Retina Desgastada
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19 de setembro de 2011

Jogando: Fallout 3 - Broken Steel

Depois do desastre de Operation Anchorage, o DLC Broken Steel funciona como um sopro de vigor no universo de Fallout 3. Embora, também tenha sua dose de falhas.

Broken Steel 04

A grande qualidade de Broken Steel é estender a linha principal do jogo além do Projeto Purity e mostrar um pouco das Terras Devastadas após as mudanças impostas pela ação do jogador. Tecnicamente falando, o DLC também modifica ligeiramente o final, acrescentando uma continuidade, e aumenta o nível máximo permitido de 20 para 30. Mas o legal mesmo é ver como a vida continuou depois da conclusão. E foi muito sensato da parte da Bethesda mostrar que, na verdade, pouca coisa mudou. Loucos, bandidos e corruptos continuam existindo, se adaptando às novas condições existentes, distorcendo a utopia que poderia ter sido criada e mostrando claramente que o espírito humano esconde o que há de melhor e o que há de pior, é inevitável. Perceber que os mendigos sedentos ainda pedem por clemência, porque a solução não é igual para todos é de cortar o coração de um personagem de alto Karma. Ver um deles morrendo na sua frente depois que você passou o jogo INTEIRO fornecendo água potável para ele é um autêntico tapa na cara.

Para quem deseja seguir explorando o universo da capital americana, Broken Steel é perfeito. Apesar de ele ter uma missão central, novas localidades, encontros e missões são adicionados por todo o território e descobri-los é um prazer a mais. Novas criaturas e armas também aparecem, mas senti a falta de novos aliados ou novos elementos de jogabilidade.

Broken Steel 01 Broken Steel 02

O pior pecado de Broken Steel é mesmo a ênfase no combate. Não chega a ser uma simulação de guerra como Operation Anchorage, mas a espinha dorsal da história é o conflito definitivo entre o Enclave e a Brotherhood of Steel. Pouco importa se você já destruiu Raven Rock ou se convenceu o último líder do Enclave a desistir de seus atos. Em Broken Steel, os Vertibirds e os fascistas blindados estão por toda parte, até em número maior que na versão normal de Fallout 3! Novas unidades do Enclave debutam no jogo, para compensar o fato de que você será obrigado a enfrentar dezenas e dezenas deles. Esta batalha irá acontecer em três etapas. Na primeira, você terá a oportunidade de ver Liberty Prime em ação mais uma vez, o que não é de todo ruim. A longa operação de limpeza de bunker que se segue, sim. Na segunda etapa, você verá mais Deathclaws do que é possível suportar, mas terá pelo menos uma luta interessante, em um prédio desmoronado repleto de Enclaves. Na terceira e última etapa, você irá sair do mapa do jogo e entrar em uma longa, longa, longa área infestada de inimigos. Metade das forças do Enclave do planeta devem morrer por suas mãos nesta sequência. A outra metade morre na cena final. Para quem gosta, é um prato feito, aquilo que Operation Anchorage deveria ter sido.

Broken Steel 03

Depois de tanto esforço, o jogo termina sem epílogo. Um tapinha nas costas pelo trabalho bem-feito e de volta para a desolação. Para todos os fins, Fallout 3 já terminou faz tempo. O resto é hora extra. Por enquanto, me despeço do jogo, para evitar a já próxima saturação. Deixo meu personagem nas docas de Point Lookout, olhando para o céu cinzento e esperando meu retorno.

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19 comentários:

Breno disse...

"Perceber que os mendigos sedentos ainda pedem por clemência, porque a solução não é igual para todos é de cortar o coração de um personagem de alto Karma. Ver um deles morrendo na sua frente depois que você passou o jogo INTEIRO fornecendo água potável para ele é um autêntico tapa na cara."
Essá é a famosa técnica de ilusão de escolha.Vc tem varias side-quests no jogo com uma variedade de soluções,mas raramente essas soluções vão configurar uma mudança na forma de jogar.Mais culpado ainda desse fenomeno é a bioware,que sempre coloca as grandes decisões do jogo no final das quests(ou no final do jogo em si).È o que eu chamo de choice and cutscene.Infelizmente as pessoas parecem gostar mais desse modelo,ao inves de quererem um mundo reativo,que lhes punam, recompencem,ou que não lhes deem recompença alguma,apenas uma frustração por vc achar que ia dar em alguma coisa os seus atos. Engraçado que até o jogo strider puniu Aquino por algo que ele fez e com isso ele abandonou o jogo.

