Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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20 de abril de 2012

(não) Jogando: Borderlands

Borderlands - Claptrap

Borderlands é um jogo sui generis, inclusive aqui no blog. É a primeira vez em que levo três postagens para desistir de um título, o que, para mim mesmo, é uma inegável prova de que eu tentei com todas as minhas forças gostar dele. Borderlands tem aquele clima de faroeste mucholoco, meio Tarantino, meio Mad Max, meio Guy Ritchie, com seus vilões caricatos, seus NPCs com um parafuso a menos e seus protagonistas casca-grossa. Você reparou que Mordecai ri quando produz um dano crítico em seus inimigos? Por estas e outras, o produto da Gearbox Software trouxe para o meu coração aquele FPS-moleque que não se faz mais hoje em dia, sem responsabilidades com a verossimilhança militar e cujo único compromisso é o absurdo. Bateu saudades de Blood, Shadow Warrior, Duke Nukem 3D...

Mas Borderlands é mesmo um jogo único em seu gênero e também traz consigo uma carga forte de problemas, como já comentei anteriormente. Ao chegar no desafio final da Sledge's House (em minha terceira tentativa, vale dizer), sou apresentado a uma batalha impossível de ganhar contra um mini-chefe. A cada derrota, volto 50 metros para trás e tenho que abrir caminho a bala tudo de novo até apanhar novamente. Descarrego todas as minhas táticas contra o Psycho gigante (que joga granadas!) e nada funciona. Uma busca na internet e todo mundo está recomendando usar um glitch para vencer o inimigo: quando você morre, ele fica estático na mesma posição; se você der sorte, ao retornar, pode encontrá-lo desprotegido e exposto, vulnerável a tiros de sniper, sem reagir. Isso é Borderlands: a forma mais aceita de passar desta fase é morrendo e depois explorando um bug. E todo mundo acha normal.

Apesar de seu charme visual e da sua dose volátil de insanidade, Borderlands não é o jogo que eu esperava que fosse. Não é um RPG nem no sentido mais Diablo da palavra; a evolução de personagem e de armas acontece a conta-gotas, um mal-disfarçado incentivo barato para prosseguir. Como FPS, também deixa a desejar, com respostas de controle mais lentas do que seria o ideal. E o infinito respawn de inimigos deixa a sensação de jogo que só é bom se jogado com amigos, em nome da galhofa. Para um Explorador como eu, que tem a estranha obsessão de completar a trama de todos os jogos, Borderlands soa como um insulto. É tão inútil tentar chegar ao fim dele quanto seria tentar achar um final feliz em Killing Floor ou varrer a areia da praia. É um MMO para uma pessoa só, no máximo quatro. Não me espanta que tantos desistam de terminar.

Com tristeza, me despeço do mundo de Pandora. São tão poucas as coisas que poderiam ter sido mudadas para que minha experiência tivesse sido gratificante... infelizmente, Borderlands não foi feito pra mim.

Ouvindo: Leave's Eyes - Tale Of The Sea Maid

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14 comentários:

Shadow Geisel disse...

ou oito ou oitenta...
os jogos de hoje em dia estão bem fáceis...ou beirando o impossível, como Demons/Dark Souls. eu, sinceramente, nem achei a premissa de Borderlands tão boa que valha o sofrimento causado por seus problemas. dificuldade tem que ser atrelada a recompensas, se não vira sessão de masoquismo.

Fagner P. disse...

Muito triste. Pro meu lado também ta dificil, não fecho um jogo desde Skyrim, só vagando de titulos em titulos, procurando algo que me agrade... Ja fui de Bioshock, Crysis, The Darkness 2 e não consegui fazer nem metade deles, e isso em menos de 3 meses. Estou depositando minhas forças e esperança todas no Diablo 3, que inclusive ja fiz a pré venda (só é uma pena que não tenha pra Xbox 360 =/).

Lucs disse...

eu sei como é tentar gostar de um jogo (No meu caso eu tentei gostar de um gênero,o RTS) e acredito que isso não vale a pena, há muitos outros títulos mundo afora só esperando para serem conhecidos e amados (mas ainda assim, dê uma chance ao Resident Evil 4...)

E Mass Effect?Quando pretendes conhecer essa maravilha?

Jimmy666 disse...

Po Fagner, Bioshock eh bom demais!
O meu problema é falta de tempo mesmo, o que sobra eu jogo 90% do tempo Killing Floor....502 horas e ainda tenho vontade de jogar!
-
De resto venho brincando de Peggle Nights e Plants Vs Zombies, além daquele Wizorb que é bem legalzinho.
Meu mago está a 1 mes ocioso no Skyrim...

