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3 de novembro de 2017

Jogando: Jurassic Park The Game

Jurassic Park The Game 13

APERTA ESSA BAGAÇA AÍ QUE O BICHO TÁ VINDO não é uma das experiências mais criativas ou empolgantes que um jogo eletrônico pode proporcionar a você, mas é o resumo perfeito dos pontos altos de Jurassic Park The Game.

Você sabe que é um quicktime event porco, que a Telltale Games tem títulos muito melhores em seu currículo e que Jurassic Park merecia um jogo à altura do trabalho de Steven Spielberg, mas quando 8 toneladas virtuais de T-Rex estão bafejando na sua nuca, você vai afundar a tecla que os desenvolvedores estão mandando você apertar até estar em segurança. Ou até morrer, clicar para repetir pela décima vez e torcer para que esse sofrimento acabe.

Jurassic Park The Game traz uma Telltale Games claramente imatura naquilo que saberia fazer de melhor, ou seja, complexas decisões éticas sobre personagens interessantes e ainda tateando em busca de uma jogabilidade sólida. Sabemos que ela não acertou a jogabilidade até hoje, apenas desistiu de tentar e focou seus esforços na narrativa como uma forma de compensação. Talvez não seja a melhor das decisões, mas como fã do que conseguiram em The Walking Dead e suas duas continuações, não tenho do que reclamar.

Jurassic Park The Game 04Jurassic Park The Game 17

Mas poucas mecânicas são mais irritantes do que prestar atenção na tela não para ver o que acontece, mas para registrar quais teclas são necessárias para se apertar em quais momentos, sem nenhuma relação com o que acontece. Há momentos, inclusive, em que seu personagem precisa subir, mas o jogo te instrui a apertar na ordem certa Esquerda - Baixo, por exemplo. É necessário também obter uma sincronia quase perfeita, algo difícil de se atingir quando você está tentando ver o jogo desenrolar. E quando esse "desenrolar" são Velociraptors ameaçadores tentando te matar.

Consequentemente, morri diversas vezes. Dezenas de vezes. O que não aumentava a sensação de dificuldade, mas de enfado, já que os pontos de salvamento nesses momentos de quicktime events são automáticos e abundantes e a recarga quase instantânea. Ou seja, a morte é apenas uma quebra de ritmo no caminho do fluxo da história. É claro que falhar reduz sua "classificação" naquela etapa, mas não estava no jogo para coletar troféus. Depois de sucessivas mortes, a própria Telltale parecia se entediar de mim e ao invés de exigir que eu apertasse três botões, simplificava para somente um na mesma ação.

Instalei Jurassic Park the Game por causa do meu filho. Aliás, já comprei pensando nele, fanático por dinossauros como toda criança, fã da franquia cinematográfica. Como ele gosta de interagir com os títulos que jogo, malandramente deixei ele cuidar dos quicktime events. Depois de duas sessões, ele desistiu e chamou o jogo de chato. O que me deixou em maus lençóis, por que ele tinha reflexos melhores que os meus...

Mas prossegui sozinho, curioso com a história.

Jurassic Park The Game 10

Assim como quase todos os títulos da desenvolvedora, esse aqui também foi criado sob a sombra de uma obra maior, mas sucumbe diante do peso e não demonstra a personalidade que trabalhos posteriores da Telltale Games trariam. O resultado é uma trama que corre paralela ao filme e funciona muito bem em seu primeiro capítulo, quando somos bem transportados para aquele parque maldito, do ponto de vista de personagens inéditos, mas confrontando situações similares ou até as mesmas, de outros ângulos. Mas a história se perde e se arrasta quando termina o gancho do filme, introduzindo mais personagens que diluem o foco mais do que acrescentam em profundidade, voltando a empolgar somente no quarto e último capítulo, quando repentinamente a Telltale cria coragem para mostrar que seus personagens não são bidimensionais, ao mesmo tempo que acelera as ameaças para convergir para um clímax final.

Ironicamente, Jurassic Park e o o currículo da Telltale Games trazem questionamentos similares: quem são os verdadeiros monstros? Mas a desenvolvedora se solta somente próximo do fim, quando já é meio tarde para investirmos emocionalmente nos personagens. Os dinossauros são as verdadeiras estrelas e, não por acaso, me vi desejando que o elenco inteiro fosse devorado. Somente nos últimos quinze minutos finalmente torci pelos protagonistas e vislumbrei aquele brilho de talento da Telltale, incluindo a chance (quase única em todo o jogo) de tomar uma decisão questionável que poderia selar o destino de um deles.

Jurassic Park the Game acaba sendo um título recomendável somente para os fãs mais devotados dos filmes. A Telltale tira da cartola um dinossauro inédito na franquia que parece tirado de pesadelos e antecipa o Mossassauro, anos antes de Jurassic World.

Jurassic Park The Game 20

Para os fãs da empresa, é quase embaraçoso, um simulador de "aperte essa bagaça aí que o bicho tá vindo".

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4 comentários:

Anônimo disse...

vc já jogou Neverwinter Nights 2aquino ?

Shadow Geisel disse...

Acho que seu filho ia gostar muito de Walking With Dinosaurs, pra PS3. É interativo e, infelizmente, requer o uso de câmera e move. Mas achei super legal, tirando que a bunda começa a ficar dormente depois de meia hora de jogo (por precisar jogar sentado).

disse...

Eu gostei do primeiro capitulo, que é paralelo ao filme e tem boas ideias. Mas a partir do segundo, se falta de tesão matasse não sobrevivia um na Telltale

Anônimo disse...

Ó O BIXO VINDO MULEQUE, pelo menos o jogo serviu para uma coisa ,dar uma das copilação das mortes mais engraçadas dos vide-o games;
https://www.youtube.com/watch?v=98mePT_IDp0

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