Retina Desgastada
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17 de outubro de 2015

Jogando: Marvel Ultimate Alliance

Meu Time

Na batalha final de Marvel Ultimate Alliance eu trouxe comigo Wolverine vestindo seu traje da fase clássica de John Byrne nos pincéis de X-Men, Luke Cage com seu uniforme original dos anos 70 e tão grande que era quase uma propaganda ambulante de Whey, além do Tocha Humana e Thor, em suas versões Ultimate. Foi uma batalha tão dura que o mutante canadense caiu logo no primeiro round. O resto do time morreu em seguida. Na segunda tentativa, desarmamos o vilão principal, mas erramos na reta final. Wolverine caiu. O resto do time foi logo atrás. Na terceira tentativa, finalmente o combo perfeito: Thor evocando relâmpagos divinos dos Céus, fritando nosso arqui-inimigo e sua legião de asseclas. O filho de Odin aguentou o tranco e levou a barra de vida do oponente até a metade, antes de tombar. A partir daí, Wolverine assumiu. Pulando sobre o vilão como uma fera furiosa e tentando não dar tempo para um contra-ataque, prendendo o inimigo em um ciclo vicioso de cair no chão e ser perfurado. Deu resultado. O mundo estava salvo e o jogo concluído.

Marvel Ultimate Alliance é de longe o melhor jogo baseado em super-heróis da Marvel que já passou pelo meu computador. Não que a competição seja forte. Entretanto, com as portas da editora abertas, a Raven Software mergulhou em sua mitologia para oferecer um título em que você pode montar seu próprio time de personagens e visitar as locações mais exóticas que já saíram da Casa das Ideias. São pouco mais de 20 horas de jogo, que começam de forma explosiva a bordo do porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. enfrentando um assalto de Ultrons, passam por Atlântida, Inferno, Mundo do Arcade, Asgard, espaço sideral e outros locais igualmente icônicos por onde você enfrenta Loki, Mefisto, a Guarda Imperial de Shiar e até Galactus para deter o mais desnecessariamente complicado plano vilanesco que o Doutor Destino já concebeu. É a hipérbole máxima das histórias em quadrinhos, uma salada de participações especiais para nenhum fã reclamar.

EspadaYmir

Enxergando por cima do deslumbre de fanboy, é possível perceber uma jogabilidade sólida calcada no combate. Apesar das diversas cutscenes, apesar das frases de efeito, apesar do bom trabalho de dublagem, o importante aqui é a pancadaria e a Raven entrega em uma bandeja de prata. Você controla um super-herói de um time de quatro, podendo trocar para qualquer um dos outros a qualquer momento. Cada personagem tem sua própria lista de poderes e seus próprios tipos de ataques, o que gera uma variedade divertida de explorar e que se encaixa como uma luva no estilo de diversos jogadores. Mesmo eu, que não curto combos e não tenho paciência para executá-los, me via utilizando do recurso pelo simples prazer de ver Wolverine empalando um inimigo e arremessando para longe ou para que Luke Cage pudesse pegar um desavisado capanga e bater a cabeça do infeliz contra o chão repetidas vezes.

E aqui cabe um parêntese: brutalidade é o que separa Marvel Utimate Alliance do "pow" e do "smack" de uma revista em quadrinhos. Tirando a ausência de sangue e mutilações, a Raven esticou até o limite do possível a classificação indicativa e nossos heróis da televisão causam um estrago desproporcional. Em quantos jogos você presencia um super-herói gargalhando enquanto gira um inimigo pelo ar, antes de arremessá-lo longe? O que dizer de um título onde alguns inimigos caem para abismos mortais enquanto gritam em desespero? Ou onde o Coisa não vê o menor problema em pegar um soldado humano da I.M.A. e pisar em sua cabeça como quem esmagam uma barata? Ou onde o Capitão América veste o clima pós-11 de Setembro e sugere o uso de tortura para arrancar informações?

O Que É Isso, Capitão América

Talvez a Raven tenha se inspirado na linha mais adulta do universo Ultimate da Marvel, o que, inclusive está explícito no nome. Mas alguém ali dentro misturou as revistas e vemos Thor, Wolverine ou o Quarteto Fantástico em suas versões claramente Ultimate ao lado de um Nick Fury branco, do Doutor Estranho e do Deadpool, personagens do universo convencional da editora. Se há um crossover em andamento, nem é mencionado.

Com um leque de opções aberto, com inúmeros personagens desbloqueáveis, é um daqueles títulos para ser jogado mais de uma vez, talvez até mesmo com os amigos, já que no modo multiplayer cada um poderia assumir o comando de um herói diferente no time. A variedade acaba sendo prejudicada pelo sistema de evolução: ou você fica escolhendo e experimentando ou fecha com uma equipe fixa e vai evoluindo ela. Na metade da jornada, não há muita vantagem em ganhar um novo super-herói: ele ou ela já surge fraco para acompanhar o tranco que os outros estão encarando.

