses encontros e eles transpiram personalidade. Mesmo em campo de batalha, frases soltas e interações deixam bastante claro quem está dizendo o quê e o jogador sente que está diante de algo mais do que estatísticas em um cartão ou uma arte detalhada.

A desenvolvedora acerta em cheio ao não tornar a história de Meve e sua luta em um simples pretexto para expor suas mecânicas de cartas ou tentar popularizar o Gwent no coração dos amantes de RPG. Há um clima de saga contada ao pé da lareira, de fato vivido, com a presença física de um narrador que nos conta em cada detalhe como foi essa jornada. As ações e, principalmente as decisões difíceis que a rainha irá tomar serão determinantes para que o jogador atinja um dos 20 finais possíveis após atravessar quase 75 missões diferentes.

Não Existe Mão Perfeita

Enquanto conduzimos Meve por esta ampla geografia  concebida décadas atrás por Andrzej Sapkowski, o jogo se comporta como um RPG isométrico convencional, onde é possível coletar recursos, conversar com NPCs e descobrir eventos. Quando ocorre a necessidade de uma batalha, ela é resolvida em uma disputa de cartas baseada nas regras do Gwent e o mesmo acontece com puzzles, que também são convertidos em um duelo com regras adaptadas.

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A curva de aprendizado inicial é cruel para quem não veio de Gwent, com as primeiras batalhas fáceis demais, onde o jogo basicamente conduz sua mão e lhe diz o que fazer, sem explicar muito das mecânicas subjacentes. A sutileza e a complexidade do jogo precisam ser aprendidas mesmo é nas derrotas que se sucedem, na base da tentativa e erro e na intuição do funcionamento de tantas regras que estão em constante conflito umas com as outras.

Para quem já jogou um card game anterior, seja o ancestral Magic the Gathering ou o mais recente Hearthstone, a lógica é a mesma: existem regras gerais, mas cada carta individualmente apresenta suas próprias exceções e a combinação de suas habilidades pode levar a uma vitória rápida ou a uma derrota árdua. A inteligência artificial de Thronebreaker cuida das minúcias automaticamente e em uma cascata de ações e reações na tela que pode parecer fulminante para os desavisados.

Para quem deseja curtir somente a história da jornada de Meve, o jogo traz a opção de pular as batalhas com uma vitória automática. Não é a melhor maneira de apreciar o magnífico trabalho gráfico de suas cartas, os efeitos de cada conflito, as falas pontuais dos personagens ou a euforia de finalmente entender como tudo se encaixa e obter um triunfo antes considerado inatingível. Ainda assim, é um ponto à favor da CD Projekt Red por compreender a diversidade de seu público e não deixar seu conto trancado atrás de uma barreira que pode ser enfadonha para alguns.

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A desenvolvedora polonesa poderia ter se dado por satisfeita com esse casamento entre o Gwent e uma história bem contada, mas ela vai além e claramente se diverte com as possibilidades de seu sistema de cartas. Demorei a entender que não existe a melhor forma de se jogar Thronebreaker ou o baralho “matador”, uma vez que os combates e os desafios colocados diante de Meve são propositalmente fora da caixa e que as ditas batalhas convencionais são a exceção aqui. O objetivo é obrigar o jogador a explorar seus limites, sair da sua zona de conforto, experimentar novas estratégias, até mesmo novas cartas.

Por cima disso, é acrescentada ainda uma camada estratégica, onde é possível gerenciar um acampamento, aprimorando a coleta de recursos, "fabricando" cartas adicionais, ajustando o baralho da melhor maneira possível para o imponderável logo à frente, evoluindo a própria rainha ou simplesmente sentar no barracão do rancho e conversar e conhecer melhor seus aliados mais importantes. Nem mesmo nesse canto do jogo a CD Projekt Red desperdiça a oportunidade de ampliar sua atmosfera.

Terra Desolada

Infelizmente, nem tudo são flores no caminho de Meve e não estou me referindo às guerras e às bestas: o próprio cenário, ainda que belo, relembrando uma ilustração de livro, não guarda muitas surpresas. Vagar por essas terras acaba se tornando repetitivo depois de um tempo, assim como a coleta quase mecânica de recursos, como ouro, madeira ou recrutas. O mapa não é tão aberto como parece ser a princípio, com várias áreas inatingíveis ou que só podem ser alcançadas por certas rotas. Além disso, carece de atividades que estimulem uma exploração maior, embora seja possível revisitar várias partes através do recurso de viagens rápidas.

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Entretanto, a impressão que fica é que Thronebreaker: The Witcher Tales poderia sobreviver sem um mapa a ser atravessado, até porque sua narrativa é linear. Não há quase nada para ser alterado nos cenários e, em muitos casos, as recompensas das missões opcionais não justificam o esforço empreendido.

A versão em Português do jogo peca em alguns erros de ortografia que não chegam a comprometer mas também não podem ser ignorados. Nada que uma correção não resolva mais tarde.

Mesmo com essas poucas falhas, é nítido que Thronebreaker: The Witcher Tales é mais um grande acerto de seus criadores e tem o potencial de ser um divisor de águas entre os card games, provando que, com talento e disposição, não existem desculpas para se fazer uma campanha atraente no gênero. Afinal, um baralhinho sempre combinou com um bom causo desde a era em que reis e rainhas decidiam destinos na ponta de espadas.

Ouvindo: Bigod 20 - Infidelity Groove

5 de novembro de 2018

Analisando: Battlefield 4

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Battlefield 4 traz de volta o espírito do improviso, adiciona personagens com os quais é possível se importar e embala tudo naquela já manjada pegada cinematográfica que abunda nos shooters modernos.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2015/01/jogando-battlefield-4.html

Ouvindo: L7 - Human

Retina Desgastada

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