Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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31 de março de 2012

Eu, Pirata

Meu nome é Carlos Aquino e sou um pirata. Eu pirateio filmes, músicas, programas, e-books e, até uns três anos atrás, jogos. Se existe em forma digital, eu já baixei. Não tenho a pretensão de justificar o que faço. Não vou me esconder atrás de discursos contra o sistema capitalista ou a liberdade de informação. Não vou argumentar contra o valor dos produtos de consumo ou o baixo poder aquisitivo médio da população de meu país. Tampouco vou me vangloriar, dizer que sou "mais esperto", que conheço o submundo ou tirar onda de malandro. Sou pirata porque posso, porque é o que eu sou há mais de 25 anos.

Corsário Analógico

Fita Cassete Basf

Tudo começou com um rádio com toca-fitas usado dado pelos meus pais para ouvir música. A combinação de FM com o botão REC de um gravador de fitas K7 se mostrou marcante. Só quem viveu os anos 80 se lembra do único procedimento gratuito para ter acesso às suas músicas favoritas: escutar o rádio o dia inteiro com uma fita virgem na posição certa. Ao primeiro acorde de uma canção desejada, você voava do outro lado do quarto e apertava o REC como se sua vida dependesse daquele gesto, com a fúria de quem aperta o botão que interrompe a contagem regressiva de uma bomba. Frequentemente, isso significava perder alguns segundos do início da música, gravar vinhetas de rádio ou amaldiçoar o locutor que teimava em falar no final, por cima daquele encerramento da música que você tanto gostava. Mas era o único procedimento. Em pouco tempo, eu tinha dezenas de fitas, com ritmos misturados, épocas misturadas, qualidade misturada.

Perplexos com a paixão com a qual eu tinha abraçado o mundo da música, meus pais depois me deram um microsystem novinho, com duplo deck, um autêntico ghetto blaster vulgarmente popularizado nos subúrbios americanos. Para quem reclama dos celulares que tocam música alta dentro dos ônibus, vale lembrar que houve um tempo em que os mal-educados andavam com um aparelho do tamanho de uma mala pequena e dois alto-falantes no último volume. É um problema antigo.

Ghetto Blaster Meu ghetto blaster nunca foi para as ruas, mas serviu para eu me "profissionalizar" no ato de compilar músicas. Com dois tape decks, eu comecei a separar as canções por gênero ou artista. E passei a etiquetá-las. Ninguém nunca me disse que era errado gravar músicas do rádio, muito pelo contrário. Meu novo equipamento conseguia inclusive captar o som das emissoras de TV e logo eu estava também copiando músicas de créditos de filmes e videoclipes.

Música ocupava, e ainda ocupa, a totalidade do meu tempo. Se estava lendo, eu estava ouvindo música. Se estava estudando, eu estava ouvindo música. Se eu não estava fazendo nada, eu estava ouvindo música. Quando não ouvia minhas próprias fitas, eu espreitava as ondas FM, sempre com uma fita vazia no deck.

Na mesma época me dei conta que poderia gravar o conteúdo de discos de vinil para K7. Não apenas os escassos discos que já possuía ou a parte do acervo de meus pais que me interessava. Mas também os discos de meus amigos. Pior de tudo: eu não tinha um 3 em 1 em casa. Para quem só conhece iPods e Zunes, um 3 em 1 era um aparelho mágico que combinava vitrola, toca-fita e rádio em um único dispositivo. Para quem só conhece iPods e Zunes, vitrola era um equipamento que tocava discos. Para quem só conhece iPods e Zunes, disco era... ah, deixa pra lá. O importante é que eu não tinha condições de copiar discos em casa. Tornei-me um sociopata vil e interesseiro: ia na casa de meus amigos com duas ou três fitas, me alojava do lado da sua coleção de LPs e os copiava usando seu próprio equipamento. Nem todo mundo encarava essa pilhagem com a mesma boa-vontade. Em minha defesa, posso dizer que nunca fui indelicado de forma consciente. Eu era mais sem-noção do que abusado. Em minha lógica distorcida, eu imaginava que estava prestando um favor, realizando todo o trabalho de gravar os discos ao invés de deixar uma fita na casa deles e pedir que gravassem eles mesmos para mim (o que raramente faziam, porque é um processo muito chato).

