Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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31 de agosto de 2014

O "Gamer" Está Morto! Longa Vida aos Jogos!

Gamer

Eu odeio o termo "gamer". Nunca usei e já expliquei os meus motivos. Mas nunca atravessei uma semana onde a ojeriza fosse tão forte quanto esta.

Ameaças de morte, sujeira jogada no ventilador, redes de jogos derrubadas, cruzadas determinando o que você deve ou não deve comprar, "pegadinhas" que poderiam causar tragédias, escândalos, ofensas, votos eternos de vingança.

Isso é Arte? Estaria a Ministra da Cultura finalmente tendo seu momento de triunfo? Jogos eletrônicos pertencem mesmo a um estereótipo do jovem imaturo branco (ou querendo ser branco), emocionalmente inseguro, hiperssexualizado, misógino, homofóbico, socialmente inadequado e potencialmente agressivo?

Será que passei seis anos da minha vida escrevendo sobre algo que só existe dentro da minha cabeça?

Segundo Leigh Alexander, Diretora de Notícias do Gamasutra:

"'Cultura dos games', como nós a conhecemos é meio embaraçosa - não é nem mesmo uma cultura. É sobre comprar coisas, repetir os memes e as piadas internas repetidamente e ficar maluco na Internet.

São homens jovens em vila com chapéus felpudos de cogumelos e mochilas abarrotadas de pôsteres promocionais. Em fila apaixonadamente por horas, em eventos ao redor do mundo, para ver coisas que os marqueteiros querem que eles vejam. Para descobrir se devem comprar coisas ou não."

É isso mesmo? Fim de jogo?

"Tudo É Permitido"

Nunca se jogou como antes. MOBAs, MMOs, jogos casuais, jogos independentes, jogos AAA, jogos para celular e tablets, jogos para sensores de movimento, jogos de navegador, jogos que ainda nem estão prontos, jogos que nunca estarão prontos, gratuitos, pagos, extorsivos, a preço de balinhas. O mercado explodiu.

Não estamos nos anos 90. Uma nova geração de jogadores apareceu, os jogos se tornaram onipresentes no cotidiano, da criança que constrói Minecraft em sala de aula ao idoso que explora mundos de JRPG, passando pelos jovens que extravasam seus hormônios nas arenas virtuais.

Tudo é jogo.

Nem todos são "gamers".

Jogo pode ser mais do que explodir, cortar, perfurar com balas, usar magia, pular, salvar, ser ágil. Pode ter protagonista mulher, pode ter protagonista negro, pode ter protagonista esquimó, pode ter protagonista homossexual. Pode se passar nas ruas pobres do Recife, no interior da imaginação de uma criança em coma, nas curvas sinuosas da carapaça de uma ostra gigante ou nas Colinas de Golã.

Never Alone

Se nós queremos chamar isso de cultura, se queremos que isso seja Arte, precisamos permitir que a diversidade respire. Precisamos cutucar o monstro do conformismo, quebrar regras, romper tabus, destruir paradigmas ou, no mínimo, dar espaço para que alguém o faça.

É o que eu acredito, é a tecla que eu venho batendo desde o início: há mais nos jogos do que o fuzileiro espacial enfrentando demônios. Há mais nos jogos do que séries anuais que reciclam os mesmos sucessos de antigamente. Há mais nos jogos do que remakes, do que nostalgia, do que CGI, do que rankings e achievements, do que velhos papéis repetidos à exaustão. Há mais do que tudo que já vimos até agora.

"Nada é Verdade"

Jogo pode ser sobre explodir, cortar, perfurar com balas, usar magia, pular, salvar, ser ágil. Pode ter protagonista homem com barba mal-feita. Pode se passar em Nova York, em Moscou, em Marte ou em um genérico da Terra-Média.

Personagens

Não se trata de propor o fim daquilo que o "gamer" considera seu privilégio de classe. A indústria não joga dinheiro fora, por mais loucos que possam ser seus criadores. O que estamos testemunhando agora é um sadio momento de cisão. Dividir para ampliar, para incluir.

O "gamer", esta criatura primitiva do início dos tempos, não reconhece mais a paisagem ao seu redor e se sente ameaçado. Talvez sem razão.

A ascensão do Cinema-Arte nunca foi ameaça para Hollywood e vice-versa. Joyce, Hemingway, Machado de Assis e Fernando Pessoa podem ser encontrados nas mesmas livrarias que vampiros cintilantes e dezenas de tons de cinza. O mesmo Batman que protagoniza A Piada Mortal também tem seus dias de enfrentar o Mariposa.

