Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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16 de março de 2011

Notas de Rodapé da Indústria – Parte III

A indústria dos jogos eletrônicos atingiu um patamar que a torna uma das mais poderosas e lucrativas do ramo de entretenimento. Entretanto, coerência e respeito ao consumidor ainda é artigo raro reservado para um ou outro integrante da elite da área...

Brotherhood

Como explicar a gafe fenomenal da Ubisoft, ao inserir músicas pirateadas em uma edição de luxo de Assassin’s Creed: Brotherhood? Algum funcionário achou que seria mais prático copiar as faixas ripadas de um arquivo torrent da Internet do que requisitar as gravações originais que são propriedade da própria Ubisoft. E ainda esqueceu de remover as tags que identificam a origem do rip. Para uma empresa que ganhou a hostilidade de todos os jogadores ao implantar um draconiano sistema contra a pirataria, a manobra do funcionário "espertinho" fica entalada na garganta.

Por outro lado, a CD Projekt RED, uma desenvolvedora de jogos que sempre se orgulhou de levantar a bandeira contra o DRM, anunciou que The Witcher 2 será lançado sem proteção apenas no GOG. Para quem não sabe, o GOG.com é um dos braços da própria CD Projekt RED e a pré-venda do aguardado RPG é extremamente vantajosa através do serviço. Mas aqui reside a minha bronca: todas as outras lojas de distribuição digital venderão o jogo com proteção embutida! Se o objetivo do DRM é inibir a pirataria (em teoria), então, ao oferecer seu produto em sua própria loja, sem qualquer proteção, não seria um convite aos piratas? O que impede o surgimento de versões vazadas vindas do GOG se espalharem na web? Nada. Toda essa manobra, então, soa como uma forma cruel de punir os consumidores legítimos que ousarem comprar o jogo em outro serviço.

Dragon Age 2 E o que dizer do escândalo da manipulação de notas de Dragon Age II? Para quem não acompanhou o caso, segue o resumo: Dragon Age 2 foi extremamente mal-recebido pelo público, atingindo uma nota de 4,2 em análises enviadas por usuários do Metacritic, uma referência na área. Entenda bem, estamos falando de 4,2 de 10, uma nota que reprovaria qualquer aluno em qualquer escola. A única nota 10 dada até então pertencia a um certo Avanost, que teceu grandes elogios ao RPG. Após uma rápida investigação, descobriu-se que Avanost trabalhava para a Bioware, desenvolvedora do jogo. Contrariando a opinião dos usuários legítimos do Metacritic, Avanost afirmou que o jogo que ele mesmo ajudou a criar "foi perfeitamente executado e possui diversão infinita". Modéstia pouca é bobagem. A EA, atual dona da Bioware, tentou minimizar o escândalo, afirmando que é assim que as coisas funcionam, que acontece sempre, seja no Oscar, no Grammy ou no Metacritic. A mesma lógica aplicada todos os dias na política brasileira e que nós chamamos por aqui de "corrupção imunda". Mas a análise de "Avanost" foi removida.

Enquanto isso, nos fóruns da Bioware, um jogador inconformado com a queda de qualidade de Dragon Age 2 perguntava se a Bioware não havia "vendido sua alma para a Electronic Arts". Ao invés de receber uma resposta diplomática, ele foi banido do fórum e teve sua conta bloqueada, o que, na prática, também desativava o jogo. O jogo pelo qual ele pagou um bom dinheiro para jogar. A conta foi reativada depois de alguns dias e alegou-se uma "falha no sistema".

Homefront Mas, talvez a EA esteja certa em tentar manipular a média do Metacritic, afinal. A THQ está amargando a péssima recepção de Homefront, seu novo FPS. O jogo lançado ontem, após meses de exaustivo marketing, atingiu a nota 6,9 por parte dos usuários e 71 na crítica especializada em seu primeiro dia de venda. A consequência das notas baixas foi uma queda das ações da empresa em 25%. Eu posso não entender nada da Bolsa de Valores, mas sei que perder 25% de qualquer quantia é sempre desastroso. Para conter a tragédia, o preço do jogo já foi reduzido, em seu segundo dia de vendas. Sem querer parecer cruel, mas é irônico que o novo carro-chefe da empresa tenha sido tão mal-recebido. Dias antes do lançamento, Danny Bilson, um dos chefes da THQ criticou duramente a série Mass Effect e afirmou que "esses Mass Effect possuem todos os clichês dos filmes de ficção científica juntos". Considerando que sua empresa estava prestes a lançar uma morna releitura do filme Amanhecer Violento, um truque já executado anos antes com Freedom Fighters, eu diria que a afirmação de Bilson foi equivocada e fatídica. Mas, está tudo bem, estamos falando de uma empresa que preza a inovação, não é mesmo?

