Retina Desgastada
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19 de janeiro de 2021

Jogando: Far Cry 5 - Dead Living Zombies

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Desta vez fui abandonado de vez pelo guri. Depois de atravessarmos lado a lado a campanha de Far Cry 5 e até mesmo boa parte da DLC Hours of Darkness, o garoto, no auge dos seus 13 anos, sentiu o cheiro de tosqueira e me deixou sozinho para jogar Dead Living Zombies.

Errado ele não estava.

A expansão zumbi do título é uma galhofa mal executada pela qual você teve que pagar, seja comprando individualmente ou com o Season Pass ou com a versão Gold do jogo. Enfim, você foi enganado. Ainda assim, o DLC é ousado e divertido, desde que você não espere nem altos valores de qualidade nem a mesma jogabilidade do jogo principal ou mesmo uma boa história. E a proposta era rigorosamente essa desde o início.

Cada um dos sete cenários de Dead Living Zombies é uma trama e um mapa fechado lotado de zumbis e, ocasionalmente, outras ameaças. Não há mundo aberto, não há uma forte narrativa ligando tudo, não há variedade de inimigos, evolução de armas ou algo assim. É quase uma sucessão de arenas não conectadas, um Killing Floor rasteiro e rápido, despretensioso, para não dizer tolo. Se você se sentir especialmente entediado, é possível repetir cada mapa em busca de uma pontuação maior para desbloquear itens cosméticos de valor duvidoso no jogo principal, que você provavelmente já terminou a essa altura do campeonato.

Fields_of_Terror_cover_FC5_DLCO que genuinamente salva essa DLC do total desastre é a meta-linguagem e o fato de seus criadores terem plena consciência de que ela é ruim. Lembra de Guy Marvel, o cineasta Z com quem você esbarra em Montana? Ele é o fio condutor de Dead Living Zombies. Cada um dos sete cenários nada mais é que uma proposta de filme novo do biruta, então, você está, na verdade, jogando o que ele pretende vender como um filme para algum produtor, em cutscenes hilárias e constrangedoras. Como seus filmes são vagabundos, assim também é cada narrativa.

Desta forma, "Fields of Terror" é o cenário introdutório em uma fazenda minúscula, que está ali tão somente para te apresentar a ideia por trás da expansão. "Burned Bridges" é cafonérrimo em sua história, mas coloca o jogador em uma ponte (também minúscula) que remete muito ao clima de um Left 4 Dead e ainda traz um chefe final surpreendente. "Undying Love" não faz qualquer sentido, mas deixa o jogador um pouco mais solto na exploração e recompensa os desvios no caminho com bom equipamento, em troca de inimigos poderosos.

Em "Escape From Rooftop", bateu preguiça nos desenvolvedores. "Killer Climate" surpreende por elevar ao máximo o potencial metalinguístico, com produtor e diretor brigando e alterando o mapa em tempo real, enquanto você tenta sobreviver. "The Fast and the Fiendish" é curtíssimo, a partir do momento que sua proposta é atravessar o mapa de carro, atropelando os zumbis e dar uma alfinetada em Dead Island.

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Por último, temos "Laboratory of the Dead" e a consagração de Guy Marvel. O mapa final é o maior deles, embora não seja inédito em nada: você atravessa de jet ski o que parece muito uma paisagem ribeirinha de Far Cry 5 para logo depois explorar um bunker idêntico em quase tudo aos bunkers da Seita.

Ao descer as cortinas e subirem os créditos, Dead Living Zombies cumpre o que promete: ele é tão divertido, tosco e descartável como os inúmeros filmes de zumbis de quinta categoria que ele busca emular.

Ouvindo: Carbona - Wencha

2 comentários:

Mario Cavalcanti disse...

Bom dia, C. Aquino! Para qual e-mail podemos enviar um release para você? Obrigado.

C. Aquino disse...

Olá, Mario!
Pra releases, um bom caminho é o [email protected] Eu escrevo pra lá e sou um dos responsáveis pelas notícias. Forte abraço!

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