Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
Comunidade do SteamTwitterCanal no YouTubeRSS

15 de outubro de 2018

Analisando: Silent Hill 2

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

O que James viu no espelho? O que ele queria ter visto? Subjetividade é a regra do jogo e ao longo da partida encontraremos outros quatro personagens, outras quatro perspectivas do sofrimento auto-infligido. 

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2010/10/juiz-de-si-mesmo.html

Ouvindo: To Die For - Kissing the Flamest

12 de outubro de 2018

Jogando: Conan Exiles (Primeiras Impressões)

ConanSaiba, ó príncipe, que este escriba com que falas cultiva de longas eras um fascínio inexplicado pelo mundo selvagem do bárbaro Cimério conhecido como Conan. Um guerreiro de terras distantes, de coração frio mas sujeito a crises de melancolia, selvagem mas dotado de um rígido código de honra. Rei. Conquistador. Pirata. Ladrão. Aventureiro.

Meu primeiro contato com a maior criação de Robert E. Howard se perde nas brumas da memória. Minha lembrança mais antiga remonta a um sítio remoto, luzes de lampião e uma edição abandonada por mãos desconhecidas, encontrada entre livros antigos. Até então, evitava as aventuras do bárbaro, assombrado pelas possibilidades de violência, seu imaginário tão distante de minhas sensibilidades acostumado com histórias de super-heróis de trajes coloridos ou os horizontes infinitos da ficção-científica. Em minha concepção pré-juvenil, Conan e suas aventuras em preto e branco estavam no mesmo fosso comum dos gibis de faroeste ou fotonovelas, uma sub-literatura inadequada para um projeto de intelectual.

Estava enganado.

Naquelas tardes modorrentas ou diante das trevas que me contemplavam das janelas do casarão quase assustador, combati Pictos, humanos que cruzaram o limiar da selvageria plena para devorar o tênue tecido de civilidade que ousava se erguer em suas fronteiras. Quis Crom que aquele que talvez tenha sido meu batizado de sangue na Era Hiboriana seja até hoje uma das melhores e mais brutais histórias do Cimério, tentando deter uma invasão picta com um final trágico. Aquela "sub-literatura" sem cores e de papel de baixa qualidade era uma das narrativas mais intensas que havia vislumbrado até então.

Estava convertido.

Lenta, mas incansavelmente, comprei todas as edições de A Espada Selvagem de Conan, algumas por preços altos em lojas de colecionadores. Acompanhei suas sagas, batalhei ao seu lado, até mesmo nas histórias ruins, até mesmo nas histórias escritas com preguiça ou coloridas em formatinho. Li vários dos contos originais de Howard e, obviamente, tornei-me fã dos filmes clássicos também. O tempo, a falta de espaço e a queda abrupta de qualidade no material publicado me levaram a me desfazer da coleção, mas guardei na memória a lâmina afiada de seu universo.

Piedosa Mitra!

Conan - The Cimmerian

Lamentavelmente, nunca havia conseguido conciliar minha paixão pela Era Hiboriana com o mundo dos jogos eletrônicos. Uma tentativa frustrada de jogar o ancestral Conan - The Cimmerian aqui, uma experiência desoladora com a câmera de Conan (2004) ali e minha jornada parecia fadada ao fracasso. Uma rápida passagem pelo MMO Age of Conan também resultou em descontentamento. As impressões iniciais de diversos veículos de mídia sobre Conan Exiles desanimavam.

Estava condenado.

Impulsionado pela curiosidade, comprei um Humble Monthly que trazia o jogo de sobrevivência inspirado no mundo do bárbaro (e A Hat in Time, para meu filho, maior fator para a compra, para ser honesto). Temendo uma nova decepção, fui adiando o dia de testar Conan Exiles. E, mais uma vez, estava enganado.

