Retina Desgastada
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13 de setembro de 2013

Jogando: Batman - Arkham City

Batman: Arkham City

Movido pelo hype de GTA V, resolvi quebrar o jejum de cinco anos e voltar a jogar um título da série. GTA IV, meu último e cobiçado jogo pirateado (longa história...) havia ficado tempo demais esquecido na minha Biblioteca do Steam. Instalado o jogo, lá estava eu preparado para mergulhar na jornada de Niko Bellic quando eu clico em "New Game" e... o Games for Windows Live joga uma mensagem de erro horrorosa na minha tela e fecha o aplicativo.

Neste ponto, eu tinha duas alternativas: travar uma longa e talvez árdua luta contra o GFWL para rodar o GTA IV ou instalar outro jogo que eu também estava na euforia de testar, uma vez que a sequência já está saindo. Por ironia do destino, instalei Batman: Arkham City.

Em cinco minutos pós-instalação, eu já estava sem fôlego diante da beleza do menu e da impressionante fluidez dos movimentos do jogo. Para quem veio de um framerate desprezível em Arcania, dar de cara com um jogo que é infinitamente superior graficamente e que não engasga é uma grata surpresa. Os ângulos de câmera quase cinematográficos, a excelente dublagem, os efeitos de luz, as legendas em português, tudo ajudou para eu me sentir dentro da história em pouquíssimo tempo. Logo, já estava humilhando o Pinguim, derrubando vinte bandidos e derrotando o Duas Caras. Depois da minha inesquecível passagem por Arkham Asylum, eu era o Batman outra vez.

No dia seguinte, me preparei para retornar e... o jogo não tinha salvado nada. A única opção disponível era New Game. Caíra na armadilha do GFWL.

Enfrentando Bugs

Mas desta vez, não iria desistir. O veneno de Arkham City já estava correndo em minhas veias e jogar era o único antídoto. Descobri que o jogo precisa que você se conecte ao Games for Windows Live para que ele gere um save game criptografado no seu disco. Ou salve na nuvem. As pistas eram contraditórias, mas todas diziam que o GFWL era indispensável.

Todos, menos o próprio jogo. Apesar desse vínculo indissolúvel, em nenhum momento o jogo me avisou que precisava do serviço da Microsoft para salvamento e que não estava conseguindo conectar. Arkham City simplesmente deixou que eu jogasse sem me alertar. Há relatos de gente que jogou por 6 horas seguidas antes de perder tudo.

GFWL

Era o pesadelo de Arkham Asylum todo outro vez...

Mas o serviço não estava iniciando automaticamente com o jogo. E eu tinha ele instalado na máquina. Abri o GFWL na mão e tentei me logar. O aplicativo avisou que minha senha estava incorreta. O que é estranho, porque eu não digitei nada: ele mesmo já tinha minha senha armazenada. Cliquei na opção "ri da minha cara, Microsoft, eu esqueci a senha" ou algo assim. Apesar de ter o Firefox como navegador padrão, o GFWL abriu uma janela no Internet Explorer com toda sua arrogância. Na janela, uma mensagem de erro do Xbox Marketplace, dizendo que a página não podia ser encontrada. Semanas depois do anúncio do encerramento do Games for Windows Live e já está tudo em ruínas por lá...

Uma vez que eu sou um dos últimos loucos que usa o Windows Live para alguma coisa (vulgo Windows Live Mail e o Windows Live Writer onde essa postagem foi escrita), era óbvio que minha senha armazenada não estava errada. Removi o GFWL e instalei de novo. Novamente, ele trouxe a senha guardada. Cliquei em entrar. Não funcionou. Cliquei para recuperar senha e fui direcionado de novo (no Internet Explorer) para a página quebrada. Na página quebrada, no cantinho superior, tinha um link para login. Cliquei. Fui para a tela de login do Xbox Marketplace no navegador e ele já tinha meu usuário e senha salvos. E consegui entrar. Instantaneamente, o maldito aplicativo do GFWL entendeu que eu era eu e me liberou o acesso também!