Trugamer, trunerd, trumetal, tantas verdades emitidas por quem se apega a um status segregador que cerca um pequeno pedaço de terra, com regras profundas, e chama da "cultura". Tudo que existe do lado de fora é fake e merece a pior das agressões. O debate de ideias se esvai. A "cultura" sufocada, morre. A indústria entra em colapso por falta de renovação.

Esperar que todo título seja um palco para debate ideológico ou uma declaração de princípios também seria uma grande ingenuidade.

Mas...

A sociedade mudou. Vozes que antes eram caladas, agora buscam uma rota para se expressar. Autoritarismos que antes eram disfarçados de norma social agora são desmascarados como a discriminação que sempre foram. Piadas envelhecem, rancores, não.

O "gamer" emitiu seu último grunhido de revolta ao longo da semana. Ele ruge para o trem sem freio da evolução.

Ouvindo: Metallica - Blitzkrieg

29 de agosto de 2014

Que Comece a Caçada!

Bounty Hounds Online

"Em meio ao século 25, a humanidade realiza o primeiro contato com a Inteligência Extraterrestre (ETI) e uma guerra colonial é desencadeada em...". O enredo não parece ser o forte de Bounty Hounds Online e eu estou aqui para convencer você (e a mim mesmo) de que vale a pena testar esse MMO.

É um jogo de ficção-científica, então espere uma mistura de Mechas, terreno alienígena para ser explorado, PMCs, armas laser, robôs, mulheres com armadura corporal que não protege e homens com barba por fazer, por que na guerra não dá tempo de usar Prestobarba.

Parece que eu não estou no caminho certo. Será o sono?

Outra tentativa: o jogo será inteiramente localizado em Português do Brasil, incluindo interface, missões e itens. Já melhorou.

O jogo também tem como requisitos mínimos 4GB de RAM, uma placa de vídeo jurássica GeForce 7800 com 256MB e ocupa apenas 7 GB de espaço no disco rígido. Ou seja, até aquele computador cansado de tanto rodar CS irá conseguir rodar o jogo.

Para quem está habituado com o gênero, Bounty Hounds Online trará todas as mecânicas tradicionais, como pets (que são obviamente robôs aqui), crafting, (batizado de Pesquisa e Desenvolvimento) arenas PvP, Guildas (Legiões e Esquadrões no universo do jogo).

O jogo é baseado em Bounty Hounds, um título lançado em 2006 para o PSP, e se passa no mesmo universo de diversos outros títulos da Namco.

O título foi traduzido e será distribuído no Brasil pela Hoplon, que já tem experiência de lidar com MMOs no mercado brasileiro, tendo Taikodom, APB e outros no currículo.

E a Hoplon é uma empresa tão legal que convidou o Retina Desgastada a participar do Closed Beta. E não irei sozinho: quem acessar esta página poderá se cadastrar para participar também (enquanto durarem as chaves). O cadastro é simples, com uma única tela e na seguinte já aparece o link de download.

BHO

 

Os horários de acesso ao Closed Beta serão entre 16:00 e 22:00 durante a semana e entre 13:00 e 23:00 nos finais de semana, se encerrando no próximo dia 11 de Setembro. O nível máximo que você poderá chegar é o 48 (sendo que será de 65 na versão final). Tirando estes dois pontos, não haverá limitação alguma no jogo.

Mas não se apegue muito aos personagens porque eles serão todos resetados quando terminar o período de testes, quando começará um Beta aberto para todos. Mais detalhes do Closed Beta podem ser lidos aqui.

Tempo tem sido uma mercadoria escassa por aqui, mas a ideia de ter um escorpião robótico me seguindo enquanto eu empunho uma metralhadora giratória para destruir Mechas que disparam mísseis é tentadora demais e meu filho precisa ver isso em ação.

Ouvindo: Fields of the Nephilim - Vet For the Insane

27 de agosto de 2014

Prepare a Pipoca

Sem aviso prévio, o serviço de distribuição digital de jogos GOG começou hoje a vender também filmes completos. E, como é o mantra da empresa desde seu início, sem qualquer tipo de DRM.

GOG - Movies

Por enquanto, são apenas documentários independentes, alguns sobre jogos, outros nem tanto, com preços que começam em seis dólares e podem chegar a 15 dólares, quando os descontos acabarem. Salgado? Talvez, mas não se considerarmos que não estamos alugando os filmes, mas comprando o direito de baixar e fazer o que quiser com eles. Sem DRM quer dizer sem ninguém lhe dizendo como, onde nem quando você pode assistir.

