Retina Desgastada
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5 de julho de 2020

Quarentena - Semana 16

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Hoje, recebi a notícia da morte de um conhecido por COVID-19. É a primeira pessoa que tive contato direto que se tornou vítima da pandemia. Era um professor de Literatura, amigo da minha esposa, e um doce de ser humano. Possuía um vasto conhecimento de sua área, mas era humilde, gentil e plácido. O tempo entre o diagnóstico e a morte foi fulminante. Em dois dias, estava morto.

Ele se junta a mais de 63 mil mortos acumulados em uma crise que não tem uma perspectiva de terminar. Ainda assim, o inconsciente coletivo parece ter estipulado que a normalidade voltou. Bares lotados, ruas lotadas, ônibus lotados. A suposta elite refinada do Leblon compareceu em peso e sem máscaras à reabertura de seus points. A suposta elite refinada da Barra da Tijuca desafiou as ordens da Guarda Municipal de ir embora. Nos subúrbios, a situação não é diferente. Essa é uma população que não irá parar de se expor até ser afetada ou até ser ordenada a parar. Entretanto, quem está no comando, em todas as esferas agora, não liga. Não há nem mesmo um Ministro da Saúde.

O brasileiro se cansou do coronavírus e decidiu que ele não existe. Humilhado, ele se junta à doença de Chagas, à fome, à violência urbana, ao desvio de verbas públicas, à Hepatite C, aos abortos clandestinos, à violência nos campos, aos agrotóxicos, aos efeitos do aquecimento global. "Morra quem morrer".

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Com o calote que a Epic Games Store deu com Conan Exiles, meu filho e eu não iniciamos um novo jogo essa semana. Ficou óbvio, entretanto, que Minecraft irá sair. Resta decidir que título irá substitui-lo e isso gerou uma longa e infrutífera busca. Apesar de várias opções colocadas na mesa, meu filho recusou todas e trouxe uma sugestão que iremos tentar na próxima semana: Totally Reliable Delivery Service. Para mim, tem cara de Human Fall Flat, uma garantia de risos e sofrimento em doses idênticas.

Novamente, a febre de Warframe capturou o garoto, que desbloqueou Excalibur Umbra e Atlas Prime ao mesmo tempo que eu. Então, além das horas que eu já dedicava solo ao jogo, ainda acompanhei meu filho em várias batalhas, algumas ao lado também do veterano e parça @jaotavio.

Por causa disso, Warframe conseguiu: se tornou o meu jogo mais jogado do Steam, com 327 horas, ultrapassando as 324 horas de Killing Floor. Nunca imaginei que isso seria possível. Grato à Digital Extremes por terem insistido em seu sonho.

Tivemos uma sessão de Guild Wars 2 durante a semana e a coleção de pets da Ranger do garoto só aumenta. Eu definitivamente não acho mais o MMORPG tão bacana quanto anos atrás. Talvez seja resultado de nós atravessarmos os mapas de forma completamente casual, sem nos fixar em recompensas, missões ou mesmo diálogos. Talvez seja seu combate que me parece engessado agora. Ou os gráficos estejam sentindo o peso da idade. Na primeira oportunidade que meu filho insinuar que deseja largar, aceitarei de bom grado. Até lá, sigo firme ao seu lado.

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Vi Vidro com meu filho e... PQP que filme bom. É o mais fraco dos três? Sim. Mas tão somente porque os dois primeiros são excepcionais. Vidro é uma conclusão impressionante para uma trilogia que nem era para ser trilogia. O filme sofre um pouco com excesso de personagens, que gera pouco espaço para seu elenco brilhar. Entretanto, o desfecho é magistral e consagra seu antagonista como um dos melhores personagens de quadrinhos, mesmo não sendo.

Seguindo o conselho de CERTAS arrobas, vi Jumper também com meu filho. Não curti o filme quanto vi sozinho e folgo em dizer que... minha opinião piorou. O protagonista e o ator são insuportáveis. E agora eu vejo que o cara é muito stalker da garota... O filme deixa um milhão de pontas soltas para resolver em continuações que nunca serão feitas. Bom conceito, frágil execução. Dada a absoluta falta de empolgação do garoto pós-filme também acho que não causou boa impressão.

Mais uma semana, mais uma semana que não termino Summer in Mara, convicto de que preciso ir até o final para avaliar o jogo corretamente. Entretanto, o passar dos dias não é gentil com Mara e seus habitantes. A simpatia inicial cede lugar à raiva, em um titulo repleto de idiossincrasias que alguém chamou de decisão de design lá dentro. Tenho dinheiro para dar e vender dentro do jogo, mas isso não parece lubrificar suas mecânicas. Em contrapartida, minha ilha está ficando progressivamente mais jeitosa na razão inversa do meu interesse.

Legendary... decidi que irei removê-lo. Para removê-lo, preciso analisá-lo. Para análisá-lo, preciso de tempo. Seus dias estão contados, de um jeito ou de outro.

Durante a semana, percebi que não conseguiria cumprir os prazos de todos os projetos que aceitei e seria insano sequer tentar. Minha saúde mental estava sendo prejudicada pela pressão que eu mesmo havia me imposto. Abri de mão, pedi mais prazos, todos foram compreensivos. Sem uma meta determinada, afrouxei minha rotina, fui derrubado por um resfriado, desanimei, tudo atrasou de novo.

A nova expectativa é entregar tudo nos prazos agora e, quem sabe, instalar meu cobiçado SSD.

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