Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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20 de setembro de 2013

Túnel do Tempo

Após colocar um ponto final em minha jornada por DC Universe Online, estava disposto a continuar explorando os estranhos mundos dos MMORPGs. Minha curta passagem por Fallen Earth rendeu um parágrafo de texto. De Star Trek Online, nem mesmo isto: detalhes demais para administrar em um momento em que buscava algo mais simples e direto. Guild Wars 2 deixou saudades. Com uma miríade de opções gratuitas, por onde recomeçar? A resposta mais óbvia: "pelo começo".

O que me levou a Meridian 59.

Meridian 59 - Tela de Logon

Como já escrevi aqui, Meridian 59 foi o primeiro MMORPG, antes mesmo de Ultima Online, que iria cunhar o gênero. A modesta criação dos irmãos Kirmse e dos irmãos Sellers antecedeu o ambicioso projeto de Richard Garriott em quase um ano. Como todo ancião, ele merece nosso respeito. Como todo pioneiro de terrenos inexplorados, ele merece nosso respeito. Como MMORPG, os tempos mudaram e foram cruéis com o título.

Completamente gratuito e de código-aberto, o jogo pode ser baixado por quem quiser no site oficial. Mas o download é lento, incrivelmente lento para um arquivo tão pequeno. Toda a banda do jogo deve estar sendo utilizada para manter os dois servidores operando e não sobrou muita coisa para o servidor web. Uma vez instalado, ele roda em modo janela e não tem como colocá-lo em tela cheia. A interface parou nos anos 90 e parece algo extraído do Windows 98. O universo do jogo propriamente dito ocupa uma janela dentro da janela, um modelo muito comum em RPGs dos anos 90, como o lendário Ultima Underworld.

Meridian 59

Em algum momento de sua trajetória, o jogo passou por uma atualização para utilizar um renderizador em Direct 3D. Entretanto, a versão atual parece ter retornado às suas origens e o MMORPG lembra muito uma versão em larga escala de Strife ou Doom. Não há personagens 3D em cena, apenas sprites de "2,5D". E não se iluda pelas screenshots oficiais que mostram um ciclo de noite e dia. Nunca vi a noite chegar.

Primeira Viagem

Na minha primeira sessão, fui apresentado à vila inicial, que funciona como um tutorial para o resto do jogo. Há um armeiro, um estalajadeiro, um vendedor de poções e um taberneiro no local e você aprende como se movimentar e interagir com os personagens. Não há um botão para falar, comprar ou vender. Você precisa digitar "say hello", "buy" e "offer" para realizar estas ações. Com um detalhe curioso: se você oferecer itens para um personagem que não é um comprador, ele vai ficar com seus itens, agradecer a gentileza e jamais devolver ou dar algo em troca! Ao contrário de qualquer outro RPG do passado ou do presente, não há estatísticas para armas ou armaduras. Eu avaliei sua utilidade pelo preço que que o armeiro cobrava...

Meridian 59

Acredite se quiser, mas o jogo já oferecia saúde regenerativa em pleno 1996! Seu personagem possui três atributos: Vida, Mana e Estamina. Este último é consumido continuamente enquanto você anda ou faz qualquer outra coisa. Quanto mais alto o nível de Estamina, mais rápido sua Vida e Mana regeneram. As únicas formas que eu descobri de restaurar Estamina são descansando ou comendo. Mas você só pode comer até um limite arbitrário que lhe informa que você já está cheio.

Um velho atrás da taberna me falou que a cripta debaixo do templo está lotado de inimigos. Finalmente, minha primeira missão!

E descubro que Meridian 59 também foi pioneiro no grinding nos MMOs. O jogo recomenda que você não saia da vila inicial enquanto não subir de nível. E a única forma que a vila oferece é a tal cripta. Repleta. De. Múmias. Matei dezenas delas. É o único tipo de inimigo na área, sem variação, sem ataques diferentes, o mesmo sprite, com a inteligência artificial de um inimigo dos anos 90. E fui apresentado ao combate: apertar a tecla E até que seu oponente (ou você) caia. Recolher qualquer item que tenha caído no chão e repetir. A verdadeira surpresa é que sua arma desgasta e você é obrigado a ter uma reserva ou usar uma qualquer que tenha no chão.

