Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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26 de julho de 2020

Quarentena - Semana 19

barretovitch

Este rapaz belo e faceiro da foto completou 13 anos nesse sábado. O filho de peixe segue inabalável pelo maior evento histórico de sua geração, embora a inatividade física esteja afetando um pouco suas emergentes curvas. O bom humor permanece intacto, assim como a sagacidade.

Seu colégio assinou um manifesto declarando a impossibilidade de retomar o ano letivo em 2020, uma posição com a qual concordo. Qual é o sentido de se correr contra o tempo, entregar o conteúdo de um ano em um semestre? Correndo e levando risco para todos os envolvidos, de professores a familiares, mais auxiliares, jovens, crianças, parentes? Ou tentar improvisar um esquema de aulas online para fingir que está tudo bem e também entregar um aprendizado aquém do ideal? Na ausência de uma contenção concreta por quarentena, a espera pela vacina se torna um novo Norte.

Por ordens de sua majestade, o aniversariante, passamos quase o dia inteiro jogando ontem. Foi uma forma também que achei de compensar minha semi-ausência em uma semana com trabalhos demais, queda de internet e outras questões que fizeram a gente jogar menos. Ao longo dos dias anteriores, nem tocamos em Totally Reliable Delivery Service, por exemplo.

Tivemos uma frustrante sessão de Hyper Scape, o novo título Battle Royale da Ubisoft. É um gênero com o qual deveríamos nos conformar que não é para nossas sensibilidades e habilidades (com a rara exceção de Realm Royale). Ele não havia curtido jogar sozinho e eu tampouco. Acreditamos que, em time, Hyper Scape poderia ser mais apetecível. Em uma hora, não matei ninguém. Meu guri matou dois oponentes. O jogo travou uma vez, a ponto de precisar ser reiniciado. No bojo, é um título simpático: veloz, com boa diversidade de armas, muita verticalidade, gráficos atraentes. Porém sofre dos mesmos defeitos do gênero: você gasta mais tempo procurando partida e, depois, se esgueirando, do que efetivamente fazendo algo divertido.

No sábado, então, começamos o modo cooperativo de Far Cry 3. É uma campanha separada do jogo principal, com suas mecânicas bastante reduzidas. Para desgosto do meu filho, não há animais em cena ou acampamentos para tomar. Não vi loja de armas ou árvore de habilidades. A trama é risível. Ainda assim, diverte, mesmo que seja uma sucessão de batalhas entrincheiradas. O desafio é bom, ainda que lhe falte alma. O rapaz pensou em desistir, para irmos direto para Far Cry 5 cooperativo, mas o convenci de que essa campanha é curta e devemos terminar o que começamos.

O resto do sábado foi dedicado a Warframe e isso nem é mais novidade. O jogo caminha para quatrocentas horas aqui e já passou de 300 no PC do garoto. O camarada @jaotavio estava lá e travamos missões ensandecidas.

Assistimos Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Não tinha revisto desde os anos 80, quando passou na TV na estreia da Rede Manchete (atual Rede TV). Continua impressionante. E mágico, muito mágico. É inacreditável que esse filme tenha sido feito em 1977 e mais inacreditável ainda que seus efeitos especiais se mantenham coerentes 43 FUCKING anos depois. E é uma aula de roteiro. Primeiro, prévias de algo estranho, depois um breve, mas marcante momento mágico, seguido de uma longa obsessão que é compensada por um retorno do fantástico de cair o queixo. É de se ficar boquiaberto.

doom-patrol

Deveríamos ter visto outro filme no sábado, mas o aniversariante determinou: completaríamos os dois últimos episódios da primeira temporada de Doom Patrol. Acho fascinante que ele tenha se deslumbrado com a série de TV da mesma forma que os quadrinhos me capturaram anos atrás.

A adaptação tem seus bons momentos, mas também tem seus momentos constrangedores. Muitas liberdades foram tomadas em relação às revistas (Cyborg na equipe? Sério?). Entretanto, a atmosfera da Patrulha do Destino, sua essência bizarra, foi transportada quase com perfeição. Não acompanhei todas as fases dos quadrinhos, e foram muitas, mas suas aventuras sempre foram fora da curva do que se espera de uma equipe de super-heróis. Eles são os mais desajustados dos desajustados, capazes de fazerem os X-Men os mais populares do colégio. Não por acaso, isso se reflete nas diferenças de sucesso entre os grupos nas mídias.

Os roteiristas erram ao invadir o território do grotesco em vários momentos e cruzar a linha do ridículo em outros, a ponto da série beirar o cômico. Ainda assim, o elenco inteiro está de parabéns pela interpretação e é difícil apontar um deles que não tenha brilhado (provavelmente o Cyborg, mas eu posso estar sendo implicante). O resultado final é uma mistura estranha de Grant Morrison, Monty Python e os palavrões mais cabeludos que o meu filho já escutou nessa vida.

