Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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24 de julho de 2016

Quarentena

Ontem publiquei uma postagem após uma semana de hiato. Uma postagem que na verdade foi a sucessora de outra que também cobriu um hiato de uma semana. O que está acontecendo com o Retina Desgastada?

Com o blog não está acontecendo nada, ele vai bem obrigado, rumo aos dez anos (ou mais) de existência. Mas, no corrente momento assumi um projeto que consome muito mais tempo do que eu imaginava, um projeto que já estava anunciado com antecedência e tem prazo para terminar. Inicialmente, acreditei que seria possível manter uma rotina de produção no Retina Desgastada concomitante com o trabalho (que não tem nada a ver com jogos ou com wallpapers...).

Agora, está claro que não está funcionando e não seria justo manter um ritmo de postagens semanais sem prestar esclarecimentos.

Então, as atividades do blog estão temporariamente suspensas até o final de Agosto, mais tardar início de Setembro. É possivelmente a maior interrupção nesses 8 anos desde sua criação, mas também é possível que o silêncio seja quebrado se aparecer um tempo até lá.

Boletins de Emergência

Enquanto decidia sobre a melhor forma de dar essa notícia desagradável para quem visita o Retina Desgastada diariamente em busca de novidades (sim, você, eu vejo nas estatísticas), acabei tendo uma ideia mais interessante do que simplesmente sumir por 40 dias.

Então, até o retorno oficial do blog, publicarei todo dia um link relacionado a jogos ou não que seja interessante, os Boletins de Emergência.

Continue visitando. Você será informado.

  1. Em Caso de Emergência, Solte o Raptor: provavelmente o melhor título de jogo em anos e uma premissa bastante interessante, um cruzamento inusitado de Goat Simulator e Parque dos Dinossauros.
  2. Game Over: estúdio de publicidade recria clássicos do fliperama usando stop-motion.
  3. Passado, Presente e Futuro dos RPGs: os lendários Brian Fargo (Wasteland, Fallout), Josh Sawyer (New Vegas, Pillars of Eternity) e Gordon Walton (Ultima Online, Star Wars: TOR) em uma longa, longa entrevista sobre o tema.
  4. Arcane Dimensions: mod revisita o Quake original e acrescenta novos mapas, novos inimigos e novas funcionalidades sem perder aquele charme old school do clássico.
  5. Jogador de futebol profissional larga tudo... para virar jogador de FIFA profissional e YouTuber.
Ouvindo: Gorillaz - Aspen Forest

23 de julho de 2016

16 Jogos Gratuitos de PC que Você Deveria Conhecer

(publicado originalmente no Código Fonte - com comentários adicionais aqui em itálico)

Evolve se juntou à lista de jogos de PC nos quais você não precisa pagar nada para se divertir. Mas ele não está sozinho.

Na verdade, procurando bem, é possível ter uma excelente seleção de jogos para a plataforma onde o jogador só paga se quiser ou não paga nem um tostão, mesmo querendo! E não estamos falando "daqueles" títulos malandros que são "gratuitos" por fora, mas estão lotados de microtransações por dentro…

Conheça agora uma grande lista de 16 jogos gratuitos que você deveria conhecer:

1) Team Fortress 2

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Possivelmente o título mais conhecido da lista, a grande aposta da Valve no mercado de free-to-play que prolongou sua vida útil ao sair de um modelo de pagamento para um sistema baseado inteiramente em microtransações cosméticas que não afetam a jogabilidade. A aposta deu certo, Team Fortress 2 continuou imensamente popular e lucrativo e inspirou uma geração de jogos similares, incluindo o sucesso do momento, Overwatch. Mas o original ainda está funcionando, ainda tem uma comunidade ativa de jogadores e continua divertido.

Por incrível que pareça, nunca joguei Team Fortress 2. O grupo do Retina Desgastada chegou a promover uma partida anos atrás, mas na hora combinada não pude participar, devido a outros compromissos... dizem que foi divertido.

Baixe agora!

2) Warframe

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Nem tudo dentro desse jogo é gratuito e algumas funcionalidades tentam o jogador a investir um pouco de dinheiro para avançar, mas Warframe conquistou uma legião de fãs mesmo assim por seu ritmo frenético e seu universo deslumbrante. Afinal, não são muitos jogos que colocam você como um ninja espacial entre uma batalha eterna de facções, com gráficos de ponta e muitas, muitas opções de evolução e customização.

