Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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13 de agosto de 2018

Analisando: Blood

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Blood pode ser considerado o FPS definitivo, no sentido que traz (quase) todos os elementos que eu considero essencial para um jogo do gênero: inimigos exóticos e variados, um amplo arsenal de armas divertidas de usar, cenários diferentes e interativos e um herói capaz de criar empatia com o jogador.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2008/06/zumbi-bom-e-zumbi-morto.html

Ouvindo: MV Bill - Testemunha

11 de agosto de 2018

Jogando: ZIQ

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(publicado originalmente no Gamerview)

Mais de 35 anos de sua estreia nos cinemas, Tron: Uma Odisseia Eletrônica continua inspirando os jogos eletrônicos, nos quais, circularmente, também se inspirou. E toma de luzes de neon, velocidades frenéticas, personagens minimalistas formados por figuras geométricas, perigos mortais e vozes cibernéticas.

ZIQ funciona como uma espécie de resgate realizado pela Midnight Sea Studios. Um resgate de uma era que nunca se foi por completo e tem som, cheiro e ritmo de fliperamas escuros, onde sua ficha ia embora em questão de segundos e sua carteira em questão de minutos. Há diversão aqui para aqueles que tem reflexos de ninja e disposição para morrer infinitas vezes.

Se Entregue à Batida

Por incrível que pareça, ZIQ tem um enredo: você é uma espécie de organismo sintético (o protótipo Z da série IQ) que precisa provar o seu valor em uma sucessão de testes de vida ou morte, para não ser erradicado pela inteligência central Swarm ou algo assim. Não é nada que você vá encontrar no jogo, e não vai saber disso a menos que tenha lido no site oficial. Não importa. Você não vai ter tempo para historinha, uma vez que seu cérebro estará 101% dedicado a desviar de obstáculos, pular, coletar, trocar de polaridade, manter-se vivo, morrer, repetir.

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A jogabilidade lembra os runners infinitos tão populares nos dispositivos móveis, com uma pista gerada proceduralmente e a necessidade urgente de evitar a destruição. Quanto mais se avança, mais difícil fica, é claro. Felizmente, você tem três vidas para tentar atingir a maior pontuação possível, subir no ranking mundial e voltar à corrida sem piscar. Seus desenvolvedores sabem que o importante nesse tipo de jogo é não deixar a adrenalina baixar e antes que você se dê conta já vai estar correndo novamente

A velocidade é o fator principal de desafio, assim como a necessidade de prestar atenção na tela para ser pulverizado. A música eletrônica composta pela Badass Wolf Shirt (BAWS) exerce a mesma função daqueles jogos clássicos que piscavam e pulsavam nos antigos arcades: criar uma batida que envolve e impulsiona o jogador a focar tão somente em sua sobrevivência.

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Seus Esforços São Patéticos!

Entretanto, sobreviver, ir mais longe do que antes não significa nada para o universo implacável de ZIQ e seu mestre. É preciso coletar esferas de energia nas cores e nos momentos certos, encadear sequências e desbloquear, eventualmente, combos que aumentam a pontuação e aniquilam obstáculos.

Nesse desafio pulsa não apenas o maior trunfo quanto o maior problema de ZIQ. A pontuação estimula a competitividade com um quadro mundial que computa os resultados de todos os jogadores nos mais diversos cantos. Não vou negar o orgulho de ver minha modesta performance subir da 44.ª para a 32.ª posição, mesmo com um número limitado de competidores (antes do lançamento, formado possivelmente apenas por jornalistas e YouTubers). Porém, o confuso sistema de pontos e seus valores é explicado rapidamente no tutorial, mas não faz muito sentido. Como o pobre personagem amorfo que dá nome ao jogo, você vaga por essa semi-escuridão condenado a uma existência que não compreende em sua plenitude.

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Para complicar sua miserável situação, você não está sozinho exatamente. A cada parte do trajeto, a voz eletrônica da Swarm comenta sua evolução, caçoando sem dó nem pena de seus fracassos e, vez ou outra, elogiando seus resultados. Jogadores com baixa auto-estima vão achar a narração irritante. Os demais jogadores terão certeza. Não que o dublador Mitchell Dostine não realize um bom trabalho (e ele parece se divertir no papel), mas aqui, ao contrário do que acontece, por exemplo, na franquia Portal, a personalidade do vilão é irrelevante e uma distração em um título que exige um nível de compenetração máximo. Dizem que a voz solta elementos da trama aqui e ali, mas não percebi, possivelmente porque aprendi a ignorá-la.

Talvez também faça parte da estratégia da desenvolvedora para desestabilizar o jogador o fato que a configuração dos botões se perde a cada sessão. Se você optar por utilizar as teclas padrões de fábrica, não há problema algum. Mas, se você quiser customizar os botões, prepare-se para ZIQ cruelmente esquecer tudo de novo sempre que for aberto novamente. Bug ou maldade? Jamais saberemos. Atualização: os desenvolvedores entraram em contato, identificaram o problema e ele já foi corrigido!

