Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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5 de julho de 2014

Jogando: Mickey Em Busca das Chaves Secretas

Meu filho está se consultando com uma fonoaudióloga. Se serve de alerta, NUNCA aumente o furo das mamadeiras dos seus filhos(as). Aquela miséria de furo minúsculo que vem de fábrica é proposital para que o bebê realize um esforço hercúleo para puxar o líquido e, assim, exercite a musculatura da boca. Eu não sabia disso.

Uma vez que o garoto também está na fase de alfabetização, a especialista também está trabalhando alguns aspectos cognitivos. O que nos leva a Mickey: Em Busca das Chaves Secretas.

Mickey e Pluto

É um jogo educativo, o primeiro a passar aqui pelo computador. Lançado em 2006, supostamente não pode ser mais encontrado em lojas, então a fonoaudióloga emprestou o CD-ROM de instalação para que fizéssemos uma cópia.

A ideia de associar jogos eletrônicos e aprendizado é obviamente genial. Combine o carisma dos personagens Disney com o esmero de um produto oficial e teríamos em mãos um programa matador.

Não é bem o que acontece aqui.

Por um motivo que é brevemente mencionado e nunca mais lembrado, Mickey, Pateta, Donald, Pluto e Minnie vão visitar uma casa com fama de mal-assombrada. Cruzado o beiral da porta, ela se tranca com seis fechaduras diferentes. Para sair da casa, é necessário encontrar as tais chaves secretas. Ao final de tudo, com as chaves encontradas, a porta se abre em um epílogo de dez segundos e todo mundo vai embora sem falar quase nada. Enredo, oi?

Fantasma

Cada uma das chaves está escondida em um aposento da casa, em três direções possíveis. Não espere a caçada de pixels de um adventure aqui. Basta clicar em qualquer parte do aposento para iniciar uma cutscene e começar o desafio, um puzzle educativo de diferentes tipos.

Não tem mistério, não tem reviravolta, não tem envolvimento dos personagens, que funcionam como um leve verniz dublado em português para seis desafios relativamente fáceis. Qualquer um que tenha sobrevivido a Toki Tori ou mesmo Botanicula já consegue se safar com maestria dos aposentos que exigem percepção espacial e lógica, como o dos canos (que a fonoaudióloga julgou fundamental para o menino).

Pateta

Focado em crianças que estão dando seus primeiros passos em letras e números, são estes os desafios que prendem mais um pouco. Mas falta engajamento, falta diversão, o que os aproxima mais do enfadonho papel com dever de casa anotado do que do mágico universo dos jogos. Por sua vez, o desafio musical é tão tolo e desestimulante que deve afastar crianças de uma carreira artística ao invés de incentivar.

Donald

Para pais preocupados, há um relatório de desempenho para avaliar metricamente o desenvolvimento do filho, provavelmente para aqueles que largam a criança na frente do computador e vão fazer outra coisa.

Tabela-de-Progresso

Mickey: Em Busca das Chaves Secretas é menos que um passatempo e seu valor didático é bem questionável. Talvez funcione como uma pílula dourada, pintada para parecer algo diferente mas ainda assim uma pílula insossa para acrescentar ao coquetel educativo que as crianças precisam consumir.

Ouvindo: South Park - Cartman Sings Firestarter (Prodigy)
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6 comentários:

Elder Darksoul disse...

Primeiramente, o jogo tinha, igual você disse, uma premissa bem interessante. Uma pena que a mosca fugiu quando tentaram acertá-la.
Bom, Aquino, tenho que te parabenizar pelo incrível trabalho no blog. Adoro ler cada uma de suas postagens, com muitos comentários profundos, principalmente de jogos que já conheço. Você é incrível, cara. Por fim, eu gostaria bastante de saber seus pensamentos de hoje sobre Morrowind, que se não me engano você não fez uma análise, apesar da grandiosidade do jogo, daquele tipo que nunca fica tedioso de se jogar. Finalmente, seu blog é um dos melhores que já li. Continue o ótimo trabalho.

Até mais.

Nobody_joe disse...

Um jogo que julgo ser bom para crianças é o Scribblenauts Unlimited. Ele não é educativo, mas acho que é ótimo para exercitar lógica, criatividade e escrita.

Ele é todo em português, e como não é um jogo linear, a criança é recompensada por qualquer palavra que ela consiga escrever corretamente.

Shadow Geisel disse...

bem, eu aprendi a falar inglês por causa de jogos de videogame (e uma tentativa frustrada de estudar japonês)então nãp seria exagero dizer que a maioria dos jogos, mesmo que indiretamente, possuem algum nível de teor didático. acho que o problema é fazer uma coisa necessariamente pensando na outra, o que sempre resulta em uma das partes capengando (o jogo é chato por causa do didatismo e a didática não funciona direito com as ferramentas do jogo).

C. Aquino disse...

Elder, eu não cheguei a escrever uma análise propriamente dita sobre Morrowind, mas quase que uma declaração ao jogo em http://blog.retinadesgastada.com.br/2010/01/nao-jogue-este-jogo.html. Morrowind foi uma experiência inesquecível para mim. E obrigado pelos elogios!

Nobody, eu estou com o Scribblenauts engatilhado aqui. Mais alguns meses e acho que já vai dar para soltar o garoto no jogo...

Shadow, concordo contigo: falta ainda alguém que consiga conciliar didatismo e diversão na mesma medida. Mas, com olhos e mente aberta, é possível aprender muita coisa com os jogos seja História, Física ou Geografia. Eu sustento que uma criança que entenda e triunfe em Pokemon está mais do que habilitada para lidar com números, estatísticas e decisões.

Rodrigo disse...

Meu filho mais velho (3 anos e meio) também está indo à uma fono, e palavras dela, não aconselha jogos educativos. Ela ouviu de algum empresário escroto do setor de dev aqui da cidade que eles não estão muito preocupados com a parte didática do software que produzem. Os profissionais da educação e pais é que tem que fazer o uso adequado dos produtos. O negócio deles é vender somente. Discordo totalmente do que ela falou. Comecei cedo com computadores, 8 anos de idade, numa época que era raridade um computador em casa. Acho que temos que colocar os guris pra ter contato sim, tudo é aprendizado. To colocando meus dois guris (2 anos e meio e 3 anos e meio) pra brincar com o controle do XBOX no Proteus, conhece? Como eles são pequenos, eles ficam apenas navegando pela ilha e criando histórias. É gostoso de ver.. O meu mais velho inclusive é portador da Síndrome de Down, e começou a usar óculos agora. Ele só mantém o óculos pra pegar o controle e jogar o Proteus.

Abraço meu caríssimo!
Rodrigo (studiosoho)

Loris Simon disse...

Aquino, recomendo fortemente A Pantera Cor de Rosa: Passaporte para o Perigo. Joguei quando criança, tem a intenção de ser educativo, mas lembro de ser incrível e tem uma comunidade forte de fans.

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