Finalizando, para que ninguém pense que o objetivo desta postagem é apenas jogar pedras para todos os lados, temos o bom exemplo da Valve. Em um recente podcast da empresa, Gabe Newell teve a humildade e a gratidão de reverenciar a id software e seus veteranos e lembrar a todos que, sem o trabalho deles, a Valve não estaria aqui hoje. Mais do que licenciar a engine do primeiro Quake para que Newell e seus associados criassem o primeiro Half-Life, John Carmack e outros membros da id software incentivaram diretamente o desenvolvimento do jogo que começou tudo. Minha estima pelo grande Newell acabou de subir de nível... Agora, só falta anunciar o Episode 3.

Ouvindo: Sisters of Mercy - Body And Soul
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3 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Aquino, e se o STEAM ou o Direct to Drive por exemplo, em "respeito" ás outras produtoras que utilizam o DRM não quiseram retirar o mesmo do jogo?Se essas mesmas distribuidoras fizessem questão do "free DRM" , a CD Projekt RED não iria tirar pra elas também? Além do mais acho que a empresa que, como você próprio falou, orgulha-se de ostentar a bandeira do "no DRM" ,deve sim ter esse tipo de privilégio, mesmo se não fosse um braço da empresa criadora do jogo.É de certa forma , um prêmio á quem se recusa á utilizar artifícios que punem o jogador que não utiliza o pirata.Quanto ao incentivo á pirataria, com ou sem proteção nós sabemos que ele vai virar "Jack Sparrow".Nada contra o Steam ou outras, mas recomendo que comprem a versão do GOG para simplesmente dizer um NÂO ao DRM , ou em última análise , para os lucros irem direto para a criadora do jogo, nesse caso a CD Projekt RED.
Em relação aos resto das suas ponderações, concordo plenamente com suas opiniões.

Bruno disse...

Ri demais com o caso da Ubisoft! E estava lendo o resto do texto entre risadas quando cheguei no caso do Dragon Age II... Não que me importe com o jogo, mas fico muito preocupado com o que esperar de Mass Effect 3... E pior: pelo visto haverá mais uma expansão pro ME 2 antes do 3, que supostamente fará uma ponte pro ME 3.
A Bioware criou uma lenda com o primeiro ME e conseguiu a proeza de fazer uma continuação que em muitos aspectos supera o primeiro. Agora, depois de tudo isso... O que esperar do terceiro?

Eder RM disse...

Sinceramente, essa mentlidade atual de "nota no metacritic é tudo" é ridícula. As pessoas nem se importam com um texto bem escrito e coerente, só querem saber da tal da nota...

Sobre o Dragon Age 2, eu entendo perfeitamente o que os "fiéis" do 1° jogo estão sentindo, mas que é uma reação exagerada de criança mimada, isso é. Vide as notas da crítica, que em geral ficam entre 7 e 8 9"em geral", eu disse :)) se é pra falar de nota.

O que acontece é que, o sistema de habilidades foi sim "simplificado", mas resultou, na minha opinião, em um combate muito mais dinâmico. Outros pontos que fazem o jogo ter um feeling diferente do original é que ele se passa todo em apenas uma cidade e algumas áreas ao redor, e há essa mentalidade de que RPG de fantasia tem que percorrer um continete inteiro. E a trama em si é bem mais sutil e vai se "montando" aos poucos, e tem um tom diferente do 1°. No Dragon Age ORigins, era aquela coisa à la Senhor dos Aneís, "vamos derrotr o monstro supremo causador de todo o mal". Já no segundo, é mais a história da vida de um zé ninguém que ganha influência e se mete numa briga entre os pró-magos (pois os magos temidos por muitos e a maior parte vivem meio que como escravos) e os anti-magos (a maioria das pessoas, e o "governo). No fim, é um trama muito mais pessoal e, ao mesmo tempo, política. Eu adorei as mudanças e curti muito mais do que o DA 1. Mas entendo perfeitamente que os fãs ardorosos do 1° se sentiram abandonados. Só que esse comportamentp infantil de muito uusuário doi metatric chega a ser risível. E quanto as inevitáveis comparações, DAII é outro tipo de jogo do que a série Mass Effect. ME 1 / 2 são jogos de ação com alguns pequenos toques e RPG pra disfarçar. DA, mesmo o 2 tendo muita gente dizendo que foi "dumbed down", é RPG mesmo, em todo sentido role-play da palavra, mais do que ME jamais tentou ser.

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