Vale lembrar que se hoje você copia uma discografia inteira em questão de segundos de um HD para outro, antigamente você tinha que acertar o ponto certo da música no vinil, posicionar a agulha e escutar música INTEIRA enquanto ela ia gravando no K7. Uma música de cinco minutos levava cinco minutos para ser gravada.

Mas eu comprava minhas fitas e meus discos também. Com sofrimento e economias, eu prestigiava aqueles artistas que gostava mais ou me arriscava em busca de novas sonoridades. Minhas finanças não conseguiam acompanhar a necessidade desesperadora por mais músicas e para cada 20 fitas copiadas, uma era legítima.

Após muita insistência, meus pais compraram um 3 em 1 para mim, com as duas maiores caixas de som que já vi na vida. Nosso padrão de vida subia aos poucos, ao mesmo tempo em que eu descobria o mercado de discos usados. Meus amigos passaram a emprestar seus discos, talvez felizes que eu não iria mais alugar o aparelho deles e confiantes de que eu os devolveria. Sempre devolvi os LPs que pegava. Não havia sentido em mantê-los, não havia sentido em matar a confiança: o que eu queria, as músicas, ficavam comigo. Se eu tinha as músicas e meus amigos não as perdiam, como isso podia ser errado? Quem saía perdendo? Não pensava nos artistas ou no mercado. E ria da qualidade patética das fitas piratas vendidas em camelôs, com suas capas xerocadas. Minha coleção privada? Podia ser contada em centenas.

Corsário Anacrônico

Quando ganhei meu primeiro CD eu não tinha um aparelho que tocasse aquilo. Um tia minha, indo para o exterior, perguntou se eu queria alguma coisa. Pedi um CD dos Pixies, qualquer CD dos Pixies. Mais um anacronismo para quem nasceu depois: houve uma época em que a única forma de ter acesso a certos grupos e sons era saindo do país. Hoje, o Pixies vem fazer show em Curitiba. Pedi outros álbuns, mas minha tia só achou o dos Pixies: "Surfer Rosa". Fiquei olhando para aquilo por meses, sem ouvir. Um amigo meu tinha um aparelho de CD, mas eu já tinha passado da fase cara-de-pau. Esperei.

Meu primeiro aparelho com CD veio depois. O que eu vou dizer agora é um sacrilégio para qualquer amante de música. Porém, a verdade é que eu continuei meus hábitos: eu COPIAVA CDs para fitas K7.

Inicialmente, a mesma rotina: pedir CDs dos amigos, copiar. Logo, entrei em escala industrial ao descobrir uma loja perdida em uma galeria perto do trabalho do meu pai que alugava CDs. Era o equivalente a ter acesso imediato à chave dos portões do Paraíso. Semanalmente, eu alugava três, quatro álbuns. Religiosamente, durante meses. Meu acervo explodiu.

Já possuía um PC, mas não o via como fonte de música. Raros eram os sites de MP3, o formato ainda estava nascendo, e minha conexão discada fazia a entrada de novas músicas ser muito mais lenta do que os métodos aos quais estava acostumado. Ainda assim descobri o esquema de cabeamento necessário para jogar o som do computador para a entrada auxiliar do meu indefectível 3 em 1. E também fui apresentado ao mundo dos programas piratas e dos jogos abandonware de poucos KB.

Max Payne Comprei meu primeiro jogo pirata através de um anúncio de jornal. Era Age of Empires, depois de semanas jogando incessantemente a versão demo. Acredite se quiser, mas fui pegar o CD do jogo com dinheiro na mão na saída de um metrô, com hora combinada. Pirataria era um negócio olho no olho naqueles tempos. Depois vieram Diablo, Close Combat, Max Payne e vários títulos comprados no camelô. Apenas as revistas de bancas de jornais me separavam da completa ilegalidade.

Na mesma época, entrei para o mercado de trabalho. Tive a sorte de sempre trabalhar em empresas que permitiam o uso do fone de ouvido (e a única que proibia só contou com minha presença por uma semana), então, meu hobby, meu vício, me acompanhava. Eu comprei um walkman, um transformador e levava toda esta parafernália mais algumas fitas para o escritório. Atuando em tecnologia, meus colegas de trabalho estranhavam aquele cara analógico. A idiossincrasia estava com seus dias contados, é claro. Com a compra de um gravador de CD e a certeza de que sempre teria uma máquina com drive de CD e saída de áudio, chegou a hora de aposentar o analógico.

