Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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17 de maio de 2020

Quarentena - Semana 9

Minecraft

A instalação do Windows 8 no notebook deu errado. Uma frustração levou a outra, o stress foi escalando e, quando me dei conta, havia perdido a segunda-feira no sofá, em frente à TV, perdido entre reprises de Simpsons e Um Maluco no Pedaço, tentando encontrar algum sentido em uma quarentena que ninguém fora das paredes da minha casa parece respeitar e uma crescente sensação de apatia. Os números, minto, os corpos se empilham, outro Ministro cai. Vão-se as rodas da carroça, fica o jumento.

O ânimo só retornou completamente na terça-feira, bem a tempo de meu aniversário de 20 anos de casamento. Uma data sem festa, infelizmente, ainda assim uma conquista para a vida. Entretanto, os trabalhos também haviam se acumulado. Corri atrás do prejuízo e está tudo bem agora. Até o Windows 8 finalmente se comportou corretamente, quando a paciência e a necessidade me fizeram voltar a Yunica no sábado.

Outro oásis na semana acabou sendo Minecraft, a partir do momento que nossa modesta vila engrenou. Cerquei-a com muralhas, minha velha obsessão contra os perigos da noite. Meu filho ergueu uma lavoura imensa para plantar os itens que precisa (a partir de um mod, ele consegue cultivar de tudo, de carvão a diamante, se tiver as sementes certas). Descobrimos uma mina abandonada em um complexo de cavernas próximo.

O ponto alto foi o casamento(?) do guri, outro desses mods que ele descobre no YouTube e pede para instalar. Com Minecraft Comes Alive, você pode conversar com pessoas na vila, estabelecer relacionamentos e constituir família. É bem esquisito, na minha humilde opinião, de quem nunca jogou The Sims na vida. Com o casório do guri, me senti subitamente deslocado dentro de nossa casa compartilhada e resolvi erguer meu próprio cafofo separado, pela primeira vez desde que começamos a jogar juntos.

Como um troglodita de Minecraft, cavei um buraco na encosta de uma morro próximo, botei porta, janelas e já estava bom pra mim, convertido no velho eremita da montanha. Meu filho não se conformou com aquilo e deu um trato no visual da minha moradia. De uma caverna tosca e insalubre, virou um bucólico quartinho de madeira que dá gosto de se viver. Foi uma mistura dos vídeos que ele vê na internet com o Decora que a mãe assiste na televisão. Pena que eu não tirei foto.

The Twilight Zone

Nesta semana, terminamos de ver a primeira temporada de Twilight Zone, do Jordan Peele. Teve seus pontos altos, houve episódios mais fracos, houve episódios que pecavam pela falta de sutileza na crítica social. Mas, no bojo, é um renascimento incrível. Dava para ouvir o cérebro do guri expandindo. Histórias que desafiam as expectativas e um final que até mexe com metalinguagem. Um bom ponto de entrada para sci-fi mais inteligente que a média.

Nesta semana, também assistimos Contra o Tempo (Source Code). É um filme muito bem dirigido, que te deixa tentando adivinhar tudo quase o tempo todo, com um elenco afiadinho. A explicação estraga um pouco no meio, por ser tosca. Mas o filme consegue segurar a peteca e entrega uma conclusão muito satisfatória e amarrada. O diretor Duncan Jones está 3x0 comigo até agora. Não acho um grande diretor, mas é bastante competente.

Também vi Liga da Justiça Sombria com meu filho. Talvez eu esteja meio pistolito porque transformaram John Constantine em um maguinho que solta bola de fogo. Embora a trama tenha um plot twist que realmente me pegou desprevenido, o resto é bem sem sal, abaixo do que se poderia esperar de personagens tão interessantes.

Através do Gamerview, não joguei nada essa semana. Estamos na entressafra natural de lançamentos ou a pandemia já começou a afetar a indústria de jogos? Não sei. Dada a estafa dos últimos, até foi bom não ter a pressão de algo para jogar com data para entrega. Ainda assim, minha mente clama por novas experiências.

Legendary

Em Legendary, completei dois terços do jogo. Achei inicialmente que o título inteiro se passaria em uma única tarde nas ruas de Manhattan, mas cometi um engano. Há uma bem-vinda troca de cenário logo depois, embora a mudança deixe o jogo mais próximo dos mapas tradicionais de FPS, com ruínas abandonadas e (mais) esgotos. A terceira parte vai me levar para outro ambiente urbano, mas em Londres. É um título bastante mediano, mas que teria feito minha cabeça no lançamento.