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Felizmente, não há outros bugs perceptíveis no jogo, que nem precisa disso para ser cruel o suficiente para enervar, mas nunca o suficiente para convencê-lo de desistir. Desta forma, entre uma colisão e outra, entre uma zombaria e outra da Swarm, troco minhas cores, troco meus botões e tento de novo e de novo, dessa vez sem fichas, chegar ao limite, ao meu limite, qualquer limite, desse túnel cibernético sem fim.

Ouvindo: Reel 2 Reel & Mad Stuntman - I Like To Move It

10 de agosto de 2018

Represa Maldita

Dam_It_PosterHouve uma época em que a Turtle Rock Studios não apenas era uma desenvolvedora de talento como também fazia parte da feliz família Valve. Durante esse breve período, nasceu Left 4 Dead, um título que gera frutos e descendentes até hoje, embora não através da Turtle Rock Studios, que seguiu seu caminho para cometer Evolve...

Dessa época mais próspera e criativa nasceram níveis inesquecíveis e uma jogabilidade cooperativa que sacudiu as partidas multiplayer. Mas, como eu disse, a empresa deixou o passado para trás e o último resquício foi liberado na internet no ano passado: a campanha perdida Dam It, criada para Left 4 Dead mas nunca concluída.

Sem explicações maiores, seus criadores liberaram a campanha inteira de graça para download, do jeito que estava e sem dar satisfações para a Valve, quase em uma espécie de limpeza de gaveta como todos nós fazemos. Enquanto uns encontram um punhado de notas fiscais velhas, clipes de papel e um pedaço de chocolate de idade indeterminada, outros acham uma campanha inteira com três mapas para um jogo querido.

Dam It deveria cobrir a lacuna entre Dead Air e Blood Harvest, uma vez que começa em um aeroporto (onde o avião aparentemente pousou) e termina em direção ao campo, após passar por uma represa de proporções ciclópicas.

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Por algum motivo que jamais saberemos, a campanha não ficou pronta nem para o lançamento de Left 4 Dead nem tampouco foi reaproveitada como uma expansão. É possível visualizar em diversas partes que falta polimento: não apenas a navegação pelos mapas é um pouco confusa, como também há muitas texturas faltando, bugs em alguns pontos (como no infame elevador que não tem chão nem parede e no qual os NPCs não entram a menos que você os empurre) e um certo desequilíbrio no volume de inimigos e na dificuldade. Ainda assim, Dam It traz boas ideias, como uma zona bombardeada por aviões de combate, uma torre de vigilância para franco-atiradores e uma fuga entre comportas da represa que se abrem.

Joguei os três mapas da campanha no vídeo abaixo:

O download original saiu do ar, mas você pode baixar o pacote completo através do servidor do Retina Desgastada. Para instalar, basta descompactar o arquivo na pasta de add-nos de Left 4 Dead, normalmente localizada em \Steam\SteamApps\common\left 4 dead\left4dead\addons. Em seguida, selecione a campanha customizada no menu do jogo.

Ouvindo: Komu Vnyz - Marles Fire

9 de agosto de 2018

(não) Jogando: Graveball

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(publicado originalmente no Gamerview)

Quando eu era Mestre de RPG (longa história, não pergunte…), criei um mini-jogo em turnos chamado Masterball que, basicamente, envolvia uma bola e a possibilidade de descer a arma no crânio dos outros participantes do torneio. Era uma forma interessante de quebrar a rotina dos combates contra monstros em uma masmorra e, agora, mais de vinte anos depois, vejo o Masterball materializado na tela do meu computador e descubro o que meus jogadores já diziam: não é tão divertido quanto parecia no papel.

Graveball envolve exatamente uma bola (no caso, um crânio, para entrar na narrativa) e a possibilidade de descer a bordoada na cachola dos seus oponentes, mas em tempo real e envolvendo goblins. A desenvolvedora Goin' Yumbo não vai nem um milímetro além dessa premissa, mesmo inventando regras adicionais que nem influenciam tanto assim.

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Na Dúvida, Distribua Bordoada

Se você veio aqui procurando violência, não vai sair decepcionado. O sangue mancha a arena a cada golpe bem aplicado e os corpos voam em um "ragdoll" de dez anos atrás que desafia as leis da física em nome do exagero. Embora o objetivo seja levar a bola até o campo adversário e deixar lá por um par de segundos para marcar ponto, seus adversários tem planos diferentes e a única forma de tirá-los do seu caminho é aplicando golpes que deixariam qualquer zagueiro da terceira divisão do futebol brasileiro bastante impressionado.

Não que Graveball não tente oferecer opções mais táticas, como pulos, arremessos e até mergulhos em direção ao objetivo. Mas esse goblins não estão segurando porretes, fêmures gigantes e até foices apenas como enfeite. Mandar um adversário para a cova faz parte do jogo e garante um "atleta" a menos no campo por alguns segundos (dependendo da intensidade da morte), que passa a vagar como um fantasma invisível que escolhe onde vai se materializar novamente. Então, na dúvida entre o melhor curso de ação, aplique a falta, pois não tem juiz nem cartão vermelho aqui. Arremesse sua arma se for necessário para desarmar o lance do seu oponente, pegue o crânio e corra por sua vida.