Corsário Digital

O que fazer com minha coleção de fitas, que já chegava a 500 K7s? Copiar tudo para CD? Além de ser ilógico, levaria meses. Mas o dilema não iria me deter. Joguei 90% delas no lixo e recomecei do zero. Com meu próprio salário, com a consciência que a vida adulta deveria oferecer e um padrão de vida bem melhor do que a de um adolescente imberbe, tive a oportunidade de legalizar minha situação. E não o fiz. Aluguei CDs em um ritmo ainda maior, agora que o processo de ripagem era muito mais rápido do que a cópia minuto a minuto. Pedi emprestados de volta os CDs de meus amigos. Coloquei o computador para fazer downloads de madrugada, para aproveitar a tarifa zero.

Com a prática dos downloads, passei a procurar jogos full na internet. Baixei alguns vírus, alguns fake, fiquei esperto. Me tornei um craque na arte do crack.

Kazaa Se a situação já estava fora de controle antes, alcançou proporções inimagináveis com duas reviravoltas tecnológicas: banda larga em minha casa e o Kazaa. Não consegui aproveitar a febre do Napster, mas o Kazaa trouxe discos inteiros para minha coleção com um simples clique. E jogos. E filmes. Em poucos meses, provavelmente meu acervo duplicou. Nem alugava mais álbuns musicais, nem de forma muito indireta a indústria estava vendo meu dinheiro.Do Kazaa fui para o Emule, dos CDs virgens para os DVDs virgens, dos jogos pequenos de algumas centenas de MB para titãs de vários GB que levavam semanas para serem baixados.

Passei a ser referência para meus amigos, que me pediam jogos, músicas e filmes. Neste momento, passei a perceber que estava no caminho errado, que tinha construído uma bagagem cultural baseada inteiramente no furto disfarçado do trabalho de outras pessoas. Pior, estava me tornando um atravessador. De graça, sem cobrar nada, mas ainda assim um atravessador.

Cheguei a um ponto em que tinha que estabelecer limites auto-impostos para a quantidade de jogos e álbuns que poderia baixar por mês. O espaço no HD passou a se tornar o obstáculo, o tempo para queimar DVDs se tornou uma obrigação. A lista de jogos para jogar, músicas para ouvir e filmes para ver se tornava maior do que a vida. Não lembrava mais a última vez em que entrara em uma loja de música.

Bandeira Baixa

Gordon Freeman O primeiro título que comprei no Steam foi Half-Life. Por um dólar. Uma promoção esperta da Valve que deve ter pego muita gente. Já havia jogado na versão pirata, de cabo a rabo, mas um dólar é um dólar. Um dólar pela minha consciência, era o que Gabe Newell e sua turma estavam oferecendo. E o jogo valia muito mais do que isso. Depois veio a promoção do Lost Planet. Depois outra. E mais outra. Pela primeira vez eu tinha velocidade plena de download, zero de trabalho em craquear, zero de vírus e uma sensação boa no fundo da cabeça.

A transição não foi imediata, é claro. A oferta de novos títulos era incessante, todos chegando simultaneamente ou até antes nos sites ilegais. Mas eu também percebia que estava baixando mais do que realmente jogando. Estava baixando ilegalmente títulos que não iria jogar ou que só iria jogar anos depois de seu lançamento, quando tivesse tempo e uma máquina capacitada. Então, eu estava baixando para quê?

Ao mesmo tempo, minha coleção de músicas ultrapassava a marca de 300 DVDs de MP3. É música para toda uma vida. Quando eu escuto uma faixa hoje, é certo que só voltarei ao seu DVD anos depois. Fui parando, não completamente, mas fui parando.

Quando comecei o blog estava ciente de que estava diante de uma contradição: enaltecer as qualidades do trabalho de desenvolvedores ao mesmo tempo em que não dava um centavo para eles. Quanto mais eu escrevia, mais amargo era o sabor. Títulos analisados por aqui foram baseados em sua versão pirata: S.T.A.L.K.E.R., Advent Rising, Painkiller (copiado para mim por outro "colecionador"), The Suffering, Duke Nukem 3D e outros. Tomei a decisão de parar. Mas foi difícil. Quando GTA IV foi lançado, disse para mim mesmo: "este será o último". E assim foi. Fiquei com a cópia do jogo gravada em um DVD de duas camadas, sem nunca abrir, até o dia em que consegui comprá-lo no Steam, finalmente liberado para nossa região. O DVD foi pro lixo.