Breno disse...

Outro fenomeno que atormenta o mundo dos rpgs são os chamados rpgs "god of war"(se inclui nesse genero jogos como the witcher 2,mass effect 2,deus ex:HR).Esses ARPG usam elementos de rpg apenas como suplemento,sem de fato serem essenciais para a conclusão do jogo.Para usar um exemplo,no ARPG diablo,vc nunca vai conseguir concluir o jogo sem distribuir seus pontos adquiridos com o ganhar de nivel. O que muitas pessoas não sabem é que elas não querem jogar rpgs,elas querem apenas jogar jogos de ação de grande duração.Se por exemplo a bioware quisesse fazer um rpg de god of war,eles apenas acrecentariam mais horas de jogo,escolhas de dialogo com pouca relevancia e decisões morais no final de cada fase que apenas mudaria uma cutscene no final.

Fagner P. disse...

Aproveitando o tópico (sei que não tem nada haver) e não sei se você viu, mas tem uma super promoção no Origin. Mais de 20 titulos por R$9,90 até dia 20. E não é porcaria, tem muitos jogos bons. Comprei o Spore e o Mercenaries 2.

João Luiz disse...

broken steel é a melhor dlc pra FO3, mas tu deve tá de saco cheio do fallout agora, hehehe.

eu joguei as dlcs bem espalhadas, por isso não enjooei do jogo, mas jogar todas juntas deve dar nos nervos.

a batalha final é muito legal, e se tu quiser, dá pra fazer toda ela em sneak. é só "sneakar" e matar um por um.

pra mim, a parte mais legal dessa dlc é a estação que leva até a adams base. talvez por estar quase intacta, sei lá, mas achei bem legal aquele cenário.

C. Aquino disse...

Breno, eu também sou favorável a um mundo mais reativo, mesmo que de forma artificial. Adorei quando fecharam o acesso ao castelo no meio de Gothic ou ver a vila crescendo em Bloodmoon. Infelizmente, é raríssimo um jogo reagir adequadamente ao que o jogador faz, seja por preguiça ou tempo curto dos desenvolvedores. É muito ruim quando você acaba de salvar o mundo e só muda uma linha de diálogo dos NPCs... E Strife é mal-executado mesmo.

Fagner, eu vi esta promo do Origin e até postei no Twitter. Se eu estivesse com mais grana, eu comprava o Mercenaries 2. Infelizmente, não será desta vez...

João, eu até tentei ser sorrateiro no final, mas acompanhado pelo Fawkes "Gatilho Leve" é complicado. Curioso que a estação de metrô escondida também foi minha área favorita do Broken Steel, depois do prédio tombado em Old Farney.

Breno disse...

Mas ai entra em contradição quando vc elogia os desenvolvedores pelo fato de eles não terem levado em consideração suas escolhas de jogar.Mas de fato eles levam em consideração,pois se vc negar agua na cara de pau,eles morrem na proxima vez que vc visitar a cidade,o que é menos ruim do que vc ficar eternamente dando agua para o vagabundo(seria interessante se o personagem descobrisse que ele tava fazendo vc de otario). Existe também a cidade que vc pode destruir,que altera o gameplay do jogo(o que é uma boa coisa,pena que a motivação para destruir a cidade seja tão fraca,tanto do protagonista,quanto do quest-giver(a cidade está atrapalhando a vista LOL)).Enfim, a minha critica fica pelo fato de vc elogiar um jogo pelas razões erradas(que para mim é tão ruim quanto defender os desenvolvedores coitadinhos pelas falhas dos mesmos).

Breno disse...

"E foi muito sensato da parte da Bethesda mostrar que, na verdade, pouca coisa mudou. Loucos, bandidos e corruptos continuam existindo, se adaptando às novas condições existentes, distorcendo a utopia que poderia ter sido criada e mostrando claramente que o espírito humano esconde o que há de melhor e o que há de pior, é inevitável".