Com medo de mexer em algo e quebrar tudo, deixei o Internet Explorer aberto, o GFWL aberto e fui tentar a sorte em Batman: Arkham City. Na tela de menu, o jogo finalmente mostrou a interface da Live e me autenticou. Joguei um pouquinho, saí, voltei, e o save game estava lá. Santa gambiarra, Microsoft!

Daí pra frente, o GFWL passou a aceitar meu login. Daí pra frente o jogo funcionou normalmente.

Batman: Arkham City

Superado o desafio do Games for Windows Live, outro me esperava: o stuttering, popularmente conhecido como "travadinhas".

Apesar do framerate em média ser muito superior ao de Arcania na minha configuração, ocasionalmente o jogo se transformava em um slideshow, com quedas abruptas de velocidade. Em uma hora era durante um combate frenético, em outra hora era simplesmente andando pelos telhados. Era inevitável, de quinze em quinze minutos, o jogo engasgava por meio minuto.

Esse tipo de problema foi muito bem documentado pelo Dori Prata no Meio Bit. Parece que é resultado de um port para PC mal-realizado. A maioria dos relatos deste problema (que também afetou o Xboxplus) está relacionado ao DirectX 11 e o PhysX. E aí temos um mistério em nossas mãos: meu sistema operacional não tem suporte ao DirectX 11 e minha placa não suporta PhysX. E, mesmo assim, o stuttering estava lá.

Encontrei uma solução no fórum do Steam. Fiz apenas as duas primeiras alterações sugeridas no arquivo bmengine.ini, localizado em C:\Documents and Settings\XXXXXXX\Meus documentos\WB Games\Batman Arkham City\BmGame\Config, e o problema nunca mais apareceu.

E você sabia que o jogo instala um "otimizador" da AMD para máquinas dual core, mesmo que seu processador seja Intel? E que este "otimizador" inicia junto com o Windows sempre, mesmo que você nem esteja pensando no jogo? Desativei pelo msconfig e não fez falta.

Cidade do Morcego

Ainda é cedo para uma avaliação final do jogo, mas basta dizer que tudo que era bom em Arkham Asylum retornou com força total em um mundo aberto.

Batman: Arkham City

A prisão urbana de Arkham City é bem menor que qualquer mundo aberto que se vê por aí, mas é tão densa de detalhes que chega a ser sufocante. A arquitetura gótica e semidestruída pela desordem é um trabalho de artesão dos criadores de níveis. A sensação de liberdade de planar e se balançar em ganchos pelas marquises se torna um vício. Repleto de desafios que pipocam a todo instante chega a ser difícil se concentrar na missão que se tem em mãos.

Para espanto de muitos, o primeiro personagem que você controla no jogo não é o Batman, mas a Mulher-Gato, uma valiosa adição à jogabilidade. Seus movimentos são ainda mais fluidos do que os do Homem-Morcego (se é que isso é possível) e ela possui sua própria seleção de movimentos e gadgets. Seu papel ambíguo na trama e sua agilidade revelam uma nova forma de jogar e ver o universo de Arkham City. Em alguns momentos, você fica torcendo para voltar a controlá-la logo.

O espanto continua quando o segundo personagem que você controla é Bruce Wayne! É uma experiência e tanto ver o playboy de terno transitando entre a escória criminal de Gotham sem baixar a cabeça, para logo em seguida comandar uma surra ímpar no Pinguim e seus capangas. A cena em que o milionário finalmente coloca seu uniforme é memorável.

Lotado de novidades de combate e vilões da galeria do cruzado de capa, Arkham City é uma versão anabolizada de seu antecessor. Mas não sem seus pequenos defeitos: missões paralelas aparecem com frequência excessiva e quebram o ritmo da narrativa principal, por exemplo. Apesar de tudo que está em jogo no enredo, não dá para o Batman ignorar uma família feita de refém por um psicopata ou um prisioneiro político sendo espancado por um marginal na esquina.

