Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos

31 de agosto de 2010

TRON Evolution – Moto de Colecionador

Foi-se o tempo em que eu sonhava com edições de colecionador de jogos. A cada mês, aproximadamente, eu postava um novo sonho de consumo, com fotos, lamúrias e desejos não realizados. Hoje eu já me conformo com a idéia de que se eu conseguir comprar o jogo, já estarei no lucro.

Mas não posso evitar de babar como um bebê diante da Edição de Colecionador de TRON Evolution:

TRON - Edição de Colecionador

Além do jogo em si, o pacote especial traz uma réplica da nova lightcycle e um display para guardar a moto e a caixa do jogo. Custa absurdos 130 dólares, mais de duzentos reais. E, se você, feliz jogador de PC se animou com esta edição, lamento informar que é exclusiva para as versões para Xbox 360 e PS3...

O jogo irá fazer a ponte entre o final do primeiro filme e o começo do próximo, cobrindo os eventos que aconteceram neste meio tempo. Pelo visto, o enredo de Tron 2.0 foi solenemente ignorado. Mais sobre o título, assim que eu me informar melhor.

O que me chamou a atenção não foi nem o jogo (mais uma adaptação duvidosa?), nem o display de plástico muito do fuleiro. Foi a moto. Décadas atrás eu obrigaria meu pai a comprar. Mesmo sem um PS3. Mesmo sem um Xbox 360.

Ouvindo: The Jesus and Mary Chain - Coast to Coast

Marcadores: ,

0 comentários
29 de agosto de 2010

Implodindo Hollywood

Reserve doze minutos de sua vida. Agora. E assista o vídeo abaixo:

Se você ainda não assistiu, retorne ao primeiro parágrafo e recomece a leitura. Se assistiu, avance.

The Jacknife Chronicles é um dos melhores machinimas que eu já vi. Não apenas pelo ritmo imposto pela ação desenfreada em primeira pessoa. Não apenas pela excelente escolha de músicas de outros produtos para sua trilha sonora. Não apenas pela simples mas bem contada história de um homem em busca de vingança. Não apenas pelo uso inusitado de filtros, efeitos e ângulos surpreendentes. É melhor por que é um fantástico sopro de originalidade em uma arte que avança devagar.

Seu jovem autor de 16 (!) anos, kitty0706, utiliza com maestria elementos de jogos como Half-Life e Mirror's Edge e constrói uma obra que humilha grandes e premiados diretores de Hollywood. Alguém que consegue injetar emoção e poesia no que poderia ter se transformado facilmente em um mais um pastiche de Matrix, é alguém para se vigiar de perto. Onde quer que esteja, Orson Welles estaria orgulhoso.

A Resistência

Esta não é a primeira vez que Half-Life inspira cineastas iniciantes a criar seus primeiros projetos. Em fevereiro de 2009, Escape from City 17 dos Purchase Brothers conquistou o mundo quando o curta-metragem foi citado pela própria Valve em seu boletim de notícias do Steam. Realizado com menos de mil reais(!), o filme de cinco minutos narrava a fuga desesperada de elementos da resistência perseguidos por tropas do Combine. Resultado? Dois milhões de visualizações no YouTube na primeira semana de exibição e um convite para conhecer a sede da Valve. A segunda parte da história está em desenvolvimento desde então e deve sair em data indeterminada. Aparentemente, um "projeto secreto" dos Purchase Brothers estaria atrasando o lançamento...

No mês passado, eu comentei sobre o retorno (cinematográfico) de Adrian Shephard, outra produção independente que prometia trazer o icônico personagem de Opposing Force de volta aos holofotes. O projeto, chamado de Beyond Black Mesa, estava concorrendo inclusive a prêmios no festival de cinema AOF Fest, na Califórnia. E ganhou! Beyond Black Mesa faturou o prêmio de Melhor em Ficção-Científica!

Beyond Black Mesa

Valve Diz Não à Hollywood

Para surpresa de todos, Gabe Newell, todo-poderoso da Valve, declarou em entrevista recente que sua empresa está tentando fazer sua própria adaptação de Half-Life para os cinemas, independente de estúdios. Em suas palavras, esta seria a única maneira de ser feito:

“Como um jogador de WoW, eu preferiria que o time de WoW fosse responsável pelo filme, certo? Mais do que qualquer outro. Eu gosto de Sam Raimi, eu tenho sido um fã desde que Evil Dead saiu, mas eu preferiria ver a Blizzard fazendo o filme. Eu acredito que os consumidores estão mais ou menos assim: 'OK, nós estamos de saco cheio do jeito que vocês estão mutilando a experiência de ser um fã de Harry Potter, ou Half-Life, ou Os Incríveis, e eu gostaria que vocês corrigissem isso'. E as pessoas que corrigirem isto serão recompensadas e as pessoas que não fizerem se tornarão poeira na história, ou qualquer coisa assim.

