Retina Desgastada
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6 de julho de 2012

Jogando: Dead Island (Conclusão)

Dead Island - My Screenshot 05
Assim como Borderlands, Dead Island é um jogo pensado para a jogatina cooperativa entre quatro jogadores, com cada personagem especializado em uma área e três árvores de desenvolvimento de habilidades (incluindo uma com seu "poder" único). Quando você recebe uma missão, ela já vem dizendo o nível de dificuldade e a recompensa a se ganhar. Assim como Borderlands, o mundo é aberto, com respawn constante de inimigos e oferta contínua de micro-recompensas aleatórias. Assim como em Borderlands, quando você morre, você não tem um fim de jogo, mas reaparece alguns metros atrás, com menos dinheiro e itens. Assim como em Borderlands, a história tem função secundária e o tom do jogo é mais importante que o enredo. Borderlands, como já disse, eu detestei. Dead Island, eu adorei. Por quê?

As perturbadoras semelhanças mecânicas entre os dois jogos são um assunto a ser resolvido entre a Techland e a Gearbox nos tribunais algum dia. Mas posso afirmar que alguns detalhes fizeram toda a diferença para o lado de Dead Island.

Para começo de conversa, o respawn é menos agressivo. Bem menos agressivo. Além de ser justificável um fluxo infinito de zumbis em um cenário de grandes proporções, ao contrário da infinita recarga de bandidos em uma base onde você matou todo mundo vinte minutos atrás. Mais: criaturas especiais reaparecem com ainda menos frequência do que acontece no planeta Pandora. O nome disso é plausibilidade. Outro detalhe crucial é o sistema de morte: enquanto Borderlands te manda para o último checkpoint, cem metros lá atrás, e ressuscita quase todo mundo no caminho, em Dead Island você levanta quase no mesmo ponto e os inimigos mortos e/ou feridos permanecem nessa condição. Terceiro: a história ruim de Dead Island é melhor que a história ruim de Borderlands e, enquanto esse último aposta na galhofa como tom, o pesadelo zumbi aposta no drama e no horror, com resultados superiores.

Dead Island - My Screenshot 02 Dead Island - My Screenshot 01
"Mas, e o trailer?", você me pergunta. Aquele trailer supostamente ilusório de Dead Island. Como eu disse em minha análise preliminar do jogo, "Eu quero salvar essas pessoas, eu me importo com a história. Mesmo sem a garotinha.". E é a mais pura verdade. Há sim alguns momentos de tirar os dedos do teclado e do mouse, olhar para a tela e sentir o soco no estômago vindo do apocalipse zumbi. Há momentos pungentes de dor e sofrimento, personagens com os quais é possível se importar, cenas de gelar as veias ou de fazer o almoço subir na garganta. Principalmente, o destino de um certo NPC.

Dead Island - My Screenshot 04 Dead Island - My Screenshot 03
Mas, tudo isso se você se esforçar para entrar na atmosfera.

Porque, lamentavelmente, a Techland não soube conduzir com elegância as cutscenes ou valorizar os pontos dramáticos. Frequentemente, as cenas fazem referências a pessoas que não conheci e fatos que não testemunhei. "Lembra daquela garotinha doente que você salvou? A febre dela aumentou! Precisamos de mais remédios!". Sendo que não tem criança nenhuma no jogo e eu não salvei ninguém doente. Exceto uma mulher adulta que estava com febre, mas ela desapareceu da face da Terra depois que eu me arrisquei para localizar uma maleta de paramédicos, muito antes de eu receber o rádio informando da "garotinha". Personagens que parecem importantes saem de cena sem motivo ou explicação posterior. Um personagem que é vital para o fio condutor da trama, fica mudo por horas e horas, tanto tempo que, quando foi mencionado de novo, eu tive que me esforçar para lembrar.