De três anos para cá, venho legalizando meu acervo de jogos, comprando pela primeira vez títulos que me deram tanta alegria no passado. Age of Empires comprado em mídia física, com direito a Age of Kings e Age of Empires II no mesmo disco. Anachronox, na última caixa na Terra. Dead Space, via ShopTo. E, depois que um amigo da onça sumiu com meu DVD do Dead Space, comprei o jogo de novo no Steam. O caso mais emblemático talvez tenha sido o de Dark Messiah of Might and Magic. Mesmo não tendo gostado muito do jogo, um mês depois de tê-lo concluído, encomendei minha caixa no ShopTo. Entre Gamersgate, GOG, Steam, Nuuvem, Xogo e pechinchas em lojas físicas, vejo agora meu acervo crescer como deveria ser. Novamente, tenho mais jogos do que consigo jogar, mas agora eles são meus. Meus.

Faltava, porém, um último passo. Mesmo com uma coleção considerável de jogos legais, ainda tenho os antigos DVDs piratas. Muitos títulos inéditos, muitos títulos saudosos, muitos títulos que eu gostaria que meu filho conhecesse. Não mais. Estou me desfazendo deles. Se o jogo está à venda em algum lugar, a cópia pirata vai para o lixo. Dói na carne e vai me custar uma grana para recuperar. Mas não são meus. Eu os roubei.

Espero algum dia ter a mesma coragem para me livrar de todas essas músicas que vocês veem no final de cada postagem. É um hábito muito mais antigo, muito mais enraizado no meu cérebro. Por enquanto, me conformo com a redução drástica no ritmo de downloads.

Por enquanto, sigo pirata. Mas não de jogos.

Ouvindo: Nada, desta vez.
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18 comentários:

Cézar Felício disse...

Excelente texto! Me prendeu do início ao fim! Parabéns!!

É bem assim mesmo, sempre fui "pirateiro", mas agora comprei um X360 e vejo-me obrigado a comprar jogos originais. O primeiro foi Gears of War 3, me custou R$130, é realmente bom você jogar algo que é realmente seu. A jogatina parece ficar mais prazerosa (deve ser por causa do valor hahaha).

Gledson A. disse...

Ótimo post Aquino, acho que é esse tipo de incentivo que o pessoal do GamesFoda estavam falando.

Continue com o bom trabalho.

Sem mais.

Gledson A. disse...

Esqueci de escrever algo importante para aqueles que, como eu, tem dificuldades de largar a pirataria musical

a NoiseTrade é um serviço que oferece músicas legalizadas gratuitamente

quem querer conhecer melhor entre no link: http://noisetrade.com/

uma pena ser só músicas internacionais e dificilmente ter músicas de artistas conhecidos, mas também é uma boa conhecer talentos ainda não encontrados.

Até.

Shadow Geisel disse...

isso de pirataria é bem pessoal. eu não gosto de jogos piratas. mas não é só por altruísmo. é pela segurança de jogar sem problemas, além do fator online.
um amigo meu, por exemplo, é evangélico. ele acha que está errado perante Deus quando consome jogos piratas pois, em sua concepção, não deixa de ser uma forma de roubo.
outro amigo evangélico não dava a mínima pra isso, até que percebeu que os preços estavam baixando de forma que não valia comprar o pirata e perder os benefícios de jogar online. vai de cada um.

Jimmy666 disse...