Gabe ainda contou que, desde o primeiro Half-Life, a Valve tem sido procurada pelos estúdios com os roteiros e idéias mais absurdas possíveis para se fazer uma adaptação. De onde ele concluiu que a única forma correta de se fazer seria se a própria Valve assumisse a tarefa.

Se a Valve conseguir realizar este feito, terá conquistado mais um pioneirismo e, certamente, mostrará o caminho para que muitas outras desenvolvedoras façam o mesmo.

Considerando o que temos visto até agora, eu proporia algo ainda mais ousado para Gabe Newell. Por que não deixar o filme de Half-Life na mão... dos fãs? Ou será este o tal "projeto secreto" dos Purchase Brothers?

dogstreet

Ouvindo: Silent Hill 2 - Terror in the Depths of the Fog

Marcadores: , ,

3 comentários
28 de agosto de 2010

Quando os Dinossauros Caminhavam Sobre a Terra

Age of Empires Quando os dinossauros caminhavam sobre a Terra, Age of Empires era uma franquia de respeito com três capítulos elogiadíssimos pelo público e pela crítica. A série primava pelo detalhismo histórico, por tentar reproduzir batalhas e eventos que ajudaram a forjar civilizações inteiras. Seus manuais funcionavam como tratados enciclopédicos sobre origens, feitos e característicos de povos tão distantes de nós como os Hititas ou as orgulhosas nações indígenas pré-colombianas.

Nos dias modernos, Age of Empires se tornou um clone "fofo" de grandes sucessos das redes sociais. Farmville e Guerra Khan dominam as pradarias.

Quando os dinossauros caminhavam sobre a Terra, Ultima era o nome de uma lendária franquia de RPG criada pelo gênio Richard Garriot. Um dos pioneiros jogos do gênero no computador, apresentava uma mundo aberto quase vinte anos antes de GTA ter "inventado" o conceito. Em nove capítulos da série (sem contar os derivados), foram explorados temas como Honra, Divindade, Deveres e Moral. Ultima Online, um MMORPG ambientado neste rico universo, foi o segundo MMORPG a ser criado, perdendo o primeiro lugar para o obscuro Meridian 59.

Ultima Online

Nos dias modernos, a marca Ultima tem um MMORTS como sucessor, competindo no mesmo patamar que "clássicos" da mediocridade casual como Evony.

Quando os dinossauros caminhavam sobre a Terra, X-COM tinha hífen. Mais do que isso, era uma série de estratégia em turnos que conseguia injetar pavor e tensão em algo que supostamente deveria ser tranquilo. Foram anos e anos de invasões alienígenas e esquadrões de especialistas se digladiavam em perspectiva isométrica em diversas partes do globo, alimentando uma multidão de fãs sedentos por controle tático de unidades.x-com

Nos dias modernos, XCOM não tem mais hífen. E se tornou um FPS genérico, ambientado nos anos 50. Apesar do trailer de qualidade, não há nada nestas imagens que justifique a mudança.

Quando os dinossauros caminhavam sobre a Terra, as produtoras de jogos não tinham medo da inovação. Novos conceitos e franquias surgiam aos borbotões, algumas desapareciam e as melhores se mantinham. Havia variedade para os jogadores, havia empenho nas equipes de desenvolvimento. E você podia vender seu jogo usado tranquilamente.

Nos dias modernos, não há riscos a serem assumidos. Ninguém quer criar uma marca nova, quando existem marcas antigas consolidadas que podem ser mutiladas e adaptadas para um "novo" público. E você não pode mais vender seu jogo usado.

Para todo o lugar que eu olho, eu vejo continuações: alguns dinossauros resistem à marca do tempo, mas a maioria deles não passa de zumbis dignos de pena, trazidos do túnel do tempo para serem exibidos em jaulas coloridas para o deleite das crianças.