Através do Gamerview, entreguei a análise do simples mas divertido Rogue Summoner. Ainda assim, o destaque da semana foi Othercide. Há um embargo para o dia 28, então não sei se posso explicar muita coisa. Porém, adianto que estou curtindo o jogo.

othercide

Chegaram nas minhas mãos também Rock of Ages 3 e Bite the Bullet. O primeiro teve sua licença revogada após o beta, algo que não costuma acontecer. Geralmente, nós jornalistas recebemos uma chave antes do lançamento, testamos o jogo, escrevemos, mas a chave continua ativa. Não foi o que aconteceu dessa vez. O Gamerview correu atrás e conseguiu uma nova chave, desta vez do jogo "completo". Espero muito que o sistema de cooperativo local funcione sem problemas dessa vez, porque um certo jogador de 13 anos quer muito cruzar esse título de ponta a ponta, como fizemos com Rock of Ages 2. Bite the Bullet também é cooperativo, então, sim, estou guiando minhas escolhas de análise por causa desse fator.

Com tantos trabalhos que não tem a ver com jogos e títulos para analisar, sobra pouco tempo para me dedicar a outros horizontes. Tenho vergonha de dizer que The Walking Dead The Final Season segue intocado na Área de Trabalho. Em contrapartida, sempre há tempo para Warframe, então, vício define.

Por outro lado, finalmente instalei o bendito do SSD. Foi muito mais rápido do que eu esperava. A instalação, não o ganho de velocidade. Depois de tanto ver artigos sobre o EaseUS Todo Backup (e eu mesmo ter escrito um ou dois para o Código Fonte), resolvi experimentá-lo em uma situação real e fiquei genuinamente impressionado com sua performance: em 50 minutos, tinha um clone exato do meu drive de sistema. Ainda melhor que a praticidade foi o fato de não ter havido nenhum problema na transição do Windows 10 do HD para o SSD. Zero dor de cabeça é uma sensação incomum no mundo da informática.

A princípio, não percebi melhora na velocidade do PC. Até acidentalmente fazer o boot pelo antigo HD e ver a inicialização se arrastando. Agora, não há mais esse risco. Mantive o Windows 10 em uma partição do HD por alguns dias, até ter certeza de que não havia mesmo pegadinhas no SSD. Agora, ele se foi.

O que me lembra que instalei o Ubuntu em Yunica. Foram exaustivas quatro horas de instalação. Quando terminou, não tive mais tempo de ver como ficou. Infelizmente, comprovei que o teclado do notebook está morto mesmo. Umidade do armário talvez. Ou idade. Ou azar. Não que eu vá para a rua tão cedo, mas é triste ver o quão curta foi a utilidade do vetusto laptop em minhas mãos.

warframe

Ouvindo: Witching Hour - Eyes Of Dawn
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4 comentários:

Bolívar D'Andrea disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bolívar D'Andrea disse...

Dá uma chance pra temporada final do Walking Dead. O gameplay tá muito diferente, com momentos de exploração e até coletáveis (o que é meio estranho em alguns momentos em que as decisões deveriam ser rápidas, mas num geral é bem bacana).
Sei que a terceira temporada foi bem deprimente, com personagens bem menos marcantes e uma história bem fraca (pra mim o que salvou foi uma breve participação do Jesus, personagem muito carismático), mas a quarta temporada, me arrisco a dizer, está no mesmo nível da primeira. Personagens bem construídos e que a gente se importa, relacionamentos bem construídos e nem um pouco forçados, diálogos que emocionam mesmo. Chorei mais com o final da quarta temporada do que com o da primeira.
As escolhas dentro do jogo em si fazem bastante diferença, tem pelo menos 10 combinações de finais com pequenas alterações de fatos entre 3 personagens, além de alguns outros personagens que podem morrer ou não no decorrer da história e vários momentos durante o jogo que tem pequenas alterações de rumo. O único defeito é que todas as decisões dos outros jogos são jogadas no lixo, e a desculpa pra Clementine não voltar pra comunidade da 3ª temporada é bem fraca. Mas nada que a gente não tenha visto e superado nos outros jogos.
Ah, e tem pelo menos 2 momentos musicais simplesmente sensacionais, além da música de abertura dos episódios ser fantástica, sem contar as já conhecidas músicas dos créditos, sempre excelentes.
Quando terminei o jogo descobri que não estava pronto pra dar adeus pra história da Clementine. Enfim, dá uma chance, vale bastante a pena!

Helder disse...

Assisto essa criança crescendo a tantos anos. Incrível acompanhar esse diário seu cara, sério, já tornou parte de mim também acompanhar seus processos haha, maior onda.
Se conecta comigo pelo insta mano, @eusouhelder . As vezes esqueço de vir aqui e gosto muito de acompanhar sua rotina haha, você é meu influenciador preferido kk
Tmj!

C. Aquino disse...

Poxa, Helder, eu não tenho Instagram! :(
Mas, sim, tamo junto! :)

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