Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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16 de junho de 2011

Notas de Rodapé da Indústria – Parte IV

Esta é uma série que estava abandonada desde Março porque criticar implacavelmente a indústria dos jogos eletrônicos é cansativo, não surte efeito algum e ainda tem certo sabor de ingratidão, de morder a mão que te afaga. Mas fui assolado por um profundo pessimismo em relação ao futuro diante de tantos equívocos e demonstrações de ganância, a ponto de temer um colapso da indústria equivalente ao fim da Era Dourada dos anos 80. Para aqueles que entendem inglês recomendo enfaticamente a leitura deste texto: "The 6 Most Ominous Trends in Video Games". Há uma grande mudança a caminho e pode ser negativa. Na melhor das hipóteses, nosso bolso irá sofrer um furioso assalto. Na pior das hipóteses, a indústria quebra.

Call-of-Duty-Elite A gigante Activision abriu um precedente perigoso com o sistema do Call of Duty Elite, uma assinatura mensal para conteúdo exclusivo da franquia militar. A produtora alega que a experiência permanecerá a mesma para aqueles desabonados que não puderem ou não quiserem pagar a mensalidade e que nada será removido de um jogo Call of Duty para fazer parte de Elite. Mas também afirma que o sistema estabelecerá um "novo padrão para a experiência multiplayer". No meu tempo "padrão" queria dizer padrão. E este novo padrão só estará disponível para quem pagar, logo, haverá detrimento da experiência que se convencionará chamar de "padrão". Mas a Activision não liga para críticas e desconfianças e declara textualmente que "Até os haters poderão jogar de graça". Nada é mais eficiente para destruir argumentos do que partir pra ignorância e classificar de forma pejorativa os possíveis críticos. Como já me lembrou pelo Twitter o Fábio Sooner, com milhões de jogadores da série, basta uma fração de assinantes para a iniciativa dar lucro. E ele está certo. Já há dois milhões de assinantes para o Beta do serviço.

Do lado de lá da concorrência, a EA Games também já concebeu um sistema para alavancar o lucro do vindouro Battlefield 3. Os jogadores que fizerem a pré-compra do jogo terão acesso antecipado aos DLCs "Physical Warfare Pack" e "Back To Karkand". Absolutamente ninguém está reclamando do absurdo de existir não apenas um, mas dois DLCs antes mesmo do lançamento do título ou sobre como é impossível que este conteúdo não tenha sido removido de propósito do jogo. Aparentemente, o que era escandaloso ano passado, agora é o "novo padrão". Os jogadores estão reclamando que um punhado de armas exclusivas no conteúdo liberado desta forma irá desequilibrar o multiplayer! Não me lembro de ninguém reclamando do Mamute de Guerra de Conan. Mas me lembro de uma época onde vantagem para a pré-compra era 10% de desconto ou um outro jogo de brinde. Hoje, a vantagem de comprar um título antes de qualquer análise da imprensa é poder levar o jogo completo. Se serve de algum consolo, o conteúdo do "Physical Warfare Pack" será liberado gratuitamente para todos os compradores. Em um futuro não-especificado.

Back to Karkand

DukeNukemForever Fugir da imprensa  ou ter uma relação sórdida tem se tornado uma norma também. Duke Nukem Forever, a piada viva, depois de mais de uma década de desenvolvimento, está sendo massacrado pela crítica. Na verdade, está sendo tão atacado que chega a dar pena. O Metacritic dele está em 57% na versão para PC e isso é muito perto dos textos amargos que circulam pelos sites especializados. E foram justamente estas palavras amargas que provocaram a ira do Redner Group, a empresa responsável pela assessoria de imprensa do jogo. Em seu Twitter oficial, foi postado: "Muitos foram longe demais com suas análises... nós estamos revendo quem vai receber jogos da próxima vez e quem não irá baseado no veneno de hoje". A declaração (ou ameaça) foi apagada, mas já era tarde demais. O presidente do Redner Group pediu desculpas e alegou que estava de cabeça quente, mas já era tarde demais. A 2K Games, produtora de Duke Nukem Forever, cancelou o contrato com a empresa depois de anos de serviços. Infelizmente, este tipo de prática sugerida no tweet da Redner não nasceu na indústria dos jogos eletrônicos e existe em relação a filmes, livros, discos e até lançamento de automóveis.