Ouvindo: Ramones - She Belongs To Me

Marcadores: , , ,

2 comentários
27 de agosto de 2010

Lembrem-se De Onde Tudo Começou

A Bungie insiste em promover os jogos da série Halo com trailers em live-action, fornecendo pequenas amostras de um filme de Halo que nunca veremos... Desta vez, Halo: Reach recebe um vídeo no mesmo estilo:

Confesso que fiquei menos impressionado desta vez. Os trabalhos de Neill Bloomkamp foram melhores e o trailer promocional de ODST tinha uma e uma garra crueza difíceis de replicar.

Porém, a frase que encerra o vídeo acima é uma excelente isca para todos aqueles que leram The Fall of the Reach. Que a Bungie consiga criar um jogo à altura do livro de Eric Nylund.

E que a Microsoft seja iluminada e lance, algum dia, Halo 3, ODST e Reach para o esquecido PC. Lembrem-se de onde tudo começou.

Ouvindo: PJ Harvey - Oh My Lover

Marcadores: ,

1 comentários

Nova Fronteira

Hoje foi um grande dia para o Retina Desgastada. Tive a satisfação de ver consolidada uma grande parceria com o site de notícias Revista Cifras. A partir desta data, o site irá republicar algumas de minhas postagens relacionadas a música nos jogos eletrônicos na seção de Artigos. A primeira contribuição já está no ar e pode ser conferida clicando na arte abaixo, que ilustra minha área de artigos:

c_aquino

Acho que é o mais próximo de um pro-blogging que eu chego desde 2005, quando eu era realmente pago para criar postagens. Mas não é pelo dinheiro, é claro. Como funcionário da empresa responsável pelo Revista Cifras, eu não estou ganhando um tostão a mais do que eu ganho por minhas atribuições normais. Mas conquisto um espaço que espero que sirva ao mesmo tempo para cativar novos leitores para o blog e reforço meu compromisso em transformar o Revista Cifras em um ponto na web que eu gostaria de visitar. É na camaradagem, mesmo. E o HTML do site é meu também, só pra constar.

Se você chegou aqui vindo de lá, seja bem-vindo. Temos muitos jogos pela frente.

Ouvindo: Doom Soundtrack - Adrian's Asleep

Marcadores:

3 comentários
26 de agosto de 2010

Memorabilia

Um bom fã de jogos eletrônicos não é aquele que zera o conteúdo e joga a caixa do jogo em um canto de armário. Este cara não é um fã. Ele é um jogador, no máximo um jogador que curtiu muito o jogo e que pode até tentar uma nova rodada. Um fã é aquele que mergulha de cabeça naquela história, naquele universo, com a mesma intensidade de quem memoriza a formação de seu time de futebol favorito, de quem dá polimento no carro todo fim de semana, de quem vai em convenções para conseguir um autógrafo em um livro.

Para o fã, qualquer coisa relacionada ao seu jogo se torna uma relíquia. Para estes, trago hoje três tesouros que estavam acumulando poeira em minha lista de links.

Os Cadernos Perdidos de System Shock 2

System Shock 2 foi lançado onze anos atrás pela Irrational Games, que, como eu já contei, seguiu em frente com sua vida mas nunca se esqueceu desse jogo.

A prova solene disso é que alguns dias atrás um dos desenvolvedores encontrou, em velhas caixas abandonadas, um caderno de rascunho com esboços para System Shock 2. Não se trata de um arquivo digital perdido em um disquete ou sobra de algum artbook. São ilustrações feitas a mão em um caderno de papel, como nos bons e velhos tempos em que nós matávamos árvores para construir nossas idéias. Com direito a manchas de café e tudo mais!

Em outras empresas, este material poderia ter ido para a reciclagem. Ou ter provocado boas lembranças na equipe e desaparecido em uma gaveta qualquer. Ao invés disso, eles decidiram escanear parte do material e colocar online.

ss2-02 ss2ss2-03

São apenas nove imagens no total e mostram um estágio bem embrionário do jogo. Mas deixaram este fã aqui bem saudoso...

Os Primeiros Ritos de Planescape: Torment

MorteNo final do distante ano de 1997, a Black Isle tinha apenas um ano de vida e um único jogo em seu currículo: Fallout. Apesar de estar terminando o desenvolvimento de Fallout 2, a empresa já estava de olho em seu terceiro trabalho. Para conseguir carta branca da gerência, foi criado um documento de 47 páginas para ser apresentado. Nada de slides em Powerpoint e reuniões enfadonhas... o documento já trazia uma identidade visual e alguns personagens delineados, apesar de roubar a tipografia de Diablo. O nome do jogo? Last Rites.