Também é perturbador que, durante as cutscenes, todos os quatro personagens estejam presentes, mesmo que você esteja jogando solo. Tirando uma hora com o camarada @jaotavio em Banoi, eu experimentei Dead Island completamente sozinho. Então, você fica horas na solidão, se assustando com os gemidos dos monstros e quando chega a hora da cena, estão todos lá, como se nunca tivessem saído do seu lado. O personagem que escolhi, Sam B, também dizia coisas que não condiziam com a forma como eu estava jogando, para dizer o mínimo.

Prepare seu protetor solar: o sol nunca se põe em Banoi. Um recurso que já foi usado quase exaustivamente em outros jogos, aqui não se aplica: um simples ciclo de noite e dia. Na cidade, às vezes chove, mas no resort, jamais, ainda que poucos quilômetros os separem. A noção de tempo passando vem das missões: quando as pessoas começam a reclamar de fome, é porque dias se passaram. Mas as caixas de suco que eu quase morri para pegar, ficaram intactas em um canto do cenário. Dead Island ignora que você está interagindo com seu universo, se esforça para destruir a imersão que seria seu maior trunfo. Por pequenas faltas, fáceis de corrigir, o jogo perdeu a vaga em minha lista de favoritos.

Dead Island - My Screenshot 06
Felizmente, para compensar estes problemas, o jogo traz outras características positivas. Temos aqui um sistema de combate duro e frenético. Eu realmente me senti em um holocausto de mortos-vivos, lutando para sobreviver, mesmo sabendo que a morte não seria uma penalidade. Tive a sensação de ser um truculento rapper que só poderia confiar na força de seus punhos e na sua sagacidade para triunfar sobre as criaturas irracionais. A trilha sonora, que começa com a grudenta "Who Do You Voodoo, Bitch?", do Sam B, é mais do que apropriada. Quanto mais eu me aventurava no jogo (e os zumbis nivelavam comigo), mais medo eu sentia e a trilha foi fundamental para adicionar tensão.

Dead Island - My Screenshot 08
Os cenários do jogo são fantásticos, embora a liberdade de ação vá decaindo quanto mais você avança. O resort, o primeiro ambiente, é totalmente aberto, podendo se ir em qualquer direção. A cidade já apresenta problemas naturais de cidades, como prédios fechados e ruas bloqueadas com escombros. Piora muito quando se apela para o inevitável "nível no esgoto". A floresta é quase um Call of Duty, onde você fica a maior parte do tempo em estradas e trilhas e não pode explorar como uma mata autêntica, no estilo Far Cry ou Gothic. O último cenário, a prisão, é exatamente uma prisão, onde só se pode andar por corredores e salas determinados. Tivesse o jogo tido seu desfecho no próprio resort inicial, símbolo de Dead Island, o resultado certamente seria melhor.

Resta agora testar o DLC que conta a história de Ryder White, o "vilão" do jogo, minha próxima meta. Com seus altos e baixos, a Techland chegou perto de produzir um clássico. Mas alguma coisa agarrou seu pé.

Dead Island - My Screenshot 07
Pontos positivos de Dead Island: sistema de combate brutal, trilha sonora caprichada, farta dose de exploração. Pontos negativos de Dead Island: história truncada, imersão prejudicada por constantes falhas, gráficos que precisam ser ajustados cuidadosamente para funcionar. Nota final: 8,0.

Ouvindo: Kouji Niikura - Darkness (Credits)
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8 comentários:

@iguuu_poa disse...

Apenas uma correção: O link "Who do you voodoo, bitch?" está quebrado o:

Eu não joguei muito Dead Island, mas certamente vou comprar em uma próxima promoção.

Eu como grande fã de romero e dessas criaturinhas comedoras de cérebros, sempre busquei algum jogo buscasse abordar os zumbis menos como uma coisa "filme b" e mais como algo plausível, algo consentido, algo real, por mais que eu sempre tenha jogado Resident Evil, os zumbis de lá para mim nunca foram realmente sinônimos de zumbis, mas uma criatura irracional qualquer.