A THQ fechou o Kaos Studios esta semana em uma atitude extremamente questionável. Como eu já comentei, Homefront, a grande aposta de 2010 tanto da produtora quanto da desenvolvedora não teve o resultado esperado. Isso explicaria o corte do Kaos Studios, mas, no mesmo comunicado, a THQ garantiu que está trabalhando em uma continuação do jogo, desta vez conduzido pelos estúdios da própria THQ, em Montreal. Afinal, vendeu muito ou vendeu pouco? Vendeu pouco para segurar o emprego de dezenas de desenvolvedores mas vendeu o bastante para chamá-lo de uma das "principais franquias da empresa"? Jamais saberemos.

Crise nos Infinitos Serviços

Batalha de Titãs

A EA Games, que já tinha uma loja virtual com relativo destaque, resolveu lançar outra loja virtual, para, quem sabe, conseguir maior destaque. Origin veio e, a princípio, parecia mais um skin para a loja anterior. Ontem, ela foi o palco do que pode ter sido o primeiro movimento de uma guerra virtual pela supremacia da distribuição digital.

A princípio, o jogo Crysis 2 desapareceu do Steam, depois de meses de vendas. Logo em seguida, o botão de compra no Origin bradava em alto e bom tom: "apenas no Origin". A notícia caiu como uma bomba:

crysis2origin Mas logo se constatou que o mesmo jogo ainda podia ser comprado em outros sistemas de distribuição online, como o Gamersgate e o Direct2Drive. Subitamente, o botão de compra do Origin também foi atualizado para um simples "Buy Now". Havia algo de inexplicado no ar.

De todas as principais lojas online, apenas o Steam fora afetado. Outros títulos em pré-venda da EA, como Alice: Madness Returns e Battlefield 3 também não estão disponíveis no serviço da Valve, mas podem ser encontrados nos concorrentes. Mas jogos mais antigos da produtora continuam no catálogo do Steam.

Entre a idolatrada Valve e a demonizada EA, o público concluiu que esta última estaria sabotando a primeira, em uma tentativa suja de alavancar sua própria loja. Mas o desmentido veio logo em seguida. Em comunicado à imprensa, a EA sustenta que a culpa é da Valve! "É lamentável que o Steam tenha removido Crysis 2 de seu serviço. Esta não foi uma decisão da EA ou o resultado de qualquer ação tomada pela EA". Supostamente, uma nova cláusula no contrato do Steam teria impedido a continuidade do jogo no sistema. Supostamente, esta nova cláusula afetaria especificamente o produto da Crytek. Para piorar o quadro, a Valve não comenta sobre o caso.

Além das questões já levantadas pelo Xboxplus, eu pergunto: se o caso está relacionado à Crytek, porque Alice: Madness Returns e Battlefield 3 não estão em pré-venda no Steam? De quem foi a idéia de criar o botão escrito "only on Origin"? Por que a Valve se cala?

ATUALIZAÇÃO (17/06): Alice: Madness Returns voltou a aparecer no catálogo do Steam, passado o período da pré-venda e sem o bônus do primeiro jogo saindo de graça, que também não aparece mais no Origin Brasil. A diretora de Relações Públicas da EA, Amanda Taggart, divulgou uma curta nota alfinetando a Valve: "EA Partners e Spicy Horse Games apreciam a decisão do Steam de vender Alice: Madness Returns.". O diretor de Relações Públicas da Valve, Gordon Freeman, segue sem fazer qualquer comentário.

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8 comentários:

Bruno disse...

Também achei muito estranho esta história de Madness Returns ser exclusivo do Origins. Na hora pensei no óbvio "a EA vai acabar fazendo suas franquias de reféns no Origins e os fãs que se danem p/ comprar seus jogos favoritos a preços (ainda mais, p/ nós brasileiros) absurdos".

No entanto, como já havia previsto, não pude deixar de comprar Madness Returns ontem. O preço foi de R$ 100, sendo que estou comprando o Madness Returns e o American Mcgee's Alice juntos. Não é apenas um negócio razoável, é um bom megócio. Sem contar que Madness Returns mostra a que veio já nos primeiros 10 minutos de jogo.

