Nos Ășltimos dois meses, minhas vida foi tomada por um trabalho incrivelmente enfadonho e estafante, mas que pagava muito bem. Mais do que isso nĂŁo posso dizer, por razĂ”es contratuais. PorĂ©m, a natureza da atividade exigia de mim foco extremo, que eu intercalava com um velho, mas perdido, hĂĄbito: a leitura de webcomics. Houve um perĂodo de minha vida em que eu acompanhava com frequĂȘncia esse tipo de conteĂșdo, mas acabei deixando para trĂĄs. Esse trabalho em especĂfico, sazonal, trazia de volta a velha paixĂŁo.
O que me levou novamente a The Order of the Stick.
O fantåstico quadrinho é a obra e o trabalho de Rich Burlew, que lhe rendeu um verbete na Wikipédia. O autor americano iniciou esse projeto em 2003, estå prestes a completar duas décadas e a grande saga só tem previsão de conclusão para 2025. Até agora, são mais de 1200 påginas, sem contar as ediçÔes especiais publicadas aqui e ali. Rich Burlew é um profundo conhecedor de Dungeons and Dragons e foi um dos finalistas de um concurso de criação de cenårios da Wizards of Coast. Embora ele não tenha vencido a competição, a boa colocação lhe garantiu a oportunidade de contribuir com vårios livros de regra para o sistema de RPG e seu universo.
PorĂ©m, o mais importante, Ă© que o resultado animou Burlew para começar The Order of the Stick. Foi uma mistura de seu amor por Dungeons and Dragons, seu senso de humor e a emergente cena dos webcomics baseadas em figuras de palitinhos, a mesma vertente que tambĂ©m pariu Cyanide & Happiness, um ano depois. Consequentemente, The Order of the Stick combina (de forma que sĂł posso chamar de magistral)metalinguagem sobre os sistemas e as regras, humor inteligente, personagens carismĂĄticos e uma grande narrativa repleta de momentos Ă©picos que caberiam perfeitamente em uma tela de cinema ou naquela sessĂŁo inesquecĂvel de RPG de mesa.
Acredito que, em minha primeira tentativa de acompanhar The Order of the Stick, eu tenha lido cerca de 500 pĂĄginas da obra. O tempo passou e retomar a narrativa me parecia impossĂvel. AtĂ© que, nesse ano, foi The Order of the Stick que preservou minha insanidade nos intervalos marcados no relĂłgio entre um surto de foco e o prĂłximo. Resolvi recomeçar do zero, depois de um mĂȘs lendo webcomics aleatĂłrios. Valeu muito a pena e jĂĄ estou na pĂĄgina 725. Em apenas 30 dias, devorei a jornada do grupo de aventureiros que dĂĄ nome Ă sĂ©rie. Passei da metade, ainda hĂĄ um longo caminho pela frente mas tenho a certeza de que acabarei alcançando o ritmo de Burlew. Infelizmente, o autor convive com uma doença crĂŽnica que ele nunca explicou qual era, que o impossibilita de entregar novas ediçÔes com a frequĂȘncia desejada. Anos atrĂĄs ele ainda sofreu um acidente que rompeu ligamentos no dedĂŁo direito, mantendo o quadrinho em um enorme hiato atĂ© sua recuperação.
Essa postagem Ă© ao mesmo tempo uma forma de agradecimento e uma recomendação para todos os amantes de uma boa narrativa (em inglĂȘs, sorry) e fĂŁs de RPG de qualquer sistema. The Order of the Stick estĂĄ mexendo com regiĂ”es da minha mente que julgava adormecidas e sinto que 2022 pode ser o ano em que eu finalmente retorno para Baldur's Gate... o chamado da aventura Ă© forte.
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