Com a proximidade do relançamento de Baldur's Gate II e a promessa de um novo capítulo para a saga, vale redescobrir o Baldur's Gate III que a Black Isle estava desenvolvendo em 2002. Batizado de Baldur's Gate III: The Black Hound, mas também conhecido como Projeto Jefferson, o terceiro título da franquia não apenas não se passaria na cidade do mesmo nome como tampouco traria de volta qualquer personagem já visto anteriormente. Nem Bhaal, o Deus da Matança, elemento central dos dois primeiros jogos, daria o ar de sua (des) graça no RPG. O novo jogo seria um legítimo caso de Nome de Curto Prazo. Para piorar a discrepância, a produção da Black Isle reciclaria heróis da série Icewind Dale. Apesar de Icewind Dale III ser um nome mais apropriado, The Black Hound traria a marca Baldur's Gate no título e teria que fazer frente ao legado estabelecido pela Bioware anteriormente. O único ponto em comum com a série Baldur's Gate seria o cenário dos Forgotten Realms de Dungeons and Dragons. Mas as regiões aproveitadas seriam a das Dalelands, principalmente Archendale, 'Deepingdale e Battledale, e o norte de Sembia.
Baldur's Gate III: The Black Hound usaria a amaldiçoada engine Jefferson, sucessora da Infinity Engine, usada em Planescape: Torment, Icewind Dale e nos primeiros Baldur's Gate. A exemplo da Aurora, criada pela Bioware para Neverwinter Nights, utilizaria também de cenários em 3D. Desenvolvido pela Black Isle Studios, a engine, porém, nunca viu a luz do dia. O outro título em desenvolvimento que aproveitaria o poder da Jefferson foi o também cancelado Van Buren, conhecido como Fallout 3, muitos anos antes da Bethesda lançar o seu Fallout 3. Revelado em 2002, o jogo já vinha sendo desenvolvido no tempo vago da equipe de criação de Icewind Dale desde 2000. O título deveria ter sido o primeiro de uma trilogia e teria chegado às lojas para o Natal de 2003, mas foi cancelado no meio de 2003, com 80% do desenvolvimento concluído. Do jogo, pouco restou, além de algumas artes conceituais.
Sem Baldur's Gate, sem Minsc, Jaheira, Viconia e até mesmo sem Bhaal, o que poderíamos ter esperado de Baldur's Gate III? Seu lema seria "você não pode matar a culpa" e sua história giraria em torno do Black Hound, a personificação sombria da culpa, libertada no mundo depois que a clériga maligna May Farrow soltou algo ainda pior. Depois de cair "morto" no colo do personagem do jogador, o Black Hound fica atado ao protagonista e o transforma também em um agente da culpa, reaparecendo sempre que ele se encontra perto de algum NPC que carrega uma grande culpa. A única forma de quebrar o vínculo maldito, uma vez que o Black Hound é imortal, é destruir a força maligna que May Farrow libertou. Em sua jornada, o herói atormentado cruzaria com a Church of Lathander, os Red Wizards of Thay, os Sembian Silver Ravens, os elfos de Deepingdale, os Archenriders e outras facções que atuam na região. De Icewind Dale, a gnomo Maralie Fiddlebende e o druida Iselore fariam pequenas participações.
Baldur's Gate III teria a mesma jogabilidade dos capítulos anteriores, mas as regras seriam adaptadas para a 3ª Edição de Dungeons and Dragons. The Black Hound limitaria o nível máximo que um personagem pode atingir para 8, no intuito de exigir mais decisões táticas do jogador e para abrir espaço para evolução nas outras duas continuações que estavam planejadas. Haveria bastante flexibilidade para o desenvolvimento do personagem principal, inclusive a mudança de alinhamento durante a partida, baseado nas ações e decisões tomadas durante a aventura. Assim como nos primeiros jogos, NPCs se associam e permanecem associados ao protagonista baseados no comportamento e na reputação e poderiam discutir e até brigar entre si de acordo com suas diferenças.
Mas a situação financeira da Interplay, produtora do jogo e dona do estúdio Black Isle, era catastrófica. Depois de ter sido adquirida pela francesa Titus Interactive em 2001, uma série de mudanças internas decretou a morte de vários projetos. No ano seguinte, as ações da Interplay saíram da Bolsa de Valores por estarem valendo muito pouco. A nova direção realizou um acordo de publicação com a também francesa Vivendi e removeu a Interplay do papel de publicadora. Em 2003 foi decidido que a empresa iria se focar no desenvolvimento de jogos para consoles. Na transição de plataforma, Van Buren e Baldur's Gate III, ambos em adiantado processo de produção pela Black Isle, foram engavetados. Em dezembro de 2003, toda a equipe da Black Isle foi demitida e o estúdio fechado.