Minha experiência com Warframe foi extremamente curta, com uma placa de vídeo inadequada e uma resposta do mouse pavorosa. O que foi uma pena, porque parecia ser um título bem divertido e complexo.  Aparentemente, é possível enterrar centenas de horas nele com facilidade, o que me deixa apreensivo em arriscar um retorno...

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3) Spooky’s Jump Scare Mansion

spooky-houseEm uma primeira olhada é fácil descartar esse jogo por alguns elementos supostamente infantis e seus gráficos de dez anos atrás. Mas esse jogo independente criado por apenas dois sujeitos esconde uma experiência de horror única que irá atormentar o jogador por muito tempo e desafiá-lo a chegar até o final com os nervos intactos: 1000 salas randômicas em uma mansão assombrada, com pesadelos incompreensíveis e um senso de humor mórbido.

MEDO!

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4) Tribes: Ascend

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Um dos mais antigos jogos da lista, o FPS multiplayer foi um dos primeiros a trazer jetpacks e transformar as tradicionais batalhas horizontais em conflitos verticais de tirar o fôlego. Até Setembro do ano passado, Tribes: Ascend estava relativamente abandonado, depois de anos de atividade, mas a criadora Hi-Rez lançou uma atualização com novidades para as partidas e os jogadores voltaram. Vale a conferida para conhecer um título que também influenciou uma geração de desenvolvedores.

Nunca tive a oportunidade de jogá-lo, até por ser estritamente multiplayer competitivo, uma combinação de palavras proibida para mim até Overwatch quebrar o tabu em definitivo. Merece uma chance um dia. Se ainda tiver gente jogando até lá... De qualquer forma, a série tem um legado histórico de introduzir combates verticais na fórmula, que não pode ser ignorado.

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5) Path of Exile

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Esse RPG de ação tem tudo que um Diablo tem e mais um pouco, menos uma coisa: o preço. Criado por fãs e para fãs, com qualidade de grande produção, Path of Exile turbina a velha fórmula: masmorras randomizadas, monstros grotescos, batalhas tensas e muito, muito loot para evoluir e customizar seu personagem. O destaque do jogo vai justamente para essa última parte, onde ele traz uma árvore de habilidades de uma complexidade poucas vezes vista no cenário, para que seu herói seja exatamente do jeito que você deseja que ele seja.

Minha experiência com Path of Exile não foi como eu esperava, mas, se você curte a mecânica infinita de Diablo, com a vantagem de não precisar pagar nada, não tem erro. E, visualmente falando, o jogo não deixa nada a desejar a seu rival mais famoso (e caro).

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6) Dota 2

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Por ser um dos pilares da ascensão do e-sports e da fundação do gênero MOBA, é fácil esquecer que Dota 2 é gratuito. Outra grande aposta da Valve, que acabou se tornando de longe o jogo mais jogado de seu portfólio. Com uma vasta seleção de personagens para escolher, com diferentes táticas e interações com sua equipe, é um título difícil de dominar, mas extremamente viciante e que movimenta uma indústria que vale milhões de dólares.

Reza a lenda que eu acabei de inventar que toda vez que um novo jogador entra para Dota 2, Half-Life 3 atrasa mais um dia e Gabe Newell fica mais rico. Infelizmente, o jogo é também conhecido por uma comunidade extremamente tóxica e hostil com iniciantes, principalmente mulheres. A Valve vem tentado reverter essa má-fama, mas o progresso é lento. Entre por sua conta e risco.

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7) League of Legends

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Não dá para falar de Dota 2 sem mencionar seu principal rival: League of Legends. Também gratuito, também popular e também complexo. Não cabe aqui dizer qual deles é o melhor: ambos disputam ferrenhamente a coroa do gênero, com pouca diferença nesse ou naquele aspecto. Na dúvida, experimente os dois, afinal, não terá custo algum no seu bolso. Ou escolha aquele que seus amigos estão jogando e mergulhe de cabeça.

A guerra entre os dois maiores MOBAs é histórica: ambos disputam o trono de popularidade e também o trono de hostilidade para iniciantes. Mais uma vez, entre por sua conta e risco.

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8) Heroes of the Storm 

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Já que estamos falando de MOBAs, a gigante Blizzard não poderia ficar de fora da competição. A investida da desenvolvedora no gênero chama-se Heroes of the Storm e reúne os principais personagens de todas as suas franquias. O jogo tem a vantagem de oferecer uma curva de aprendizado mais suave e uma comunidade menos hostil com novatos, além da familiaridade com os ícones de outros títulos da empresa, mas vem sendo acusado de apresentar menos desafio, o que dificultaria sua aceitação no mercado de e-sports.

