Confesso que não morro de amores por esta onda de "jogos de sobrevivência", habilmente iniciada por DayZ e sem hora para acabar. Hoje em dia o que foi inovação por alguns meses se tornou uma fórmula surrada: imenso mundo aberto com recursos escassos, inteligência artificial tosca e licença total para os jogadores revelarem seu pior lado uns contra os outros. O que irrita é a ausência de criatividade, a mentalidade de seguir o líder sem piscar e a clara falta de escrúpulos de diversos desenvolvedores que entregam produtos inacabados, na esperança de que a jogabilidade emergente de lobo comendo lobo camufle os bugs enquanto fogem com o dinheiro. A maioria absoluta protegida sob a tutela do Early Access, do desenvolvedor de fundo de quintal até a toda poderosa Sony e seu H1Z1.
Rancor não leva a lugar algum, então sobra o deboche. Para tal, me aproprio do hilário vídeo da Crazy Boris Productions, que sintetiza o Jogo de Sobrevivência Definitiva:
O mercado aproxima-se da saturação. Como hordas de gafanhotos, os jogadores pulam de título em título e sua fama não dura o suficiente para que seus criadores tenham tempo ou interesse em corrigir as falhas. A rotatividade é alta, se piscar, morre, suas curtas vidas emulando o que acontece dentro dos próprios jogos.
No mesmo mês em que os desenvolvedores de Atajrubah, um jogo de sobrevivência com temática árabe, assumem que não serão capazes de terminar o jogo e oferecem devolução de dinheiro para os jogadores, Dead Sea, outro jogo de sobrevivência com temática árabe é anunciado com pouquíssimos detalhes e em um estado bem inicial de desenvolvimento. O gênero está próximo da massa crítica e o excesso gesta coincidências que antes seriam inimagináveis. Tudo que já foi imaginado, já foi imaginado pelo menos duas vezes.
Até alguém soltar o jogo do Tubarãossauro Canibal Mutante no Early Access.
9 Comentários
Mas acho que isso é consequência de um mercado que cada vez se preocupa mais em ganhar dinheiro do que em criar alguma coisa nova.
Houve um tempo em que a principal preocupação das desenvolvedoras era inovar, revolucionar e criar algo realmente novo. Hoje é só caça níquéis.
Males do capitalismo...
Como Anônimo citou, apenas um caça níquel, que semelhante a um vírus, está se espalhando e contaminando a indústria. Esse é gênero da vez, daqui a pouco se alastrará por outros conceitos, até sobrar apenas algumas migalhas de dignidade e talvez, originalidade.
H1Z1 foi um chute no meu saco...Pois pensei que ele seria a cura para a minha relação de amor e ódio com DayZ. Até que a toda poderosa Sony resolveu prostitui-se e entrar nessa festinha do oba-oba com a cara do consumidor, promover um acesso antecipado (pago $$) e no fim das contas, converter a versão final em free-to-player.
Vejo um potencial no gênero, mas falta seriedade e empenho das produtoras e também do público, tornando tudo desanimador e deprimente.
Confesso temer por The Division, que apesar de levar a assinatura do adorado 'tio' Clancy...Sabe Deus, o que poderá acontecer até a data do seu lançamento.
PS: Desculpem a grosseria das palavras, mas realmente ando indignado.
Eu não sou contra essa enxurrada de jogos de sobrevivência , é apenas mais um gênero explorado á exaustão, como Counter Strike ou Minecraft;Sou sim, contra a exploração financeira e a desonestidade, mesmo sabendo que uma parcela de jogadores contribuem com isso.Mas ainda assim , acho que o próprio mercado vai cuidar de eliminar essas práticas danosas com o passar do tempo.Só espero que não leve muito tempo.
Mas realmente cansa... Estou ensaiando pra baixar S.A. De novo, mas primeiro estou testando alguns outros mods ( estou explorando o pixelmon no criativo pra entender melhor)
Enfim, coisas repetitivas acabam cansando mesmo! Viva a inovação! Menos capital, mais compromisso verdadeiro com o jogo e com o jogador!