Na carta-despedida de Notch, ele cita o vídeo "This is Phil Fish" como um dos componentes de sua decisão de vender a Mojang.
Não é pra menos.
Apesar de não ter legendas, apesar da baixa qualidade do closed captions automático, apesar do narrador falar bem rápido, o vídeo levanta em 19 minutos alguns questionamentos interessantes não sobre a figura de Phil Fish, mas sobre o funcionamento da Internet, o comportamento coletivo e o péssimo hábito de erguer e derrubar ícones.
Na verdade, o próprio ato de publicar esta postagem apenas corrobora a tese do autor: nós criamos Phil Fish, nós o tornamos famoso e o odiamos por usar esta fama de uma forma que não era aquela que queríamos. Comentar sobre Phil Fish é só aumentar a bola de neve.
Quando cada tuíte seu vira manchete de publicações especializadas, Fish, Notch, Levine ou Kojima largam a individualidade e se tornam figuras públicas. É um dilema antigo, enfrentado por centenas de celebridades ou pseudocelebridades desde a massificação da mídia e a Internet apenas acrescentou um setor inteiro de holofotes para pessoas cujas opiniões não deveriam gerar tanto atrito.
Notch se cansou. Criou o jogo que acidentalmente ou merecidamente se tornou o marco zero de uma jogabilidade emergente que irá mapear o futuro. Deseja agora retornar para a obscuridade, voltar a ser Markus Persson e deixar de influenciar, incomodar, levantar bandeiras com suas palavras.
Talvez consiga. Se nós deixarmos.
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