Muitas empresas tentaram capitalizar em cima da cornucópia financeira dos MOBAs e, durante um período, praticamente todas as empresas tinham um jogo do gênero tentando disputar um lugar ao Sol. A imensa maioria fracassou, mas a Blizzard conseguiu provar que décadas de experiência contam para alguma coisa e é a mais certa candidata à vaga de terceiro lugar no ranking do gênero.

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9) Hearthstone

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Uma vez que a Blizzard não coloca todos os ovos em uma só cesta, a empresa também apostou nesse jogo eletrônico de cartas colecionáveis gratuito, inspirado em Magic the Gathering, Pokémon e outros do mundo real e construído em cima da popularidade do universo de Warcraft. A popularidade do jogo e sua complexidade vem crescendo a cada nova expansão e desenvolvedora pode se gabar de ter alavancado um gênero que lutava para crescer.

Eu não pego um jogo de cartas desde o saudoso Magic the Gathering da Microprose. Desde então, muitos vieram disputar o mercado, inclusive novas encarnações do mesmo Magic the Gathering. Mas precisou aparecer a Blizzard para sacudir o cenário e mostrar que o gênero vai bem, obrigado.

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10) StarCraft Arcade

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A terceira aposta da Blizzard no mercado de jogos gratuitos pega carona na franquia StarCraft. Os jogos da série continuam pagos, mas a empresa lançou uma Starter Edition de StarCraft II que não apenas permite jogar alguns níveis do jogo como também é a base para o chamado StarCraft Arcade. Nessa modalidade, o jogador pode experimentar uma infinidade de mapas e outros modos de jogo criados pela comunidade de fãs ou pela própria desenvolvedora, garantindo diversão estratégica gratuita por um longo, longo tempo.

Outra confissão: nunca joguei StarCraft pra valer. Desisti no primeiro mapa do primeiro jogo e voltei para o meu Age of Empires. Nos anos 90, os RTS eram todos muito parecidos e minha paciência muito limitada. Agora a franquia é um colosso, mas eu descobri Warhammer 40K e continuo não simpatizando com StarCraft...

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11) World of Warships

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Já fizemos uma análise completa deste simulador de batalhas navais e um resumo seria de que ele vale a pena. Com uma ampla seleção de embarcações que se adequam ao seu estilo de jogo e uma curva de aprendizado muito tranquila, é o tipo de jogo que você pode instalar e já sair em combate em alguns minutos, com espaço para se aperfeiçoar no futuro. Se navios de guerra não são a sua praia, a mesma desenvolvedora também tem World of Tanks e World of Warplanes, que seguem uma linha similar, com confrontos terrestres e aéreos.

Um título que eu comecei a jogar meio que por obrigação profissional, mas acabei curtindo. É diferente de praticamente quase tudo que eu já tenha jogado, com sua física é dinâmicas próprias, mas não deixa de ser instigante.

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12) Marvel Heroes 2016 

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Trazendo o nome de David Brevik, o criador do Diablo original, liderando o projeto, esse MMO oficial do universo Marvel tem tudo o que um fã dos quadrinhos pode desejar. São dezenas de personagens que podem ser colecionados e jogados, em diversos cenários e aventuras, em batalhas titânicas contra inimigos clássicos. As atualizações constantes e novos heróis e vilões são adicionados para acompanhar o sucesso dos personagens nos cinemas e na televisão.

Minha experiência com esse MMO foi, no mínimo, desastrosa. Mas também aconteceu há mais de três anos atrás e parece que o jogo evoluiu muito desde então. Na falta de um novo Marvel Ultimate Alliance, é o que temos no mercado para jogar com um amplo espectro de personagens e é de graça, pelo menos.

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13) Star Wars: The Old Republic

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Já os fãs de Star Wars não ficam na mão: o ambicioso MMO The Old Republic traz a assinatura de qualidade da desenvolvedora Bioware e revisita o universo da Velha República, milhares de anos antes da época dos filmes, em uma era onde Siths e Jedis disputavam a supremacia da Galáxia. Considerado um MMO com bastante ênfase na história, o jogo tem tudo para agradar os fãs da franquia espacial, explorando seus mitos e oferecendo diversos planetas e customizações para os jogadores.