O GOG não chega a ser o pioneiro nesse sentido, uma vez que o Steam já distribui, timidamente, alguns filmes, como o Indie Game: The Movie e até um curta de terror, por exemplo. Entretanto, uma investida em larga escala deste nível de uma loja virtual antes dedicada a jogos eletrônicos? O GOG deu o primeiro passo.

Os poloneses garantem que a brincadeira não irá ficar restrita aos filmes do chamado cinema autoral ou documentários. "Nossa meta é oferecer a você clássicos do cinema assim como algumas séries de TV favoritas de todos tempos sem nenhum DRM".

Mas será que os ancestrais tubarões da indústria do cinema irão concordar com uma loja que vende seus produtos sem nenhum tipo de controle ou válvula contra a pirataria? Segundo o GOG, eles estão prestes a morder a isca. Em entrevista ao Kotaku, os grandes estúdios já foram contatados, já estão estudando a possibilidade e admitem que até agora o DRM não surtiu efeito algum na redução das cópias ilegais. Um passeio pelo The Pirate Bay ilustra essa verdade em poucos minutos.

DRM nunca resolveu. Soluções draconianas que limitam, assustam e oneram o consumidor legítimo são tratadas como foco de piada no submundo da pirataria e qualquer camelô de praça pública nos grandes centros urbanos sequer sabe o que significa a sigla e segue sua vida vendendo DVDs gravados com os últimos lançamentos. "A indústria inteira sabe que DRM é apenas um truque de fumaça e espelhos e não funciona, então por que não abandoná-lo?", pergunta o próprio GOG ao Kotaku.

No anúncio oficial do serviço, o GOG declara que os gigantes de Hollywood gostaram da ideia, mas não querem ser os primeiros a aparecer na loja. O medo do risco prevalece. Mas os poloneses arriscam. Mais uma vez.

Para uma empresa que nasceu justamente no mercado informal da pirataria, vinte anos depois ela traz a resposta óbvia para um antigo dilema e a promessa de um futuro digital unificado onde o consumidor é respeitado.

Ouvindo: Dead Kennedys - Buzzbomb

25 de agosto de 2014

"Para o alto e avante"

dc-universe-online-heroes-menthors

Surpreendendo a todos, inclusive a própria Sony, DC Universe Online se tornou o mais bem-sucedido jogo free-to-play da plataforma PS3 e PS4. No ano passado, o MMORPG contava com 11 milhões de usuários registrados. Agora, 2014 ainda nem terminou e o número saltou para 18 milhões de jogadores inscritos, um espantoso crescimento de 63% para um título de três anos atrás que não foi bem recebido em seu lançamento.

Naturalmente, o jogo se beneficiou das boas vendas do PS4, onde estava disponível desde o primeiro dia com o mínimo de concorrência. Para muitos jogadores, era chegar em casa com o novo console e baixar os mais de 20GB de DCUO gratuitamente. Um longo download, mas o preço é imbatível. No ano passado, o MMORPG recebeu melhorias gráficas já de olho na next-gen que estava se aproximando.

Vale elogiar também a estratégia adotada pela SOE de dar suporte contínuo ao jogo, com constantes atualizações, eventos e DLCs (pagas) a cada três meses. O jogo não apenas encerrou o arco principal envolvendo Brainiac, como também iniciou e concluiu outros, seguindo o exemplo das histórias em quadrinhos.

Atualmente, a proporção de jogadores se inverteu e 70% dos assinantes jogam a partir de um PlayStation 3 ou 4, contra uma minoria de 30% de jogadores no PC. Infelizmente, as duas tribos ficam segregadas em servidores diferentes, ainda que jogadores de PS3 e PS4 possam jogar juntos.

Gastei duas centenas de horas no mundo heroico de DC Universe Online, antes mesmo dos novos gráficos, e a mágica de interagir com personagens tão queridos e com seu legado não encontram similar em outros jogos do gênero. A Marvel tentou, com resultados que classifico como medíocres.

DC Universe Online pode não ter se tornado o fenômeno transmídia que pretendia ser, mas seus resultados manterão este glorioso universo longe de crises por um bom tempo. Merecidamente.

