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6 de julho de 2014

Adrian Chmielarz e o Jogo The Witcher Que Ninguém Conheceu

Adrian Chmielarz

Adrian Chmielarz faz parte da História da indústria de jogos da Polônia. Uma parte da História que não é lembrada por Primeiros-Ministros nem compartilhada com Barack Obama, mas uma parte que bem poderia ter sido.

Por que Adrian Chmielarz quase lançou um jogo inspirado em The Witcher, anos antes da CD Projekt Red.

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Assim como Marcin Iwiński, Chmielarz também se juntou com um amigo de escola para trabalhar com jogos eletrônicos na sisuda Polônia pós-fim do Comunismo. Era o ano de 1992. Enquanto o embrião da futura rival ainda vendia CDs piratas nos mercadinhos de Varsóvia, Chmielarz abriu um estúdio chamado Metropolis.

E um dos projetos do estúdio foi uma adaptação da saga do "Wiedźmin". Se você mora na Polônia, tudo indica que a obra do autor Andrzej Sapkowski parece ser obrigatória.

Chmielarz já conhecia o autor de convenções de fãs e escreveu uma carta para ele, solicitando humildemente a permissão para criar um jogo inspirado em seu universo. E o escritor concordou com a oferta.

O desenvolvedor ainda guarda as cartas trocadas e provou para a Eurogamer que foi ele, e não a CD Projekt, quem criou o termo inglês "Witcher" para o aparentemente intraduzível "Wiedźmin", história confirmada também pelo próprio Sapkowski.

Por uma "boa quantia de dinheiro", a adaptação foi autorizada e Chmielarz não ouviu falar mais de Sapkowski. Hoje é fato conhecido que o escritor não nutre qualquer simpatia pelos jogos eletrônicos, mas naquela época sua recusa em continuar se envolvendo na produção do jogo foi uma surpresa para os desenvolvedores, todos fãs do seu trabalho.

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O The Witcher da Metropolis não era um RPG, mas um jogo de ação e aventura com escolhas morais, narrativa madura e personagens psicologicamente bem construídos. Se nos dias atuais isso é o mínimo que se espera de uma adaptação do universo de Sapkowski, em 1997 era uma fórmula certa para que as produtoras olhassem com desconfiança.

Falha Crítica

No começo dos anos 90, o Metropolis era um estúdio bastante ativo, com alguns sucessos locais no currículo como The Mystery of the Statuette e Teenagent. E resolveu expandir agressivamente.

Simultâneo ao desenvolvimento de The Witcher, a empresa estava também trabalhando em outros três jogos diferentes: Catharsis, um shoot-'em-up; Gorky 17, um misto de estratégia e RPG; e Human Blood, um  beat-'em-up.

Tudo isso nas mãos de 15 pessoas.

The Witcher chegou a conseguir uma distribuidora, a TopWare, apesar da temática. Um primeiro nível foi terminado e estava plenamente jogável. Telas foram liberadas para a imprensa. Tudo parecia estar indo muito bem.

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Até a Metropolis resolver focar em Gorky 17. Segundo o próprio Chmielarz, havia dúvidas se a temática eslávica de The Witcher teria apelo fora da Polônia…

O resultado é que o esforço da equipe foi transferido para o outro jogo enquanto o projeto de The Witcher foi sendo jogado para o lado, até esfriar e ser esquecido.

Chmielarz confessa que a Metropolis poderia ter bloqueado o desenvolvimento da versão da CD Projekt. Legalmente, eles ainda detinham os direitos de adaptação. Mas eles simplesmente deixaram para lá. "Isso foi algo que nós nunca realmente consideramos seriamente".

Sobre aquele jogo inacabado, Chmielarz admite que não sobrou mais nada do código-fonte. CDs antigos com o material produzido se perderam ou se corromperam.

Final Feliz

O mundo dá voltas. A Polônia é um país pequeno.

Chmielarz saiu da Metropolis para fundar a People Can Fly e com a nova casa lançou Painkiller e Bulletstorm. Hoje a empresa atende pelo nome de Epic Games Polônia e Chmielarz não está mais lá.

Se ele se arrepende de ter concluído Gorky 17 e ter deixado The Witcher escapar pelos seus dedos? Nem um pouco. "Aqueles caras me deram algumas da melhores memórias de um jogo com o segundo ato de  The Witcher 2". E conclui: "estou realmente feliz que as coisas tenham terminado desse jeito".

E o desenvolvedor não está parado. Ele ajudou a fundar a independente The Astronauts e já está prestes a lançar um jogo que é aguardado com ansiedade: The Vanishing of Ethan Carter.

A Metropolis? Foi comprada pela CD Projekt em 2008, fechando o ciclo e trazendo todos os "witchers" para debaixo do mesmo teto.

Ouvindo: Depeche Mode - Freelove
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4 comentários:

Tais disse...

O Bruxeiro pode ter ficado sensivelmente datado, mas olhando essas screenshots, não tenho como não agradecer a descontinuação da criança =P

Alexess disse...

Queria ver as screens, mas só aparece a imagem preta com a msg "Imagem originalmente hospedada..." mesmo acessando o site diretamente

Alexess disse...

Agora foi!
Deve ter sido o cache.

É, concordo com Tais.

Lucs disse...

Bom-senso é uma maravilha, e esse cara teve e tem bom-senso por não se arrepender de suas boas escolhas.
Aliás,eu tenho esse Gorky 17 mas ainda não cheguei a jogar.

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