Outro MMO, outra experiência frustrante. É o mais perto que jamais teremos de um terceiro Knights of the Old Republic e um genuíno esforço da Bioware de criar um MMO com um enredo minimamente interessante, infelizmente duas qualidades que ficaram marginalizadas pelo grinding, pelas mecânicas desgastantes do gênero e por bugs, muitos bugs. De positivo, o jogo continua sendo expandido e sua história agora é colossal, o que talvez justifique um futuro retorno meu.

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14) Star Trek Online

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Quem prefere Star Trek não está abandonado no cenário dos MMOs e está, na verdade, muito bem representado com esse jogo. O título está em constante atualização, mesmo anos depois do seu lançamento e recentemente ganhou uma nova expansão focada em viagens temporais e no visual da série clássica, para saudosista nenhum botar defeito. Além das missões oficiais, o jogo ainda conta com uma ferramenta para a própria comunidade criar suas histórias e aventuras e compartilhar entre si, mantendo acessa a chama e indo onde nenhum MMO jamais esteve.

Minha experiência com esse jogo nem rendeu uma postagem: pouco menos de duas horas que gastei mais olhando para planilhas e estatísticas do que efetivamente avançando algum enredo. O combate espacial é interessante, mas o corpo a corpo, nem tanto.

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15) The Lord of the Rings Online

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Para quem prefere o universo de fantasia criado por Tolkien, The Lord of the Rings Online é a opção. Lançado inicialmente como um jogo pago, ele ganhou uma nova vida ao se tornar gratuito para todos, embora haja algumas pequenas restrições e as expansões continuem pagas. Elogiado pelos fãs dos livros e da franquia cinematográfica, o jogo consegue capturar a magia original, com suas raças, seus lugares lendários e sua mitologia, aliando a tudo isso uma jogabilidade sólida.

Um MMO elogiado que não tive a chance de testar. Apesar de ter adorado a trilogia cinematográfica (e os livros), a indústria dos jogos ainda está me devendo uma experiência à altura. Não que eu tenha procurado com fervor... apenas um RTS insosso passou pelas minhas mãos.

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16) Guild Wars 2

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Um dos raros MMOs que não cobravam mensalidade, apenas o preço do jogo, Guild Wars 2 tornou-se completamente gratuito no ano passado, depois de vender 5 milhões de unidades. A expansão Heart of Thorns ainda é paga, mas o jogo base apresenta um vasto mapa com um mundo único, de raças exóticas, intrigas, horrores extra-dimensionais e muita, muita coisa para ser feita sem que o jogador precise colocar a mão na carteira.

O que mais eu posso dizer além de que Guild Wars 2 foi um dos melhores MMORPGs que já experimentei? Meu conhecimento no gênero não é muito amplo, mas não há nada no mercado sequer parecido com o produto da Arenanet: um título que beneficia tanto o jogador casual quanto o mais hardcore, que agrada quem busca uma boa história ou quem só deseja se perder por aí, com gráficos impressionantes, um mundo único que não é uma cópia de Tolkien e uma trilha sonora soberba. Indispensável, mesmo para quem nunca jogou um MMO antes.

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Ouvindo: Wumpscut - Loyal To My Hate (Yendri Remix)

16 de julho de 2016

Jogando: Soulstorm

TauWarhammer 40,000: a Humanidade se espalha por bilhões de planetas em um raio de 50 mil anos-luz da Terra. Seu governo é uma tirania brutal que controla com mão de ferro, burocracia, fanatismo religioso e violência cada um de seus habitantes. As alternativas para tal regime? A carnificina perpetrada pelos Orks sem nenhuma explicação, o genocídio arrogante oferecido pelos Eldar, o terror e a insanidade propagados pelos devotos dos demónios do Caos, a morte limpa e irrevogável perpetrada pelos silenciosos e implacáveis Nekrons.

Ou a paz e a harmonia em nome de O Bem Maior, sugeridos pelos Tau.

Boa parte da literatura e do lore do jogo de tabuleiro criados pela Games Workshop nos distantes anos 80 é focado na glorificação aparente dos Space Marines, a epítome militar do Império dos Homens, herdeiros genéticos do Imperador-Deus, bastiões da honra, da devoção, da bravata e das frases de efeito. Lendo nas entrelinhas, é possível perceber entretanto que há algo muito errado na forma como esse universo funciona e que a raça humana perdeu a compaixão, assim como a civilidade em prol da sobrevivência cega e da teocracia em nome de uma divindade involuntária.

