Retina Desgastada
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23 de julho de 2021

Saindo do Ninho

Poucas jornadas poderiam ser mais completas no mundo dos jogos do que o arco de Clementine. De criança frágil e órfã com um pai acidental em The Walking Dead a guerreira protetora, mãe acidental em The Walking Dead: The Final Season. É uma personagem que literalmente vimos crescendo, adotando como nossa em uma série de títulos que marcaram sua geração. Curiosamente, Clementine era uma ovelha negra dentro de seu próprio universo: a personagem nunca tinha aparecido nas revistas de The Walking Dead, era exclusiva dos jogos da Telltale.

Até agora.

Alerta de spoilers para quem não jogou o último jogo.

clementine

A editora Skybound, responsável pela franquia, anunciou uma trilogia de graphic novels trazendo a personagem para o futuro do universo dos zumbis. Clementine: Book One chega ao mercado em junho de 2022, inaugurando um novo selo da editora, focado no público juvenil do Ensino Médio.

Uma história curta publicada na revista Skybound X faz a ponte entre o final do último jogo e a trilogia em quadrinhos que virá. O tempo passou, as hordas de mortos-vivos são menos numerosas e os sobreviventes estão se organizando em comunidades menos agressivas e mais colaborativas. O pior do apocalipse zumbi já passou, mas agora é a hora de Clementine se despedir de AJ. A escola é o lar perfeito para o garoto, mas não para ela. Clementine sente o chamado da estrada e decide deixar tudo para trás para encontrar a si mesma no Norte selvagem.

clementine-02

Tillie Walden, que assume roteiro e arte dessa nova etapa na vida de Clementine, tem um currículo impressionante. Ela já recebeu o prêmio Eisner de Melhor Trabalho Baseado em Realidade, em 2018, por sua graphic novel Spinning. A condecoração a tornou a mais jovem artista da história a receber um Eisner, com apenas 22 anos.

Ainda assim, Walden tem pela frente a cruel tarefa de continuar aquilo que foi encerrado com precisão e delicadeza pela Telltale Games. A iniciativa partiu da autora, que enviou para a Skybound uma proposta de trilogia. O material foi aceito pela editora sem ressalvas. Ao meu ver, a ruptura iniciada nesse prólogo não é tão bem conduzida quanto precisava ser. Dizer adeus a AJ em nome de uma série solo não é um bom início.

A perspectiva de removerem minha Clementine de sua merecida conclusão rumo a novas aventuras me parece um risco desnecessário, mesmo não tendo jeito de caça-níquel. Ademais, existe a estranheza de, pela primeira vez, não determinar os caminhos que Clementine irá tomar ou suas decisões. Entretanto, não somos os verdadeiros donos dos personagens que nos cativam, apenas em vontade. Clementine agora pertence ao mundo.

Tome conta dessa menina, por favor.

Ouvindo: Suspiria - Assassin Soul

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