Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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15 de junho de 2011

Jogando: Batman - Arkham Asylum (Conclusão)

Batman - Arkham Asylum (My Screenshot) 04

Em 72 anos de Batman, o personagem atravessou a Segunda Guerra Mundial, a euforia utópica dos anos 50, a contracultura dos anos 60, o pessimismo crônico pós-Vietnã dos anos 70, a truculência dos anos 80, a hiper-truculência dos anos 90 e o estupor pós-11 de Setembro dos anos 00. Muitas épocas, muitos batmen. Ele já teve um cachorro, ele já teve pelo menos quatro Robins, ele já teve (pelo menos) um filho. Já quebrou a coluna, já morreu uma dúzia de vezes, já voltou uma dúzia de vezes. Foi amigo do Superman, bateu no Superman, apanhou do Superman. Já teve seis filmes nos últimos vinte e poucos anos e diversos desenhos animados. Foi protagonista de uma série de TV que marcou uma geração.

Dark KnightMeu erro na minha primeira análise foi acreditar que Batman - Arkham Asylum devia alguma coisa ao clássico de Frank Miller, "Cavaleiro das Trevas". Por considerar a obra de Miller a história definitiva do personagem, estabeleci todas as minhas expectativas neste sentido e limitei minha visão para o brilhante jogo da Rocksteady. Como bem percebeu o leitor Mdesign, Batman AA mergulha fundo no folclore do Homem-Morcego e é uma referência para todos os batmen. Há algo ali do seriado de TV, das animações recentes, da graphic novel do mesmo nome, tudo ajuda a compor o universo surreal que o herói habita. E o jogo vai além, ao acrescentar habilmente seus próprios elementos e assim, conquistar seu lugar na mitologia do Batman. Estão plenamente justificados os troféus do Charada, as dentaduras ambulantes do Coringa e até os morceguinhos que aparecem quando um bandido é nocauteado.

E ainda que boa parte dos movimentos de luta do personagem sejam pré-programados pelo jogo, quem comanda o combate é mesmo o jogador. Se não prestar atenção na posição dos inimigos e em seus diferentes tipos de ataque, Batman não irá vencer sozinho. É uma interface que parece fácil de aprender, mas é difícil de dominar e exige dedicação. Mais um ponto negativo que eu retiro de minha análise prévia.

Cada confronto com um "chefe" traz a dose certa de desafio e deslumbre por se estar enfrentando um dos grandes oponentes dos quadrinhos. Ao contrário de tantos outros jogos, estes momentos não apelam para elementos alienígenas à jogabilidade anterior e, mesmo o combate final, combina magistralmente recursos já aprendidos ao longo da aventura. Quanta diferença para Risen e sua conclusão... A destacar em Batman: Arkham Asylum também são os embates com o Espantalho. Apesar de eu odiar aquele tipo de perspectiva, sou obrigado a bater palmas pelo sopro de criatividade para resolver o dilema de um vilão cujo poder reside em sua capacidade de perturbar a mente. A reencenação da cena de abertura, enlouquecida pelo gás do medo, e a sequência da morte dos pais de Bruce Wayne (já citada na primeira análise) merecem figurar entre os grandes momentos da narrativa dentro dos jogos eletrônicos.

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Em 19 horas de jogo eu realizei uma jornada épica, desde o humilde início com poucas habilidades e um certo desconforto com os comandos até o pleno controle da máquina de combate ao crime chamada de Batman. Uma jornada que começou com os instintos do super-herói o impelindo a escoltar o Coringa e terminou com o mais retumbante soco da história das histórias em quadrinhos. Cada minuto desta aventura transpirou o impacto que apenas uma lenda poderia proporcionar. Não houve um instante em que eu duvidasse que Batman fosse capaz. Ao final da saga, escrita pelo próprio mestre Paul Dini, veterano do personagem, temos um epílogo que exibe a preocupação da desenvolvedora em mais do que apresentar um bom jogo, mas também em contar uma boa história. Vemos Batman e Gordon trocando palavras e a demonstração clara que a cruzada do Cavaleiro não possui pausas ou data para chegar ao fim. E ainda tem uma cena ao final dos créditos...

Que venha Arkham City.

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Pontos positivos de Batman - Arkham Asylum: sistema de luta fluido jamais visto, gráficos impecáveis e magnífica direção artística, história envolvente. Pontos negativos de Batman - Arkham Asylum: repetitivo em alguns (raros) momentos, trilha sonora pouco marcante, Games for Windows Live. Nota final: 9,0.

Ouvindo: The Toy Dolls - Lazy Sunday Afternoon
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8 comentários:

Marcus Gonzallez disse...

Um dos melhores jogos de todos os tempos.

Jimmy666 disse...

Po cara, adoro o teu blog, tu é fera!
Joguei esse jogo na época do lançamento... ele é muito bom, pra mim empatou como melhor jogo de 2009 com Dragon Age Origins!
Um dos melhores jogo que existe!

Mdesign disse...

Grande review, como sempre.
Força Aquino, e obrigado por ter considerado as minha palavras, não é qualquer escritor de um blog que o faria. Só mostra como o Aquino tem modéstia aliada a alta qualidade da sua escrita, além de uma grande consideração sicera pelos seus leitores.

Abraço

Marcos A. S. Almeida disse...

"...grande consideração sincera pelos seus leitores." Mdesign , concordo completamente.E destaco outra frase escrita por ele em post anterior:
"Acabei de lançar o site e já vai ficar sem sua atualização diária no segundo dia?!" Esse é o Aquino.Esse é o Retina.

Marcos A. S. Almeida disse...

Talvez não seja sua praia,pois é um típico "hach´n slash" (temos pistolas também), mas Devil May Cry 3 - Special Edition têm também um sistema de combate muito fluido, variado e que com a evolução das armas realmente sentimos o poder do personagem.Ótimo jogo.O joystick é quase obrigatório.Aliás, você jogou o Batman no teclado?

C. Aquino disse...

Obrigado a todos pelos elogios! Blogar para mim já virou um vício e eu quero que seja tão legal para mim quanto é para quem lê.
Marcos, eu joguei no teclado mesmo (e mouse, claro!). Não tenho gamepad e nem tenho intenção de comprar. Acho que se um desenvolvedor lança seu jogo para PC, tem que ser para teclado e mouse (ouviu, Capcom?). Batman nem foi dos mais complicados. Até hoje o mais complicado que já passou no meu PC foi Tony Hawk 3... era tecla pra caramba e em duas semanas meus dedos doíam muito.

Hawk disse...

Ótima análise.

Não sou muito de comentar, mas pode ter certeza que estou aqui, lendo e navegando sempre.

Batman: Arkham Asylum foi um dos melhores jogos que já joguei.

Quando foi lançado, fiquei com um pé atrás, pois não é um dos meus estilos de jogos preferidos, mas depois que o concluí, estou pensando seriamente em comprar o Batman: Arkham City em seu lançamento.

Anônimo disse...

Estou um pouco atrasado, mas... que tal um review do arkahan city?
O jogo é muito bom!!

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