A história do Aquino é bem parecida com a minha.Estou com 32 anos e lembro bem que as próprias lojas que vendiam Cds ofereciam o serviço de gravar em fitas k-7.Qual a diferença de gravar um album em uma fita k-7 ou baixar na internet?
Locadoras de games eram comuns na época dos consoles de "cartucho", nenhuma empresa reclamava como fazem agora.
Faltou lembrar que um mero risco num LP podia comprometer a música, sem contar o saudoso som da poeira tocando a agulha.Fitas então?k-7 ou VHS, se ficassem muito tempo paradas simplesmente "mofavam", tinha gente que oferecia serviço de limpar essas fitas...
Sempre fui pirateiro de tudo, o que me fez abandonar a pirataria foram o steam e as suas promoções, as conquistas e o multiplayer.
Bons tempos Aquino, pra ver como a tecnologia invade as nossas vidas e nem percebemos como as coisas mudam e ficam mais fáceis.
Não peguei a era NAPSTER, quando comprei meu primeiro PC a coisa tinha acabado de explodir, eu usava o MORPHEUS antes do Kazaa, se bem que era parecido e usava a mesma rede.Tinha um tal de Audiogalaxy Satellite que tinha praticamente tudo que existe de música, essa época era facil de arranjar material raro, sinto vergonha de "Ares" e outros programas toscos!

Jimmy666 disse...

Pergunta filosófica do dia:Um jogo comprado legalmente é seu?Li uma amtéria faz poucos dias que diz que segundo o contrato das produtoras e do próprio STEAM um jogo mesmo original não é seu!

C. Aquino disse...

Cézar, fico feliz de saber que você veio para o "lado branco", principalmente porque dando uma olhada no seu perfil dá pra ver que você era fornecedor de pirataria em 2008?! Quem sou eu para criticar, principalmente porque balancei ao ver Gears of War versão PC disponível para download no seu antigo blog: um jogo que eu queria experimentar para ver qual é, mas é raríssimo de achar pra comprar hoje em dia.

Gledson, valeu pela dica! Eu acho que o problema da pirataria não é o preço, mas a praticidade e a visão da coisa. São dois pilares que você não remove vendendo jogo velho a 80 reais, como andaram fazendo outro dia chamando de campanha.

Shadow, eu sei que vai de cada um. Tomei o máximo cuidado de não julgar ninguém no texto, mas apresentar a minha experiência. Como se fosse uma reunião do AA, por exemplo.

Jimmy, a disponibilidade de material raro ainda é um grande trunfo da pirataria, seja na música, no cinema ou nos jogos. A indústria vai ter que acompanhar, para atender os nichos. E é realmente engraçado como ninguém reclamava na época das locadoras de cartucho (e ainda se vendiam jogos usados sem problemas).

Jimmy, a tendência é software virar serviço. Sua biblioteca no Steam existe enquanto o Steam existir, ao contrário de uma estante de DVDs. Tenho esperanças de que, se a Valve fechar o serviço, eles nos deem um período para baixar tudo (haja banda!) e um sistema para ativar tudo. Se não oferecerem uma solução, ou se der problemas como deu o fim do Direct2Drive, levanto a bandeira da caveira e dos ossos mais uma vez...

Shadow Geisel disse...

"Apenas as revistas de bancas de jornais me separavam da completa ilegalidade."

enquanto lia, pensava exatamente isso. o primeiro Diablo eu joguei com uma cópia original (o dois tb), comprado de uma revista chamada Fullgames. ele vinha em uma caixa de papelão, com manual e tudo. isso em 2001. até hoje tenho o disco e o manual. a caixa, infelizmente, não resistiu às vicissitudes do tempo. o preço? acreditem: R$10,00.
jogos para pc são os mais fáceis de serem pirateados. po r outro lado, jogos para pc caem de preço bem mais rápido, sendo que os lançamentos já vêm em um preço mais acessível que os de console (algo em torno dos R$99,00 contra os R4160,00 dos consoles). então, pra quem quiser "andar na linha", preço não é desculpa.

Shadow Geisel disse...

"Quando comecei o blog estava ciente de que estava diante de uma contradição: enaltecer as qualidades do trabalho de desenvolvedores ao mesmo tempo em que não dava um centavo para eles. Quanto mais eu escrevia, mais amargo era o sabor."

não sou nenhum partidário de campanha contra pirataria, mas fico muito feliz que vc tenha chegado a essa conclusão por conta própria. cara, na época do Ps2 eu passei tantos transtornos com jogos piratas que, quando peguei no meu primeiro jogo original (Bioshock para PS3), foi um alívio só. o disco blu-ray imortal; o cheiro da embalagem; a dificuldade pra rasgar o plástico; o manual colorido e cheirando a novo (que muitas vezes é bem inútil. alguns jogos eu até esqueço de folhear o manual). é outra experiência. sem contar que todo jogador, por menos consciente que esteja da situação da pirataria, deve ter sentido vontade de prestigiar a empresa que fez seu game favorito. continuando a leitura do post...

