Matamos Orcs. Desde que começamos nossas vidas como jogadores, nós matamos Orcs. Matamos Orcs em Elder Scrolls III: Morrowind, em Dark Messiah of Might and Magic, em Warcraft, em qualquer Lord of the Rings, em Warhammer (no passado e no distante futuro do ano 40.000), em Enclave, em Shadowrun, em quase 90% de todos os RPGs de fantasia que existem. Eu mesmo matei Orcs em três jogos da série Gothic, em número suficiente para preencher o horizonte. Para muita gente, Orcs tem que morrer! Mas o que será que eles pensam disso tudo?
O escritor Stan Nicholls até tenta mostrar o mundo de fantasia do ponto de vista destes violentos e esverdeados seres através da série de livros Orcs: First Blood. A despeito do sucesso de crítica e de público, a primeira trilogia de livros, reunida em um único volume, não me agradou nem um pouco. Uma obsessão por cenas de combate onde seus protagonistas sempre vencem apesar das chances e um roteiro repleto de furos transformaram a leitura em um sofrimento. Se existe o gênero Action RPG dentro do universo dos jogos eletrônicos, Stan Nicholls pode ter criado o gênero Action Fantasy dentro da literatura.
Quando a primeira trilogia termina sem concluir a trama, é seguida pelo anúncio de um novo livro e você não se sente com forças para comprar, é porque a história não vale mesmo a pena.
Uma nova tentativa de compreensão do mundo dos Orcs pode estar a caminho através do jogo Of Orcs and Men, da Cyanide. Se este nome não acende uma luz em seu cérebro, vale lembrar que é a mesma desenvolvedora por trás da adaptação de A Game of Thrones. De Orcs, aparentemente, eles entendem, já que tem o jogo Bloodbowl no currículo, um bizarro cruzamento de Warhammer e futebol americano.
Of Orcs and Men colocará o jogador mais uma vez no meio de uma guerra sangrenta entre o Império dos Homens e os clãs de Orcs, em um universo de fantasia brutal onde a vida tem pouco valor. Porém, a grande sacada é que o protagonista será um soldado de elite Orc e caberá a ele colocar um fim no conflito destruindo o seu maior fomentador: o Imperador dos humanos. Neste cenário, Orcs que não caem em batalha são escravizados para sinistros propósitos e os Goblins são perseguidos e executados sem clemência. Em seu caminho, este inusitado veterano de guerra terá o auxílio de um Goblin letal e sorrateiro, e a dupla imperfeita será forçada a comungar com magos, enfrentar assassinos e se opor às poderosas Irmãs dos Lamentos.
O jogo promete mostrar a raça humana como uma força cruel e impiedosa, dedicada ao extermínio das outras raças inteligentes. Se bem executada, esta mudança de perspectiva pode dar uma sacudida em um cenário estagnado. Se conseguir colocar a dúvida em meu mouse na próxima vez em que um Orc estiver exposto em meu monitor, ficarei mais do que satisfeito. Of Orcs and Men tem previsão de lançamento para o o segundo trimestre de 2012, para as principais plataformas.
ATUALIZAÇÃO: Leia a segunda parte da postagem em O Outro Lado - Em Quadrinhos!
5 Comentários
inspirado pelos orcs criados por tolkien, James Stokoe criou "orc stain" uma novela gráfica muito bem escrita, original e com um humor fenomenal, no qual transporta o leitor para o mundo estranho e grotesco dos orcs, onde a moeda de troca mais valiosa é o pénis de orc ou gronch. A obra foi escrita, publicada e brilhantemente ilustrada pelo autor, vale a pena conferir.
http://orcstain.wordpress.com/
Quanto ao GUN, no comentário ao lado, é um jogo muito bom.Mas é pura e simples ação, sem muitos rodeios e mundo aberto " estilo GTA" .Pra quem quer diversão sem "profundidade" é perfeito.Tiroteios , perseguição montado á cavalo, em diligências, é como estar dentro de um antigo Bang-Bang.Recomendo.
O jogo Arcanum mostra uma perspectiva interessante para os orcs,onde eles são em sua maioria trabalhadores semi-escravizados e ladrões.Sinistro também são as raças dos half-ogres,que na verdade são cruzamentos forçados(leia-se estrupo) entre ogres e humanas.
Ja que falaram sobre GUN, alguns detalhes: o jogo tem um mundo aberto, mas é pequeno demais pra comparar com GTAs. Gostei muito da missão principal, e é a melhor parte do jogo, mas tambem é muito curta. Se os desenvolvedores tivessem expandido mais essa historia e cortado as missões repetitivas, teria sido um jogo excelente. Ainda assim, dou uma nota 8,0 pro jogo. So nao tem muito valor de replay.