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15 de dezembro de 2018

(não) Jogando: X-Men Legends II: Rise of Apocalypse

x-men-legends-ii-rise-of-apocalypse-windows-front-coverQuero que fique registrado nos autos que eu não queria jogar X-Men Legends II: Rise of Apocalypse.

Depois que meu filho ganhou de aniversário um controle novo para substituir o anterior cujo X não funcionava, um leque de possibilidades voltou a se abrir para nós em termos de jogos cooperativos. Chega de ter que passar a arma para mim em Contagion para eu recarregar e devolver pra ele e outros títulos em que eu estava de olho voltavam a ser uma opção.

Entretanto, o que eu queria mesmo era jogar Marvel Ultimate Alliance com ele. Não que eu não tivesse jogado com ele antes, mas três anos atrás sua participação se resumia a dar alguns pitacos e eventualmente apertar um botão ou outro. Eu queria ele ao meu lado para valer, controlando plenamente Wolverine ou Homem de Ferro, enquanto meu Motoqueiro Fantasma balançava a corrente flamejante ou meu Thor descarregava a fúria do trovão sobre nossos inimigos.

Peguei meu CD de instalação do jogo, disposto a revisitá-lo, ignorando por completo a versão remasterizada lançada no Steam por motivos de grana e rumores sobre ser problemática. Por ironia do destino, acabou que minha versão de Marvel Ultimate Alliance era incompatível com o Windows 10. O que me levou a uma caçada em fóruns por soluções possíveis, o que terminou com uma versão pirata de X-Men Legends II: Rise of Apocalypse instalada e rodando no computador. O mundo dá voltas.

Então, quero que fique registrado nos autos que eu não queria jogar X-Men Legends II: Rise of Apocalypse. Mas era o que tínhamos.

Tudo ao Mesmo Tempo Agora, Mas Não Exatamente

Embora o jogo seja a continuação de um título lançado apenas um ano antes pela lendária Raven Software, é gritante que ele é apenas um ensaio do que seria realmente um jogo bom no ano seguinte, o superior Marvel Ultimate Alliance. Não apenas houve uma troca de motor gráfico, uma troca inteira de geração de consoles entre os lançamentos, como também a própria desenvolvedora parece ter aprendido com os erros prévios. A aventura dos X-Men e da Irmandade de Mutantes é um rascunho do que viria depois.

Vampira - Wallpaper

Enquanto Marvel Ultimate Alliance extraía o supra-sumo do universo Marvel, com locações, aliados e inimigos memoráveis, Rise of Apocalypse sofre com um elenco que podia estar antenado com o que saía nos quadrinhos na época, mas é composto basicamente por elementos de segunda importância na longa saga de publicação dos mutantes.

Não posso dizer que compreendi plenamente o enredo, até por conta do jogo ser uma continuação direta do primeiro X-Men Legends mas, em sua essência, Apocalypse está em fuga após um sangrento combate em Genosha, sequestrou um dos alunos do Professor Xavier e tem planos malignos para a Humanidade, enquanto o Senhor Sinistro age nas sombras com sua própria agenda.

Contando assim, não há fã que resista ao apelo, mas o que vemos no jogo é uma sucessão de embates frouxos contra inimigos desprezíveis. A fase passada nas ruínas de Genosha é um enfrentamento constante contra formigas (!) gigantes e soldados genéricos pontuado apenas por duas lutas contra chefes, Grizzly e Zealot. São dois vilões que apenas os fãs mais devotados acertariam em um quizz, mas que a Raven Software utiliza como seu primeiro contato com o sistema de chefes. As lutas são tão desinteressantes quanto os personagens e o título demora a engrenar.

Para deleite de minhas retinas desgastadas, Lady Deathstrike também está presente em Genosha no caminho de nossos heróis. Entretanto, no tempo que eu levo para contar ao meu filho quem ela é e como ela é importante para Wolverine, a imponente guerreira já tombou, porque não teve a mesma relevância no jogo que Grizzly ou Zealot. Logo em seguida, somos contemplados com a verdadeira batalha final do mapa, que é contra o esquecível Abyss. Pode-se argumentar que o personagem está atado a Genosha e tem uma história complicada com Apocalypse e Noturno, mas, veja bem, eu vi isso na Wikipedia e, a menos que você fosse leitor dos quadrinhos na época, sua importância passaria batida.

De Genosha, nossa aventura migra para a Terra Selvagem, um ambiente mais propício a grandes momentos e personagens mais próximos do meu conhecimento. De fato, Ka-Zar aparece como um NPC com algumas falas, mas a promessa de terreno mais familiar se perde pouco depois. Diante de Sauron e sua mitologia, até meu filho se empolgou. Lamentavelmente, um dos mais icônicos vilões da Terra Selvagem tomba ainda mais rápido do que Lady Deathstrike. Em nossa passagem por esse "parque dos dinossauros" da Marvel, não enfrentamos dinossauros.

Em um labirinto de ruínas na selva, realizamos uma longa e exaustiva missão com objetivos não muito claros, enfrentando novamente soldados genéricos, alguns monstros genéricos (que não eram dinossauros) e culminando com uma luta ainda mais cansativa contra um irmão de Colossus que eu, que acompanhei as histórias dos X-Men por duas décadas, não conhecia. Aparentemente, minhas duas décadas não englobavam o mesmo recorte específico de tempo que a Raven Software usou como referência.

Sugar Man

Sugar Man, um dos inimigos mais marcantes dos mutantes (SQN) também aparece no jogo

Filhos do Átomo, Netos do Tédio

Se todo esse papo parece reclamação de fanboy da velha guarda, nem mesmo meu guri estava empolgado. Seu conhecimento dos personagens vinha dos cinemas e das séries animadas, duas mídias que não alienaram seus consumidores com uma coleção de vilões obscuros ou, quando os usaram, se deram ao trabalho de apresentá-los para outra geração. Nossa identificação com o lore não estava lá.

Mesmo descontando-se essa barreira e até dispostos a pesquisar na internet após cada sessão de jogo, a verdade é que X-Men Legends II: Rise of Apocalypse não era empolgante. Isso era visível na tendência de meu filho de trocar a equipe constantemente, na busca de um herói interessante que nunca era satisfatório. Isso era visível na minha má vontade de me agarrar a determinados combos e executá-los sucessivamente, atravessando as batalhas em busca da próxima. O título carecia de prazer, do carisma das batalhas, do voo verdadeiro dos heróis que voavam, dos controles mais precisos, das mecânicas de evolução menos complexas, de tudo que viria depois em Marvel Ultimate Alliance.

X-Men Legends II Rise of Apocalypse - Wolverine

Após uma batalha enfadonha contra Mikhail Rasputin em um contexto que nós nem mesmo tínhamos entendido, tombamos e resolvemos largar o jogo para outro dia. Um outro dia que demorou mais de um mês para chegar, com jogos melhores instalados no computador, e graças à minha insistência em tentar dar mais uma chance ao jogo. Descobrimos que havíamos cometido um erro no esquema confuso de salvamento e teríamos que rejogar uma parte bem grande antes mesmo de chegar na batalha. Adiamos novamente.

Isso aconteceu em Setembro. Três meses se passariam até ficar claro em nossas cabeças que X-Men Legends II: Rise of Apocalypse era algo ao qual nenhum de dois desejava voltar.

Ouvindo: Jared Ellsworth - Love (Empath Abbey)
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