Retina Desgastada
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30 de outubro de 2012

Eu Vi o Futuro do Horror

Lone Survivor Resident Evil 6 veio e fincou os dois pés no gênero da ação desenfreada com monstros, uma guinada que a série já tinha tomado lá atrás com Resident Evil 4. Não tem volta. E abrir postagem sobre survival horror citando os caminhos trilhados pela franquia da Capcom não funciona mais: o gênero já existia antes e vai continuar existindo depois. Se Dead Space havia mostrado que é possível misturar a atmosfera do horror com um pouco de ação sem perder suas características, Amnesia - The Dark Descent veio pela contramão e removeu quase toda a ação da narrativa, deixando somente a tensão. Outros nomes vieram para manter sua espinha gelada, com diferentes variações do tema: Dear Esther, Anna, Lone Survivor, Home, Slender (e seu exército de clones).

Mas e o futuro? O que ele reserva para os amantes do medo?

Apollo 13

Poucas coisas no mundo real são mais assustadoras que o vazio. Diante do silêncio da noite e da solidão de uma casa abandonada, nossa mente preenche as lacunas com toda sorte de pavores. E nada é mais vazio do que o espaço.

Em Routine, você assume o papel de um explorador em uma estação lunar deserta. Antes um lugar repleto de cientistas e astronautas, agora é habitado apenas pelo mistério. Sem barras de energia, sem interface, sem pontos. Apenas você, a complexidade da instalação totalmente aberta para descobrir seus recantos e a ameaça permanente da morte.

Routine

Os desenvolvedores prometem ser impossível conhecer todos os segredos do jogo na primeira tentativa. Cada jornada trará locações e objetos randomizados e a história terá múltiplos finais. O jogo também trará morte permanente, mas ainda não ficou claro como isso será implementado. Não haverá save games? Ou todos eles são apagados no instante em que você morre? A atmosfera bebe das fontes óbvias de 2001 e Alien, mas O Iluminado e Moon também são citados entre filmes que serviram de inspiração. Para um Explorador como eu, a perspectiva de poder andar livre pelos corredores confinados de uma estação espacial, sem a garantia de monstros aparecendo a cada dez metros, mas com a certeza de que eles estão lá, ameaça ser uma experiência sedutora. Como os melhores momentos de S.T.A.L.K.E.R., só que no espaço.

Routine está sendo desenvolvido por um time de apenas quatro pessoas, está previsto para ser lançado em 2013 e já conseguiu sua vaga no Greenlight.

Nas Montanhas da Loucura

Os limites entre o que a ciência pode ou não pode fazer são outro tema constantemente explorado nas histórias de terror. Aqui não se trata do medo de forças externas ao homem, mas o medo do que o homem é capaz de criar quando sua sede de conhecimento não encontra travas morais.

Em Outlast, um jornalista recebe uma dica para investigar um antigo sanatório supostamente abandonado localizado nas montanhas do Colorado. Para sua infelicidade, o lugar agora está sob o controle da Murkoff Corporation, uma empresa que borra as fronteiras entre ciência e religião, entre natural e sobrenatural, entre loucura e lucidez. Para sobreviver, ele terá que fugir dos estranhos internos do asilo e desvendar os mistérios que ali residem.

É o primeiro trabalho da desenvolvedora canadense Red Barrels, mas não o primeiro trabalho de seus fundadores. A Red Barrels foi formada por veteranos que já trabalharam em jogos como Assassin's Creed, Uncharted, Splinter Cell e Prince of Persia. O objetivo deles é criar um título de horror onde os inimigos pensam e reagem com cérebro e não funcionam como meros sustos baratos. Inimigos que correm para destruir você já não são novidade faz muito tempo e qualquer um que tenha jogado Left 4 Dead já conhece a sensação. A diferença, aparentemente, é que em Outlast tiraram a arma de suas mãos, o que pode tornar a corrida pela vida uma ação desesperada que culmina no alívio ou uma longa série de tentativas e erros frustrantes. E o currículo dos envolvidos pode jogar contra a criatividade, se eles já estiverem saturados dos velhos vícios da indústria dos jogos.

Outlast deve ser lançado em 2013 para PC e, de acordo com o teaser acima, nem vai precisar passar pelo Greenlight para entrar no Steam.

O Olho do Mal

Pior do que se ver cercado pelos loucos é tornar-se um deles. O medo da loucura, o questionamento constante da sanidade é uma dúvida que já foi abordada com aterrorizante sucesso em diversas obras.

Em Montas, você é um consultor trabalhando para uma firma na cidade do mesmo nome. Ou não. Atormentado por alucinações e pesadelos, o protagonista resolver usar a pior solução possível para se livrar de seus problemas: o álcool. Sua situação se torna mais complicada quando a polícia começa a investigar uma série de crimes que estão acontecendo na região.

Se a premissa lembra demais Indigo Prophecy, a jogabilidade parece desejar explorar mais o mundo das irrealidades do que a trama policial. Há traços de Silent Hill na construção dos cenários e no clima de se estar constantemente vigiado ou seguido por... algo. Os desenvolvedores prometem vastos labirintos subterrâneos em Montas, áreas secretas a serem descobertas, aventuras opcionais e nenhum combate. Segundo o lema, "o jogador é a audiência, Monta é a peça e você está convidado para o palco".

Montas

Montas será possivelmente o primeiro jogo de terror a ter suporte total ao Oculus Rift, o revolucionário capacete de realidade virtual pelo qual grandes nomes da indústria estão salivando. O nível de imersão proporcionado pelo equipamento mais uma atmosfera perturbadora formariam uma combinação jamais vista no horror. Resta saber se as duas metades da equação serão capazes de sobreviver às expectativas. O jogo não tem data de lançamento e ainda está recolhendo recursos no Indiegogo. Mas os desenvolvedores garantem que o jogo irá sair de um jeito ou de outro, custará somente 10 dólares e já está lutando por uma vaga no Greenlight.