Não seria a última vez em que se falaria de Baldur's Gate III, entretanto. Boa parte do time da Black Isle fundaria a Obsidian Entertainment e J.E. Sawyer, designer chefe das duas equipes, tentou adaptar The Black Hound como um módulo para Neverwinter Nights 2 em seu tempo vago. Infelizmente, tempo vago é um artigo raro na indústria de jogos e o projeto não decolou. Para todos os efeitos, The Black Hound está morto e enterrado. Mas não se pode matar uma ideia... Em 2004, a Atari, atual detentora dos direitos da franquia, deu a entender que um terceiro jogo de Baldur's Gate estava nos planos da empresa. Quatro anos depois, em 2008, a mesma Atari confirmaria o interesse e se tornaria notícia aqui no Retina Desgastada. Mais quatro anos se passaram e a esperança renasce, desta vez nas mãos da Overhaul Games.
22 Comentários
Não seria a infinity engine? Engine esta que criou a trilogia Baldurs Gate,Icewind Dale 1/2 e Planescape:Torment?
DA Aurora engine saiu a patetica campanha original Neverwinter Nights,Knights of the Old Republic 1/2, The Witcher,etc...
E ja que estamos falando de RPGs,veja esse trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=3JSV1ei6OjY&feature=player_embedded
Seria realmente interessante esse Black Hound,não fosse pela incompetencia de uma empresa morta-viva feito a Interplay...
Provavelmente Baldurs Gate 3 não vai acontecer,e se for o caso vai ser uma provavel porcaria!
Uma coisa que me deixou muito curioso, Aquino: Essa imagem que colocou de um desktop, por acaso é a imagem do desktop de algum funcionário da antiga black isle?
Falando em rpgs, estou muito interessado em um anction-rpg a lá diablo, mas online que se chama Path of Exile. Alguém ja ouviu falar?
É triste ver projetos nesse nível sendo engavetados ;/
Poa, eu comprei NWN2 justamente porque disseram que era diferente do primeiro. Mas nunca testei. E com a lista de jogos para experimentar, ele vai sendo empurrado com a barriga. Sobre a imagem de desktop, não tenho mais informações, mas acredito que sim, que seja o desktop de um funcionário da Black Isle: além da tela (talvez a única de Black Hound), há atalhos para o Project Jefferson e ele está com o Visual Studio aberto.
Isso vale pra música, filmes, games, etc...
Joguei NWN à exaustão, joguei todas as expansões(que infelizmente eram muito curtas).
Para a época foi um avanço, o jogo foi muito bem produzido.
Como disse, não sei dizer comparado à BG pois não joguei nada dessa série(apenas zerei o BG do PS2 com o meu filho...sei que não tem nada a ver com o BG de PC, jogamos pelo coop).
NWN remete à Dragon Age, se DA é o sucessor espiritual de NWN aí sim estamos falando de um produto que foi melhorado em todos os aspectos.
é um jogo ruim, que só valia a pena pelo multiplayer e módulos independentes, bem melhores que a campanha original, que era uma droga.
a expansão HotU era boa, essa valia a pena, mas no geral o jogo enchia o saco rápido sem os módulos independentes.
já NWN2 é um verdadeiro lixo, é o cão chupando manga, é o belzebu em forma de jogo, é a encarnação eletrônica do coisa-ruim!!!
fujam dele como o diabo foge da cruz!
Estou falando no estilo de jogo.Tem uns sons do DA que parecem idênticos ao NWN e tudo.
Estou falando de jogabilidade, graficos, som, etc...Não falo do universo de Forgotten Realms do NWN, falo do que citei acima!
Ja o NWN 2 lembra mais Baldur's gate... apenas lembra, pois tambem passou muito longe em qualidade. A câmera é horrível, o combate é mal feito, mas a campanha é melhor que a do NWN 1 (so um pouco). Porém, eu gostei das duas expansões.
Voltando ao texto, tinha outro RPG da Black Isle que foi cancelado na mesma época. Se chamava Torn, e era um universo totalmente original.
http://en.wikipedia.org/wiki/Black_Isle%27s_Torn
Eu nem consegui aguentar uma hora de NWN,o jogo cheira e fede a generico! Me diverti mais com um modulo chamado Tortured Hearts,embora não tenha terminado(como envelheceu mal o jogo em termos de graficos)!
Ja NWN2 tem a expansão Mask of the Betrayer, que é muito comparado com Planescape:Torment! Um dia eu jogo esse,e passo longe da campanha original!
Shadow: Tem certeza que não tem atalhos?
João Luiz: Pelo pouco que eu te conheco eu acho que vc não gostou de NWN2 pelos problemas de peformance!
NWN2 até rodou tranquilo, com algumas frustações ocasionais (infelizmente normal hoje em dia), mas é um lixo.
ps. o pior do NWN2 é fazer atualização, pra quem igual a mim comprou o jogo em 2007. era tão trabalhoso, que tu enchia o saco antes mesmo de jogar.
que baita duma furada esse jogo...