Noite de sexta-feira, chuva de Janeiro. Crianças correndo, espumante na taça. Duas pilhas de livro me olham do balcão. Meu livro. Amigos reunidos, aparições inesperadas e ausências. Mensagens rápidas rabiscadas no papel em branco, assinaturas, toalha vermelha. Catorze anos depois (ou seriam quinze?), Juvenília está fora de minha gaveta, solto e confiante, prestes a desbravar o mundo. Boa sorte. Obrigado, Cintia. Por tudo.
Da esquerda pra direita: Cintia, musa-mulher; Leonardo, garoto-aranha e jogador de Mario Kart; Carlos "Retina Desgastada" Aquino
Juvenília
Amigos e Familiares
Meus amores, hoje e sempre
Da esquerda pra direita: O autor, sua esposa e o amigo-psiônico de RPG
Da esquerda pra direita: O afilhado, o filho, o escritor e o amigo de infância, autor do prefácio
Se o praticamente engavetado projeto de lei SOPA tivesse sido votado e aprovado pelo Congresso americano, uma das expressões artísticas que fatalmente se extinguiria seriam os fan films. Pegando emprestados marcas, personagens, características e, muitas vezes, até arquivos de som e músicas de outras obras controladas por gigantescas corporações, os candidatos a cineastas com muita devoção pelos ícones da cultura pop e pouco bom-senso seriam um alvo fácil.
Nem empresas com má fama como a EA ou a Activision pensariam em processar sua base de fãs e atrair propaganda negativa. Mas quem pode afirmar com certeza, sem uma autorização escrita no papel, carimbada e de firma reconhecida? Em um futuro controlado pela paranóia do SOPA ou similares, nenhum YouTube, blog, Twitter ou mesmo mecanismo de busca se arriscaria a mencionar a existência de um fan film. Neste futuro perigoso, quem juntaria suas economias, compraria uma câmera e produziria qualquer um dos vídeos abaixo, com a ameaça de passar uma temporada atrás das grades por "violação de direitos autorais"?
Enquanto essa era não se inicia, vamos ver mais uma vez o que poucos recursos e muita paixão podem produzir.
Antes que saiam do ar.
Festa de Arromba
É melhor não dizer muita coisa antes do vídeo, mas se prepare para uma... reviravolta.
O Airsoft GI é uma cadeia de lojas de Airsoft criada e mantida por praticantes do esporte/hobby. Já vimos por aqui que estes apaixonados por tiroteios muitas vezes são também apaixonados por jogos eletrônicos. Para a produção deste fan film, eles não mediram esforços e contataram os profissionais da produtora Northern Five, que já havia criado alguns comerciais e videoclipes. O resultado final tem cara de megaprodução, com uma equipe de mais de vinte pessoas envolvidas nas filmagens. Mas foi tudo feito na camaradagem, sem cobrar salário ou equipamento e filmado em apenas duas noites de frio!
No final de tudo, fica claro que foi mesmo uma grande festa e uma grande homenagem aos jogos eletrônicos.
Começo do Fim do Começo
Roman Yavorsky, como tantos antes dele, escolheu o universo de Half-Life 2 para produzir sua primeira investida cinematográfica. Aos 16 anos, ele criou esta pequena mas impressionante peça sobre os primeiros momentos da invasão Combine à Terra. Com 16 anos, eu gastava meu tempo passeando no shopping e reclamando do tédio. Yavorsky fazia um helicóptero ser destruído usando somente o laptop. Ele ainda não abandonou o projeto, mas o avanço é lento.
Pulando no Inferno
Se existe um forte candidato a receber a visita de advogados, com ou sem SOPA, é o projeto Halo: Helljumper. A ideia por trás do trailer, ao contrário de outros fan films, não é parar por aí, mas efetivamente criar uma série de webisodes não-oficiais em live action narrando a ascensão e queda de um soldado do ODST (Orbital Drop Shock Trooper) durante a guerra entre humanos e a Covenant. A série é inspirada no excelente conto Dirt, de Tobias Buckell e publicado na coletânea Halo: Evolutions. É um dos melhores e mais humanos textos do livro e merece uma adaptação à altura. Surpreendentemente, esta adaptação à altura está chegando pelas mãos de gente não-autorizada e sem fins comerciais!
O diretor e produtor Dan Wang já produziu dois curta-metragens em 2011 e parte do elenco tem experiência em curtas e televisão. Halo: Helljumper tem data de estreia marcada para hoje, 26 de Janeiro. O primeiro episódio estará disponível no canal do YouTube. Se tudo der certo e os advogados não aparecerem, Wang pensa em outra série, envolvendo os Spartans-III.
E Para Não Dizer Que Não Falei de Killing Floor...
Killing Floor pode não ter a mesma fama de medalhões da Valve ou da Microsoft, mas isso não torna seus fãs menos fervorosos. O pessoal da Resistant Films se dedica a trazer para o mundo do cinema as criaturas e personagens do jogo. Ainda que seu curta mais longo e mais bem produzido seja Dead Silence - Law and Order, ele peca pelo excesso de drama e realismo e acredito que o Siren's Song acima capture melhor a galhofa existente no jogo, sem tantas pretensões. O grupo promete para breve mais um curta, A Day in the Life of a Trader, que, pelo título, promete enveredar novamente pelo lado cômico.
