Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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5 de abril de 2020

Quarentena - Semana 3

Battleship

Do pânico, passamos para a normalização, para a anestesia. Mesmo com os números crescentes, a sensação geral de se estar vivendo uma guerra vai se esvaindo e até mesmo uma pandemia pode se transformar em uma rotina, o que se configura um erro, uma vez que o vírus não pensa, não liga, nem se importa com os estranhos mecanismos psicológicos de suas vítimas e apenas aguarda inativo o momento de guarda baixa. Mal passamos do começo da crise e já há aqueles que proclamam seu final.

Como já aconteceu comigo antes inúmeras vezes, completar uma tarefa nunca significa um tempo extra. Para onde foram aquelas horas diárias dedicadas àquele trabalho que se completou? Foram destinadas a outras tarefas e o dia de 24 horas parece encolher para 20, 18 horas. Felizmente, a pressão de entregar metas aliviou e minha saúde mental em meio à quarentena agradece o alívio no pé do acelerador.

Meu filho e eu atingimos uma espécie de patamar estranho em Ark, bem mais rápido do que eu imaginava. Agora temos dinossauros voadores, dinossauros caçadores, um dinossauro telepata que provoca medo em seus inimigos. Há poucos inimigos na região que nos impõe medo, armaduras metálicas recobrem nossos corpos. Meu filho ergueu uma nova base em uma área bastante ampla, com espaço para expansão. É bom ter um teto de pedra sobre minha cabeça, com várias mordomias. Contribuí adicionando iluminação de tochas, uma escada na porta da frente e uma cisterna que ainda precisa ser integrada com encanamento. Até uma tesoura eu consegui e finalmente foi possível aparar meu volumoso cabelo e portentosa barba, apenas para vê-los crescer novamente em uma única sessão.

Por conta desses avanços, o ânimo do garoto esfriou um pouco. Não há muitos desafios próximos e temos reservas abundantes de recursos. É um ponto na curva de evolução bastante comum em títulos de sobrevivência e eu sei o que isso significa: é chegada a hora de se preparar para expedições de desbravamento por terras desconhecidas.

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A sessão semanal de filmes que fazíamos juntos havia anos, agora virou bi-semanal. Abrimos com Aves de Rapina na quinta-feira e não foi ruim. É um filme com (raros) momentos de vergonha alheia, (algumas) boas lutas e uma estética que achei bem da hora. É um Batman e Robin que deu certo, digamos assim. Destacaria a curta, mas impecável atuação de Mary Elizabeth Winstead, que acerta o timing cômico melhor que todo mundo ali. Ewan McGregor está claramente se divertindo, cafonérrimo, mas no tom certo do filme.

O segundo filme, no sábado à noite, foi Battleship. Descontando o enredo sem sentido, os personagens sem carisma, os furos inexplicados e Liam Neeson fazendo nada, é um filme divertido. Os roteiristas gastam um tempão para apresentar os personagens, ao ponto do meu filho perguntar "cadê os alienígenas?", o que geralmente é uma boa decisão. Entretanto, os personagens continuam unidimensionais, a subtrama é inútil. O ápice do filme é quando o protagonista dá um CAVALO DE PAU em um navio de 46 mil toneladas! Foi o momento que eu levantei do sofá rindo. O filme é salvo pelo AC/DC e os efeitos especiais.

Pelo Gamerview, entreguei as análises de Biped e Gigantosaurus - The Game. O primeiro é um divertidíssimo e criativo jogo cooperativo, que conseguimos zerar juntos em três horas. O segundo é um jogo infantil do qual meu filho preferiu manter uma boa distância e não posso julgá-lo, uma vez que, se eu pudesse, também teria mantido uma boa distância. A análise de Dreamscaper Prologue também já está pronta, mas não foi publicada, já que há uma dúvida se o jogo tem um modelo de episódios, se é Early Access, se é uma demo gratuita. Por ter escrito três análises fora do blog, fica explicada então minha baixa produção por aqui essa semana.

Inaros

Em Warframe, estou usando Inaros e o personagem gerou uma curiosa conversa de pai para filho aqui em casa. Como eu já havia explicado, o garoto havia adquirido o personagem com Platinum, o dinheiro do jogo, que ele comprou sacrificando parte de sua mesada. O fato de eu ter obtido o mesmo personagem que ele (ainda que eu não tenha pagado) não soou bem em seus ouvidos e ele estava disposto a se livrar do próprio herói por que agora ele não era mais "exclusivo" dele. Ensinei que não era para ser assim, que Inaros continuaria tendo valor para ele e que ele deveria estar feliz de eu ter desbloqueado o personagem e que deveria servir como um tutor para mim, oferecendo dicas de customização, uma vez que ele era um jogador já experiente de Inaros. Funcionou. A crise foi contornada e espero ter conseguido evitar o surgimento de um futuro "manchild" que não sabe dividir seus gostos.

Para substituir Darkest Dungeon, os Deuses da Aleatoriedade colocaram em meu caminho o grotesco Action Alien. É um Killing Floor de baixíssimo orçamento com missões para cumprir. Apesar de seus inúmeros defeitos, vai ficar aqui por mais um tempo e o primeiro vídeo do que talvez seja uma série está programado para ir para o canal nessa quarta-feira.

Magrunner: Dark Pulse será removido em breve do PC, tão logo eu tenha tempo para sentar e escrever sua análise. Apesar da história ter dado uma reviravolta que ajuda a destacar o jogo no gênero dos puzzles parecidos com Portal, suas mecânicas parecem esticadas ao limite. Por três salas seguidas, a impressão que tive não era que estava raciocinando de acordo com sua lógica, mas improvisando gambiarras na base da tentativa e erro. A descoberta não é fluida como costuma ser em títulos melhor produzidos. Apesar de ter chegado ao meio da jornada, estou exausto de tentar adivinhar que caminho tortuoso o jogo deseja que eu faça. Lamento apenas não ter chegado ainda nos níveis "cósmicos" do jogo...

Lá fora, o horror invisível nos observa.

Magrunner

Ouvindo: Neurotic Fish - Mechanic of the Sequence
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3 comentários:

Marcos A.T. Silva disse...

Olá Aquino. Bom saber que as coisas vão se encaminhando por aí. Por aqui, continuo nervoso ao extremo, e bastante temeroso.

Como você está lidando com necessidades, digamos, extremas? Ir ao mercado, à farmácia, etc? Está fazendo uso de máscara?

Quando aos games, estou testando um brasileiro que, creio, publicarei preview entre hoje e amanhã.

C. Aquino disse...

Minha esposa vai ao mercado uma vez por semana. É um supermercado grande que tem aqui e os funcionários fazem a higiene. Mas ela conta muitas histórias sinistras de gente espirrando e/ou tossindo no mercado sem nenhum cuidado... cada embalagem chega aqui e é lavada com água e sabão ou álcool em gel. É uma operação de guerra. Farmácia fez uma entrega uma vez, mesmo procedimento. Estou com saudade de pão francês...

Marcos A.T. Silva disse...

Imagino. Igual aqui em casa. Eu acabei de vir da padaria, não aguentei a saudade. Com máscara, com todos os procedimentos de higiene quando chegamos, etc. Mas continuo com medo. Vamos ver, meu caro, onde isto tudo irá nos levar.

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