A abertura acima era impressionante quando foi lançada originalmente em 1995 e três anos depois ainda impressionaria minha nem tão desgastada retina. Era o jogo Prisoner of Ice, desenvolvido pela finada Infogrames e distribuído pela finada(?) Atari.
Para mim, foi uma experiência única em diversos aspectos. Foi meu primeiro contato com um adventure e me ensinou de imediato que eu e o gênero teríamos uma longa e conturbada relação. Se por um lado eu até hoje me sinta atraído pela jogabilidade que convida a boas histórias e uso do raciocínio, a utilização de enigmas que jogavam a lógica para o alto me fizeram utilizar um guia pela primeira vez, frustrado pelas sucessivas dúvidas sobre o que fazer a seguir. O fato de Prisoner of Ice adicionar um limite de tempo muitas vezes mortal a cada desafio acentuava o terror do jogo, mas também minha raiva contra seus criadores.
O título também serviu como minha porta de entrada para os mitos de Cthulhu e me questiono como foi possível que eu tenha permanecido alheio a tão fascinante universo por tanto tempo antes. É lamentável que o clima claustrofóbico de horror das primeiras cenas, ambientadas à bordo de um submarino que transporta uma carga maldita em plena Segunda Guerra Mundial, seja logo substituído por paisagens mais tranquilas e uma forte guinada para a ficção-científica, perdendo o impacto inicial. Seria preciso redescobrir as obras originais de Lovecraft tempos depois para apreciar o pleno valor de sua mórbida imaginação.
Prisoner of Ice também foi o primeiro jogo completo que adquiri (e legalmente!), cortesia de uma revista de jogos que vendia nas bancas de jornais. Até então acostumado com demos de vida curta, estava diante de um fenômeno: uma narrativa que eu acompanhei do início ao fim, quase um filme interativo que passava ali na minha tela. Que fascinante e promissor parecia esse mundo dos jogos eletrônicos então e quantas jornadas foram realizadas depois daquele primeiro contato?
Finalmente, seria injusto não mencionar que Prisoner of Ice também foi o primeiro jogo que testei com dublagem em Português! Em um momento que meu domínio do idioma da Rainha ainda estava longe da perfeição, a dublagem era um combustível extra para incendiar minha imersão naquele intrigante universo. Ao relembrar os detalhes do jogo para escrever essa postagem, algumas palavras soaram na minha mente exatamente como eu as havia escutado, vinte anos atrás, provando que um bom trabalho de dublagem é perene.
Uma conjunção de fatores como esses dificilmente irá acontecer outra vez. Mas, em 1998, Prisoner of Ice alinhou as estrelas e eu atendi seu chamado.
3 Comentários
Bons velhos tempos. :)