Na verdade isso seria mais interessante se houvesse mudanças no jogo político da capital wasteland,com o dissolvimento de facções(por exemplo,descobriram que os super mutants estão saindo de um determinado vault,causando a extinção dos mesmos),criação de novas facções e possiveis combates entre elas(por exemplo batalhas entre brotherhood e outcasts).Mas o DLC apenas adicionou umas quests sem sal,mais 10 niveis e uns inimigos extras,e só!!O resto continua o mesmo.

Breno disse...

Aquino poderia me mandar o link para a sua resenha de strife(ajudaria se vc tivesse o botão postagens antigas).Pelo que eu me lembro do seu relato,o jogo te puniu por causa de algo que vc fez.A principio eu não concordo com o fato de ser mal-execução a punição que o jogo dá ao jogador pelo fato de vc deixar ser descoberto atras das linhas inimigas(nada mais coerente).Hoje em dia a filosofia dos jogos é deixar de ser jogos ao não permitir que o jogador perca,vide a mais recente "obra-prima" contemporanea gears of war 3(metascore de 91)que praticamente joga em piloto automatico na dificuldade casual e NORMAL(o normal de hoje não é o normal de antigamente).

E recentemente eu vi o relato do rapaz do ninja game den quando ele desistiu de Fallout 1 por achar um jogo com dificuldade brutal e resolveu tentar jogar ultima 4(LOL).Só não entendo por que ele não usou as concepções que ele tem de jogos para tentar terminar fallout(como usar um detonado sem spoilers,por exemplo).

C. Aquino disse...

Tem um link para a lista de análises no rodapé das páginas (é, está mal localizado...). De qualquer forma, a conclusão de Strife está em http://blog.retinadesgastada.com.br/2011/07/nao-jogando-strife.html. De qualquer forma, seus comentários colocaram minhas engrenagens para funcionar e tenho algumas ideias para colocar em uma próxima postagem

Breno disse...

Bom,espero que meus comentarios forneçam boas ideias!Mas ao ler a analise eu ainda dou razão ao jogo pela abordagem ação/reação.Não ficou muito claro para mim o que danado vc fez que deixou a cidade toda no seu percalço.O interessante é analisar de que modo o jogo lhe proporcionou aquele cenario(não deu pistas suficientes ou vc foi descuidado?).De qualquer forma eu acredito que mais jogos deveriam fazer este tipo de abordagem,até por que,hoje em dia o desafio não é mais visto como uma coisa boa.

C. Aquino disse...

Em Strife, os guardas de cada cidade não atacam você até o momento em que você saca uma arma e atira, nem que seja para uma parede. Aí, toda a cidade se vira contra você, para sempre. Some a isto o uso de respawning infinito de soldados e temos um perigo sério. Eu tomei o máximo de cuidado (após alguns erros que me fizeram voltar um save atrás). Na última cidade, para acessar uma das áreas finais do jogo, tinha que passar pelos guardas que protegiam uma porta. Imaginando que aquela seria minha última visita ao lugar, larguei o dedo nos sentinelas e cruzei para a outra região. A alternativa para esta abordagem é uma passagem SECRETA existente em outra área lá atrás. Na nova região, enfrentei inimigos, avancei, consegui o que queria, fui teleportado de volta para minha base, enfrentei outra ameaça. Depois de tudo isso, tive que voltar à mesma cidade onde tinha atirado nos guardas. Parecia a Faixa de Gaza em polvorosa. Ou eu recuperava um save de antes de atacar os guardas, e rejogava um trecho longo, ou encarava a cidade em um ato suicida. Então, na verdade Strife me oferecia duas opções para avançar no jogo: partir para a ignorância naquela porta maldita e sofrer terríveis consequências no futuro ou encontrar uma passagem secreta que só quem leu o walkthrough sabia da existência. E o jogo é repleto destas "escolhas": um caminho árduo e insano (que pode inclusive não dar em nada) e outro "correto" com menos perigos. Em outros títulos onde sua reputação vira todos contra você, sempre existe a possibilidade do disfarce, da invasão sorrateira, do suborno, de uma temporada na prisão ou qualquer outra alternativa que não seja a execução sumária em via pública!

LocoRoco disse...

