Retina Desgastada
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5 de janeiro de 2020

Jogando: Redneck Rampage

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Dos quatro grandes títulos da saudosa engine Build, já havia jogado três até o final: Duke Nukem 3D, Shadow Warrior (que não tem análise no blog) e o favorito da casa Blood. Faltava Redneck Rampage. Faltava, do verbo "não falta mais".

Meu primeiro contato com o FPS caipira aconteceu na mesma época que todos os outros, através de uma demo de revista, mas a primeira impressão não foi favorável. Talvez pela temática, talvez pela dificuldade ligeiramente maior, talvez eu estivesse de mau humor naquele dia, jamais saberei com certeza. O fato é que Redneck Rampage foi descartado em alguns minutos.

Vinte anos depois, essa injustiça foi desfeita. O título continua sendo o mais fraco dos quatro grandes da Build, mas serviu para matar saudades daquela geração de FPS moleque, uma golada farta de saudosismo destilado.

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Claramente, história não é o forte em Redneck Rampage e esse é um defeito de todos os FPS de sua geração (com exceção do anômalo Strife) até que a Valve mostrou que era possível misturar enredo e tiroteio sem perder o ritmo. Aqui, somos um caipira estereotipado lutando para deter uma invasão alienígena ou algo assim. E é isso. Não tem explicações, personagens, reviravoltas ou mesmo diálogos. A "trama" é uma desculpa para ditar a temática do jogo: o submundo decadente dos "rednecks", os matutos norte-americanos, com suas construções de beira de estrada, suas plantações, suas fábricas sujas, seus estacionamentos de trailers.

É uma atmosfera menos empolgante que os clichês orientais de Shadow Warrior, o clima urbano/militar de Duke Nukem 3D ou a homenagem ao cinema de horror de Blood. Na verdade, pela ótica moderna, chega a ser preconceituoso com um segmento da população rural dos Estados Unidos e seus desenvolvedores não exercitam muito bem sua criatividade, se limitando a repetir lugares-comuns e cenários pouco inspirados.

Ao longo do jogo, você irá enfrentar os mesmos dois caipiras repetidos infinitas vezes, ao lado de alguns esparsos alienígenas, que vão do ridículo ao extremamente perigoso, sem nenhum intermediário. Então, basicamente, você atravessa Redneck Rampage mandando chumbo no caipira gordo e no caipira magro, ocasionalmente atirando em cachorros ou alienígenas feitos de caca (!) e morrendo de medo de enfrentar os dois invasores realmente perigosos. No quesito variedade, o título perde feio para as hordas dos outros grandes jogos da Build.

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A seleção de armas tampouco empolga e, provavelmente, você irá usar a espingarda na maioria das situações. Não há tiro alternativo aqui, o que limita as possibilidades de massacre. Além disso, a dinamite é bastante ruim de mirar, uma falha compensada depois pela besta-dinamite, que acaba se tornando seu principal trunfo contra chefes e mini-chefes. Em contrapartida, a violência abunda no jogo e o gore é satisfatório, para quem curte isso. Não chega a ser um Blood, mas a truculência está presente.

Redneck Rampage também perde em termos de mapas, não apenas pela temática frágil, mas também pelo próprio design de níveis que não é tão interconectado quanto em seus irmãos de motor gráfico. Foi comum eu me perder sem saber para onde ir e alguns mapas são imensos, o que os torna cansativos. Por outro lado, o FPS é curto, com apenas dois episódios, metade do que tínhamos em Blood, Shadow Warrior ou Duke Nukem 3D. A desenvolvedora Xatrix compensou essa falha com uma expansão lançada pouco tempo depois (e que será minha próxima investida) e uma continuação.

Entre mortos e feridos, Redneck Rampage diverte, com um sabor de coisa boa, mas um pouco embolorado pelo tempo. É um "clone" de títulos melhores, mesmo tendo sua identidade própria.

A Fúria!

Redneck Rampage - GOG

Comprei Redneck Rampage no GOG, nem me lembro quando, e o jogo ficou na minha Biblioteca fermentando. A grande vantagem da loja necromante é que eles foram capazes de fazer títulos de gerações passadas rodarem em máquinas modernas. Entretanto, essa feitiçaria nem sempre é das melhores e o que nós temos é uma carcaça rastejante atrás de nós.

No caso de Redneck Rampage, a versão do GOG exige uma eternidade para ser lançada e outra eternidade para devolver seu PC ao estado normal. Ele abre uma máquina virtual com o DOS-Box e roda em baixa resolução. É um milagre? Não exatamente.

A trilha sonora do jogo, embora seja uma deliciosa seleção de psychobilly que vale ser baixada separadamente, não pode ser reduzida e atrapalha na percepção dos inimigos. Em um FPS, é fundamental ouvir o inimigo antes de vê-lo, antes de dobrar uma esquina. Além disso, imagino que ouvir as mesmas seis, oito faixas em loop deve ser irritante.

Em busca de uma solução alternativa, cheguei em eRampage. Esse é um projeto de código aberto de um punhado de voluntários que faz por Redneck Rampage o que Eduke 32 faz por Duke Nukem 3D e nBlood faz por Blood: pega os componentes do jogo e os executa em um motor gráfico moderno e livre. A instalação é simples e consiste basicamente em descompactar o motor e depois copiar os arquivos do jogo para a pasta dele.

Com eRampage, matei três coelhos com uma paulada só: Redneck Rampage passou a abrir e fechar em segundos (o que favorece muito a jogabilidade casual), rodar em resolução HD e rodar sem a trilha sonora. Segundo os seus desenvolvedores, a solução tem alguns probleminhas, mas não esbarrei em nenhum bug ou crash durante minha campanha. A única esquisitice é que ele muda o layout do meu teclado e, toda vez que encerrava o jogo, precisava ir nas configurações do Windows 10 e confirmar que eu uso ABNT. Pensando bem, é um inconveniente que consome o tempo ganho com a velocidade de carregamento...

No mesmo site do projeto, tem um walkthrough que me ajudou em alguns momentos em que não sabia para onde ir, e outras informações sobre a franquia completa.

Ouvindo: Jim Guthrie - Cabin Music (Bonus Track)
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3 comentários:

  1. Sensacional, só joguei o demo da revista na época também, acho excelente relembrar esses jogos através de seus textos. Parabéns!

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  2. Marcos A. S. Almeida8 de janeiro de 2020 13:46

    No meu caso, dois fatores afastaram:a temática(cômica demais pra quem se iniciou nos fps com um marine espacial) e a demo que,salve engano, se inicia no meio de um milharal totalmente escuro. Outro ponto, que também posso estar enganado, já que memória não é o meu forte, é que ele exigia mais do meu PC (que não lembro se era um 486 ou um Pentium 100) do que outros jogos.

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  3. Aquino joga mount and blade warband é muito bom esse game.

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