Retina Desgastada
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25 de março de 2012

Cachorro Preto: O Baldur's Gate III Que Ninguém Conheceu

Baldur's Gate III - Arte Conceitual

Com a proximidade do relançamento de Baldur's Gate II e a promessa de um novo capítulo para a saga, vale redescobrir o Baldur's Gate III que a Black Isle estava desenvolvendo em 2002. Batizado de Baldur's Gate III: The Black Hound, mas também conhecido como Projeto Jefferson, o terceiro título da franquia não apenas não se passaria na cidade do mesmo nome como tampouco traria de volta qualquer personagem já visto anteriormente. Nem Bhaal, o Deus da Matança, elemento central dos dois primeiros jogos, daria o ar de sua (des) graça no RPG. O novo jogo seria um legítimo caso de Nome de Curto Prazo. Para piorar a discrepância, a produção da Black Isle reciclaria heróis da série Icewind Dale. Apesar de Icewind Dale III ser um nome mais apropriado, The Black Hound traria a marca Baldur's Gate no título e teria que fazer frente ao legado estabelecido pela Bioware anteriormente. O único ponto em comum com a série Baldur's Gate seria o cenário dos Forgotten Realms de Dungeons and Dragons. Mas as regiões aproveitadas seriam a das Dalelands, principalmente Archendale, 'Deepingdale e Battledale, e o norte de Sembia.

Baldur's Gate III: The Black Hound usaria a amaldiçoada engine Jefferson, sucessora da Infinity Engine, usada em Planescape: Torment, Icewind Dale e nos primeiros Baldur's Gate. A exemplo da Aurora, criada pela Bioware para Neverwinter Nights, utilizaria também de cenários em 3D. Desenvolvido pela Black Isle Studios, a engine, porém, nunca viu a luz do dia. O outro título em desenvolvimento que aproveitaria o poder da Jefferson foi o também cancelado Van Buren, conhecido como Fallout 3, muitos anos antes da Bethesda lançar o seu Fallout 3. Revelado em 2002, o jogo já vinha sendo desenvolvido no tempo vago da equipe de criação de Icewind Dale desde 2000. O título deveria ter sido o primeiro de uma trilogia e teria chegado às lojas para o Natal de 2003, mas foi cancelado no meio de 2003, com 80% do desenvolvimento concluído. Do jogo, pouco restou, além de algumas artes conceituais.

May Farrow Sem Baldur's Gate, sem Minsc, Jaheira, Viconia e até mesmo sem Bhaal, o que poderíamos ter esperado de Baldur's Gate III? Seu lema seria "você não pode matar a culpa" e sua história giraria em torno do Black Hound, a personificação sombria da culpa, libertada no mundo depois que a clériga maligna May Farrow soltou algo ainda pior. Depois de cair "morto" no colo do personagem do jogador, o Black Hound fica atado ao protagonista e o transforma também em um agente da culpa, reaparecendo sempre que ele se encontra perto de algum NPC que carrega uma grande culpa. A única forma de quebrar o vínculo maldito, uma vez que o Black Hound é imortal, é destruir a força maligna que May Farrow libertou. Em sua jornada, o herói atormentado cruzaria com a Church of Lathander, os Red Wizards of Thay, os Sembian Silver Ravens, os elfos de Deepingdale, os Archenriders e outras facções que atuam na região. De Icewind Dale, a gnomo Maralie Fiddlebende e o druida Iselore fariam pequenas participações.

Baldur's Gate III teria a mesma jogabilidade dos capítulos anteriores, mas as regras seriam adaptadas para a 3ª Edição de Dungeons and Dragons. The Black Hound limitaria o nível máximo que um personagem pode atingir para 8, no intuito de exigir mais decisões táticas do jogador e para abrir espaço para evolução nas outras duas continuações que estavam planejadas. Haveria bastante flexibilidade para o desenvolvimento do personagem principal, inclusive a mudança de alinhamento durante a partida, baseado nas ações e decisões tomadas durante a aventura. Assim como nos primeiros jogos, NPCs se associam e permanecem associados ao protagonista baseados no comportamento e na reputação e poderiam discutir e até brigar entre si de acordo com suas diferenças.

Mas a situação financeira da Interplay, produtora do jogo e dona do estúdio Black Isle, era catastrófica. Depois de ter sido adquirida pela francesa Titus Interactive em 2001, uma série de mudanças internas decretou a morte de vários projetos. No ano seguinte, as ações da Interplay saíram da Bolsa de Valores por estarem valendo muito pouco. A nova direção realizou um acordo de publicação com a também francesa Vivendi e removeu a Interplay do papel de publicadora. Em 2003 foi decidido que a empresa iria se focar no desenvolvimento de jogos para consoles. Na transição de plataforma, Van Buren e Baldur's Gate III, ambos em adiantado processo de produção pela Black Isle, foram engavetados. Em dezembro de 2003, toda a equipe da Black Isle foi demitida e o estúdio fechado.