[SPOILER]
Logo no começo, ao andar pelas ruas do mundo real, um cara oferece uma vida boa à Alice caso esta se torne uma prostituta. Ou de uma mulher idosa cobrar dinheiro da Alice p/ que mantenha a boca fechada em relação a um segredo (que nem tão secreto assim). Ou seja, como se já não bastasse Alice ter que lidar com o trauma de perder os pais num incêndio, das lembraças do manicômio onde foi trancada por anos e a destruição da Wonderland, uma projeção mental que representa ela mesma, ainda tem que lidar com o mundo real e decrépito cheio de adultos corruptos da época em que vive. Não que decrepitude e corrupção sejam exclusividade daquela época, mas enfim... [/SPOILER]

No entanto, o Dragon Age: Origins, que é muito mais velho, está custando os mesmos R$ 100 no Origin. Nada me tira da cabeça que a EA, mercenária como é, vai acabar fazendo suas franquias de reféns ne isso muito me preocupa, mas não dá p/ negar que o Madness Returns mais American Mcgee's Alice por R$ 100 vale muito à pena.
Claro, não estou tentando tirar o da Valve da reta com tudo isso. Esse silêncio é realmente muito estranho e preocupante. E se contar que a Microsoft muito provavelmente planeja fazer o mesmo com o GFWL... *medo*
De qualquer forma, a única coisa certa é que a indústria de games p/ pc vai mudar muito com esse duelo de titãs. Se p/ melhor ou p/ pior, só o tempo dirá. Pessoalmente, não estou muito esperançoso.

Bruno disse...

Só uma nota p/ ser justo: O Dragon Age: Origins vendido no Origins vem com todos os DLCs, incluindo os Items Packs e o Awakening.

C. Aquino disse...

Independente do jogo ser bom ou não, não acho que R$100 seja um preço tão bom assim. Se considerarmos o valor de 50 dólares para um lançamento no Steam e somarmos com o preço máximo de 10 dólares de um jogo antigo no GOG e multiplicarmos pelo valor do dólar teremos cerca de 94 reais. Lembrando também que algumas produtoras costumam dar jogos anteriores no Steam, na ocasião de lançamento de novidades. Se eu não me engano, Red Faction Guerilla saiu de graça para quem fez a pré-compra do Armageddon e Darkstalkers também saiu de graça na compra de um outro título que me foge à memória... Ou seja, o Origin não está metendo a mão, mas também não é uma mãe. Outro problema que surge com a possível exclusividade das plataformas é manter a comunidade coesa e compartilhar experiências. Será necessário uma empresa de fora para integrar as comunidades do GFWL, Steam, Origin e outros?

Bruno disse...

Dei uma procurada pelo Steam e GOG atrás do American Mcgee's Alice p/ comparação e não achei nada. Mas não sei eles nunca venderam o jogo ou se foi retirado por pedido da EA com a proximidade do lançamendto de Madness Returns. Também não sei se o original ainda está sendo vendido em outros serviços do gênero, já que nunca me inspiraram confiança e uso apenas o Steam e GOG.

Não me ocorreu procurar saber se o Steam já havia feito algo parecido, mesmo que só com algumas produtoras. Provavelmente pq nenhum jogo que comprei por lá teve algo do tipo. De qualquer forma, obrigado por apontar este fato.

Sobre o preço, não esqueça também a taxa de 7,4% sobre a transação internacional do PayPal. No fim, dariam poucos reais a mais que os R$ 99,90 que o Origins está cobrando pelos dois jogos (pelo menos com o dólar a R$ 1,601 desta data).
O problema todo é que o Origins cobra a mesma coisa por jogos muito mais antigos, diferente do Steam. Tá certo que o serviço mal foi lançado, mas era de se esperar que, por exemplo, DA: Origins, mesmo com todos os DLCs no pacote, estivesse custando algo em torno dos R$ 60 ou até menos, já que é um jogo de quase 2 anos atrás. Querendo ou não, quando se trata de hardware e software, 2 anos é um tempo muito longo e desvaloriza muito o produto.

E embora uma empresa de fora talvez conseguisse organizar essa bagunça, a probabilidade de tal empresa surgir, em minha pessimista visão, é quase nula.

Bruno disse...

Só p/ esclarecer o que pode ter ficado meio confuso ali em cima: vc usa seu cartão direto no Origin, sem o intermédio do PayPal ou outra empresa do tipo.
O que pode ser um risco, dado como os pivetes tetudos de 12 anos (leia-se: hackers do Lulsec e similares) estão ativos.

Anônimo disse...

Cara, as matérias são interessantes, mas as cores do blog são péssimas. Meu olho está ardendo, lendo esses posts. Não consigo ler nada inteiro. Eu sei que o nome do blog eh Retina Desgastada, mas isso nao faz bem para a visao

Anônimo disse...

alice ja está na Steam

Fagner P. disse...

Anonimo, não é atoa que é "Retina Desgastada" XD Eu particularmente não acho ruim...

Retina Desgastada

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