No contraponto do palco de horrores criado anteriormente, a Games Workshop introduziu bem depois o Império Tau, um coletivo de raças unidas em torno de uma filosofia comum de prosperidade, aliança e respeito mútuos. É explicitado em alguns livros que os Tau são o que a raça humana seria se não tivesse sucumbido ao medo e ao ódio.

O que me leva a Soulstorm.

Derrotando os Eldars

"Pelo Bem Maior!"

O quarto e último jogo com a marca e o motor gráfico do primeiro Dawn of War é basicamente uma reedição de Dark Crusade. Se antes, tínhamos 7 raças disputando a superfície de um planeta ao mesmo tempo, em combates de 1x1 (com uma fantástica exceção), agora temos 9 raças disputando quatro planetas e três luas em combates de 1x1 (sem exceção alguma, lamentavelmente).  As mecânicas do jogo são rigorosamente idênticas, com batalha após batalha, sem história alguma além das cutscenes no ataque a cada Fortaleza de raça. É um pouco cansativo, principalmente se você estiver vindo de uma maratona da série.

Planetas

Soulstorm já mostra o desgaste da fórmula (ou do jogador), agravado por um mapa de batalha bem menos interessante que o mapa de Dark Crusade. A adição de duas raças novas, as ainda mais fanáticas Sisters of Battle e os corruptos Dark Eldar não mudam nada no front. Na verdade, esses últimos são muito fáceis de vencer, ao contrário das primeiras, que provaram ser um osso mais duro de roer do que os famosos Space Marines, talvez por serem as "protagonistas" deste quarto jogo.

Tentei iniciar o jogo controlando as "Mana das Treta", mas me decepcionei imensamente ao perceber que elas são essencialmente os Space Marines com outras texturas e atributos artificialmente turbinados. Na primeira batalha contra a Guarda Imperial, já desanimei e reiniciei a campanha. Tentei jogar com os Nekrons, meus favoritos de Dark Crusade. Mas percebi que seriam muitas horas utilizando as mesmas táticas que já tinha feito três anos antes e um jogo, que já parecia repetitivo, ficaria insuportável.

Courage and HonourExperimentei os Tau. Simultaneamente, estava lendo Courage and Honour, do segundo Omnibus dos Ultramarines, que retrata justamente uma invasão dos Tau a um planeta protegido pelos protagonistas. Consegui mergulhar na forma de pensar dos alienígenas e suas unidades de combate e fui abrindo caminho no jogo.

O livro é trágico. As vozes da razão e da sensatez perecem sem se conseguir fazer ouvir e a xenofobia determina o embate entre os dois povos. Mesmo a inevitável vitória humana ao final do livro é uma vitória pífia, conquistada ardilosamente e que significará um pesado fardo para a população do planeta. Não há espaço para a esperança no mundo de Warhammer 40K e os Space Marines partem para outra "missão de paz"...

No jogo, O Bem Maior é espalhado sob meu comando debaixo de laser, míssil e bombardeio nuclear. Claro que os Tau não conquistam nada na base da diplomacia. E os Kroot, uma das raças que compõem seu coletivo, se alimentam da carcaça dos inimigos abatidos para ficarem mais fortes. E o Ethereal, o líder espiritual de voz mansa, é justamente a unidade que convoca o bombardeio orbital.

A guerra é eterna, mas minha jornada pelo primeiro Dawn of War finalmente acabou. Não com a qualidade do primeiro ou a brutalidade de Winter Assault, mas com eficiência militar, disparos precisos e uma luta desesperada contra as Sisters of Battle ao final.

Que venham outros jogos.

Tau - Fire Warriors

Ouvindo: Plastique Noir - Those Who Walk By The Night (angels & cenobites remix by Synthetik Form)

9 de julho de 2016

Passarela da Moda

É uma regra secreta do mundo do entretenimento: se alguma especialidade de um profissional está sendo mostrada, está sendo mostrada errada. É válida para a representação de como funciona um hacking em filmes e jogos e qualquer um que já abriu um Photoshop na vida enlouquece quando vê "especialistas" na televisão ampliando um JPEG estourado e descobrindo pistas de um crime. Até soldados do mundo real torcem os narizes para como sua classe é representada em jogos...

Então, por que seria diferente em relação à moda?

