Retina Desgastada
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21 de julho de 2011

Jogando: Killing Floor (Conclusão)

New Killing Floor 131

Em minha primeira análise de Killing Floor, eu somava apenas 7 horas de jogatina em cima de uma licença de convidado cedida pelo camarada Marcos S. Almeida. Agora, com 29 horas acumuladas de extermínio de monstros e uma épica batalha na madrugada de sábado, posso dizer com propriedade que o jogo da Tripwire Interactive é viciante e insano. Minhas sinceras saudações aos veteranos de nível 6 que continuam a guerra. Vocês conhecem o Inferno.

Primeiro quero expandir um ponto crucial de minha análise inicial. Mencionei que o nível Beginner é muito fácil e que qualquer time com o mínimo de organização pode vencer qualquer mapa. Isso continua sendo verdade. Ao contrário do principal concorrente, Left 4 Dead, a dificuldade não é auto-ajustável, é fixa em níveis e a diferença entre estes níveis é gritante. Entre Beginner  e Normal ficou o meu limite entre me divertir trucidando os inimigos e lutar para me manter vivo. Considerando que o título ainda tem os níveis Hard, Suicidal(!) e Hell on Earth(!!), eu volto a congratular os veteranos. Uma vez que a capacidade de dano de cada arma, a quantidade de armas que o jogador pode transportar e o custo delas é regulado pelo Perk (Perícia) escolhido, não adianta nada você ser o rei da cocada preta no apocalipse zumbi da Valve: aqui seu tiro de pistola vai ser uma picada de mosquito nos níveis de dificuldade mais altos. Todo mundo começa por baixo e vai subindo. Pegue algumas dicas aqui...

New Killing Floor 135

Confesso que não senti o senso de evolução de personagem após 29 horas. Após 29 horas eu ainda era nível 2 como Support Specialist e já nem lembrava mais como eram as coisas no nível 0. Para subir de nível você precisa jogar, jogar muito, horas e horas e horas, o que pode ser punitivo para quem deseja uma diversão rápida e escapista. Porém, ninguém pode acusar Killing Floor de ser um título que não se ajusta ao jogador dedicado. Você irá encontrar desafios o aguardando mesmo depois de 100 horas de diversão, algo que não sei se pode ser dito de Left 4 Dead. Para sustentar esta batalha incessante para atingir o próximo degrau, a Tripwire Interactive oferece uma seleção de mapas bastante razoável. Melhor do que isso, dá suporte oficial a CENTENAS de mapas criados pela comunidade e que podem ser baixados gratuitamente. O fato também de ser muito difícil prejudicar o jogo alheio, facilita o fluxo contínuo de jogos em andamento.

Os gráficos são sujos e sustentam o tema da matança enlouquecida, trazendo lembranças do saudoso Blood em sua inusitada mistura de horrendo e grotesco. Curiosamente, ainda não joguei Killing Floor em sua versão básica! Em minha primeira cruzada, o título ainda estava sob a influência da campanha publicitária de Portal 2  e GLaDOS era a comerciante de armas. Agora, o jogo estava vivendo o "evento de verão" e todos os monstros estavam com suas versões "circenses". Algumas cenas e situações podem ser ofensivas aos corações sensíveis, o que afasta ainda mais o título da Tripwire Interactive de Left 4 Dead e sua inerente melancolia.

New Killing Floor 130

No aspecto sonoro, Killing Floor tampouco faz feio, com armas produzindo sons de estourar os tímpanos e monstros produzindo sons de arrepiar a espinha. Quando uma criatura parcialmente invisível se aproximar de você e perguntar no pé do seu ouvido "do ya think I'm sexy?", pode ter certeza de que Rod Stewart nunca foi tão assustador. Toda a experiência fica mais visceral quando você aumenta o som da trilha sonora e o rock pesado se infiltra pelos seus ouvidos. Não dá para parar de ouvir, não dá para parar de dar tiros. Escondam esse jogo de seu jornalista favorito...

A Batalha da Montanha

E tudo culminou em 16 de Julho. Com minha esposa dando aula de pós-graduação durante o sábado inteiro, cuidar de nosso filho ficou inteiramente por minha conta. Aos 37 anos é difícil acompanhar a energia de uma criança de 4 que nasceu ligada em 220v, mas eu tento. Ao final do dia, eu estava alquebrado. Ao final do dia, minha esposa estava alquebrada. Ela dormiu muito cedo. Eu não.

Com todos na casa adormecidos, liguei o jogo. Tinha determinado que jogaria Killing Floor por 29 horas, a mesma marca obtida em Left 4 Dead. O meu Steam marcava 27. Era chegada a hora da maratona final.