Baldur's Gate III - Desktop

Não seria a última vez em que se falaria de Baldur's Gate III, entretanto. Boa parte do time da Black Isle fundaria a Obsidian Entertainment e J.E. Sawyer, designer chefe das duas equipes, tentou adaptar The Black Hound como um módulo para Neverwinter Nights 2 em seu tempo vago. Infelizmente, tempo vago é um artigo raro na indústria de jogos e o projeto não decolou. Para todos os efeitos, The Black Hound está morto e enterrado. Mas não se pode matar uma ideia... Em 2004, a Atari, atual detentora dos direitos da franquia, deu a entender que um terceiro jogo de Baldur's Gate estava nos planos da empresa. Quatro anos depois, em 2008, a mesma Atari confirmaria o interesse e se tornaria notícia aqui no Retina Desgastada. Mais quatro anos se passaram e a esperança renasce, desta vez nas mãos da Overhaul Games.

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22 comentários:

Breno disse...

"(...)Engine Aurora, usada em Planescape: Torment e na saga Icewind Dale".

Não seria a infinity engine? Engine esta que criou a trilogia Baldurs Gate,Icewind Dale 1/2 e Planescape:Torment?

DA Aurora engine saiu a patetica campanha original Neverwinter Nights,Knights of the Old Republic 1/2, The Witcher,etc...

C. Aquino disse...

Corretíssimo, Breno. Corrigindo...

Breno disse...

Ops, KOTOR 1 e 2 pertencem a Odyssey Engine segundo o Wiki,mas provavelmente deve ser para o Aurora o que a Engine Creation é para a Gamebryo usado pela Bethesda!

E ja que estamos falando de RPGs,veja esse trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=3JSV1ei6OjY&feature=player_embedded


Seria realmente interessante esse Black Hound,não fosse pela incompetencia de uma empresa morta-viva feito a Interplay...

Provavelmente Baldurs Gate 3 não vai acontecer,e se for o caso vai ser uma provavel porcaria!

Jimmy666 disse...

Neverwinter Nights=jogaço

Poa Kli-Kluu disse...

O primeiro Neverwinter Nights eu ouvi falar muito bem, muito bem mesmo. Já o segundo, joguei e não gostei, e muitos que falaram bem do primeiro não gostaram do segundo.

Uma coisa que me deixou muito curioso, Aquino: Essa imagem que colocou de um desktop, por acaso é a imagem do desktop de algum funcionário da antiga black isle?

Falando em rpgs, estou muito interessado em um anction-rpg a lá diablo, mas online que se chama Path of Exile. Alguém ja ouviu falar?

É triste ver projetos nesse nível sendo engavetados ;/

C. Aquino disse...

Engraçado: eu não curti Neverwinter Nights. E olha que tentei duas vezes. Basicamente, eu estava esperando um sucessor espiritual de Baldur's Gate, mas o combate não era em turnos, você não controlava um time de guerreiros, os NPCs não tinham metade da personalidade dos NPCs de Baldur's Gate e os cenários, ainda que em 3D, perdiam para as aquarelas medievais do jogo anterior. É possível que eu curtisse NWN sem a comparação, mas eu estava ainda sobre a sombra de Bhaal...

Poa, eu comprei NWN2 justamente porque disseram que era diferente do primeiro. Mas nunca testei. E com a lista de jogos para experimentar, ele vai sendo empurrado com a barriga. Sobre a imagem de desktop, não tenho mais informações, mas acredito que sim, que seja o desktop de um funcionário da Black Isle: além da tela (talvez a única de Black Hound), há atalhos para o Project Jefferson e ele está com o Visual Studio aberto.

Jimmy666 disse...

Sempre que se espera alguma coisa com outra em mente, se ela for diferente(não estou me referindo à melhor ou pior)vai ser frustante.
Isso vale pra música, filmes, games, etc...

Jimmy666 disse...

Não joguei NWN2, dizem que é um bom jogo, mas os bugs e os problemas com a câmera inviabilizam o jogo...
Joguei NWN à exaustão, joguei todas as expansões(que infelizmente eram muito curtas).
Para a época foi um avanço, o jogo foi muito bem produzido.
Como disse, não sei dizer comparado à BG pois não joguei nada dessa série(apenas zerei o BG do PS2 com o meu filho...sei que não tem nada a ver com o BG de PC, jogamos pelo coop).
NWN remete à Dragon Age, se DA é o sucessor espiritual de NWN aí sim estamos falando de um produto que foi melhorado em todos os aspectos.

João Luiz disse...

desculpe, mas NWN não tem nada a ver com DA.

é um jogo ruim, que só valia a pena pelo multiplayer e módulos independentes, bem melhores que a campanha original, que era uma droga.

a expansão HotU era boa, essa valia a pena, mas no geral o jogo enchia o saco rápido sem os módulos independentes.

já NWN2 é um verdadeiro lixo, é o cão chupando manga, é o belzebu em forma de jogo, é a encarnação eletrônica do coisa-ruim!!!

fujam dele como o diabo foge da cruz!

Jimmy666 disse...

NWN não tem nada a ver com DA?

