Retina Desgastada
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19 de abril de 2020

Quarentena - Semana 5

Warframe

Trocar o Ministro da Saúde em meio a uma pandemia mundial como não se via desde o século passado, quando ele segue as orientações da Organização Mundial de Saúde e tinha a aprovação da maioria da população, é uma manobra tão inexplicável como trocar de bombeiro no meio do incêndio. Ou exonerar o diretor do Ibama por fazer seu serviço. Entretanto, foi o que aconteceu. Com a curva muito longe de ser achatada, fala-se explicitamente em encerrar as medidas de isolamento social, um reflexo tupiniquim da igualmente desastrosa experiência norte-americana. E ainda há assuntos piores para se mencionar.

Ao longo do dia, acompanho as notícias, boas e ruins, em sua maioria ruins, na velocidade astronômica do Twitter. Em minha casa, sou o arauto das desgraças, o informante bem situado, com acesso à carne exposta do tecido social. O paciente não está nada bem. Na hora de dormir, a insônia é minha sina. Acordo tarde. Os trabalhos atrasam.

Depois de dias com problemas para nos conectarmos em Ark, após uma atualização infeliz, a solução foi desativar o infame BattleEye e verificar a integridade dos arquivos no Steam. Havia problemas na minha máquina e na máquina do meu filho. Depois que o jogo foi "consertado", meu filho e eu perdemos nossas configurações originais. No caso do meu filho, foi um susto, porque ele achou que tinha perdido o mundo em que havia investido tanto tempo. Mas foi apenas um descuido: o jogo havia parado de selecionar o mundo anterior por padrão e estava tentando criar outro.

No meu caso, todo o processo acabou se revelando positivo. Após semanas buscando um ajuste gráfico que devolvesse o jogo a sua exuberância original (quando cometi o erro de procurar uma melhora na performance e deixei os gráficos aquém de seu potencial), agora todas as minhas mudanças tinham sido resetadas e Ark estava finalmente de volta a sua majestosa exuberância. Aproveitei o ensejo para gravar um vídeo da sessão.

Por outro lado, nos reunimos em Ark apenas uma segunda vez na semana. O jogo está perdendo o encanto para o garoto. Não me espanta: é um dos survival games mais limitado que já vi. Apesar da profusão de criaturas, não há objetivos e a eventual construção de uma mega-base, algo tão privilegiado em outros títulos, aqui não chama a atenção. Para meu filho, a meta agora é domar o maior número de animais possível. Entretanto, é bem menos interessante do que parece no papel.

Ark - Rex

O tédio levou meu filho a resgatar Borderlands 2, que havíamos deixado de lado bem perto do final. Incapazes de completar uma das missões da história, estamos fazendo missões paralelas para ganhar nível e tirar a ferrugem dos controles.

Vimos juntos apenas um filme essa semana. Deverá haver outra sessão ainda hoje, mas o filme que vimos na quarta-feira foi Corpo Fechado. Foi a primeira vez que revi, desde que vi no cinema e não me decepcionei. Um lento, mas instigante jogo de atores que presta um impressionante tributo à essência das HQs de herói e seus mitos. Achei que o guri fosse se entediar por conta do ritmo e a overdose de UCM na qual ele cresceu, mas ele curtiu muito, principalmente o final.

Enquanto isso, também introduzi o garoto ao fantástico conceito de Além da Imaginação. A série que encantou gerações renasceu mais uma vez, agora pelas mãos do diretor e produtor Jordan Peele (de Corra! e Nós). Vimos até agora apenas dois episódios, mas o resultado foi satisfatório para mim e de explodir cabeças para ele.

Além da Imaginação entrou na nossa rotina após o término de Trem Infinito - Livro 2. Para quem não conhece a animação, é uma fábula surpreendente e madura. Apesar de ter adorado a primeira temporada, fui muito surpreendido pela segunda, que conseguiu elevar a qualidade a níveis que não considera possíveis. Esse Livro 2 é uma das melhores séries animadas que já vi.

Infinity-Train2

Voltando aos jogos, através do Gamerview tive acesso a A Fold Apart, uma aparentemente deliciosa aventura que mistura amor e puzzles, que lamentavelmente ainda não tive ânimo para abrir. Alguns jogos exigem o estado de espírito correto para serem apreciados, mas não adianta adiar mais. Iniciarei o jogo hoje, a menos que a hecatombe piore acima da média.

Era óbvio que Watch_Dogs não ficaria instalado no PC por muito tempo. Nem cheguei a abrir novamente. Intimamente descobri porque tinha colocado meu foco em jogos de mundo aberto, como o previamente instalado Saints Row 2: era saudade das ruas. Identificado esse sentimento, ele foi cirurgicamente removido, junto com o título da Ubisoft.

Por outro lado, instalei e terminei Fugue in Void, um jogo experimental sobre... espaços urbanos abandonados. O título lembra demais o magnífico (e gratuito) NaissanceE, mas sem a jogabilidade desse ou mesmo sua extensão. Fugue in Void acaba decepcionando pela comparação. Uma análise completa (e um vídeo) devem ser publicados essa semana.

A grande surpresa veio de Warframe. Ironia define: dias depois de escrever "que título conseguiria manter o frescor depois de mais de cem horas?", contemplei inebriado uma das mais fantásticas reviravoltas em um jogo em anos. A Digital Extremes enterrou após dezenas de horas de grinding, uma avalanche de enredo com fortes e marcantes emoções, com direito a cutscenes e muitos momentos inesperados.

Por conta disso, dediquei-me compulsivamente a Warframe e reacendi a paixão pelo jogo em meu filho, que comprou um novo personagem e já atingiu o nível máximo com ele também. Nossas sessões compartilhadas agora se passam nesse universo, em detrimento de Ark.

Talvez eu devesse ir pra cama mais cedo.

Hello

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