Se você nunca ouviu falar de Last Rites é por que o título seria alterado durante o desenvolvimento para Planescape: Torment. E, se você nunca ouviu falar em Planescape: Torment, o documento explica sua idéia:

"Last Rites é um RPG isométrico que se passa no cenário de Planescape da TSR.

Ele usa o motor gráfico Bioware Forgotten Realms com os artistas da Interplay fornecendo a ambientação e a atmosfera de Planescape.

O jogador cria um personagem único. Ao longo do jogo, o jogador adquire e escolhe uma série de aliados (companheiros e interesses amorosos) que se juntam ao seu time e permitem que ele bote pra quebrar com mais eficiência. O tamanho máximo do time em qualquer momento é de cinco componentes."

Em outras palavras, temos a bem-sucedida ferramenta usada em Baldur's Gate 2 a serviço da genial equipe responsável pelos primeiros Fallout, com uma história que acontece no mais estranho dos mundos de Advanced Dungeons and Dragons. Nesse exato momento, estou tomando por um profundo arrependimento de não ter jogado Planescape: Torment.

O documento original de apresentação do jogo está disponível em formato PDF em http://www.rpgwatch.com/files/Files/00-0208/Torment_Vision_Statement_1997.pdf

A Revista Maldita de Doom

VDoomoltando ainda mais no tempo, para o ano de 1996, temos uma verdadeira febre eletrônica que varreu os computadores, tomou as LANs de assalto, preocupou os pais e inaugurou a temporada de caça aos jogos violentos. Esta febre atendia pelo nome de... Doom.

Nessa época, a Marvel Comics recebeu uma encomenda da id software para a produção de uma revista em quadrinhos inspirada no título. A edição única, de apenas 16 páginas, seria distribuída de graça em uma convenção de jogos.

O resultado final foi desastroso. O "roteiro" segue a premissa básica de Doom: um solitário fuzileiro dizimando hordas intermináveis de demônios em uma colônia marciana. Pare tudo o que você está fazendo agora e dê graças aos deuses pelo personagem não dizer nada no jogo, por que o que ele fala na revista só pode ter sido escrito por moleques de doze anos semi-analfabetos chapados de crack. Não é exagero. O personagem da revista pronuncia os diálogos mais descabidos e exagerados jamais vistos, enquanto detona monstro após monstro. É um novo conceito de carnificina descerebrada.

Se você ainda não acredita no baixo-nível de Doom, a revista, o material foi escaneado e está disponível em http://www.doomworld.com/10years/doomcomic/comic.php para seu "deleite". Considere-se AVISADO.

Ouvindo: Doom Soundtrack - Into Sandy's City

Marcadores: , , ,

0 comentários

Esclarecimento aos Acionistas

Hoje, um usuário anônimo perguntou com toda dose de sarcasmo inerente ao anonimato: "ta de férias o aquino???". Não vou brigar com ele, por que ele tem toda razão em cobrar a falta de posts desde domingo. Por isso, faço um rápido mea culpa para explicar a situação: três fatores provocaram esse vácuo desnecessário, além da tradicional desculpa do tempo escasso.

Primeiro, perdi uma hora e meia na madrugada de domingo para segunda preparando um tutorial sobre como melhorar o visual de Deus Ex. Inspirado em um guia encontrado no Steam, estava escrevendo o tutorial e testando ao mesmo tempo. Capturei screenshots, joguei o nível de treinamento mais de quatro vezes, escrevi uns cinco ou seis parágrafos de texto etc. O problema é que não deu certo. Simplesmente, não deu certo. Seria um longo e tedioso post sobre o fracasso de minha empreitada. Aparentemente, o processo funcionou com várias pessoas, então, talvez você tenha mais sorte do que eu...

Segundo, gastei mais tempo precioso anteontem fazendo alguns ajustes no layout do blog: troquei o rodapé (deu pra perceber que eu estou obcecado por Deus Ex?), mudei a navegação dos arquivos, coloquei um aplicativo do Twitter para que aqueles que não me seguem tenham acesso ao (parco) conteúdo postado por lá. Pouca coisa, mas que tomou o tempo de uma postagem.

Terceiro: Deus Ex. É um jogo que prende.

E chega de gastar tempo com desculpas. Tenho outras coisas para escrever...

Ouvindo: Spk - Metal Dance

Marcadores:

5 comentários
Retina Desgastada

Blog criado e mantido por C. Aquino

Manifesto | Lista de Favoritos | Links
TwitterRSS
Deus Ex
BlogBlogs.Com.Br