Finalmente, o editor enviou a prova da capa e do miolo de Juvenília e o resultado ficou espetacular! O cuidado gráfico de muito bom gosto está presente em cada detalhe, mesmo dentro do texto, como cabeçalhos, capitulares ou uma tipografia diferente para citações de músicas. Sou suspeito para falar, mas realmente gostei (clica que amplia):
O livro acabou ficando com 150 páginas, incluindo capa e contracapa e o preço final é de R$35,00, mais despesas de envio. O livro estará disponível no site da Editora Multifoco, para encomenda, depois do lançamento no dia 27, mas é possível também que eu adquira alguns exemplares e faça um canal de distribuição por aqui, com versões assinadas.
Peço desculpas pela falta de postagens sobre jogos nos últimos dias, mas a combinação viagem + lançamento de livro + projeto-profissional-importante só tem deixado tempo vago para uma partida de Killing Floor aqui e outra ali. A partir da semana que vem, devo voltar a um ritmo mais freqüente (e ainda vai ter coluna quinzenal do Gemind...).
Continuo sem saber o preço do livro ou o número de páginas da edição final (a versão revisada tinha 148).
Segue o texto da primeira orelha do livro:
“Três da manhã. Acabei de acordar e não me lembro da hora em que fui dormir. Sinto-me disposto e cheio de energia: enganei o relógio biológico de novo. Mas não há nada para se fazer. Ligo para um serviço de Tele-Tarô e fico ouvindo alguns minutos de conselhos inaplicáveis para mim. Desligo o telefone e aproveito para deixá-lo fora do gancho, não sei bem o porquê. Datilografo um relatório de Análise Lacaniana, utilizando uma Olivetti surrada por pura preguiça de ligar o computador”.
Perdido entre um passado que se desintegra e um futuro improvável, o jovem Franz Richter busca algo que não sabe ainda o que é. Entre guimbas de cigarro e música alta, ele põe no papel suas dúvidas, sua solidão e a melancólica epopéia de um grupo de jovens dos anos 80/90.
O bastião do RPG para computadores RPGCodex anunciou o fim de suas atividades em dezembro do ano passado e não foi notícia em lugar nenhum. Apesar da despedida que não faz muito sentido (e que parece ter sido escrita por alguém sob o efeito do álcool), o site continua sem suas seções costumeiras, mantendo apenas o fórum funcionando (ao contrário do anunciado):
Prezados usuários do RPG Codex,
Nós recentemente pensamos seriamente se deveríamos realmente manter o RPGCodex.net do jeito que está. Nós debatemos por um bom tempo e infelizmente decidimos que o RPG Codex simplesmente não poderia continuar em seu atual estado de chatice.
Nós estamos muito gratos por todo o apoio que recebemos de todos nos últimos oito anos. Nós percorremos um longo caminho desde nossa fundação em 2002. Trabalhar no RPGCodex.net foi uma grande aventura para todos nós e uma jornada inesquecível ao passado, através da longa e maravilhosa história dos RPGs de PC.
(...) Isso não significa que a ideia por trás do RPGCodex.net se perdeu para sempre porque, na verdade, ideias nunca morrem. Uma ideia é algo que você sabe e mesmo quando você não sabe o que é, você não pode realmente perder as coisas que eu nem mesmo o que é isto; como o Cleve diria. Então, nós estamos fechando os fóruns e o site e dando um fim a esta era atrás de nós na medida em que novos desafios aguardam.
Em um parêntese técnico, esta semana nós vamos dar uma solução que permita a todos revisitar suas antigas entradas no fórum. Fique antenado nesta página e siga-nos no Twitter e Facebook por atualizações - ou assediem sexualmente a galera do RPGWatch.
Saudações,
GOG.com os manos do rpgcodex.net (não.com, este é um grupo diferente de manos)
Considerado por muitos como o último reduto dos defensores dos jogos old school e ferrenhos críticos de quase tudo que foi produzido nos últimos dez anos, o site vai fazer falta como uma voz de oposição a ser respeitada.
ATUALIZAÇÃO (23/01): O RPG Codex não morreu, tudo não passou de uma brincadeira nos mesmos moldes da "pegadinha" de mau-gosto realizada pelo GOG no ano passado. O site está passando por reformulações e irá trocar de layout, mas continuará existindo. Grato ao Breno pela dica, freqüentador assíduo do RPG Codex!
Faltando menos de 10 dias para o lançamento marcado do meu primeiro livro, ainda não tenho uma confirmação do editor se o prazo será cumprido, quantas páginas terá quando editado, qual será o preço ou mesmo uma prévia da capa. Naturalmente, a ansiedade está atacando.
