Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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1 de abril de 2023

Jogando: A Way Out

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De todas as experiências possíveis que os jogos eletrônicos poderiam nos proporcionar, eu nunca imaginei que um dia eu estrangularia um assassino lado a lado com meu filho, cada um puxando uma ponta da corda. É mais uma das dádivas que Josef Fares nos proporcionou. O mesmo diretor exótico do magnífico Brothers - A Tale of Two Sons, concebeu uma experiência muito mais pé no chão e violenta antes de embarcar para sua obra-prima vencedora chamada It Takes Two.

Esse título intermediário, entre o mundo de fantasia por onde começou e o universo mágico que o consagrou, atende pelo nome de A Way Out. É um jogo sobre dois criminosos escapando da cadeia para acertar as contas com aquele que os traiu no passado.

A temática é realista e ambientada nos anos 70, fazendo uma reconstituição acurada das armas, veículos, roupas e músicas de sua época. A escolha certamente é proposital, uma vez que o título se inspira no forte cinema policial do período, marcado por clássicos como Operação França, O Poderoso Chefão, Os Implacáveis, Alcatraz: Fuga Impossível e tantos outros. Aqui, assuntos são resolvidos na força dos punhos e na bala, com direito a perseguições frenéticas de automóvel e fugas espetaculares.

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Acreditei que boa parte do jogo se passaria durante o plano de fuga dos protagonistas Vincent e Leo, mas esse esquema dura cerca de um quinto da aventura de cinco horas. É justamente fora das paredes do presídio que a aventura se torna ainda mais eletrizante. É curioso que, mais uma vez, precisei atravessar a parte debaixo de uma ponte, depois de já ter feito o mesmo trajeto em Half-Life 2 e Wolfenstein: The New Order.

Se A Way Out é uma quebra na atmosfera fantástica que Josef Fares explora normalmente, em suas mecânicas, o artista mantém sua marca registrada: o foco na cooperação. A Way Out é um título para ser jogado obrigatoriamente por duas pessoas, online ou localmente, e essas duas pessoas precisam uma da outra para abrir caminho e resolver puzzles simples. Eu assumi o metódico, mas durão Vincent, meu filho foi o esquentado, mas emotivo Leo.

Essa parceria entre os personagens é um recurso, mais uma vez, serve muito bem para a narrativa. Em Brothers, controlávamos dois irmãos e a mecânica reforça a aliança entre eles, criando um elo emocional que será magistralmente explorado até a conclusão. Em It Takes Two, a cooperação forçada está outra vez no centro da narrativa, com um casal em processo de separação que precisa unir forças para salvar sua filha e reverter a maldição lançada sobre eles.

Em A Way Out, a mecânica funciona como um cimento que solidifica uma forte relação de amizade entre os dois bandidos. Vincent e Leo aprendem a se respeitar, a entender seus problemas pessoais e até mesmo dar a força que o outro precisa para superar os momentos difíceis. E outra vez Josef Fares leva seus jogadores aos limites de seus sentimentos com uma conclusão de impacto.

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Esse é o capítulo intermediário na trajetória de um gênio. Muitos dos elementos que brilhariam em seu jogo seguinte já aparecem aqui, como os minijogos e as múltiplas mecânicas que parecem indicar um jogo diferente a cada capítulo. A Way Out andou para que It Takes Two voasse. Ainda assim, a jornada de Vincent e Leo é uma experiência ímpar, um gigantesco filme policial sobre amizade, crime, testosterona e as escolhas que fazemos para nossas vidas.

Ouvindo: Chris Christodoulou - Aurora Borealis

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