Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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14 de janeiro de 2018

Contador de Histórias

Como tantas narrativas antes dessa, acordo sem memórias em um mundo estranho. Uma raça desconhecida me observa, sua língua completamente alienígena para mim. Mas placas parecem me indicar respostas.

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Verifico o equipamento que carrego e não reconheço nada como meu, mas deverá servir para uma jornada que não sei se será longa, curta ou mesmo se terá um fim. Uma trilha de luz se apresenta para indicar minha direção, mas aguardo os primeiros raios da manhã para seguir sem perigos.

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É uma terra bela, mas não intocada. Outros passaram por aqui e sua história pode conter respostas para minha própria história.

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A noite cai, trazendo sombras e criaturas que espreitam minha passagem. Mas o rastro de luz me conduz para meu destino.

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O túnel escavado é uma rota de fuga. No primeiro diário que encontro, uma narração conta sobre desespero, medo e sacrifício. Temo que aqueles que passaram por aqui antes de mim não tenham sobrevivido. Mas não tenho outra estrada a não ser tentar desenrolar esse novelo até o final.

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As primeiras ruínas são lembranças de quando outro povo dominava essas terras. Meu povo?

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Não há uma viva alma por perto. Somente sinais de abandono, vidas inacabadas encerradas abruptamente e os raios de uma nova manhã. Os relatos não são apaziguadores. Houve vida aqui, mas foi levada por um mal que se espalhou por toda parte. O que havia por aqui foi extinto. Junto com meu passado.

Minha busca me leva até uma estação abandonada que se estende aparentemente para o fundo de um oceano.

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Mas seus antigos ocupantes não encontraram as respostas que procuravam. Das entranhas do mar, emergiu a morte.

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Uma névoa constante parece castigar constantemente esse ponto final. Talvez minhas respostas estejam do outro lado desse véu. Talvez eu tenha partido na direção errada. Talvez eu permaneça trancado em um mistério, um sobrevivente em um mundo que não me pertence.

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Criador de Mundos

Quando meu filho começou a jogar Minecraft sozinho no meu computador, fiquei orgulhoso de vê-lo se movimentando com desenvoltura em um ambiente 3D em primeira pessoa. Mais habituado a jogos 2D ou com visão em terceira pessoa, o FPS 3D é o passo final para poder jogar qualquer coisa.

Entretanto, quando ele me pediu para habilitar o modo Criativo depois de alguns dias, imaginei que ele tinha se cansado rápido demais dos aspectos mais puxados de Minecraft. Para quem não conhece os detalhes do jogo, no modo normal (chamado de Sobrevivência), cada bloco que você manipula e posiciona precisa ter sido extraído primeiro manualmente de algum lugar. Se você quer construir uma casa de árvores, você vai ter que derrubar algumas árvores. Se vai construir uma torre de pedra, vai precisar picaretar uma pedreira antes. Uma armadura completa de diamante? Vai precisar gastar horas e horas em minas escuras e lotadas de perigos para encontrar o suficiente desse raro minério. Nada é fácil no Minecraft e eu venho obedecido a essa regra em todas as minhas empreitadas.

Mas o guri pediu para mudar para Criativo. No modo Criativo, você não apenas é imortal e pode voar em qualquer direção, como também tem acesso instantâneo a qualquer bloco. Quer construir uma casa inteira de diamante? É só selecionar o bloco de diamante no menu e levantar sua obra. Sempre menosprezei esse modo por considerar um tipo de trapaça.

Entretanto, meu filho enxergou além. Viu ali uma oportunidade de criar uma história.

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Durante vários dias, nos momentos em que eu me ausentava do computador, ele se punha a trabalhar em seu projeto de férias: criar um mapa e modificá-lo para contar uma saga triste de sobrevivência, posicionando construções, iluminando caminhos e deixando diários guardados em baús.

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Ontem, antes de dormir experimentei o mais exclusivo jogo que pode existir: um "walking simulator" criado pelo meu próprio filho dentro do Minecraft. Desativei o modo Criativo e reabilitei o modo de Sobrevivência, para experimentar como um jogador de verdade (e consegui morrer duas vezes, por estupidez minha). Os perigos reais de Minecraft e o fato de eu não saber nada sobre o mundo que explorava contribuíram para uma atmosfera de tensão e descoberta.

Nunca poderia imaginar o que poderia encontrar depois da próxima colina e me surpreendi positivamente: os fundamentos de game design estavam ali, como um direcionamento para o jogador e um enredo contado parcialmente através do próprio cenário. Com dez anos, ele já foi mais longe do que eu na criação de um jogo.

Ao lado dele, joguei a segunda parte hoje, bem mais inacabada, incluindo destroços de um avião na mata e reviravoltas inesperadas no enredo.

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E pensar que ainda estamos no meio das Férias.

Ouvindo: Lacuna Coil - Halflife
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Um comentário:

  1. Caramba, que legal. Parabéns!

    Sinto que teremos, em breve, um talento nato desenvolvendo jogos no Brasil. Rsrs

    Quando o projeto dele ficar pronto e tiver sido revisado, coloque o mapa para a galera baixar aqui. Vai ser legal e é um incentivo pra ele continuar com as histórias. 😁

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