Shadow Geisel disse...

"Se o jogo está à venda em algum lugar, a cópia pirata vai para o lixo. Dói na carne e vai me custar uma grana para recuperar. Mas não são meus. Eu os roubei."

Relaxa, Aquino. você está colocando as coisas de um ponto de vista muito fúnebre e pesado. quando vc se acostuma, nem se lembra de como era antes (agora tá parecendo papo de reunião do AA mesmo rsrsrs). mas não vá pensando que a legalidade é lá essas maravilhas. mesmo andando na linha, vc acaba sofrendo coisas que não deveria, por estar agindo certo. vou te contar uma breve história que exemplifica o que quero dizer.

isso aconteceu comigo exatamente ONTEM. no ano passado, comecei a assistir no canal aberto SBT a série Big Bang Theory. dublado claro. resumindo, comprei a segunda temporada em DVD, e continuei a assistir dublado, pois já tinha me afetuado às vozes dos narradores brasileiros (mesmo sabendo que estava investindo em um "relacionamento" furado, pois as vozes mudarão, com certeza. Pobre Bender, do Futurama. o que foi aquilo que fizeram com você? até hoje não superei.). ontem, saí e comprei a terceira e a primeira temporada. essa última, tive o desprazer de descobrir que vem com áudio apenas em inglês. mesmo o DVD sendo posterior à exibição em canal aberto (e, consequentemente, tv por assinatura), ainda assim veio com áudio só em inglês. uma rasteira que a legalidade nos passa. eu comprei sem nem olhar, pois não esperava tamanha falta de sincronia. mas... fazer o quê. estou curtindo a minha série em discos originais sem dor na consciência ( o Dr. Sheldon Cooper ficaria desapontado se flagrasse diante de tamanho comportamento fora-da-lei rsrsrs) e dando o devido valor ao trabalho do estúdio e dos atores. pra mim, está valendo mais que os R$39,00 que paguei no box, mesmo diante dos olhares de "eu já assisti a essa série completa pela internet" dos meus amigos e colegas.

Magaiver disse...

Aquino, você é de Curitiba?

Se for, qual loja que você comprou a box do Anacronox (sei lá como se escreve)?

Jimmy666 disse...

http://todaoferta.uol.com.br/comprar/game-para-pc-anachronox-jogo-rpg-original-novo-GXGQLMYHUO#rmcl

C. Aquino disse...

Shadow, o "ponto de vista fúnebre e pesado" é carga dramática para o texto. Tomei de fato a decisão de abolir completamente o uso de jogos piratas e reduzir drasticamente o fluxo de músicas piratas (filmes eu assisto um por mês, quando dá tempo, e livros, faz mais de um ano que não leio um ebook baixado). Mas o peso na consciência é menor do que o texto dá a entender.

E sim, já passei sufoco com jogos legais. Já baixei versão pirata de jogo que comprei, pela facilidade de uso! E sei de primeira mão que DRM só serve para prejudicar o consumidor legítimo.

Magaiver, eu sou do Rio de Janeiro. E não me conformo com a ida dos Pixies para Curitiba, para São Paulo (SWU), para o raio que o parta, menos minha terrinha. :\

Raphael AirnMusic disse...

Putz, excelente post. Passei boa parte disso aí também, embora não tenha tido pela música tanta compulsão em k-7, só passei a gostar de verdade de música e formar o meu gosto musical na época do cd e mp3. apesar de copiar, comprei muito disco e fitas também.

Comparando com algumas coisas que eu já li que você estava ouvindo, temos um gosto musical parecido e muita coisa disso aí era impossível de ouvir sem baixar mp3 na época.

Já cheguei a gravar um disco de um amigo em k-7, pra poder colocar o k-7 no outro rádio ligado ao computador e convertê-lo em mp3, tamanha a dificuldade em encontrar o disco pra download. Eram outros tempos, certamente.

