Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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5 de julho de 2011

(não) Jogando: Strife

Tomado pela frustração, hoje eu escrevi no Twitter: "Strife não é um jogo difícil. É um jogo desenvolvido nas ENTRANHAS DO INFERNO! Estou no "capítulo" 10/12 e é forte a vontade de desistir!". Infelizmente, os desenvolvedores da Rogue Entertainment se formaram na Escola de Tortura dos porões da Ditadura e o único beta tester sobrevivente foi canonizado como Padroeiro dos Jogos Impossíveis.

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É lamentável ver tantas boas idéias sendo desperdiçadas não apenas pela apatia do público na época de seu lançamento, mas também por seus próprios desenvolvedores que, uma vez removidas as novidades, criaram um jogo que, em seu cerne, é um FPS dos mais cruéis já inventados. Esqueçam os "múltiplos" caminhos para se chegar a um determinado objetivo. Na maior parte das missões existem apenas dois caminhos: um rápido e tranquilo e outro longo, tortuoso, repleto de perigos e que pode, ou não, te levar ao lugar certo. Esqueçam também os NPCs, as lojas, as estatísticas que sobem como em um RPG ou o próprio conceito de missões. Na maioria das vezes, quando chega a hora de resolver um problema, Strife se transforma em um sangrento festival de tiros, onde uma esquiva mal-feita pode comprometer sua saúde para todo o resto da missão. Não há estratégia ou solução alternativa. No final das contas, tudo se resume a ter reflexos apurados.

Desistir de um jogo com 90% de conclusão parece loucura. Mas cheguei em um estágio em que um erro de cálculo lá atrás me colocou em confronto com uma cidade inteira de inimigos. Dezenas de abordagens diferentes resultaram em morte horrenda e, mesmo que os milagres do Quick Save do Zdoom me consigam atravessar esta fase, entrarei na próxima com um fiapo de vida. Por uma distorcida lógica interna, ativar o alarme em uma das cidades controladas pela Ordem é uma sentença eterna. As lojas se fecham e todos os inimigos se voltam contra você, quando não se materializam infinitamente vindos de lugar algum. Não há como desativar o alarme, não há mais como se disfarçar ou aguardar que ele seja suspenso.

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Os prognósticos são sombrios e a história de Strife não compensa o aborrecimento. O universo é rico, em muitos aspectos me lembra o excelente livro "O Palácio dos Pervertidos", de Tim Powers. Porém, o andamento é confuso e a única reviravolta é entregue com impressionante displicência. No meio do caminho entre ser um RPG denso e um FPS raso, Strife se tornou uma aberração. Uma aberração com reconhecido valor histórico, mas ainda assim uma aberração.

Eu poderia usar um cheat, mas, sem a insanidade do desafio, o jogo ficaria com seus defeitos ainda mais transparentes. Eu poderia voltar lá atrás e desfazer meu erro, mas isso significaria re-jogar um trecho muito longo e exaustivo.

Com tantos outros títulos em minha interminável lista de espera, não vejo mais sentido em prosseguir.

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Adeus, Strife. Vejo você no Inferno.

Ouvindo: Ennio Morricone - The Thing (08. Humanity - Part 2)
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2 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Eu sempre perseverei em jogos com dificuldade um pouco mais alta afim de "terminar o que comecei".Até como reflexo da minha personalidade sempre procurei fazer isso , ás vêzes até totalmente desinteressado pelo jogo, mas tinha de fechá-lo.Mas...os tempos eram outros.Hoje o tempo urge, a "gameteca" é grande, a curiosidade é maior ainda e uma família que necessita atenção nos traz de volta á realidade.Portanto, perseverar para fechar um jogo difícil ou enfadonho passou á ser um detalhe e a diversão do momento é o que importa.Acabou a diversão , acabou o jogo e que venha o próximo!

Bruno disse...

Hahahaha! Eu também era assim, Marcos. Pode parecer maluco, mas eu encarava a dificuldade como uma provocação dos desenvolvedores, que (eu achava) queriam dizer algo como "nós SABEMOS que vc não tem capacidade p/ terminar este jogo!". Do fundo da minha mente infantil eu gritava "AH, É?! AH É?! POIS VCS VÃO VER SÓ!"
Bons tempos aqueles. Hehehe!

Aquino, lembro de ler em algum lugar por aqui que seu triste histórico multiplayer deixou de ser triste. Já que é assim, já pensou em dar uma chance aos MMOs? Se for dar uma chance, te recomendo o Global Agenda (que agora é free-to-play). Não o recomendo p/ ficar jogando por muito tempo, mas apenas p/ ver do que um bom MMO é capaz. Digo isso pq Global Agenda já está no fim dos seus dias. Ainda mais que a Hi-Rez, publisher e desenvolvedora do jogo, está trabalhando num novo lançamento, o Tribes: Ascend.

Enfim, a história de Global Agenda é razoável, mas o jogo brilha mesmo na jogabilidade. Jetpacks p/ vc se mover pelo mundo e um TPS tático muito dependente da habilidade e boa mira, suas e de seus companheiros. Se quiser ser um sniper bem sucedido, por exemplo, vc terá que levar em conta a movimentação do seu inimigo e atirar um pouco à frente na direção em que este está indo.

Aqui um vídeo curto do gameplay do PvP (player vs Player) que mostra um pouco do combate, que também vale pro PvE (Player vs Enviroment):
http://youtu.be/EXHMU_X2bJM

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