(não) Jogando: The Innsmouth Case

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A obra imortal de H.P. Lovecraft já serviu de plataforma para crítica social (invertendo, inclusive, o próprio posicionamento retrógrado do autor), para um drama poético, e, mais frequentemente, porta de entrada para um universo de horrores inexplicados. O que eu nunca tinha visto até então eram os mitos de Cthulhu servindo de pano de fundo para um jogo de humor.

The Innsmouth Case é uma visual novel que busca fazer graça em cima do clássico The Shadow over Innsmouth, já referenciado tanto em The Sinking City quanto em Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth, que já passaram pelo blog. Basicamente, existe essa cidade chamada Innsmouth e seus habitantes tem uma conexão muito, digamos, íntima, com uma raça de servos de Dagon, o Deus Antigo que habita o fundo dos oceanos. Onde o grotesco se impunha anteriormente, agora temos espaço para o cômico. Os limites entre o bizarro e o hilário sempre estiveram no quanto você está disposto a aceitar aquela situação como plausível.

Desta forma, controlamos um detetive particular estereotipado (ou seja, com graves problemas financeiros) que é contratado por uma cliente sedutora para descobrir o paradeiro de uma criança desaparecida na sinistra Innsmouth. E aqui eu confesso que não sabia que o jogo era de humor quando comecei, mas percebi o tom logo nos primeiros diálogos. Encarei a experiência a partir dessa premissa, mas o resultado não foi dos melhores.

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A trilha sonora não ajuda a entrar no clima, até porque ela não se decide sobre qual clima provocar: tensão ou relaxamento? A interface é texto puro, com raras ilustrações. Há bem pouco visual nessa novel… Há também a sugestão de elementos aleatórios, de alguma jogabilidade, mas não passa da imagem de dois dados permanentes na tela. Nesse sentido, livros-jogo eram infinitamente mais interessantes.

O grande problema de The Innsmouth Case nem é tentar ser engraçado com temáticas que evocam horrores além da compreensão. O quadrinista Kristian Nygård é muito bom nisso. O grande problema de The Innsmouth Case é ter um humor raso e forçado, com um protagonista aparvalhado e um texto que beira o constrangedor. O pequeno problema de The Innsmouth Case é precisar conciliar piadas e situações que, no máximo, provocam um sorriso de canto de boca, com momentos em que a mão pesa e o espectro de Lovecraft fala mais alto. E isso inclui sacrifícios humanos, brutalidade, violência e outros componentes indispensáveis de sua obra.

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Fui cercado e assassinado no final de minha primeira tentativa, em uma reprodução de um dos momentos mais tensos de Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth. Foram quase sessenta minutos de jornada. Fiquei imaginando se tentaria outros sessenta minutos em busca de um final melhor em meio a várias outras possibilidades. Ou se me lançaria novamente nos braços dos deuses da aleatoriedade em busca de um jogo melhor na vastidão cósmica.

Caso encerrado.

Ouvindo: Information Society - Where Would I Be Without IBM?

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