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11 de abril de 2019

Jogando: Realm Royale

Realm 2019-04-03 20-33-38-13Apesar da superficialidade do gênero e sua irritante onipresença, há algo de tentador nos jogos battle royale: o desafio à sobrevivência, a emoção de ser o último jogador de pé em um seleção randômica de dezenas de pessoas de diferentes partes do mundo (ou, mais especificamente, da sua região). Uma mistura nem sempre equilibrada de sorte e talento. Experimentei o ápice dessa sensação um par de vezes em SOS. Fui confrontado com minha própria mediocridade diversas vezes em outros títulos.

Ainda assim, acreditava que, em algum lugar desse vasto mundo, deveria haver um battle royale para chamar de meu. Afinal, o gênero comporta várias possibilidades.

Desde seu anúncio eu estava curioso sobre Realm Royale, um título de battle royale onde os jogadores assumiriam os personagens de Paladins. Habilidades diferentes poderiam ser o tempero que faltava para um gênero que depende demais de fatores aleatórios, apesar do desequilíbrio que isso poderia causar no campo de batalha. Além do mais, o carisma dos paladinos seria um atrativo adicional para mim.

Entretanto, o tempo passou, jogos foram e vieram e eu não abri Realm Royale nesse período. E, como tudo relacionado à Hi-Rez Studios, uma diferença de meses pode significar um jogo completamente diferente do que era antes. Dito e feito.

Instalei Realm Royale e não era mais o mesmo jogo que lançou. Ao invés de encarnar como os campões de Paladins, somos heróis genéricos divididos em quatro classes, que podem encontrar e utilizar armas icônicas do outro jogo. Uma mudança para a qual eu inicialmente torci o nariz, mas que significava que era possível agora combinar o arsenal de um personagem com as habilidades de outro e criar o seu próprio estilo de luta, desde, é claro que os baús e a sorte sorriam para você no mapa.

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Apesar do impacto inicial, sou obrigado a admitir: encontrei o meu battle royale. O mapa é fantástico, com múltiplas referências aos reinos e cenários de Paladins, uma mistura estranha de arquiteturas que vão do Velho Oeste ao Oriental, passando por castelos medievais tradicionais, minas abandonadas e cogumelos gigantes. É uma salada de frutas que funciona, uma amálgama de ambientes colados para serem uma arena. O Beyonder ficaria orgulhoso.

As armas fogem do feijão com arroz "realista" que assola o gênero e, em contrapartida, você não é obrigado a virar um pedreiro no meio da partida e levantar uma torre para se proteger. O foco é encontrar boas armas (ou mesmo fabricá-las em Forjas espalhadas pelo mapa) e derrubar seus oponentes. Para cruzar a vastidão, o título oferece montarias, que alteram bastante a dinâmica do jogo e também são uma justa homenagem a Paladins.

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Até mesmo a morte, uma constante irritação em outros battle royales, aqui encontra mecanismos para torná-la mais palatável. Inicialmente, quando você toma dano em excesso, você é convertido em uma galinha gigante (!), que pode se esconder por um período até retornar a sua forma humana. Isso acrescenta um nível extra de tensão e uma justa chance para você fugir, sem morrer em definitivo. Jogando em equipe, ainda é possível forjar um pergaminho capaz de trazer de volta dos mortos todos os companheiros abatidos.

Marotamente, a desenvolvedora completa as partidas de 100 jogadores com o número necessário de bots. Essa é uma informação pouco divulgada que funciona como uma faca de dois gumes. Por um lado, permite que o tempo de espera seja muito reduzido, uma praga que assola outros battle royales que não se chamam Fortnite, PUBG ou Apex Legends. Por outro lado, pode tornar as partidas fáceis demais, uma vez que você pode abater uma grande quantidade de "jogadores" que não permanecem com seus times.

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Mas... quem disse que abater bots é ruim? Na adrenalina da partida, é difícil distinguir um jogador novato de um punhado de algoritmos e não vou permitir que uma dúvida entre no caminho da minha satisfação. Meu filho ficou um pouco decepcionado ao descobrir que suas seis vitórias seguidas podem ter sido obra do acaso e do excesso de bots, mas quando a bandeirinha de Victory Royale sobe eu sou só sorrisos, não me importo como cheguei até ali.

Em um gênero mundo-cão onde é lobo caçando lobo, me contento com pouco e fico feliz em derrotar bots sob o céu fantástico de uma terra imaginária.

Ouvindo: The Neon Judgment - Facing Pictures
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