Você pode ter ficado embasbacado com o visual desse ou daquele personagem de um jogo, mas a grande verdade é que gente que trabalha com moda diariamente tem motivos para rir. O Kotaku reuniu cinco editoras de moda para avaliar se está tudo combinando mesmo no vestuário de gente que você juraria que estava arrasando. Só que não.

lightning

Lightning, de diversos Final Fantasy XIII, definitivamente entende de moda, certo? Afinal, ela mesmo já foi protagonista de uma campanha da Louis Vuiton no mundo real! Mas... a opinião das especialistas é outra:

"Curti o bronzeado e a veste creme, mas não a coisa da bolsa. Isso é uma tendência? As pessoas fazem bolsas de perna? Eu realmente não queria uma."

"Os olhos dela estão me dizendo que ela parece desconfortável. Ela come muito? Se for o caso, um cinto de cintura alta é tortura."

"Eu estou exausta. O sábio conselho de Coco Chanel - 'antes de sair de casa, olhe no espelho e remova uma coisa' - realmente viria a calhar aqui."

Olhando bem, a bolsa na perna da heroína lembra bem uma pochete. Das imensas.

chloe

Chloe, do jogo muderninho Life is Strange, pode parecer "radical" ou "irada" para um olhar desatento, mas as especialistas percebem que não é bem assim, apesar de ela ter ganhado muitos elogios:

"Sua roupa me confunde. Um gorro E uma camiseta me dizem que ela não consegue se decidir se está frio ou calor."

"Ela tem uma caveira na sua tatuagem, na sua blusa e então (para uma explicação extra) a palavra 'caveira' na sua blusa."

Talvez, talvez os desenvolvedores tenham investido demais na redundância para tornar Chloe uma personagem badass. Ou talvez os jovens se vistam assim hoje em dia nas high-schools americanas. Não tenho como saber.

adam

Adam Jensen, o protagonista dos jogos recentes da franquia Deus Ex, pode ser do futuro, mas seu visual tampouco cativou as especialistas:

"Ele parece uma versão menos atraente de Neo, de The Matrix."

"Tira esse capote de couro enorme, parceiro. 3/10"

"Isso é o que aconteceria se Neo e Wolverine tivesse um filho."

Em minha ingenuidade, eu realmente acreditava que Adam fosse estiloso...

aiden 

Aiden, do primeiro Watch Dogs, foi um acerto da Ubisoft, na opinião das consultoras de moda. Pena que o jogo não teve a mesma aceitação dos jogadores, mas a desenvolvedora em breve terá outra chance. Mas sem o Aiden!

"Debaixo daquele velho jaquetão, Aiden parece o tipo de cara que você gostaria de levar para casa e apresentar para a mamãe."

"Esse cara não é muito diferente de alguém que vive em Nova York agora. Eu realmente meio que curto esse estilo das ruas".

"Do ponto de vista do estilo ele é um 'não', mas do ângulo do sex appeal ele é um 'SIM'."

Tenho minhas sérias dúvidas se as especialistas mantiveram o profissionalismo nessa avaliação ou se perderam a linha com a imagem de um cara de quem só é possível ver os olhos!

Lógico que o Kotaku tinha que terminar a brincadeira (depois de passar por Samus Aran, Ciri e até Tingle, entre outros) com ninguém menos que a polêmica Quiet, de Metal Gear Solid: The Phantom Pain...

quiet

"Desculpa, isso é uma 'roupa'? Eu não acho que ela tenha terminado de se vestir."

"MAS QUE DIABOS É ISSO!?"

"Eu estou sem palavras. Não, apenas não. Tudo nesse conjunto é não. 0/10"

"Você sabe o que realmente está derrubando ela aqui? Seu cabelo engordurado. Garota, tome uma chuveirada."

Mesmo em um caso tão gritante de roupa equivocada, é sempre bom ter um olhar profissional para te mostrar que você não reparou que até o cabelo da personagem não estão lá muito bom.

Mas é aquela máxima: basicamente tudo que é exibido em obras de ficção não foi pesquisado ou foi mal pesquisado e envergonharia um profissional do ramo. Em algum lugar desse planeta há um encanador furioso gritando contra Mario que não é assim que se desentope um cano.

Ouvindo: Nirvana - Territorial Pissings (live at Reading)

7 de julho de 2016

System Shock 2.5

Muito antes do anúncio de System Shock 3 houve um período de tribulações e dúvidas, em que o coração dos neófitos temia que a magnificência de SHODAN jamais ressurgisse do vazio do espaço. Promessas falsas, falsos profetas.