E foi então que me apaixone pelos desmortos, quando Zack Snyder regravou Madrugada dos Mortos e mais tarde quando me deparei com Left4Dead.

Vivo ou morto, Dead Island vale a pena.

Shadow Geisel disse...

"...Dead Island é um jogo pensado para a jogatina cooperativa entre quatro jogadores..."

engraçado é que eu nunca nem sequer entrei no multiplayer desse jogo (coisa de jogador velho gostar mais de campanha solo). as piores críticas que eu li sobre DI foram justamente sobre o modo online.

de resto, concordo com tudo que você falou Aquino. também concordo com a nota. DI poderia ser um candidato a Review Supremo (com o perdão da referência) se tivesse um melhor polimento. mas ele é um jogo muito bom. dei uma pausa por causa de outros jogos, mas com certeza quero retornar à ilha de Banoi para levar mais dentadas de mortos-vivos. bom texto.

C. Aquino disse...

Iguuu, corrigi o link da música do Sam B! Valeu pelo aviso! Para quem curte zumbis, recomendo também o clássico "A Noite dos Mortos-Vivos", de 1968, que começou essa onda toda. Ainda que preto e branco e velho, o filme continua impressionando. A refilmagem de 1992 também é muito boa, já que foi produzida pelo mesmo time original.

Tenta terminar o jogo, Shadow. Vale a pena!

Marcos A.T. Silva disse...

Olha, é engraçado. O pouco que joguei de Dead Island até agora foi sozinho, mesmo. Adorei a proposta do jogo, e os gráficos. Não sei porque, aliás, nem sei explicar.

Este é um jogo que tem tudo para me fazer nele "imergir", mas a coisa ainda "não engrenou". Bela análise, Aquino.

Shadow Geisel disse...

vou terminar ele com certeza Aquino. é que eu tô jogando tanto jogo ao mesmo tempo que fica meio difícil dar atenção a todos eles.
não consigo terminar jogo de mundo aberto sem explorar ao máximo. só passo pra uma área nova quando esgotei todas as quests. me lembra aquela regra de que um vampiro precisa contar os grãos de arroz caídos no chão para poder prosseguir rsrsrs.

projetojogatina disse...

Parabéns pelo Review! Vim aqui ler para ver se compensava pegar por US$ 10.19 no Steam e minha decisão foi deixar passar e pegar só se ficar entre 3 e 4 dólares, afinal ainda estamos no terceiro dia. Um abraço!

Ed R. M. disse...

É obvio que vc gostou do Dead Island e não do Borderlands, pois no Dead Island tem zumbis, e tudo com zumbis fica cool!!!

Lol. :-P

Marle disse...

Finalmente um review que conseguiu expor tudo o que senti sobre Dead Island. Até a nota está de acordo! A maioria das pessoas só reclama do jogo, por conta do trailer emocional que saiu antes do lançamento. Eu, que até vi o trailer em 2011, mas só comprei o jogo agora em 2013 (na Summer Sale da Steam por R$ 8,74) e finalizei ontem, acho que ele valeu cada centavo. Horas de exploração, de matança desenfreada de zumbis, de váários sustos. Joguei no modo single player durante praticamente todo o tempo e completei todas as sidequests. O ponto forte foi o gameplay, a mecânica similar aos rpgs. O sistema de evolução de personagem, de quests e a coleta de itens deixou o jogo bastante atraente. Gostei dos cenários, dos gráficos...enfim, de quase tudo. Porém, como nem tudo são flores, infelizmente, me decepcionei com o final e o destino dado à história. Esperava muito mais. Sei que, em parte, foi um modo de deixar o terreno preparado para a sequência Riptide, mas ainda assim, poderiam ter caprichado nesse ponto. Outra coisa estranha era ver os 4 personagens nas custscenes, sendo que, na maior parte do tempo eu estava sozinha, jogando com a Purna. No mais, parabéns pelo review!

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