New Killing Floor 120

Primeiro, uma rápida passada pelo Mountain Pass, meu mapa favorito. Um grupo desorganizado de baixo nível conseguiu sobreviver até o último confronto e pude ver a louca obsessão de um deles em destruir um robô usando um lança-foguetes. Alguns Achievements são mais complicados do que os outros. Mas a alegria não tem preço. Entrei em outro mapa, que ainda não conhecia. Waterworks é mediano, embora seja fácil de defender sozinho. E sozinho fiquei, por quatro rodadas, sem que ninguém mais se interessasse em entrar. Cansei da solidão e sai. Entrei em West London, outro de meus mapas prediletos. Cansado da opressora escuridão de Left 4 Dead, tomei gosto pelos mapas à luz do dia. Zumbis podem ser mais medonhos quando surgem no meio da rua, com o Sol no céu e a civilização em ruínas ao seu redor. Estava sozinho outra vez, mas, para minha satisfação, o próprio Marcos, patrocinador de minha jornada pela Inglaterra infectada, entrou no mesmo mapa logo depois.  Com outro membro da minha lista de amigos entrando a seguir, era a partida mais cheia de aliados que eu já participara. Mas, como eu disse, Beginner já tinha perdido boa parte do sabor para mim.

Fui convidado para um jogo-despedida em Mountain Pass, no nível Normal. Pensei: "vai ser a maior vergonha pública da minha vida". Mas, se eu estivesse no clima para fugir de riscos estaria jogando Zombie Driver e não Killing Floor. Topei.

Partida cheia. Cheia de veteranos, todos com Perks em níveis mais altos do que eu, um sujeito coordenando via microfone e um profundo senso de missão a ser cumprida. Eles tinham os objetivos deles, eu tinha o meu: permanecer vivo o máximo possível e ser útil nesse meio tempo. O nível Normal é tão "cruel" que o dinheiro inicial em que você começa não dá nem para comprar uma armadura corporal. O nível Normal é tão "cruel" que na primeira onda de criaturas minhas balas acabaram antes dos inimigos. Quando você precisa de três tiros de pistola para derrubar o monstro mais básico, você sabe que entrou em uma batalha suicida.

New Killing Floor 21

Na primeira visita ao Trader, o dilema: armadura ou balas? Balas! O nome do jogo é "Cena de Matança" e não "Tartaruga Protegida". Minha munição acabou antes de terminar a segunda onda. Na próxima visita ao Trader, mais balas. A munição acabou de novo.

Na quarta onda, me dei conta de que ainda estava vivo. Vivo após quatro rodadas no modo Normal, quando meu recorde anterior era cinco minutos. Não assumir a frente batalha e trabalhar como suporte aos veteranos, limpando ataques pelas costas ou jogando granadas em agrupamentos era uma estratégia que estava funcionando. Encontrar uma metralhadora Bullpup de graça no chão também contribuiu para minha sobrevivência. Mas, pensava eu, nem em um milhão de anos eu sobreviveria até o Patriarca.

Quando os Fleshpounds começaram a aparecer, começaram as baixas. Se a sobrevivência com seis era difícil, cada desfalque aumentava minha ansiedade. Mas prevaleci, prevalecemos. Na décima rodada, eu tinha uma armadura, minha arma favorita e até algumas granadas. E não tinha morrido uma única vez.

O grupo espalhou minas para pegar o Patriarca. Nunca havia entendido este confronto com o chefe final. Em Beginner, ele é anti-climático, um confronto tão rápido que apenas o mais disperso dos grupos de novatos pode perder. Em Normal, eu senti respeito pelo Patriarca. Ele contornou as minas colocadas na estrada e veio pela floresta. Ele atacava pesado. Como minha arma tinha um alcance ridículo, achei que seria um bom encerramento para minha participação um ataque à queima-roupa. Um foguete me mandou voando para longe, sem armadura e com energia baixa. Mas vivo. Com instruções berradas no meu fone de ouvido, tiros cruzados, explosões múltiplas e sotaque inglês dos personagens, eu me afastei para injetar remédio nas veias entorpecidas. Eu estava no vermelho, no centro do caos.

Caiu um.

Caiu dois.

Eu comecei a dar suporte contra as criaturas convocadas pelo Patriarca, mas a horda nos cercava.

Caiu três. O time estava reduzido à metade. Dois veteranos e eu.

Eu vi o Patriarca avançando pela estrada, recebendo os disparos concentrados dos outros dois jogadores. Fui na direção dele e esvaziei meu tambor. Ele caiu.

Dez rodadas em modo Normal, sem perder uma única vida. Fechei o jogo com chave de ouro, madrugada adentro.

O Steam me avisa que consegui um Achievement. Não precisava. Eu sei. Eu sei.

New Killing Floor 125

Pontos positivos de Killing Floor: trilha sonora arrebatadora; dinâmica de combate frenética; variedade de mapas e níveis de dificuldade; direção de arte e humor barra-pesada. Pontos negativos de Killing Floor: evolução lenta do personagem, single-player medíocre, enredo irrelevante. Nota final: 8,0.