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O que poderia ser imensamente divertido acaba sendo prejudicado pela confusão que se instala nesse futebol desregrado. Mesmo com somente três jogadores em cada lado, o campo pequeno favorece o caos e a distribuição desavergonhada de golpes na moleira. Esqueça passes milimetricamente calculados ou craques do drible e do arremesso de dois pontos. O fato dos goblins serem muito parecidos entre si e com poucas e aleatórias opções de customização, somado aos gráficos pouco detalhados, atrapalha a visualização e a possibilidade de um jogo que não seja um literal mata-mata.

Bola Fora

É sempre arriscado lançar um jogo independente focado no multiplayer e com Graveball não foi diferente. Apesar do game já ter uma certa estrada em uma forma mais crua, sua audiência anterior parece não ter migrado para a versão final mais polida disponível no Steam. O resultado são três servidores ativos, em diferentes regiões geográficas, mas ninguém jogando. Ou, pelo menos, ninguém jogando no Brasil.

Não há qualquer informação sobre ping ou qual seria a melhor conexão para mim, então tentei encontrar uma partida em todos os servidores, um de cada vez, sem sucesso diversas vezes. Segundo o Steamcharts, ferramenta terceirizada que faz uma estimativa do número de jogadores, houve um pico de seis usuários ativos em Graveball, o que só fecharia uma partida completa se eles estivessem no mesmo servidor.

Felizmente, a  Goin' Yumbo tem uma boa solução para isso: a inteligência artificial das partidas solo não deixa a desejar e, mesmo no fácil, é capaz de dar sufoco aos jogadores dente de leite. Obviamente, fica ausente aí aquela imprevisibilidade de oponentes humanos, capazes tanto de jogadas fantásticas como também de grandes burradas. Se os NPCs controlados pelo computador não cometem erros, tampouco surpreendem em campo e o modo contra a AI perde a graça bem rápido, mesmo com partidas tão breves.

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A falta de novos cenários contribui para a sensação de estagnação depois da décima partida disputada no mesmo lugar. Novos mapas, talvez com desafios ambientados, ajudariam muito a prolongar o interesse em um jogo que acaba pecando pela simplicidade em excesso.

A impressão que fica é de que Graveball, assim como o meu Masterball de anos atrás, tinha boas intenções, prejudicadas por uma jogabilidade que não testa em nada o raciocínio e sofre de uma falta de variedade. Felizmente, o jogo dos goblins não pesa no bolso e pode ser uma opção para uma tarde chuvosa, na falta de um novo Mutant League ou de um Blood Bowl na biblioteca.

Ouvindo: Oasis - Put Yer Money Where Yer Mouth Is

6 de agosto de 2018

Analisando: Spooky's Jump Scare Mansion

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Spooky's Jump Scare Mansion é um título que fala diretamente com seu senso de sobrevivência, com aquele animal interior que teme o desconhecido.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2016/04/jogando-spookys-house-of-jump-scares.html

Minha transmissão ao vivo do jogo em 2016.

Ouvindo: Garbage - It's All Over But The Crying

2 de agosto de 2018

Overwatch vs Team Fortress 2... De Novo

É claro que depois dos excelentes curtas de animação que mostram o confronto entre Overwatch e Team Fortress 2, inclusive misturando Mad Max no meio do caminho, eu iria atrás de mais paródias no mesmo caminho.

Não há tantas quanto eu esperava e nenhuma que supere em qualidade as anteriores, mas essa abaixo se destaca por ser em live action... o curta mostra os personagens do jogo da Valve no ostracismo, aposentados ou fracassados enquanto Overwatch colhe a glória e a fortuna. O que acontece em seguida é uma reunião da velha turma para um plano de vingança:

Ouvindo: Velvet Acid Christ - World in Your Eyes

1 de agosto de 2018

Retratos da Rússia

Um dos grandes trunfos para a construção da melancolia presente em 35MM são seus gráficos quase fotorrealistas. Considerando que a fotografia ocupa um lugar de destaque no enredo, nada mais natural que seus desenvolvedores tenham buscado essa vertente e capturado, em pixel e dor, lugares reais da Rússia.

Embora nem todas as locações sejam imediatamente identificáveis, um jogador correu atrás e encontrou várias referências:

35MM - Bor 0135MM - Bor 0235MM - Church 0135MM - Church 0235MM - Metro 0135MM - Metro 02

Não tem como não jogar esse marcante jogo e não sentir um certo arrepio ao ver a última foto. Eu teria medo de passar por essa estação do metrô depois de tudo...

Mas seus desenvolvedores também encontraram tempo para esconder uma homenagem a uma franquia famosa, algo que possivelmente passará despercebida por muita gente, uma vez que só é visível com a lanterna ultravioleta:

35MM - Extra 02

Ouvindo: Rancore - M.E.I.

Retina Desgastada

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