Jogos de sobrevivência são o gênero preferido aqui em casa. Pai e filho unidos enfrentando obstáculos, desafiando criaturas, construindo um pequeno império, erguendo casas, explorando lugares perigosos. Funciona demais: Minecraft, Conan Exiles, The Forest, Sons of the Forest, Outpost Zero… a lista é longa. Essa quase obsessão nos empurrou para alguns títulos que acabaram não agradando, como Valheim, Fade to Silence, Generation Zero ou 7 Days to Die, que sequer receberam uma análise no blog.
Essa quase obsessão nos empurrou para Dark and Light e, desta vez, senti que precisava escrever alguma coisa sobre nossa longa e tortuosa relação com o jogo.
Se eu puder escolher o universo de meus jogos de sobrevivência, eu vou preferir universos de fantasia. Dark and Light inicialmente parecia ser a resposta para uma carência existente em um mercado saturado de zumbis ou títulos "realistas" no meio da selva ou de ilhas abandonadas. Dark and Light parecia ser o título que resgataria as nossas inesquecíveis aventuras em Citadel: Forged With Fire. Uso de magia, criaturas poderosas para serem domadas, construções radiantes, era tentador.
Infelizmente, o PC do meu filho não rodou o jogo anos atrás. Pesquisamos em fóruns, modificamos configurações, nada resolvia. Afinal, o jogo estava em Acesso Antecipado. Porém, ele continuou em meu radar. Desde que o garoto herdou meu PC anterior (que rodava Dark and Light sem problemas), eu estava aguardando o momento em que daríamos uma nova chance. Percebi que o jogo ainda estava em Acesso Antecipado. E percebi que o jogo não tinha nenhuma atualização nos últimos seis anos. Era um sinal claro do universo para seguir em frente e esquecer essa ideia, mas insisti.
Dark and Light apresenta uma quantidade impressionante de servidores oficiais ativos, o que me surpreendeu. O que não me surpreendeu foi constatar que o recorde de jogadores online em qualquer servidor era o número 2. Já tínhamos passado por um cenário similar com Outpost Zero. Ainda assim, seguirei me questionando como um título abandonado por seus desenvolvedores desde 2020 consegue manter tantos servidores funcionando. Quem está pagando a conta dessas máquinas?
Marcamos um servidor e fomos para ele. Ping 133 não é o melhor dos mundos, mas admito que o jogo não sofre de lag. O segundo sinal de alerta, na verdade, foi a tela de criação de personagem. Seria engraçada, se não fosse trágica. É muito fácil gerar uma abominação da natureza, um fugitivo de um freak show e nosso primeiro desafio foi evitar o personagem padrão, mas ainda assim manter uma semelhança com as proporções anatômicas de um ser humano. Não que eu me importe tanto com customização de personagem, mas existe gente que se importa e, se uma desenvolvedora entrega essa etapa de uma forma precária, é extremamente possível que o resto do jogo também seja assim.
Entrando no jogo, ele é muito mais feio do que parece no marketing. Lembrando que estou utilizando uma máquina muita acima daquilo para o qual o jogo foi projetado e estava com todas as minhas configurações no Épico. E o jogo seguia feio. Não que eu me importe tanto com gráficos, mas existe gente que se importa etc etc.
Meu filho decifrou as mecânicas do jogo em poucos minutos: é um clone de Ark – Survival Evolved. O que, para mim, consistiria em um terceiro alerta, uma vez que Ark nunca exatamente pegou comigo da forma que pegou com meu filho. Eu esperava um novo Citadel, fui recebido por um dos muitos Arklikes que lançaram na mesma época, sendo que, na minha opinião, nem mesmo Ark é um bom Arklike. Paciência. Talvez ainda fosse possível extrair algum prazer de Dark and Light.
Então, provavelmente, insistimos no jogo mais do que os próprios desenvolvedores. E foi nesse ponto que o jogo cometeu seu pecado definitivo: um tutorial extremamente extenso, enfadonho e, por que não dizer, desnecessário. Existem jogos de sobrevivência que não explicam nada e te deixam no escuro com o desafio. Na verdade, os melhores são assim, parece fazer parte do DNA da "sobrevivência". Porém, no outro extremo, existe Dark and Light. Através de uma sequência de "tarefas", ele vai apresentando suas mecânicas e receitas a conta-gotas. É impossível pular, é inútil improvisar.
Depois de uma hora de tutorial, o personagem do meu filho literalmente morreu de sono, porque o jogo ainda não tinha chegado na parte de ensinar (e liberar a receita) de como fazer uma cama. Imediatamente depois, fomos ensinados a fabricar facas de arremesso e lanças. Nenhum de nós dois estava interessado em seguir esse caminho. Em um jogo de magia, nós dois estávamos determinados a lançar feitiços, o jogo já havia nos ensinado magias de fogo e gelo muito satisfatórias, a faca de pedra era um retrocesso. Seguimos as ordens, na esperança do tutorial avançar.
Depois de duas horas realizando tarefas desinteressantes, o jogo resolveu nos ensinar a construir um lar. Era a hora de finalmente buscar um lugar para montar nossa base, um dos momentos mais importantes de todo título de sobrevivência. O jogo do meu filho travou por vazamento de memória. Eu vi nos olhos dele que seria impossível convencê-lo a voltar. Eu estava sendo teimoso, me agarrando à expectativa de que um título inacabado, esquecido a seis anos, com um começo enfadonho, talvez pudesse reavivar a chama de um outro jogo completamente diferente, quando, na verdade, era inspirado em um jogo que eu nunca curti.
Desinstalamos.
A desenvolvedora Snail Games faria PixARK dois anos depois de Dark and Light, um derivado autorizado de Ark. O trabalho mais recente do estúdio é Ark – Aquatica, a expansão de Ark com a pior avaliação de todas no Steam. Dark and Light segue sendo vendido no Acesso Antecipado.
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