Jogando: Ball X Pit

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Minha experiência com Vampire Survivors não foi das melhores, mas isso não me impediu de testar outros bullet heaven aqui e ali, embora nenhum deles tenha apresentado o mesmo nível de fluidez ou hype. Em contrapartida, minha experiência com jogos do tipo Arkanoid se resumia a uma mal-fadada tentativa de completar a campanha de Wizorb, muitos anos atrás. Em outras palavras, Ball X Pit não tinha absolutamente nenhum potencial para entrar em meu radar.

Porém, entrou no radar do meu filho. E o discípulo se tornou o mestre.

A dinâmica aqui em casa consiste em eu me interessar por um jogo, esperar uma promoção, comprar e adicionar na minha Biblioteca, que é compartilhada com ele no Steam. Ocasionalmente, meu filho pedia esse ou aquele título de presente de aniversário ou Natal. Ball X Pit foi o primeiro jogo que ele foi lá e comprou com o dinheiro dele, usando o aplicativo dele, fazendo o PIX. Nós dois vimos um vídeo de jogabilidade e ele se tornou automaticamente interessado, ao ponto de sequer aguardar uma promoção para fazer a compra.

Ele não sossegou até zerar a campanha. Suas conversas se tornaram monotemáticas, sobre bolas e combinações de poderes, sobre personagens e inimigos que ele enfrentava todos os dias de forma quase compulsiva. Compreendi que o modelo de recompensa instantânea, dopamina e infinitas possibilidades táticas do gênero em que o jogo se encaixa tinha se infiltrado em seu cérebro com força máxima. A cada atualização de Ball X Pit, meu filho reinstalava, experimentava as novidades e saía. A cada nova ideia que lhe surgia na cabeça, ele voltava para o jogo.

É claro também que ele promoveu uma intensa campanha para que eu experimentasse Ball X Pit. Pela primeira vez, seguiria o caminho inverso: eu iria testar um título que meu filho recomendou.

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Um Jogo Redondinho

Não há enredo algum nisso tudo e tampouco faz falta. Um meteoro bizarro caiu em cima de uma cidade na cutscene inicial e gerou um poço profundo que se perde dentro de um abismo. Somos mercenários que foram atraídos para desbravar essas profundezas. Vamos descendo, desbloqueando andar por andar, bioma por bioma, até chegar na batalha final e receber uma conclusão na forma de uma segunda cutscene que não faz sentido algum. E está tudo bem porque me diverti bastante ao longo das 20 horas que levei para concluir essa travessia.

Capturar em palavras a jogabilidade de Ball X Pit é muito mais difícil do que descrever sua história. Legiões de monstros vão descendo da parte de cima da tela e caminham em direção a nosso personagem, que fica na parte de baixo. Nossas únicas armas são bolas arremessáveis, com diferentes efeitos, que ricocheteiam (ou não) e provocam dano nas criaturas. Nessa aparente simplicidade, se escondem combinações quase infinitas de melhorias e mutações, tanto para as bolas quanto para artefatos que dão habilidades passivas. Tudo isso é aleatório, no melhor estilo de Vampire Survivors.

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A cada nível vencido ou perdido, somos devolvidos para a superfície, onde é necessário administrar uma pequena cidade que irá nos conceder mais benefícios. Essa é a parte menos empolgante do jogo, mas é o lugar onde jogadores com menos mira ou paciência para as batalhas podem montar seu progresso. Não há partida que não permita que o jogador evolua suas chances para a próxima tentativa.

Mecânicas, direção artística, otimização e a grudenta trilha sonora se juntam para oferecer uma experiência de gratificação rápida que eu conseguia encaixar em quaisquer quinze minutos sobrando no meu dia. Com uma agenda mais atribulada do que gostaria, Ball x Pit foi ocupando um lugar na minha rotina e saciando com pequenas porções o meu apetite de jogador.

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Ball X Pit Inova, Mas Não Ousa

Ao contrário do meu filho, não me tornei obcecado por builds ou metagame. Ball X Pit se tornou meu "jogo casual" de passar o tempo e está tudo bem, também. O título da desenvolvedora Kenny Sun and Friends é simples o bastante para não exigir demais de quem está só buscando relaxar. Existe um personagem que toma todas as decisões estratégicas pelo jogador, por exemplo. Era o personagem que eu escolhia quando minha mente estava exaurida ao final de um dia de trabalho, mas eu queria ver luzes e sons na minha tela. Existe outro personagem que não apenas toma todas as decisões estratégicas pelo jogador como ainda se move sozinho pelo nível! Esse é dedicado para quem não quer fazer absolutamente nada, quer cruzar os braços e só assistir. Não joguei quase nada com ele, só o suficiente para vê-lo vencer um nível por conta própria e considerar minhas metas cumpridas.

Por outro lado, Ball X Pit conta com alguns personagens verdadeiramente desafiadores, que subvertem as mecânicas com suas habilidades naturais e quase criam um outro jogo. Apesar disso, senti que havia espaço para quebrar mais limites, para romper mais barreiras. Faltou ousadia para seus criadores, faltou a coragem de permitir que alguns personagens combinados com algumas bolas raras ou evoluções bizarras conseguissem quebrar o jogo. Uma vez que a temática já é surreal por si só, faltou também um pouco mais de psicodelia, que só se manifesta com força no seu encerramento. Um pouco mais de história poderia ser um tempero interessante.

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Apesar dos meus resmungos, Ball X Pit consegue uma façanha rara: injetar um traço de criatividade em um multiverso de clones. Isso é inegável. Combinar o gênero da moda com o resgate histórico de um gênero perdido foi uma grande visão da Kenny Sun and Friends. Tenho certeza de que um inevitável Ball X Pit 2 poderá levar esse estúdio para direções ainda mais arrojadas. E também tenho certeza de que meu filho estará lá comprando no lançamento.

Ouvindo: Finishing Move Inc - Last Bastion

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