Minha formação ficou com Wolverine e Luke Cage como tanques, capazes de aguentar dano por um longo tempo e com uma boa capacidade de devolução, fechando com Thor e Tocha Humana para ataques de longa distância e suporte aéreo. Ocasionalmente, um herói caía e era substituído por um novato, enquanto o original se curava. Geralmente, no meu segundo escalão circulavam o Homem de Gelo e Motoqueiro Fantasma.

Pitfall

Não se engane, isso ainda é Marvel Ultimate Alliance

Outra falha a ser mencionada do jogo é a inteligência artificial. Talvez por ter sido criado com o multiplayer em primeiro plano, a Raven não investiu muito na capacidade de seus outros heróis lutarem sozinhos. Por que eles lutam muito mal. Juntando os três que você não controla em determinado momento, dá o dano acumulado daquele que você controla. Frequentemente eles caem sozinhos de beiradas altíssimas, andam de peito aberto para armadilhas ou contemplam as paredes por longos segundos enquanto você está apanhando e precisando de ajuda. Entretanto, quando eles funcionam e a máquina de moer vilões está na sua capacidade máxima, é um espetáculo bonito de se ver.

Ao final da trama, quando outras empresas talvez produzissem apenas uma celebração dos heróis, a Raven demonstra confiança em seu poder de fogo. Ela traz um epílogo retumbante que promete uma continuação que jamais foi feita, uma vez que Marvel Ultimate Alliance II não traz nem a desenvolvedora nem a trama sugerida. E, não satisfeita com o epílogo, encerra com uma longa descrição das consequências de suas decisões ao longo da trama. A hipérbole segue ditando o tom até o último segundo, com pequenos equívocos que você cometeu assumindo proporções colossais.

Loki

O Lamento do Corvo

RavenNos anos 90, a Raven Software tentou emplacar no mercado com suas próprias criações: a franquia Heretic, a derivada Hexen, o excelente jogo pós-apocalíptico Take no Prisoners, MageSlayer e outros. Lamentavelmente não foi tão bem-sucedida quanto merecia. Em 1997, a empresa foi comprada pela Activision e conseguiu colocar seu talento para fora com um orçamento maior e acesso à marcas famosas. No período que se seguiu, a empresa produziu uma sucessão de títulos impecáveis: Star Trek: Voyager – Elite Force, Star Wars Jedi Knight II: Jedi Outcast, X-Men Legends I e II, o favorito da casa Quake IV e este Marvel Ultimate Alliance, entre outros.

Em todos os títulos que produziu no período, a empresa se destacou por entregar mais do que se esperava do gênero, fosse na história, fosse na atenção aos detalhes, fosse na trilha sonora (e Marvel Ultimate Alliance não é exceção nesse quesito).

Após sucessivos cortes em sua equipe, a Activision fez o que muitos funcionários temiam: removeu a capacidade da Raven de produzir jogos. Assimilada à linha de produção de Call of Duty, a franquia de ouro da produtora, a Raven hoje é apenas uma sombra do que já foi, sendo responsável por "elementos" e DLCs da série de tiros. Seu último jogo assinado, após um hiato de cinco anos, é Call of Duty Online, uma versão exclusiva para o mercado Oriental da série milionária.

Nem mesmo o Vigia poderia prever o triste destino de uma das desenvolvedoras mais talentosas da indústria.

Tenho certeza de que em uma realidade paralela a esta, Raven e o Marvel Studios caminham de mãos dadas, a franquia Ultimate Alliance avança para sua quarta parte, existe um MMORPG inspirado nos heróis da editora que não é ruim e meu Wolverine já está no nível 60...

Galactus

Ouvindo: Chaser - Implantation Of Spider
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Um comentário:

Luiz Antônio disse...

É uma pena que não esteja a venda na Steam e, para quem não usa cartão internacional, isso é um problema.

Outros jogaços que não estão mais a venda na Steam é Wolfenstein 2009 e Prey. Quem comprou, comprou. Quem não comprou, não compra mais.

Sinceramente eu não entendo isso. Porque os donos dos direitos autorais e de vendas não liberam mais keys para venda na Steam? Afinal são apenas cópias digitais, não envolvem gastos com material (DVDs, capas, embalagem, impressão de manual, etc...) e distribuição como acontecia com a mídia física. Parece que não gostam de dinheiro. São tão gananciosos e rápidos numas coisas e tão lentos em outras.

Vai entender como funcionam os mecanismos burocráticos dessa indústria...

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