Com a Frictional Games lubrificando suas engrenagens para retornar em 2013 e novos artífices do terror emergindo dos recantos mais escuros, o gênero Survival Horror se recusa a morrer. O futuro será negro.

ATUALIZAÇÃO (31/10): Como se fosse uma profecia, foi revelado hoje o trailer de Amnesia: A Machine for Pigs. Definitivamente, o futuro será trevas:

Ouvindo: Eyes Of Eden - Not Human Kind
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7 comentários:

Jimmy Fischer disse...

Nenhum vídeo do youtube falando do Lone Survivos me convenceu... ele vale ou não os 4,99 da promoção do STEAM?

C. Aquino disse...

Difícil responder essa, Jimmy. Eu comecei o jogo mas ainda não terminei. Até onde eu vi, é um Silent Hill 2D pixelizado com MUITAS perguntas que ainda não tem respostas.

Shadow Geisel disse...

só deu pra ler o comecinho, mas já gostei da frase " já existia antes e continuará existindo..."

Aquino, por falar em espaço, você já ouviu falar de um jogo chamado Echo Night Beyond, que se passa em uma estação espacial cheia de fantasmas?

C. Aquino disse...

Shadow, não conhecia e, pesquisando, achei interessante. Pena que só saiu para Playstation 2.

Esquizo disse...

Routine me parece bastante promissor. Foi realmente uma boa ideia dos desenvolvedores criar um jogo de terror com a mecanica dos bons e velhos roguelikes, pelo menos até o momento não vi nenhum.
Outlast me pareceu normal demais, apenas um jogo de terror baseado na adrenalina e no grotesco, bem normal, não me empolgou.
Ja Montas é bastante dificil de julgar. Pelo trailer me pareceu um tanto vaziu, ôco, sei la. Ao mesmo tempo ele aborda um tema que adoro nos jogos, que é a insanidade, resta esperar pra ver se o enredo fara juz.

Engraçado o Shadow Geisel falar do Echo Night Beyond. Esses tempos atras baixei varios jogos da From Software, entre eles esse, mas infelizmente vim a descobrir que ele é injogavel por emulador. Uma pena mesmo, parece um otimo jogo.

Shadow Geisel disse...

o Echo Night é bom mesmo. ele é um daqueles jogos que só tem quebra-cabeça, zero de ação. quando o personagem encontra um fantasma agressivo, o coração dele começa a disparar e, se ele não sair do ambiente, morre de ataque cardíaco.
não cheguei a jogar, mas assistia a meu irmão. uma pena não ter saído mais dele mesmo.

Shadow Geisel disse...

começando...

sobre os jogos de terror, gostaria de ressaltar o trailer do Dead Space. a música Brilha Brilha Estrelinha é assustadoramente sincronizada com tudo que tem a ver com o jogo. tem um vídeo do Zangado sobre o jogo no qual ele detalha isso de uma forma bem interessante. não levei muitos sustos com esse jogo, mas é um bom jogo de terror (pega muito de Alien, mas terror no espaço é assim mesmo).

sobre o Routine, ele parece ser interessante. só acho um pouco preocupante quando os criadores soltam esse tipo de frase, dizendo que o jogo não terá ação nenhuma.
isso parece mais uma muleta pra não se empenhar em criar situações de combate e de ação interessante do que outra coisa. da mesma forma que jogar um jogo com monstros interrompendo a exploração de dez em dez metros, não é nada lógico jogar uma aventura de terror na qual sempre somos perseguidos mas nunca somos pegos, ou nunca podemos revidar de alguma forma (jogando um objeto; chutando desesperadamente a cara de um monstrengo. é como diz um velho ditado inglês: even a worm will turn.).

sobre As montanhas da Loucura, posse até ser crucificado depois, mas nunca achei Lovecraft tuuuuuuuuudo isso que falam. um bom escritor e de vanguarda, com certeza ele foi. mas acho que ele é um pouco super valorizado.
eu li todas as suas principais histórias, e encontrei muitas falhas e repetições nos contos (dá pra tecer um padrão dos personagens. é sempre um cara que quase enlouqueceu ou enlouqueceu, e que começa o conto dizendo que ninguém vai acreditar nele e blá blá blá).
CLAAAAAARO, é muito fácil julgar um escritor da década de 20 e não achar nada impressionante quase um século depois, principalmente depois que quase tudo que você conhece do gênero terror ter sido chupado das obras desse escritor, direta ou indiretamente. mas não achei Lovecraft esse gênio todo que pintam não.
uma história que eu acho que mostra a sua genialidade para o terror é Entre as Paredes de Eryx, muito escanteada mas a minha preferida desse autor. mistura ficção científica e muito terror psicológico. quem já ficou preso em alguma situação parecida sabe do que estou falando: a sensação de descrença até se dar conta de que não há alternativas; a esperança de fuga; o abandono da esperança; o desespero diante do inevitável. e se a própria vida está em jogo, aí é que fica pior.

o Montas é um fracasso inevitável. além desse nome horrível (os criadores podem saber fazer jogos, mas não entendem nada de marketing) ele pega muito de Silent Hill, como bem observou o camarada Aquino. fadado ao esquecimento e não apresenta nada que já não tenha sido visto.

sobre o Amnesia, infelizmente não pude jogar nenhum (juro que daqui pro ano que vem eu compro um pc que rode mais que Paciência). mas é muito promissor, e um claro sinal de que algo de qualidade está sendo criado no gênero. e Resident Evil que vá para o inferno...

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