Meridian 59 também foi pioneiro no respawn: ao contrário do que o velho falou, é impossível destruir todas as múmias da cripta. Quando você terminar de matar a quinta delas, a primeira já reapareceu. E há muitas, muitas espalhadas por um labirinto subterrâneo. Descobri que é possível passar por elas sem ser atacado se não ficar parado na frente de uma.

Pelo barulho de luta, não era o único novato naquelas catacumbas no momento. E encontrei a solidariedade no final da missão: uma porta que só poderia ser aberta se duas pessoas ativassem duas alavancas quase ao mesmo tempo. O outro jogador percebeu minha dificuldade, parou de matar múmias e me ajudou com as alavancas. Para meu total espanto, ele não entrou na sala desbloqueada, voltando a enfrentar múmias aleatórias. Seu gesto foi de pura camaradagem. Em um MMO que não teve mais de cinco jogadores simultâneos em nenhuma das minhas sessões, a sorte de encontrar um bom samaritano na mesma hora e lugar em que eu mais precisava só pode ser descrito como o momento mais mágico da aventura.

Na sala secreta, finalmente, uma múmia diferente! Negra como a noite e burra como uma porta. Consegui despistá-la em um ambiente fechado menor que um boteco. Atacava e recuava. Ela morreu sem que eu soubesse quanto dano ela seria de provocar. Sua morte liberou um tesouro e uma saída do local. Nada mal para uma primeira sessão.

Segunda Viagem

Na sessão seguinte, convidei meu filho. Fomos ao velho maluco porque é isso que se faz quando se completa uma missão: pegar recompensa ou outra missão com quem passou a tarefa. Mas o velho continuava repetindo a mesma coisa sobre a cripta estar infestada de monstros. O que não deixava de ser verdade, desde 1996.

Pegamos o teleporte no museu e fomos para o resto do mundo. A partir daí, jamais achei o caminho da vila original ou de qualquer outra cidade que eu porventura tenha esbarrado...

O garoto assumiu o controle da direção. E fugia de qualquer monstro que aparecesse. Aranhas gigantes, formigas gigantes, lacraias gigantes, a fauna era bem básica por onde andamos e tinha certeza de que seríamos capazes de vencê-los e até, quem sabe, evoluir o personagem. Entretanto, aquela seria uma sessão de sair por aí.

Meridian 59 Meridian 59

As paisagens não são exatamente criativas, com corredores feitos de textura de árvores para simular florestas, rios e grama que parecem tirados de Minecraft e uma criatura aqui e outro ali. Ao contrário da famigerada cripta com 2 múmias por metro quadrado, o mundo aberto de Meridian 59 é um deserto tanto de desafios quanto de habitantes.

Por outro lado, as cidades são bem detalhadas, com a arquitetura mais complexa que a engine suporta. Não há um único cidadão nas ruas ou mesmo na maioria das casas. Em vários sentidos, este é um MMO fantasma.

Em uma ilha no meio de um lago, encontramos um homem que precisava de ajuda. Era necessário proteger sua carga do ataque de monstros. Ou algo assim. Confesso que as minúcias estão meio confusas na minha memória, até porque meu filho insistia que deixássemos o pobre coitado ali e fossemos explorar outro lugar. Mas era a primeira missão em que eu esbarrava em toda aquela sessão. Apesar disso, fomos embora.

Meu filho se cansou na segunda cidade, onde conseguimos enfrentar alguns esqueletos. Esqueletos são um pilar querido em RPGs de fantasia e nunca me canso de destrui-los, mesmo apertando repetidas vezes a tecla E.

Terceira Viagem

Há uma história subjacente no universo de Meridian 59 e envolve um conflito entre reinos. Tenho a impressão de que seu terreno é muito, mas muito mais extenso do que aquilo que já conheço. Acredito que seja possível capturar bandeiras para favorecer este ou aquele reino.

Mas, quando eu conectei pela última vez, era o único jogador em todo o MMORPG.

Meridian 59

Qualquer importância que os jogadores pudessem ter em mudar a paisagem política já aconteceu há muito tempo atrás ou nunca houve.

Nesta terceira sessão, estava disposto a lutar e capturar telas. Consegui foi me perder novamente e encontrar outra cidade. Desta vez, a mais grandiosa de todas até então e provavelmente a capital de um dos reinos em questão porque eu tive uma conversa com a princesa. Recebi até mesmo uma missão real! Mas sem nenhuma indicação de qual direção tomar.