Conan Exiles 01

Conan Exiles é uma segunda investida da experiente Funcom na Era Hiboriana, desta vez acompanhando a caravana dos títulos de sobrevivência mundo-cão contemporâneos. Se a tendência era permitir que os jogadores se matassem uns aos outros em selvagens demonstrações de violência, a realidade de Conan parecia o cenário perfeito. Entretanto, a desenvolvedora perdeu o momento, a indústria de jogos e boa parte de seus jogadores foram seduzidos por um novo sub-gênero e Conan Exiles ameaçava ser sacrificado em uma pira impiedosa. A praga de bugs durante o Acesso Antecipado vaticinava um destino desagradável para a empreitada.

Mas os Deuses são caprichosos. A Funcom usou da sabedoria e da experiência adquirida para injetar fartas doses de mecânicas sólidas no jogo, capazes de atrair os fãs de títulos de sobrevivência e não somente aqueles interessados em resolver suas desavenças no fio da espada. Contrariando minhas expectativas, Conan Exiles é um título cativante em seu modo solitário, trazendo um mapa habilmente construído para capturar um Explorador como eu e gráficos deslumbrantes. Pisei uma única vez em um servidor PvE, fujo como um Aquiloniano perseguido por Pictos dos servidores PvP e construo, pedra a pedra, galho a galho, cadáver a cadáver, minha pequena colônia nessa terra selvagem chamada Modo Solo.

Conan Exiles 02

Na qualidade de um exilado, de diferentes partes do continente, você foi capturado e banido por forças misteriosas mas poderosas, largado para a morte. Na cena inicial, ninguém menos que Conan, o bárbaro, o resgata da crucificação e o manda seguir sua vida, para nunca mais aparecer na história. A ligação entre o jogo e o mundo concebido por Robert E. Howard é menor do que eu desejaria, onde exploramos uma região que não pode ser situada geograficamente em nenhum canto da Hibória e, até agora, sem a aparição de nenhuma criatura ou ameaça retirada de suas páginas.

Ainda assim, a Funcom foi certeira em capturar algo muito mais difícil do que citar nomes, lugares e monstros: a atmosfera de selvageria. Aqui, as batalhas são brutais e sangrentas, a lei do mais forte impera entre os exilados, as feras atacam sem piedade, a noite é densa como poucas vezes vista em um jogo eletrônico e ruínas misteriosas evocam a sensação de horrores perdidos. Mesmo sem uma locação específica, sinto-me transportado de volta para a margem daquele mesmo rio dos anos finais da infância, com os gritos dos Pictos ecoando nas trevas, a luz do lampião dançando com as sombras e minha sobrevivência equilibrada entre a lâmina de minha espada e a minha sagacidade.

Conan Exiles 03

Conan Exiles falha em ser o jogo definitivo da Era Hiboriana por não trazer uma história central que possa ser acompanhada. Muitas vezes, me flagrei desejando missões, NPCs para conversar, conspirações, cultos profanos, cidades pulsando de lascívia e perigo, casas para furtar. Mas, relembro que essa não é a proposta da Funcom: é um jogo de sobrevivência, na tradição de Minecraft, Ark, Subnautica... o objetivo é permanecer vivo e, mais do que isso, clamar um pedaço de terra inóspita para chamar de seu e submetê-lo a sua vontade, com construções que também tornarão mais suaves as necessidades básicas. A saga, essa você monta em sua cabeça, da forma como desejar, sem limitações, criando objetivos pessoais que podem levar à morte ou ao triunfo.

Com trinta horas já acumuladas nesse pedaço selvagem da Hibória, não vejo nem de longe o final dessa jornada. A Funcom soltou essa semana uma atualização colossal que permite a criação de animais selvagens. Com um crocodilo, um rinoceronte, uma pantera negra e uma hiena se desenvolvendo em meu curral, talvez me torne um senhor das feras. Ainda há tanto nesse mapa para ser desbravado. Será uma longa caminhada, mas não podia esperar menos de algo cujos primeiros passos foram dados décadas atrás.

