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15 de junho de 2022

Jogando: The Walking Zombie 2

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Zumbis. Ano após ano, a indústria despeja novos títulos de zumbis no mercado e ano após ano ali estou eu experimentando variações do mesmo tema. O que The Walking Zombie 2 traz de novidade para o cenário são o fato de ser um título gratuito e seu visual minimalista meio "blocado", que remete ao estranho Unturned. Por mais de vinte horas mergulhei de forma quase compulsiva nesse guilty pleasure, um título que não é excelente em quase nenhum aspecto, mas sacia aquele comichão de detonar mortos-vivos no apocalipse.

O jogo da Alda Games pode ser desfrutado de ponta a ponta sem se pagar um centavo por ele, desde que você tenha um pouco de paciência. Seu maior defeito (além de não ter grandes qualidades) é insistentemente esfregar em nossa cara supostas ofertas para pacotes pagos. Uma vez que você entende as mecânicas de The Walking Zombie 2, fica claro que é um roubo pagar dez dólares por algo que você obtém gratuitamente em uma hora de jogatina e que não irá impactar em praticamente nada sua evolução. Em contrapartida, o pacotão de vantagens vendido através do Steam é tentador, desde que esteja em promoção.

O principal gargalo para incentivar gastos é o consumo de gasolina. Para atravessar as regiões entre uma missão e outra, você precisa ir de carro e o combustível é limitado. O jogo oferece de graça uma quantidade X diariamente, assim como premia o jogador com mais combustível a cada subida de nível do personagem. Entretanto, se você planeja, digamos, jogar por duas horas seguidas ou mais, o tanque do seu carro irá invariavelmente secar. Essa deficiência se agrava drasticamente quando você alcança a opção de mundo aberto, com exploração aleatória em grandes áreas. Felizmente, o tal "mundo aberto" é uma parte realmente chata que só irá atrair os jogadores mais hardcore que desejam a evolução máxima e, portanto, já estão tão viciados no jogo que abrir a carteira será um movimento natural.

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Na minha jornada, The Walking Zombie 2 é um título para ser consumido em impulsos de uma hora ou um pouco mais. A limitação da gasolina acabou servindo como um bem-vindo freio para a compulsão, uma sinalização de que "está bom por hoje".

Mas qual é a desse tal de jogo de zumbis?

Aqui, controlamos um sobrevivente sem nome que possui uma característica inusitada no universo: ele é imune aos efeitos transformadores da mordida de zumbi. A origem dessa habilidade é parcialmente explicada logo na cutscene inicial, mas o jogo insinua que há algo mais por trás disso tudo e investigar uma conexão entre o protagonista e experimentos científicos será o Norte para uma longa jornada.

The Walking Zombie 2 me surpreendeu em dois aspectos: existe um enredo subjacente e há uma boa variedade de missões, com direito a easter eggs e missões raras de se encontrar. A trama, que irá levar nosso protagonista para fora da zona de conforto e para a descoberta dos últimos bastiões de civilização em uma América devastada, é esticada ao máximo, com fragmentos sendo entregues a conta-gotas, mas já é mais do que eu estava esperando. Ao longo do caminho, iremos esbarrar em subtramas envolvendo os NPCs que habitam esses lugares, assim como conspirações bizarras, referências a Donald Trump e outras surpresas.

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A estrutura de missões é bem aberta, com um hub seguro onde é possível conversar com moradores e receber tarefas a serem realizadas em outras áreas. O segredo aqui, pelo menos para mim, era maximizar a economia de gasolina tentando resolver missões em áreas próximas, realizando uma turnê entre uma e outra. Infelizmente, depois de um tempo na mesma região, você começa a cansar de ver sempre os mesmos cenários, entretanto a Alda Games é sagaz o bastante para não deixar o tédio dominar e logo a desenvolvedora já nos apresenta uma reviravolta, um espaço secreto ou uma missão completamente fora do lugar-comum para equilibrar a experiência.

Não espere muita variedade dos mortos-vivos tampouco, embora eles formem uma seleção interessante. Nem só de tiroteio é feito The Walking Zombie 2, então há mecânicas de abrir fechaduras, hackear sistemas, consertar circuitos e mais, além de opções de diálogo e vários atributos para evoluir, o que o aproximam de um RPG.

Como todo jogo F2P, a evolução é muito lenta. Juntar dinheiro para comprar armas novas ou recursos novos é um compromisso que irá se estender por dias. Em vinte horas, troquei de arma principal apenas quatro vezes e de arma secundária somente três vezes. Meu grande erro foi acidentalmente jogar fora meu colete protetor enquanto tentava avaliar seu preço de venda para comprar outro melhor. A falha estúpida (mas quem coloca um botão para apagar um item em um jogo?!) foi o gatilho para eu finalmente encerrar minhas andanças.

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Se meus cálculos estão corretos, atravessei dois terços da jornada do herói. Foi bastante divertido. A resposta das armas de fogo é muito satisfatória e a dificuldade é baixa, o que deixa o jogo com um aspecto casual, algo que você pode jogar depois de um dia estafante só para relaxar ou algo que você pode avançar enquanto conversa, sem perda de conteúdo. Só não espere significados mais profundos, gráficos de ponta ou mecânicas inovadoras de The Walking Zombie 2, principalmente considerando-se seu preço de entrada.

Ouvindo: Moby - Go (Live at Glastonbury 2003)

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