Ouvindo: The Mission UK - Until There's Another Sunrise
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10 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Aquino, sei que sou suspeito pra falar, porque gosto tanto do jogo quanto das suas análises, mas esse seu texto descrevendo a batalha final ficou espetacular!!!Parece um trecho tirado de um livro de suspense e horror,descrevendo de forma arrebatadora uma batalha épica!!
Mas tenho de fazer uma consideração com relação á evolução dos perks:por mais que possamos carregar vários tipos de armas,para dar continuidade ao processo de evolução é necessário cumprir alguns requisitos com as armas próprias de cada perk.No seu caso , o Support Specialist, era causar danos com as shotguns/AA12 e soldar/dissoldar portas.Com outras armas você só contribui para a evolução de outros perks.Algumas vêzes eu vi você com lança granadas , portanto a evolução do Support ficava estagnado.Para você ter uma idéia, eu tenho menos horas de jogatina que você e estou no nível 3 de Support e Sharpshooter (os meus preferidos).A vantagem que eu tinha sobre você é que quando comecei a jogar no Killing Floor do Steam , eu já sabia o que fazer para evoluir cada perk.Você provavelmente não sabia.Eu por exemplo sabia que headshots com a pistola fazem evoluir o Sharp e que soldar portas contribuem para a evolução do support ( na verdade eu soldo até portas sem necessidade para contribuir com a evolução).De qualquer forma a evolução não é tão rápida, mas acredite, quando você chegar ao level 6 terá duas sensações opostas: a alegria do dever cumprido e a desmotivação por não ter mais pra onde evoluir.Parabéns pela análise e espero que volte atrás na decisão de não jogar mais o KF. E a todos que têm esse jogo é só me convidar (Dellphos) que eu vou.Inclusive, se você me permite Aquino, estava querendo convidar um grupo de seis companheiros para jogar mapas desconhecidos, num fim de semana.Como tenho uma conexão razoável, monto o server e todos entram.Fica aqui a idéia e o convite.Abraço.

C. Aquino disse...

Marcos, antes de tudo, obrigado pela batalha! Sem um momento tão épico, não seria tão inspirado em minha descrição.
Segundo, eu percebi tarde demais que precisava ficar restrito à shotgun para crescer como Support. Eu já estava com quase o dobro do necessário de Welding e a barra de dano feito com shotgun lá atrás. Admito que me empolguei com o Lança-Granadas e acabei ficando com Support estagnado no nível 2 e Demolitions no nível 2 também. O limite auto-imposto de 29 horas não é definitivo. É só temporário... Tenho certeza de que retornarei a Killing Floor um dia, mas não será agora. E vou conferir todos os eventos que a Tripwire criar. Grande abraço!

C. Aquino disse...

Vale lembrar também que um "álbum de recordações" está a caminho, nos moldes do que fiz com Left 4 Dead. Screenshot boa, não falta!

LocoRoco disse...

Acho que agora o Aquino perdeu seu trauma com o multiplayer online. Jogar coop com um amigo ou com um pessoal bacana sempre é um ótimo negócio, tráz momentos únicos e épicos como esse, coisas que só um jogo pode fazer.

Paladino222 disse...

A descrição da jogatina ficou épica, mais só uma pergunta.
Para jogar basta apenas ter o jogo original ou é preciso pagar alguma coisa tbm?

C. Aquino disse...

Apesar de ter um sistema looongo de nivelamento como um MMO, Killing Floor não cobra mensalidade. Comprou, é pra sempre! Tem uns DLCs mas são apenas packs com novas skins de personagens e não são obrigatórios.

Lucs disse...

Esse game tem servers brasileiros?
Não há problemas em achar bons jogos com bons pings?

Eu tava pensando em pegar ele(gostei dele num free weekend) mas depois eu vi informações que servers brasileiros fecharam e eu temi pegar e não poder jogar,como de certa forma aconteceu com o Unreal Tournament 3

C. Aquino disse...

Lucs, o jogo tem servidores brasileiros, embora não tão abundantes no nível Beginner. Considerando que qualquer jogador com boa conexão pode criar um servidor temporário (minha última partida foi hospedada pelo Marcos, por exemplo), não existe esta de fechamento de servidores. Pode ser que uma empresa ou provedor tivesse servidores "oficiais" no passado e agora não tem mais. Mas a oferta de servidores brasileiros continua boa. Pela minha experiência, um ping de até 200 é aceitável, o que ainda cobre alguns servidores gringos. Boa jogatina!

Edgar Menezes disse...

Cara qual seu usuario no STEAM? Me adiciona para jogarmos meu user é edgarmenezes.
Abraços!

Denis Ribeiro disse...

Caramba, seu texto foi muito bom e o "relátorio de batalha" nossa... me senti num combate aqui, comprei o jogo a duas semanas e estou nessa também, passei 10 waves sem morrer no normal em westlondon (meu mapa favorito hehe) vc descreveu com clareza a emoção de enfrentar algo assim, no normal vc não luta só pra despedaçar oponentes, mas pra se manter vivo, pra mim foi foda q depois dele acabar com o time todo sobrou só eu, ele com sangue nos olhos a dois passos de distancia e uma shotgun com 3 balas... ele tava sem nada de vida, arranquei a cabeça dele no terceiro tiro! jogo muito foda, vi q vai sair o KF 2, esperamos ser tão louco cmo este!

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