Retina Desgastada
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26 de junho de 2023

Jogando: Nihilumbra

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Descobri um subgênero. Vamos chamá-lo de "deprêcore". Ou "emovania". São títulos pseudo-existencialistas com pesadas mensagens sobre a natureza da vida e do universo. A proposta desses jogos não é apenas chegar até seu respectivo final superando desafios mecânicos, mas descobrir que o mundo real é dor ou que nosso papel no grande esquema das coisas é ínfimo. Nesse subgênero, eu poderia incluir jogos como This Strange Realm of Mine, Awkward Dimensions Redux e agora Nihilumbra.

São também títulos que se destacam pelo forte amadorismo. Não se tratam apenas de produções autorais, muitas vezes com um único artista envolvido, mas de produções com baixo valor de produção, até mesmo para o chamado cenário independente. São obras naif, feitas de coração, ainda que sejam corações atormentados, atravessados por uma visão quase niilista da vida.

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Em Nihilumbra, nascemos do Vazio e o Vazio nos deseja de volta. Seu contexto é empurrado goela abaixo com uma narração nada sutil e com textos expostos na tela. Lamúrias para todo lado e pensamentos negativos. Por outro lado, se This Strange Realm of Mine faz um esforço hercúleo para arrastar seu jogador para um redemoinho de depressão e questionamentos perigosos, Nihilumbra pelo menos traz uma jornada que começa no fundo do poço e busca ascender para uma mensagem mais positiva.

Se ignorarmos a narrativa (o que é impossível, uma vez que ela nos é imposta em tempo integral), o que está em nossa frente é um título de plataforma e puzzle bastante sólido, ainda que não seja de todo criativo. Nosso protagonista está descobrindo as cores do mundo. A cada cor encontrada, uma nova habilidade de alterar a realidade ao seu redor é desbloqueada. Desta forma, o azul do gelo permite criar superfícies escorregadias onde é possível atingir velocidades maiores e onde seus inimigos podem deslizar para a morte. Mais adiante, o verde das plantas permite criar áreas com grande elasticidade, onde é possível saltar e atingir alturas impossíveis. Qualquer semelhança com os géis de Portal 2, lançado dois anos antes, é mera coincidência, porque outras cores, com outros efeitos, são encontrados logo em seguida.

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Combinar as cores nas horas e nos locais certos são a chave para resolver os puzzles que vão aparecendo ou evitar ou destruir os inimigos do Vácuo que estão tentando destruir nosso protagonista. Nihilumbra não é um jogo fácil, mas também não é difícil demais. Consegui chegar ao final em pouco mais de três horas.

Um dos destaques de Nihilumbra é a trilha marcante, soturna e grandiloquente como suas próprias temáticas.

Fico imaginando que outros "deprêcore" o Destino irá colocar em meu caminho...

Ouvindo: Second Voice - Perpetue

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