Marcus Gonzallez disse...

Lixo!

"Você já tentou varrer a areia da praia?"

Tava ouvindo hoje, vagueando e bebendo pela cidade com alguns amigos.

Eder R M disse...

Bom achei Borderlands simplesmente divertidíssimo, fui até o fim (sem DLCs), mas é o tipo de jogo que (mto) provavelmente jogo uma vez só e é o suficiente, tipo, para sempre.

O seu respawn infinito lembrou-me do Diablo 2, que tb grita "nasci para ser jogado em co-op". ;D

Jimmy666 disse...

Falando em DIABLO 3, o beta está aberto ao publico durante esse fim de semana!Bora pro Battle.net galera!

Shadow Geisel disse...

Diablo 3 está confirmado para consoles.

essa coisa de tentar gostar de um jogo tá ficando cada vez mais comum nos dias de hoje. sinal óbvio de desgaste do entretenimento. as empresas de game parecem que estão autistas, pois ignoram completamente a direção certa que devem tomar com suas principais franquias (caso da Konami, com Castlevania e Square-Enix com FF).
uma empresa que, para mim, está levando as suas franquias no rumo certo é a Bethesda. apesar de todas as falhas dela, conseguiu dar continuidade a sua principal série (Elder Scrolls) com um jogo que, apesar de controverso, é indiscutivelmente um ótimo jogo, que atingiu as expectativas da maioria. muito pior é quando acontece o que aconteceu com Castlevania, por exemplo. a franquia está completamente fora dos eixos, entregue a uma empresa ocidental que parece nunca ter jogado um Castlevania na vida (na verdade, acho que os únicos dois jogos que a equipe da Mercury Steam jogou nos últimos anos foi God of War e Shadow of the Colossus) e que não teve o mínimo interesse em entregar um produto ao menos reconhecível aos fãs. Resident Evil ainda consegue gerar jogos de qualidade, mesmo que não tenha muito a ver com a série original.

só pra não fugir muito do assunto, todo mundo diz isso a respeito do Borderlands, que ele é jogo de uma partida só.

iguuu'Poa disse...

Como comentei no post sobre esse teste do BrainHex, tem pouquíssimas experiências em jogos que eu não gosto. Acho que o gráfico cel-shaded, ou ilustrativo me cativou bastante, assim como os personagens, gostei bastante de jogar com Mordecai e dos inimigos, da forma como o mundo foi construído. Eu joguei bastante, e realmente gostei.

Mas bem, gosto é gosto (:

Dpaz disse...

ainda bem que n comprei esta m*rda ehehehehe ja curto muito rpg e jogo de fps com rpg e respaw argh! sempre fica por 4,99 no steam. Aquino joguei o demo de Batman Arkham Asilium e achei legalzinho porem muito roteirizado tipo os novos Call of Duty, sera que so eu? pergunto isso pq vc elogiou ele numa analise.

Jimmy666 disse...

Batman Arkham Asylum é clássico, figura facil entre os 10 melhores jogos dessa década.
Comprei o Arkham City...ficou legal e tals, mas preferi mil vezes o asylum!

Breno disse...

Talvez Aquino se de mais com um jogo tipo E.Y.E Divine Cibermancy. Achei ele um bom passa-tempo!

Anônimo disse...

Hum... infeliz sua análise.

E o mercado inclusive provou isso, com as vendas e a chegada de uma nova versão.

A mim me pareceu que você ( por sorte ou por imperícia ) não conseguiu virar, se frustrou com o game, e sentou o pau, coletando todos os pontos negativos ( da sua já deturpada visão ). Resumindo: despeite.

Isso acontece com todo mundo vez ou outra, tenho mágua do MegaManX do SNES, de não ter conseguido matar o último chefe. Isso me frustrou muito.

Pra quem se propõe fazer análises deve-se evitar o fator emoção na hora da avaliação, o que claramente aqui você não o fez.

Interprete a minha crítica como construtiva (y) . Pelo menos minha intenção é essa.

Abraço,

Silvio

Ed R M disse...

Não querendo ser chato, Aquino, mas concordo em gênero, nº e grau com a opinião do Silvio.

Apesar de ser um blog que, obviamente, reflete a subjetividade e opinião pessoal do autor, acho que algumas vezes um pouco mais de... distanciamento e, talvez, imparcialidade, seria bem vinda, tendo em vista a popularidade do blog e o nº de pessoas que são influenciadas dirertamente por ele.

Abraço.

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