Eu acredito que o problema do Fallout 3 é ser um RPG. Eu me lembro que no começo do jogo, em um momento bem específico, no qual invadi um museu. Aquilo sim era jogo! Eu andando todo cauteloso, olhando para todos os lados, onde mesmo já tendo terminado o meu objetivo naquele lugar, eu continua explorando porque eu queria saber o que aquela civilização tinha já descoberto e tentando achar uma explicação sobre o que aconteceu com ela.
Depois você vai ficando mais forte, essa "magia" se perde, um motivo é que explorar os lugares na verdade só te dão experiência e itens, outra é que você vira um semi-deus no jogo, não teme mais nada. Eu fico me perguntando porque esses jogos sempre te deixam um semi-deus, ou até um deus, onde o único jeito de ter algum desafio você tem que matar uma cacetada de inimigos. Para mim isso tira totalmente a imersão do jogo, em um jogo em que a imersão tinha que ser o principal.
Por isso ando me irritando com os rpg's porque no final tu acaba sempre ficando muito foda, eu quero voltar a ser aquele fraco que pode morrer a qualquer momento, eu não quero um punhado de batalhas genéricas, quero batalhas interessantes e bem planejadas.
E é por isso que vou voltar para minhas lembranças e experiências com o Fallout 3 quando eu era level 3. Até.

C. Aquino disse...

LocoRoco, eu sinto a mesma coisa em muitos RPGs, que às vezes os níveis medianos são melhores que os mais avançados. Experimente Risen ou os primeiros Gothics e você verá que mesmo perto do fínal, você ainda precisa ficar esperto para não ser massacrado. Ou Baldur's Gate 2.

Para mim, o grande defeito de Knights of the Old Republic, mais o primeiro, é a facilidade. Poucos RPGs foram tão tranquilos para mim e isto estragou o que poderia ter sido um jogo digno de ir para a lista de favoritos.

Finalizando, sua descrição do que achou legal em Fallout 3 me lembrou muito S.T.A.L.K.E.R.. Já jogou? Pelo o que entendi, acho que seria perfeito para você!

LocoRoco disse...

Por algum motivo não me interessei em jogar STALKER, mesmo escutando muitos elogios. Mas com a sua indicação fiquei tentado em jogar. Só duas perguntas, ele tenta explicar sobre o seu universo e o que aconteceu com ele, e qual título jogar?

C. Aquino disse...

LocoRoco, S.T.A.L.K.E.R. deixa muitas questões em aberto sobre seu universo e é bem hermético, felizmente. Nada de explicações esmiuçadas (e bizarras). Eu joguei até agora apenas o primeiro jogo. Ouvi dizer que a prequel Clear Sky é fraca, mas ouvi coisas boas de Call of Pripyat, a continuação. Para o ano que vem, está programado o lançamento de S.T.A.L.K.E.R. 2. Você pode acompanhar minhas impressões à medida em que ia jogando em http://blog.retinadesgastada.com.br/2009/04/jogando-stalker-shadow-of-chernobyl.html e http://blog.retinadesgastada.com.br/2009/05/jogando-stalker-parte-2-sobrevivencia.html e concluindo em http://blog.retinadesgastada.com.br/2009/05/jogando-stalker-shadow-of-chernobyl.html

C. Aquino disse...

Opa, revendo minha própria análise, eu lembrei que sim, tem um momento no final (dependendo do final) em que eles tentam explicar TUDO e é frustrante...

locoroco disse...

Vou esperar uma promoção da steam para comprar o jogo, e enquanto isso terminar outros jogos pendentes. E estou pensando em colocar alguns mods, tem alguma recomendação?

C. Aquino disse...

Eu não usei mods em S.T.A.L.K.E.R., mas ouvi muito bem sobre o Complete: http://blog.retinadesgastada.com.br/2009/06/fechando-tampa-de-chernobyl.html

Pedro Manoel disse...

Estou com um problema na ultima missão da DLC Broken Steel, Quando voce entra no helicóptero da irmandade de aço para ir para cidadela onde o Elder Lyons esta te esperando ele não aparece, o jogo não aparece nenhum dialogo e meu personagem fica parado só podendo mexer a camera, e depois de um tempo o jogo para de funcionar.

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