Jogos eu venho copiando desde o primeiro computador, um saudoso 386DX. Na época, íamos em uma loja no centro da cidade e escolhíamos num catálogo os jogos, deixávamos as caixas de disquetes de 1.44 lá e íamos pegar no dia seguinte. Era sofrido e eu acumulei tanto disquete quanto você acumulou k-7. Importante ressaltar que esses jogos simplesmente não estavam disponíveis em lugar nenhum no país de forma legal e importação era algo impensável na época, por isso nem acho que tenhamos feito algo de muito errado naquele momento.

Hoje tento adquirir no GOG e Steam alguns dos jogos que eu mais joguei nessa época, como uma maneira de legalizar todo esse problema causado na minha cabeça, até porque nem sei se os desenvolvedores originais desses jogos recebem alguma coisa ou o dinheiro para todo nas publishers e detentoras dos direitos.

C. Aquino disse...

Falou uma verdade, Raphael: muitas das músicas que eu curtia não estavam disponíveis para comprar no Brasil ou saíam pelos olhos da cara nas lojas especializadas. Isso ajudou a formar o hábito de correr atrás por outras vias.

Tem uma história boa envolvendo essa prática de legalizar os títulos: o CEO da Razor, Min-Liang Tan, doou 10 mil dólares para o Kickstarter do Wasteland 2 porque se sentia culpado de ter pirateado o primeiro jogo nos idos dos anos 80! E pediu desculpas publicamente ao criador Brian Fargo! Não tenho essa bala na agulha, mas o sentimento é o mesmo em relação aos outros jogos...

NevesZerg disse...

Um dos melhores, senão o melhor post do blog.
Parabéns Aquino, tu é "o cara".

Marcos A. S. Almeida disse...

Vejo esse seu texto como uma catarse pelos anos de pirataria praticado.Gosto muito desta frase: "Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles" .Acho que essa sua expurgação é fruto de sua consciência e apoio totalmente essa atitude.Eu particularmente tenho uma outra visão disso tudo , mas a verdade é que qualquer argumento que eu use estarei errado e não preciso que me apontem o dedo.Minha consciência estará confortável até onde meus pensamentos reacionários permitirem.Portanto continuarei como John Constantine , vivendo nos dois mundos.
Recentemente fiz uma maluquice; Gosto muito de um jogo de estratégia chamado "Total Annihilation" , tenho o cd original (comprado com a CD Expert ) e ele roda perfeitamente no Seven , sem precisar de nenhum patch ou algo do gênero.É só instalar e rodar.Mas mesmo assim por uma promoção de cinco reais e pouco comprei ele novamente no GOG.Má influência do Aquino.Como atenuante uso o fato de meus cds não terem a expansão que vêm no do GOG.Serve?
Aquino, se você fizesse um blog como o GAGÀGAMES (conhece?) teria material de sobra...

Caco Viricimo disse...

Muito bom o post, algum tempo atrás, cerca de 1 ano e meio por aí, quando eu ainda não conhecia o Steam, o meu PC era lotado de jogo pirata, e eu não terminava nenhum, mesma coisa o PS2. Aí minha amiga me apresentou o steam, foi meio esquisito no inicio, até porque os valores ainda eram em dólares, quando criei a minha conta logo já veio uma summer sale e comprei Half Life 2, Portal 1 e Terraria, só joguei esses jogos durante 2 meses, aí comprei outros jogos e comecei a jogar os F2P, ainda jogava um ou outro jogo pirata mas era bem pouco, hoje em dia só compro jogos originais, hoje em dia só baixo jogos quando realmente estão fora do meu orçamento (porque ainda não posso trabalhar então dependo da minha mãe na questão jogos) algo como R$40+, mas acabo esperando aparecer uma promoção bacana aí compro o jogo, mas é difícil acontecer porque já não tenho mais saco pra jogo pirata, ficar procurando crack e os carai pra fazer o jogo funcionar é um saco. Já tentei várias vezes fazer meus amigos seguirem tal exemplo, mas eles se apoiam no argumento do multiplayer, "Se não tem multiplayer então pra que eu vou comprar?". Os filmes é mais fácil, tenho TV a cabo e ainda pago o netflix, só baixo filmes quando realmente não encontro em nenhum dos dois ou é série tipo Breaking Bad e Dexter que leva um tempo até sair no Brasil. O meu problema são as músicas, escuto muita música, se eu fosse legalizar todas ia ficar pobre. Enfim cada faz o que acha melhor, e faço o possível pra evitar a baia dos piratas.

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