Ouvindo: Swamp Terrorists - Spawn

22 de agosto de 2014

O Que Bioshock Uniu... Ninguém Separa

Bioshock - New Beginnings

Essa é uma história de amor como outra qualquer onde moça conhece rapaz, rapaz e moça começam a namorar e o romance está no ar com um belo futuro pela frente. No caso aqui, tudo regado a tiroteio pesado, distopias steampunks e Ken Levine.

Stevie Kopas é a moça. Justin Starnes é o rapaz. Há três anos e meio atrás, ela voltou na GameStop onde comprou sua cópia do primeiro Bioshock só para comprar outra cópia do mesmo jogo para poder puxar papo com ele, que trabalhava como balconista.

Starnes nunca esqueceu do truque empregado pela namorada. E decidiu que o que Bioshock uniu, deve permanecer unido pelo poder de Ken Levine!

O rapaz surpreendeu a moça chegando em casa com uma raríssima cópia de Bioshock: New Beginnings. E se você nunca ouviu falar do quarto jogo da trilogia, é bom saber que ele é exclusivo do casal.

Bioshock - New Beginnings 02Bioshock - New Beginnings 03

Entre um manual de instruções totalmente customizado e fotos dos pombinhos, veio o pedido, com a frase que apenas um fã da franquia entenderia:

Bioshock - New Beginnings 04

Dentro da caixa, um saquinho com um item colecionável ainda mais precioso.

Bioshock - New Beginnings 05Bioshock - New Beginnings 06

Segundo Kopas, ela é agora a "mais feliz garota de toda Rapture".

Ouvindo: Rammstein - Klavier

20 de agosto de 2014

Lendo: Luka and The Fire of Life

Salman Rushdie é mais famoso por ter escrito o livro Versos Satânicos e ter sua cabeça literalmente colocada a prêmio por radicais islâmicos. Mas o autor britânico de origem indiana está menos preocupado com política do Oriente Médio e intrigas teológicas do que com a ficção, sendo um dos praticantes do que se convencionou chamar de realismo fantástico, o encontro entre o mundo mágico e o mundo real.

Luka and the Fire of Life

Não por acaso, Luka and the Fire of Life vem acompanhado de uma recomendação do autor de quadrinhos compatriota Neil Gaiman. Se você conhece a obra do homem que recriou Sandman na DC Comics, você já está familiarizado com o trabalho de Rushdie aqui: uma jornada épica por terras estranhas, com coadjuvantes oníricas, um clima de conto de fadas, tudo isso encobrindo um tema sério e adulto, como a Morte.

Este livro de Rushdie ganhou um pouco de holofote fora dos círculos da alta literatura, por assim dizer, por supostamente trazer elementos do mundo dos jogos eletrônicos para o universo do realismo fantástico. Rushdie escreveu o livro dedicado para o seu filho de 13 anos, que, como todo moleque nessa idade e nessa geração, é fã de Mario e outros ícones da jogatina.

Entretanto, estes mesmos elementos fora do seu contexto parecem ser utilizados com pouco jeito por Rushdie, claramente um forasteiro no meio. O protagonista Luka usa save points em sua jornada, tem um mostrador de vidas no canto de sua visão, mas é só isso. Nenhuma das duas concessões a esta "modernidade" tem qualquer influência concreta no desenrolar da história e Rushdie obviamente não entendeu como o conceito de "vidas" funciona, uma vez que Luka costuma perder dezenas com um único golpe. Em dado momento, os mundos de cada jogo são referenciados como existindo com a mesma força que o mundo real ou o mundo mágico das histórias literárias, mas é uma passagem rápida, que nunca é explorada.

Rushdie brilha de verdade quando não está tentando pateticamente falar a linguagem dos jovens digitais e prova, com absoluto domínio, que uma história não precisa de truques baratos para se mostrar atemporal e capaz de cativar aquela mesma juventude que ele está mirando. Por que Luka and the Fire of Life é uma montanha-russa de encantamento, dotada de uma prosa deliciosa.

Na trama, Luka, filho de um contador de histórias, se associa a um urso chamado Dog e um cachorro chamado Bear para entrar no Mundo Mágico e roubar o Fogo da Vida para restaurar a saúde do seu pai, vítima de uma misteriosa doença. Qualquer semelhança com o mote de Mirrormask, escrito por Neil Gaiman, é apenas fruto do acaso de mentes geniais repensando temas ancestrais.

É um roubo definido como impossível desde o começo, mas com a ajuda dos mais inusitados aliados e figuras mitológicas de diversas culturas, Luka irá tentar.