Juvenília foi escrito em uma época bem confusa de minha vida e aborda alguns temas pessoais com um pouco mais de exposição do que eu me permitiria hoje. Oitenta por cento do que está escrito ali é ficção, mas algumas pessoas podem acreditar que os outros 20% fazem muita diferença. Enfim, não dá para produzir alguma coisa criativa sem andar no fio da navalha.
Na ausência de mais informações, segue um trecho selecionado:
No dia seguinte ao funeral, eu
acordei dentro de um quarto vazio e não sabia como tinha ido parar lá. Durante
quase uma hora, eu procurei pelas coisas que poderiam identificar o meu
quarto: meus pôsteres, meus livros, a televisão ou o telefone. E não encontrei
nada porque aquelas coisas não tinham mais sentido algum. Não havia mais
imagens nos pôsteres que Timothy vira antes do Natal, nem palavras nos livros
que ele me emprestou ou pedira emprestado. A TV zumbia em silêncio e o telefone
não receberia mais a sua voz, ou a de Francine ou de qualquer outro. Meu quarto
estava vazio e eu estava acordado. Todos eles foram um sonho bom e seus rostos,
seus sorrisos e suas mágoas estavam se dissipando com o Sol da manhã. Foi a
primeira vez na qual eu senti os tentáculos do monstro que arrastara Timothy
para o Abismo, seu toque macio como veludo me envolvendo e trazendo calor para
minha pele gélida. Sua oferta era tentadora e eu pude escutar pela janela os
cicios da cidade, o murmúrio hipnótico do concreto e da gasolina impulsionando
todos aqueles que ouviam rumo ao êxtase anulador de suas vidas destinadas ao
fracasso. "Ouça-me. Criança. Minha voz é. A voz de milhões. Minha vontade
soberana. Eu julgo. Transformo. Destruo. Estava aqui muito antes. Sua torpe
geração surgiu. Com seus anseios. Suas músicas e paixões. Permanecerei. Quando
ninguém mais puder. Se lembrar de vocês. Vocês nascem. Crescem. Trabalham.
Reproduzem e morrem. Nada mais". Fiquei imaginando durante um longo tempo se meu sangue teria a mesma tonalidade
rósea do sangue de Timothy na banheira ou se minha morte provocaria também
reações em cadeia sobre a vida dos outros.
Penso agora se tomei a decisão certa. Se eu olhar para trás, vou ver o Número Dois batendo na minha porta,
demolindo todos os tijolos que coloquei para segurar o choro. O tempo é curto.
Preciso escrever tudo que me lembro antes de completar vinte e dois.
Aula de Psicologia e Arte. Estou
aqui e acordado. É o meio de um período que eu jurei completar. Judith e eu
passamos a noite em claro assistindo ao filme “Breakfast Club” três vezes
seguidas para que eu estivesse acordado na hora de ir pra faculdade. É uma
lógica doida, mas funciona. E ela me trouxe de carro para ter certeza que eu
não escaparia até o apartamento de Barnhard. Acho que ela me ama.
Espero até o dia 27 ter uma imagem da capa e mais detalhes do lançamento. Juvenília também será vendido pela internet, sob encomenda, no site da Editora Multifoco.
Ouvindo: Dragonheart - Mountain of the Rising Storm
Jobs tem 614 horas de serviços prestados a Killing Floor. Se colocarmos uma média de 300 criaturas mortas a cada hora, não seria errado afirmar que ele já matou perto de 200 mil monstros com as próprias mãos. Apesar destes números, Jobs não hesita em ajudar grupos menos especializados na fina arte de trucidar. Pouco se sabe sobre seu verdadeiro nome, sua origem, sua idade ou se alguma vez jogou alguma outra coisa que não tenha sido desenvolvida pela Tripwire Interactive. Cercado de lendas, sabe-se apenas alguns humildes fatos sobre suas habilidades:
Jobs foi o único jogador a matar o Patriarch usando o aparelho de solda.
Jobs consegue comprar armas na Trader parcelando o pagamento em 12 vezes, com a primeira prestação para daqui a 30 dias.
Jobs consegue voltar na MESMA wave em que morreu.
A única coisa que mata Jobs é uma granada jogada por Jobs. À meia-noite de uma sexta-feira 13.
Jobs acerta um headshot usando um LAW.
Uma seta de crossbow disparada por Jobs pode matar todos os monstros em uma linha reta infinita que invade até os outros mapas.
Jobs não sabe que o jogo às vezes entra em câmera lenta. Para ele, sempre é câmera lenta.
De duas a três vezes por ano, as criaturas se disfarçam, para que Jobs não as reconheça.
Jobs será uma classe jogável em Killing Floor 2.
Jobs tentou ensinar Killing Floor para Chuck Norris, mas o americano não aguentou o ritmo.
Jobs já montou uma horta em Farm, pescou no Ice Breaker e checou seus emails em Offices.
A luz do Fleshpound fica verde quando ele vê o Jobs.
Jobs é beta-tester de Half-Life 3 desde 2009. E desde 2009, a Valve está ajustando a dificuldade.