C. Aquino disse...

Tem não, Jimmy. NWN usa o universo e os personagens de Dungeons and Dragons, mas chegou um momento em que a Bioware não queria mais trabalhar com o universo dos outros. Passou KOTOR 2 e NWN 2 para a Obsidian e lançou Jade Empire, Dragon Age e Mass Effect, todos universos criados internamente.

Jimmy666 disse...

Sim, mas não estou falando nese contexto.
Estou falando no estilo de jogo.Tem uns sons do DA que parecem idênticos ao NWN e tudo.
Estou falando de jogabilidade, graficos, som, etc...Não falo do universo de Forgotten Realms do NWN, falo do que citei acima!

C. Aquino disse...

Ah, tá! Agora entendi! Mas já não posso avaliar: não joguei DA ainda. Vendo de screenshots e de ouvir falar, eu diria que a jogabilidade tem mais ação, a perspectiva é em terceira pessoa mais próxima de um Resident Evil do que de um Diablo (que na verdade se chama isométrico). Sons similares? Aí já é caso de preguiça da Bioware... Para não dizer que não gostei de nada de Neverwinter Nights, a trilha sonora é show de bola. Mas a de Baldur's Gate 2 é melhor! kkkkk

Valber disse...

Se for avaliar a campanha oficial, NWN é muito fraquinho. Nesse quesito, é de longe o jogo mais fraco da Bioware. Tem ate módulos feitos pela comunidade que são melhores que isso. Da pra ver que na época a Bioware tava empenhada no desenvolvimento de Kotor.

Ja o NWN 2 lembra mais Baldur's gate... apenas lembra, pois tambem passou muito longe em qualidade. A câmera é horrível, o combate é mal feito, mas a campanha é melhor que a do NWN 1 (so um pouco). Porém, eu gostei das duas expansões.

Valber disse...

Tambem nao consigo ver semelhança entre Dragon Age e NWNW. Sobre o comentario de Aquino, Dragon Age tambem tinha um modo de câmera parecido com BG. No PC, é preferível jogar assim, e o jogo tambem lembra o estilo de combate de Baldur's Gate, ja que vc recruta os companheiros e os controla individualmente, com a opção de pausa.

Voltando ao texto, tinha outro RPG da Black Isle que foi cancelado na mesma época. Se chamava Torn, e era um universo totalmente original.
http://en.wikipedia.org/wiki/Black_Isle%27s_Torn

Shadow Geisel disse...

eu tentei jogar o NWN2. até gostei de algumas coisas do jogo, como dublagem e gráficos. mas uma coisa que me assustou MUITO nele foi a interface nos combates. em RPGs eu sempre jogo com magos. sempre acabo me arrependendo, mas não tem jeito. tá no sangue de nerd. quando o combate começa, vc quer soltar uma simples mágica e precisa passar por três ou quatro menus. muito burocrático.

Breno disse...

Aquino: Baldurs Gate não era em turnos,e sim tempo real com pausas!

Eu nem consegui aguentar uma hora de NWN,o jogo cheira e fede a generico! Me diverti mais com um modulo chamado Tortured Hearts,embora não tenha terminado(como envelheceu mal o jogo em termos de graficos)!

Ja NWN2 tem a expansão Mask of the Betrayer, que é muito comparado com Planescape:Torment! Um dia eu jogo esse,e passo longe da campanha original!

Shadow: Tem certeza que não tem atalhos?

João Luiz: Pelo pouco que eu te conheco eu acho que vc não gostou de NWN2 pelos problemas de peformance!

C. Aquino disse...

Correto de novo, Breno, sobre os turnos em Baldur's Gate. Havia no jogo a opção de pausar a luta automaticamente em determinados eventos, para dar novas ordens aos NPCs. Como eu deixava ativados muitos eventos, fiquei com a lembrança de batalhas em turnos. Mas eram em tempo real e você podia especificar scripts de comportamento para os personagens agirem por conta própria (que não eram perfeitos, por isso a opção de interromper a luta constantemente).

João Luiz disse...

pra ti ver como tu não me conhece, breno...

Breno disse...

E pq me lembrei que vc se decepcionou com Witcher 2 porque o jogo não rodou no seu PC! Mas realmente essa discussão é boba...

Shadow Geisel disse...

pra ser sincero, nem me lembro se tinha atalhos, Breno. joguei pouquíssimo dele me 2007. mas se curva de aprendizado fosse espontânea, eu não teria me afastado. detesto jogos do tipo "se vira pra aprender", ou jogos do tipo "passinhos de bebê" pra tudo. ou oito ou oitenta. tutorial só é um saco quando a empresa não tem jeito pra fazer.

João Luiz disse...

witcher 2 nem rodou, mas eu adorei o 1. daí que o problema foi só técnico.

NWN2 até rodou tranquilo, com algumas frustações ocasionais (infelizmente normal hoje em dia), mas é um lixo.

ps. o pior do NWN2 é fazer atualização, pra quem igual a mim comprou o jogo em 2007. era tão trabalhoso, que tu enchia o saco antes mesmo de jogar.

que baita duma furada esse jogo...

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