Retina Desgastada
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22 de julho de 2018

Jogando: Defiance (Conclusão)

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Se as 72 horas passadas dentro de Defiance não colocaram o jogo na lista dos melhores MMORPG que já joguei, pelo menos serviram com eficiência para sossegar aquela ansiedade que me consumia e afastar de vez o gosto amargo deixado por Neverwinter. Com a vantagem de não ter me viciado demais em sua jogabilidade, ter encontrado o momento certo para largar e ainda ter ganhado uma série de TV que dá gosto de acompanhar, quebrando um tabu que me acompanhava desde a primeira temporada de The Walking Dead.

A conclusão que chego após terminar a campanha principal e esnobar umas duas dúzias de missões secundárias é que tudo que cerca Defiance está apenas ligeiramente acima da média. Diverte, mas não é marcante. Envolve, mas não prende. Entrega uma ficção-científica competente, mas não inova. Em cada aspecto, há produtos melhores em ambas as mídias. O que acaba colocando seu universo no rol das histórias que tinham um grande potencial que mais uma vez não foi alcançado.

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Defiance, enquanto conceito, é um faroeste. Homens (e alienígenas) durões (e de ambos os sexos, vale dizer), com um dedo rápido no gatilho, resolvendo seus problemas em uma terra sem lei a ser desbravada. Saem os cavalos, entram os rollers. Saem os rifles e os revólveres de seis tiros, entra um arsenal de armas futuristas. Mas a postura é a mesma, os conflitos são bastante parecidos. Na série de TV, essa analogia é bem marcada, no jogo nem tanto. Além disso, enquanto aquela explora os conflitos políticos, os traumas psicológicos dos personagens e os segredos da cidade que dá nome ao seu universo, aqui o foco está em combates frenéticos, descerebrados e um enredo formulaico.

A impressão inicial da trama muda quase nada próximo do fim. Somos um Ark Hunter, um caçador de destroços contratado por um figurão de uma grande corporação da Terra que está atrás de um artefato misterioso. Ao longo da campanha, precisamos resgatar nosso contratante, encontrar o tal artefato e recuperar o tal artefato de novo e de novo, enquanto ele é cobiçado por diferentes facções. É o típico MacGuffin, utilizado preguiçosamente para avançar a história, que toca muito de leve em elementos da série de TV.

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O grande vilão do jogo aparece tão somente no seu último quarto. Apesar do impacto da sua entrada na trama, talvez tenha sido um pouco tarde demais para muitos jogadores e, certamente, tarde demais para dar mais gravidade à mola motriz da campanha. Para piorar, a área que se desbloqueia é uma região desolada, de difícil navegação e com pouquíssimos pontos marcantes. Pode ser que o objetivo dos desenvolvedores tenha sido acentuar o futuro sombrio que aguarda o planeta se o vilão for vitorioso, mas a impressão que passa é que o tempo de desenvolvimento ficou escasso e foi decidido povoar a nova região com quase nada interessante. O que deveria ser o ápice da aventura se arrasta por um cenário murcho e batalhas imensas caracterizadas não pelo desafio ou pela criatividade, mas pela exaustiva quantidade de inimigos.

O confronto final tampouco empolga. Se havia alguma esperança de um final épico, à altura do que seu universo merecia, a última batalha decepciona. Ambientada em uma "masmorra" genérica, similar a tantas outras antes dela e com um vilão que parece assustador, mas é derrotado com facilidade. Houve lutas melhores antes dessa. Apenas as cutscenes que antecedem a luta e o epílogo fazem jus ao que deveria ser a conclusão retumbante de uma longa jornada. As cenas finais sugerem uma continuidade que nunca existirá, a menos que aconteça na tela da TV.

Há eventos constantes e desafios em cada esquina, além de raids cooperativas ou não. O que não faltam são atividades. Mas a história terminou.

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Os Inimigos São Outros

Entretanto, talvez o grande vilão de Defiance seja o lag. É um problema crônico que vem assolando o jogo desde sua estreia e 2013 e o que eu vi desafia qualquer experiência prévia que eu tenha tido em outros títulos online. É impressionante que um título tenha tanto lag sem que o jogador seja desconectado automaticamente. Vi inimigos demorarem dois segundos para tombar. Vi oponentes perderem completamente suas animações e se moverem pelo mapa como bonecos de braços e pernas esticados que flutuam. Participeis de batalhas imensas ao lado de multidões de jogadores onde eu não via ninguém. Cheguei ao ponto de me ajustar mentalmente para o atraso quando atirava como sniper, calculando onde o inimigo estaria e confiando que o tiro seria fatal mesmo que a imagem me mostrasse o inimigo vivinho por alguns momentos.

E o pior de tudo aconteceu na véspera da conclusão. O lag afeta não somente a ação do jogo, mas também seus menus. Inconformado com a impossibilidade de travar uma luta decente com um atraso de respostas absurdo, resolvi apenas fazer manutenção de minhas armas, evoluir atributos, talvez implantar um modificador novo. Entre um travamento e outro do próprio menu, consegui o impossível: destruir minha arma favorita, em troca de um punhado de créditos. Era um SMG Lendária que havia dropado por forças do destino muito lá atrás e que havia se tornado a base de quase toda minha jogabilidade. Transformada em lixo por outras forças do destino ou pura incompetência, minha e dos servidores.

A frustração foi tamanha que abri um chamado no suporte que, dez dias depois, segue sem respostas.

A desenvolvedora Trion Worlds pede desculpas a todos os jogadores por não estar conseguindo dar conta das reclamações, em razão do volume. Imagino o caos em suas fileiras. A loja interna de Defiance, que trabalha com dinheiro real e é a principal fonte de renda do jogo, encontra-se inoperante há quase dois meses. Esse é o nível de abandono do MMORPG.

Há um novo brinquedo no playground da Trion: Defiance 2050. Porém, o reboot do jogo está com avaliação negativa no Steam, em virtude de não trazer quase nada novo ao título original e ser assolado não somente pelos mesmos bugs de antes como também por bugs novos.

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Para todos os fins, assim como a série de TV, Defiance foi deixado para trás. Apenas uns bravos cowboys permanecem em sua aridez, caçando recompensas e arrancando à bala o que esse universo tem a oferecer. Esse aventureiro aqui se despede com meio sorriso e a sensação de dever cumprido.

Ouvindo: The Riverdales - Homesick
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3 comentários:

Michel Oliveira disse...

Defiance é meio sem graça mesmo pra dizer o mínimo. Mas se você ainda estiver afim de um jogo online com tiroteio, correria e ninjas espaciais super fodas tente Warframe. É ótimo! E tem servidores no Brasil. Ou seja, ping decente!

Ou você pode esperar por agosto quando vai rolar a Quakecon e Elder Scrolls Online deve ganhar um desconto generoso. Também recomendo. Histórias muito boas que tem lá.

Marcos A.T. Silva disse...

Gostei muito de Defiance, Aquino, apesar dos problemas (incluindo o lag que você mencionou). Mas, é uma coisa estranha: acabei abandonando o MMO com 162 horas de jogo, sem chegar ao confronto final. Como pode? rsrs

Perdi o interesse. :(

Cézar Felício disse...

Experimente Warframe e Path of Exile, grandes chances de você gostar! São os melhores F2P do momento, sem P2W.

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