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21 de março de 2023

Jogando: Dead Island 2 - Primeiras Impressões

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(publicado originalmente no Gamerview)

Eu confesso: amei o primeiro Dead Island. O título de zumbis da Techland parecia mais um no mar de títulos similares, foi mal compreendido pelo público e pela crítica, sabotado por um marketing obtuso e deixado de lado depois até mesmo pelo estúdio, que preferiu seguir em frente com Dying Light. Os bastidores de sua continuação são igualmente conturbados, com troca de desenvolvedora no meio do caminho, anos de atraso e a suspeita de que se tornaria um vaporware. Porém, tenho o prazer de dizer que Dead Island 2 não apenas é real, como também é bom.

Bom, não. Excelente. É exatamente o que eu esperei por todos esses anos desde que deixei o arquipélago de Banoi no final de Dead Island Riptide e aportei nas docas de Los Angeles. Mais brutalidade, mais zumbis, mais exploração de mapa, mais customização agressiva de armas, mais improviso. Sem parkour, sem história complexa ou decisões morais, sem gerenciamento de comunidade ou corda-gancho no estilo Homem-Aranha. Apenas uma marreta na mão e meia dúzia de mortos-vivos nojentos no caminho.

Não Estamos Mais Em Uma Ilha

Ignorando completamente que Los Angeles não é uma ilha, o jogo já começa na pressão: a cidade caiu e as autoridades estão tentando evacuar o máximo possível de sobreviventes. Na cena de abertura de Dead Island 2, vemos militares usando o controverso termômetro digital para medir a temperatura dos refugiados. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Evidentemente, o dispositivo não garante que a pessoa não esteja contaminada e o avião que transportava uma leva de pessoas para fora de Los Angeles acaba caindo porque havia infectados à bordo.

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Daí pra frente, o jogador precisa fazer sua maior escolha: qual será seu sobrevivente desse desastre em dose dupla? Ao contrário do jogo anterior, Dead Island 2 oferece seis personagens jogáveis (dois a mais que o primeiro e um a mais do que Riptide). Cada um deles representa uma das várias etnias que compõem o caldeirão cultural californiano. Diversidade à parte, esses sobreviventes também apresentam habilidades iniciais e estatísticas diferenciadas, que irão oferecer abordagens variadas para o inferno que virou Los Angeles.

Talvez esse seja um dos pontos fracos do jogo: se eu gostei da atitude de Carla, a sobrevivente latina, por exemplo, terei que me conformar em não ter a agilidade acentuada de Amy ou a força bruta do saradão Ryan. Felizmente, o jogo compensa essa rigidez inicial com cartas de habilidade que vão sendo liberadas ao longo da aventura, que irão permitir uma customização maior do que cada matador de zumbis consegue fazer.

Eu disse "matador de zumbis"? Sim, esse é o ponto central da experiência de Dead Island 2, até mais do que do primeiro: você não controla apenas um sobrevivente em uma luta desesperada para escapar do apocalipse dos mortos. Você é uma máquina de matar zumbis, que usa e abusa de armadilhas, inteligência, armas modificadas e tudo que estiver disponível para atravessar essas ruas sem medo. Não chega a ser um festim insano como na franquia Dead Rising, mas está bem longe da seriedade de um Resident Evil ou do niilismo de um Dying Light.

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Cada um dos matadores de zumbis encara os acontecimentos com surtos de adrenalina e muita confiança. A impressão que fica, pelo menos nesse início e, principalmente pela cutscene inicial, é que todos eles estavam à margem da sociedade, apenas esperando a oportunidade exata para usar seus instintos de sobrevivência para triunfar.

Ao longo do caminho, iremos encontrar NPCs que só agregam a essa sensação global de evitar o drama. A situação é crítica, mas temos personagens que se aproximam do cômico. Entretanto, Dead Island 2 nunca desce para o absurdo, como faria a franquia cinematográfica Zumbilândia. Entre esses NPCs, está o retorno de um sobrevivente querido dos jogos originais, que age inicialmente como um mentor para nosso personagem.

Sangue e Vísceras em Dead Island 2

O jogo não exige um PC de ponta, rodou macio por aqui, com pouquíssimos travamentos. O maior gargalo de performance aconteceu justamente no cenário do avião caído, com fogo, partículas, cinzas e outros efeitos tomando a tela. Assim que se chega nas mansões da Rodeo Drive, foi só alegria.

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O mundo aberto oferece muitos ambientes para serem explorados. Para um rato coletor como eu, é uma festa de itens para serem pegos, material que será fundamental para fazer upgrade de armas ou negociar com vendedores. Vale a pena entrar em cada cômodo das mansões, apreciar o cuidado na construção do mobiliário e, principalmente na desconstrução, na sensação constante de algo terrível se abateu sobre a normalidade. Como testei dois jogadores, posso adiantar: o conteúdo que você pode encontrar espalhado é aleatório.

Ainda que a exploração ajude na imersão, é na hora da luta que Dead Island 2 mostra a que veio. As lutas são menos frequentes do que costumam ser em títulos que tem o cansativo hábito de saturar os cenários com legiões de mortos-vivos. Por outro lado, cada embate é tenso e o jogo oferece múltiplas formas de destroçar a carne e os ossos dos mortos. É uma satisfação que nunca cansa.

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O estúdio Dambuster, interno da produtora Deep Silver, produziu um sistema de camadas corporais anatomicamente realista. Isso significa que cada morto-vivo é composto de pele, carne, ossos e órgãos em seus lugares certos e cada pedaço pode ser arrancado com brutalidade e efeitos variados. É um sistema detalhado que dá vontade de explorar seus limites. O resultado são tripas, sangue e outros restos humanos espalhados pelo chão com uma intensidade que deixaria Killing Floor 2 orgulhoso.

O único defeito real do período de teste foi que ele acabou. A partir do dia do lançamento, Dead Island 2 pode contar com meu machado. E minha marreta. E minha faca. E minha Uzi. E minha...

Ouvindo: The Glove - The Tightrope (Original Instr. Mix)

Um comentário:

Vinão disse...

mal posso esperar pra jogar! muito top!

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Blog criado e mantido por C. Aquino

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