Meridian 59 Meridian 59

Explorei o castelo e seus ambientes colossais. A ausência de pessoas e de mobília contribuía para reforçar aquela ideia de um MMO-fantasma. Com o barulho de água caindo das fontes e algumas mudanças de música, há algo de lúgubre em Meridian 59. Imagino que ele também tenha sido pioneiro em lendas urbanas...

Desta vez, enfrentei as tais Aranhas Gigantes, horrendas em seus sprites mas fáceis de matar. Ataquei Formigas e Lacraias Gigantes e fui atacado por Ratos Gigantes. Caí na tentação de atacar um homem de armadura no meio da floresta e por muito pouco não foi trucidado. Felizmente, dá pra fugir com tranquilidade dos inimigos. Na verdade, Meridian 59 possui um sistema de "anjo da guarda", onde o jogo literalmente avisa que um anjo da guarda impediu que você entrasse em determinado lugar inadequado para o seu nível! E você aí reclamando que os jogos modernos passam a mão na cabeça dos jogadores.

Encerrei minha visita em uma cidade portuária. Onde comprei um machado que era mais caro que minha espada, mas que não consegui perceber se era mais forte. E onde dei 2 rubis para um cara, achando que ele era um comerciante.

Antes de desconectar pela última vez, verifiquei quantos jogadores estavam online. Éramos três. E podíamos estar em qualquer lugar de um território de cuja extensão eu não fazia a menor ideia. De multiplayer, o primeiro MMORPG não tem quase mais nada.

Meridian 59

Ouvindo: Helloween - Victim of Fate
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6 comentários:

Bolívar D'Andrea disse...

Quer um MMO bom, jogue os da Turbine. Lord of the Rings, Dungeons & Dragons e Neverwinter Nights são todos tão gratuitos quanto DC Universe (quero dizer que o Pay to Win é pequeno), o lore é bom e fácil de pegar e a jogabilidade ajuda bastante.

Marcos A. S. Almeida disse...

Dos três, um era você , outro era o admin (que finalmente acordou) e outro era um bot que ele ativou justamente pra te ajudar, hehehehe!
Coincidentemente essa semana fiz a mesma coisa e saí á procurar um Mmo, mas com mais exigências que você pois ele tinha que ser ambientado no mundo moderno e com ZUMBIS! Obviamente foi difícil mas achei um chamado The last stand. Gostei muito mas é o típico jogo Facebookiano em que as construções demoram uma eternidade pra serem finalizadas. Não é preciso forçar a mente pra saber o que é preciso pra acelerar isso, não é mesmo? Se alguém souber de um Mmo que se enquadre nessas exigências podem indicar por favor.

Marcos disse...

surreal ver que um MMORPG morto-vivo (abandonado, sem atualização e com o servidor aberto ainda)com certeza pode render possíveis lendas urbanas nos tempos de agora

Marcos A. S. Almeida disse...

Dos três, um era você , outro era o admin (que finalmente acordou) e outro era um bot que ele ativou justamente pra te ajudar, hehehehe!
Coincidentemente essa semana fiz a mesma coisa e saí á procurar um Mmo, mas com mais exigências que você pois ele tinha que ser ambientado no mundo moderno e com ZUMBIS! Obviamente foi difícil mas achei um chamado The last stand. Gostei muito mas é o típico jogo Facebookiano em que as construções demoram uma eternidade pra serem finalizadas. Não é preciso forçar a mente pra saber o que é preciso pra acelerar isso, não é mesmo? Se alguém souber de um Mmo que se enquadre nessas exigências podem indicar por favor.

Pablo Henricky disse...

Aquino como que eu faço para dar login em Meridian 59, sendo que o mesmo não aceita a minha senha e não consigo solicitar outra?

C. Aquino disse...

Pablo, seu personagem é antigo? Se for, sugiro entrar em contato com os administradores para tentar recuperar a senha. Você está tentando logar no mesmo servidor em que se registrou? Existem dois: 101 e 102. Sua conta só vale para um deles.

Está com o CAPS Lock ativado? Às vezes, a gente esquece o mais óbvio...

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