Batman: Arkham City

E eu posso estar enganado, mas tive a impressão de que tudo no jogo está mais fácil: as lutas, os enigmas e até o uso do aparelho de invadir sistemas. Na verdade, se você demorar demais para achar a saída de um lugar, o Batman pensa em uma solução pra você. Faz sentido dentro do lore do personagem, mas estraga a participação do jogador. Gosto de ser paciente e esperar o momento certo de agir, explorando todas as possibilidades de um cenário. Nunca me canso de descer de ponta-cabeça e levantar um bandido para o ar...

Desta vez, estou me concentrando no fio condutor da narrativa e em algumas missões secundárias que cruzam meu caminho, para não cair no bizarro de Arkham Asylum. A estratégia está funcionando, o enredo prende e envolve alguns dos vilões mais icônicos de Gotham em uma luta por poder.

Mas Batman irá triunfar. Contra GFWL, bugs, Coringa, Hugo Strange, Arkham City.

Ouvindo: Pitty - Déjá Vu
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6 comentários:

Lucs disse...

Eu estava sofrendo com essas travadas.
De qualquer forma,o jogo é incrível.
Já tive problemas de perder save com o GFWL também.Estou preocupado que o serviço vai acabar e não sei como Dark Souls vai ficar(Atualmente tô sem paciência...quero jogar depois)

Pessoal com placa Nvidia também tem esses problemas de stuttering no Arkham City?

Incrível como Arkham City é extenso e tal mas não invalida o que Arkham Asylum é.
Qual dos dois é melhor?Isso deve dar uma boa discussão :)

Ed R M disse...

Não deu aviso de que sem o GFWL não salva? Que estranho. Um dia eu fiquei com problemas para logar e o jogo logo me avisou que não ia salvar nada... Que azar, Aquino :-D

Eu não acho que tenha ficado mais fácil. Inclusive os enigmas. Alguns são diabolicamente misteriosos. Talvez tenha sido eu, mas recorri a um guia pra comletar tudo e enfrentar o Charada em pessoa.

Enfim, Grande Jogo. Sim, com maísculas.

Marcel C. Da Silva disse...

Depois que perdi meu save graças a esse serviço vagabundo da GFWL, desisti do Batman: Arkhan City (apesar de ter completado 95% do conteúdo total do jogo e ter finalizado a história principal). Tirando isso, é um jogo FANTÁSTICO, e eu perdi meu save do Dark Souls: Prepare to Die Edition com a minha Dragon Sword, e nunca mais quis saber dele.

Gledson A. disse...

De fato, um ótimo jogo! Quero só ler o post sobre sua reação no final do mesmo e também vamos ver se consegue perceber a tênue ligação com o começo.

Enfim, para aqueles que estão tendo ou tiveram problemas com o GFWL, já tentaram desinstalar a versão que o jogo te oferece (incluindo o Market) e usar um instalador online baixado direto do site? Aqui o Dark Souls ficava dando crash toda hora por causa da versão GFWL que vinha com ele, fiz o que escrevi acima e voltou a funcionar normalmente, meus únicos problemas são com as invasões que não consigo realizar (que, pelo que sei, são mais problemas do jogo do que a plataforma GFWL).

Shadow Geisel disse...

nossa, perdi um save de mais de 100 horas no Fallout e sei como dói.
engraçado vc citar o GTA IV,pois estou jogando ele neste exato momento. mesmo sem perder save, games como GTA IV ou RDR são muito atrasados em quesitos técnicos como save e checkpoints. fiz uma missão no GTA 4, aquela na qual temos que salvar (pela milésima vez) o Roman, primo de Niko. matei todos os caras do galpão e, na hora de ir embora na vã, esbarrei em uns barris explosivos (??!!) e tive que fazer tudo do zero apenas pq a Rockstar sabe programar excelentes jogos mesmo desconhecendo o significado da palavra checkpoint. parece que algumas empresas se divertem em colocar a dificuldade do game na perda de conteúdo por motivos e detalhes banais.

Anônimo disse...

GameSave Manager sempre.

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