Com 216 horas jogadas, Warframe estabelece sua hegemonia como o quarto título mais jogado de minha vida no Steam e já ameaça as 278 horas de Conan Exiles. Acreditei que liberar todos os planetas do Sistema Solar seria um bom ponto para encerrar minha jornada, mas, não apenas estou longe de conquistar o último, como o jogo continua oferecendo novas histórias, novos elementos e novos tipos de missão a todo momento. A Guerra nunca tem fim no espaço.

Warframe

Ouvindo: Juliette & the Licks - Long Road Out of Here
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4 comentários:

Luiz Antônio disse...

Parabéns pelos 20 anos de casamento.
Estou tendo a mesma impressão sobre a quarentena. Vejo vizinhos recebendo visitas de parentes e amigos normalmente com direito a churrasco e bebedeira. O numero de carros e pessoas(muitas sem máscaras) nas ruas é cada vez maior mesmo com boa parte do comércio fechada... Enfim... Cada vez mais tenho a impressão de ser um dos poucos que ainda leva isso a sério...
Fico com uma raiva cada vez maior quando escuto alguém falar na TV sobre um “novo” normal, pois o que vejo nas ruas é cada vez mais perto do velho normal piorado pois agora tem mais alguma coisa que quer me matar. Já não bastavam os bandidos, os malucos do trânsito caótico e todas as outras doenças que já existiam. Agora tem mais um inimigo na espreita que pode estar em qualquer lugar esperando apenas um descuido meu.
Hoje assisti com a minha filha o (ótimo) filme Ao cair da noite (It Comes At Night) e comentei com ela que no início da pandemia as pessoas ficaram com medo pois acreditavam que o mundo poderia ficar daquele jeito e respeitavam bem mais o “fique em casa”. Conforme o tempo foi passando as pessoas, infelizmente, se acostumaram com o absurdo (coisa que o brasileiro sabe fazer muito bem), perderam esse medo e daí estão voltando pra rua antes da hora. O fogo no rabo e a falta de empatia dessa gente falou mais alto... Desculpem o desabafo...
Enfim... Estou cada vez estou mais convicto de que teremos um velho normal piorado. Aqueles que se importam e são obrigados a ir trabalhar (como eu) vão continuar se cuidando com máscaras, etc... O desemprego (e todos os problemas que se originam disso) vai aumentar, a vida vai ficar mais cara e mais corrida (devido a uma concorrência muito maior) e com um novo inimigo na área ceifando vidas...
Pra finalizar deixo a frase de Arthur Schopenhauer que diz muito sobre o brasileiro: “A única alegria do rebanho e quando o lobo come a ovelha do lado.”

Marcos A.T. Silva disse...

É, meu caro, a situação está feia. E parece que vai piorar ainda mais. :(

Já somos o quinto país no triste ranking internacional de número de casos.

Desejo muita sorte, tudo de bom mesmo, pra você e sua família. E parabéns pelo aniversário de casamento! Quase o mesmo tempo que eu e minha esposa temos (temos um pouquinho mais).

Sobre jogos, estou só aqui aguardando pelo Minecraft Dungeons, via Xbox Game Pass para PC, que assinei, e estou gostando bastante. Finalmente vou poder jogar o primeiro Halo, aliás.

Sobre OSs, acredita que nem nunca vi a "cara" do Windows 8? rsrsrs

Grande abraço!

Gui disse...

¨fica o jumento¨ ?? vc é petralha por acaso? MITO vai continuar governando, não gostou vai pra venezuela tiozão!

C. Aquino disse...

Prezado Gui, fico satisfeito que a metáfora tenha sido reconhecida, embora eu deva admitir que cometi uma grande indelicadeza. Jumentos são animais extremamente úteis no campo. Quanto ao epíteto "petralha", não me cabe há uns bons sete anos. Tive a felicidade de evoluir e perceber que a política não é feita de figuras míticas às quais se deve devoção absoluta, mas de diálogo conciso, empatia, respeito e outros elementos que costumam faltar em figuras messiânicas mais afeitas a seus próprios planos de poder e sem nenhum apreço por seus seguidores. Se não gostou, existem outros blogs, "sobrinhozinho".

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