Nesse período frio e sem esperanças, um grupo de fãs assumiu o manto e criou sua própria continuação para o clássico System Shock 2. O mesmo cenário, o mesmo desespero, a mesma exuberante vilã, mas uma nova história. Com uma pitada de ironia em relação aos mestres anteriores da franquia, batizaram sua obra de System Shock Infinite

System Shock Infinite - Poster

Uma vez que "nada nunca termina", o mod prossegue de onde a história anterior termina. Personagens que apareciam em System Shock 2 estão de volta para interagir com o jogador, que desta vez terá que explorar múltiplas realidades (incluindo o ciberespaço, presença constante no primeiro jogo da série mas relegado a segundo plano no segundo). Novos poderes psíquicos são acrescentados, assim como o mapa de alguns cenários é alterado para se adaptar a uma história com diferentes linhas narrativas, diferentes ramificações e diferentes finais.

Enquanto o retorno oficial de SHODAN não se aproxima, pode valer a pena conhecer esse apócrifo perdido nas brumas do tempo.

E contemplar mais uma vez a gloriosa e radiante face da Deusa.

Ouvindo: Phoenix - Lisztomania

6 de julho de 2016

Condenados

O pessoal do motor gráfico Unity está determinado a transformar o que antes era sinônimo de jogos independentes feitos às pressas em algo capaz de competir em pé de igualdade com grandes nomes do mercado, como a CryEngine, a Unreal ou mesmo a FrostByte.

E, se depender dessa demonstração, tem tudo para conquistar seu lugar entre os gigantes:

Segundo a empresa, a demonstração do poder gráfico Unity 5.4 rodou em tempo real com 1440p de resolução em uma GeForce GTX980 e foi exibida em conferências na Europa. A empresa promete disponibilizar a demo publicamente para todo mundo conferir ela funcionando pra valer.

Da minha parte, fico tremendamente decepcionado com o fato de que as chances desse curta se desenvolver são zero. Não me lembro nunca na história das demonstrações de motor gráfico, algum que tenha evoluído além daquilo mostrado. Com "Adam", a Unity conseguiu não chamar minha atenção para o desempenho do seu motor, mas profundamente intrigado com esse universo e seus robôs...

É uma pena que eles estejam condenados a esses cinco minutos de vida.

Ouvindo: R.E.M. - Wendell Gee (The Athens Demos)

3 de julho de 2016

Na Sombra do Steam

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Por mais que a Summer Sale já tenha virado quase um feriado oficial para jogadores do mundo inteiro e o nome da loja da Valve sempre venha acompanhado de elogios, o fato é que qualquer mercado para ser sadio precisa de concorrência. Um monopólio do Steam (ou de qualquer outra loja) não seria uma alternativa agradável: hoje a Valve parece tomar as decisões certas, mas amanhã isso pode mudar, ou com Gabe Newell acordando em um dia ruim ou o Steam acordando nas mãos de outra empresa após um polpudo cheque.

Concorrência é positiva. Há jogos no Gamersgate que não aparecem no Steam. O Origin distribui jogos gratuitos para permanecer competitivo. A Nuuvem oferece com frequência descontos maiores que os obtidos pelo Steam. O Uplay... bem, o Uplay,né?

Mas a sombra do Steam já ceifou lojas grandes como a Fullgames e o Xogo, no Brasil, e o Get Games, que no passado chegou a oferecer Bundles econômicos e preços que rivalizavam com o Steam na época do dólar baixo, exibe uma mensagem de "manutenção de rotina" desde Dezembro passado.

Nesse meio tempo, o GOG cresceu para passar a oferecer jogos independentes modernos e o Humble Bundle, antigo bastião dos independentes, passou a comercializar pacotes com jogos de grandes produtoras e abriu sua loja própria. Bundle Stars e Indie Gala também possuem lojas e saíram do nicho de sites que vendem bundles indie.

Outro que cresceu nesse meio tempo foi o site do Homenzinho Verde...

Do Espaço Sideral Para o Mundo

green-man-gamingO Green Man Gaming, ou GMG para os íntimos, surgiu no Reino Unido em 2009 e faturou modestos US$684.000 um ano depois de sua inauguração. É um valor que provavelmente não cobre o que o Steam ganha com a venda de skins de Counter-Strike. Mas o GMG perseverou, insistiu e, em 2015, obteve um faturamento mais suculento de 40 milhões de dólares, mais ou menos o que o Steam deve tirar em um mês, o que já é um avanço.