O livro é a continuação de Haroun and the Sea of Stories, protagonizado pelo irmão mais velho de Luka, mas não é necessário ter lido o livro anterior para embarcar de cabeça nesta nova aventura. Foi traduzido para o português como Luca e o Fogo da Vida e publicado pela Companhia das Letras, mas não sei como está sua disponibilidade no Brasil atualmente.

Sem cair no hermetismo que ocasionalmente assola o próprio Neil Gaiman, Rushdie constrói um road movie fantástico com suas próprias regras, fácil de acompanhar e que funciona como uma celebração da própria arte de imaginar.

Ouvindo: Queensryche - Silent Lucidity

18 de agosto de 2014

Arquitetura do Tédio

ArcheAge

Não me considero um especialista em MMOs. Não me deixo enganar por duas centenas de horas em DC Universe Online, ou por algumas dezenas de horas em Guild Wars 2 ou Warhammer Online. Apesar de expandir meu horizonte com algumas visitas a Meridian 59 ou ter experimentado World of Warcraft. Não, não sou um especialista.

Mas sei reconhecer quando um título não engaja. Quando o tédio e um vago dever de reportar o que vi são os únicos motores de minha jornada.

ArcheAge vem cercado de muito hype e já foi descrito como um jogo com "TradeRun como o Silkroad, PvP em massa como o RF". Na página oficial, temos ainda batalhas navais, asa deltas, julgamentos e cerco a castelos.

archeage-ships

Não vi nada disso.

Em três horas de jogatina durante o Closed Beta 3, cheguei ao Nível 8 do personagem e o mais legal que experimentei foi comprar um filhote de montaria e fazê-lo se desenvolver. De resto, batalhas sem sal, gráficos de 5 anos atrás, um universo frágil de lore, uma ausência de sentido maior para tantas missões que se completam em pouquíssimos minutos, monstros risíveis, uma interface atravancada, falta de senso de evolução e a estranha sensação de que ajudar outro jogador não dá nem XP, nem loot.

ArcheAge - Servidores

Muitos servidores cheios: em alguns momentos havia até fila para entrar

Três horas não dão para avaliar corretamente um jogo com tantas promessas. Em contrapartida, os desenvolvedores não deveriam deixar o impacto inicial no jogador ser tão frustrante. Em uma hora de DCUO, eu já estava lutando ao lado de Superman. Em uma hora de Warhammer Online, eu já tinha enfrentado um monstro que era maior que uma árvore e testemunhado a melancolia e o desespero que cercavam aquele mundo. Em meia hora de Guild Wars 2, tinha enfrentado um monstro duas vezes maior que uma árvore, em uma noite de tempestade com música épica tocando ao fundo...

Em três horas de ArcheAge, eu estava apanhando de Mandrágoras, uma criaturinha do tamanho de um cachorro vira-lata, sem me lembrar do motivo e fazendo uma coleção de Poções. Metade das missões dão como prêmio Poções de Saúde. A outra metade dá Poções de Mana. Não estava usando nenhuma delas.

De pontos positivos, eu destacaria apenas a trilha sonora, cativante e que pedia por um jogo mais rico. Para um Closed Beta, também é de se impressionar a ausência de bugs: tirando um NPC que falava em coreano, não encontrei mais nada de errado ou fora do lugar.

ArcheAge - Nacnar

Por ironia do destino, escolhi um Elfo, uma raça cujas habilidades incluem um tempo maior prendendo a respiração embaixo d'água e maior velocidade de natação. Pensava no meu filho, que é obcecado por mergulhar em todo jogo que vê. Lamentavelmente, não encontramos uma única massa aquática que tivesse alguma coisa embaixo da superfície além da própria água. Nada de peixes, nada de algas, nada de monstros, absolutamente nada. Talvez nas batalhas navais, essa habilidade faça a diferença. Ou não.

A impressão que fica é que ArcheAge é focado no jogador de último nível, aquele que geralmente reclama de falta de conteúdo em outros MMOs. Há guerras para travar, casas para construir, Guildas para formar e rotas comerciais para proteger.

Mas, para o noob, para aquele que tem pouca experiência em MMOs, ou está nos níveis mais baixos de ArcheAge, sobra uma recepção fria e a promessa de aventuras no futuro distante. Um futuro que deixo agora para os mais entusiasmados.

ArcheAge 03

Ouvindo: Rammstein - Du Riechst So Gut

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Blog criado e mantido por C. Aquino

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