Conan Exiles 04
Ouvindo: Agent Orange - Wouldn't Last a Day

10 de outubro de 2018

O Exército de Sete Nações

"Seven Nation Army" é o clássico absoluto do insano Jack White e nada que ele faça ou fez conseguirá superar a exuberância simples mas épica da canção. E, claro, como todas as faixas que atingiram um status similar nessa era pós-moderna, foi executada à exaustão, absorvida, remixada, regurgitada, adaptada, vendida para comercial de tudo quanto é produto e drenada de toda sua agressividade ou mesmo energia após repetidos abusos.

Entretanto, aqui estou eu, com a inglória tarefa de fazer você escutar novamente "Seven Nation Army".

Calma, não vá embora. A música aparece aqui recriada utilizando somente sons extraídos de Battlefield V, um jogo que nem foi lançado ainda. O resultado, esse magnífico trabalho de edição de som e vídeo, bem, ele não pode ser contido, nem pelo exército de sete nações:

Essa versão inusitada pode ser baixada gratuitamente no Soundcloud. Seu criador, UMadBroYolo, tem também uma playlist no YouTube com outras recriações (incluindo "Seven Nation Army" em Battlefield 1).

Ouvindo: My Life With The Thrill Kill Kult - The Days Of Swine And Roses

8 de outubro de 2018

Analisando: Amnesia - The Dark Descent

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Como disse Nietzsche, "aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você".

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2011/03/jogando-amnesia-dark-descent-conclusao.html

Ouvindo: The Rolling Stones - Look What the Cat Dragged in

6 de outubro de 2018

Promoção Loucura Sobre Tela

Layers-of-Fear_20160215123521

Com as portas da insanidade abertas mais uma vez para a celebração macabra de Outubro, é chegada a hora também de desenterrar de sua cova mais uma tradição perdida do Retina Desgastada: o sorteio.

Graças a uma imensa (e propícia) gentileza do leitor Johnny C, tenho em mãos uma chave de ativação do elogiado jogo Layers of Fear. Esse mergulho no mundo das artes plásticas e do medo poderá ser daquele que for corajoso o suficiente para escrever nos comentários, citando um pintor ou artista plástico de seu gosto e fornecendo uma forma de contato (SteamID, email, conta no Twitter etc).

O jogo será concedido de acordo com as forças imutáveis da aleatoriedade, que irão selar o destino de um mortal no dia 31 de Outubro.

Ouvindo: EMF - Longtime

4 de outubro de 2018

Outubro do Horror IX

O tecido das estrelas se rompe e o firmamento exsuda uma substância fétida e amarga, nem líquida nem sólida. Um negror sem forma engloba a noite, toca o solo e conspurca as almas daqueles que contemplam sua glória. Miasmas incompreensíveis sufocam o ar, que fenece e morre. Sussurros proféticos encobrem o silêncio e a Profecia se aproxima de sua completude: tudo que tem um início encontra seu fim.

Uma vez mais, o Outubro do Horror se alarga sobre nós.

Uma vez mais, o chamado das profundezas se faz ouvir.

Uma vez mais, os vivos serão devorados e os mortos serão coroados.

Nada escapa.

Tudo acaba.

Fhtagn!

Ouvindo: a sinfonia assimétrica da cacofonia atormentada

1 de outubro de 2018

Feliz é a Nação Que Não Tem Passado

Minha estreia soltando a voz no Gamerview, conversando em tempo real sobre o brilhante We Happy Few com o camarada Renato Moura Jr.:

Ouvindo: Dungeon Siege III - Hellfirel

Analisando: Close Combat V

Segunda-feira, nova análise em vídeo no canal:

Cada jogo da série foi concebido como um exercício de inteligência artificial. Cada soldado em jogo, inimigo ou sob seu comando, tem seu próprio motor, suas próprias idéias. Eles se cansam, eles se enfurecem, eles tem medo.

Texto originalmente publicado em: http://blog.retinadesgastada.com.br/2010/03/pequena-grande-guerra.html

Ouvindo: Dungeon Siege III - Beyond the Bridge

Retina Desgastada

Blog criado e mantido por C. Aquino | Seja um patrono!

We Happy Few