Durante a E3 desse ano, o site Venture Beat conseguiu uma entrevista com Paul Sulyok, CEO e fundador do GMG, que respondeu diversas perguntas sobre o seu modelo de negócios e sobre como é viver sobre a sombra do gigante.

Sulyok contou que no início ele torrou todo o seu cartão de crédito para abrir o primeiro escritório da loja virtual. Hoje, o GMG vende jogos digitais para 180 países no mundo todos os meses, concentra 40% de suas operações nos Estados Unidos, 40% na Europa e o resto em outras regiões.

O executivo também revelou que não se preocupa com a pirataria e explicou os motivos:

Nós não percebemos que a pirataria nos prejudica de forma alguma, para ser honesto. Ela realmente não nos incomoda. Está relacionada com a mudança de ganhos. Se você pensar em termos de Leste Europeu 10 anos atrás, a pirataria era uma grande questão por lá. Assim que um jogo saía, ele era craqueado e relançado. Mas na medida em que as pessoas começaram a ganhar mais nessas regiões econômicas, para ser franco com você, economizando você gastava três pratas, digamos, em um jogo craqueado, porque você ainda tinha que comprar bens pirateados naquele tempo. E você podia gastar 10 pratas em um jogo não-craqueado. Quando as pessoas começaram a ter mais dinheiro, elas passaram a ser menos propensas a correr os riscos associados com um jogo craqueado e mais dispostas a apenas pagar um pouco mais e conseguir um produto de qualidade. É um pouco disso, é a respeito de preço, e sobre ganhos. Se as produtoras reduzem seus preços e a população passa a ganhar mais, isso vai naturalmente enfraquecer a pirataria.

A visão do fundador da GMG é idêntica àquela dos fundadores da CD Projekt, que saíram das bancas de camelô pirata da Polônia para se tornarem uma das maiores lojas e desenvolvedoras da Europa.

Embora o GMG tenha cerca de 7.500 jogos digitais vendendo na loja, outro diferencial de suas operações é que eles também são donos da comunidade virtual PlayFire. Através do serviço, eles tem acesso a estatísticas precisas de que jogos cada usuário possui, como está seu desempenho em cada um deles, seus relacionamentos e suas conquistas. De posse desses dados, o GMG consegue negociar junto às produtoras prêmios, brindes e cupons de desconto com sua base de usuários, fortalecendo a loja e a comunidade ao mesmo tempo.

O GMG também está se preparando para se tornar uma produtora de jogos e contratou Gary Rowe em 2014, ex-Sega, ex-Codemasters, que já esteve à frente de times da Creative Assembly e da Sports Interactive em cada uma destas empresas respectivamente. Um de seus primeiros títulos produzidos é o Lifeless, disponível no Steam também, porque é claro que o GMG não é uma EA para bancar uma insana exclusividade de loja.

Lifeless

Outro pilar do sucesso do GMG na disputa pelo segundo lugar é sua relação com geradores de conteúdo. A loja conta com um exército de 2000 streamers no Twitch e 2500 sites afiliados que recebem atualizações, descontos e brindes para divulgar a palavra do GMG. É uma evolução do programa de afiliados que eles tinham no passado e dava créditos para quem trouxesse compradores.

(não, essa matéria não foi patrocinada de forma alguma)

Sulyok também é um jogador (e quem não seria nessa indústria?), embora deixe bem claro que suas preferências pessoais não influenciam nas decisões da empresa e que o tempo para jogar é bem escasso. Sua paixão no momento é Fallout 4.

O executivo acredita no potencial da VR, mas acha que o formato ainda precisa de adaptações e inventar sua própria linguagem. Na sua opinião, as experiências atuais são intensas demais e cansam após 15 ou 20 minutos. Já em relação aos e-sports, ele tem uma posição mais eufórica: como um dos presentes na já mítica final de StarCraft em 2009 na Coréia do Sul, ele consegue ver um futuro muito promissor para os esportes eletrônicos, levantando multidões pelo mundo.

"Eu nunca tinha visto algo assim na minha vida", sobre sua experiência na Coréia do Sul.

Ouvindo: The Cure - Pirate Ships (vocal)

Retina Desgastada

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