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6 de outubro de 2017

(não) Jogando: Bloody Zombies

(originalmente publicado no Gamerview)

Aparentemente há algo na água do Rio Tâmisa que parece tornar a cidade de Londres um destino obrigatório para histórias de zumbi. Aí está a série cinematográfica Extermínio que não me deixa mentir, assim como a comédia Todo Mundo Quase Morto e os jogos ZombiU e Killing Floor. É sempre um contraponto interessante o sotaque britânico e sua fleuma caricatural com o grotesco de um levante dos mortos.

Bloody Zombies, da Paw Print Games Ltd., já começa a brincadeira no título: um trocadilho com um dos adjetivos mais empregados pelos ingleses em seus momentos de irritação. E prossegue na seleção de personagens, que vão da moça punk ao típico hooligan. Infelizmente, existe muita pouca diferenciação entre os personagens, pouco mais que skins aplicadas – por exemplo, em um golpe especial onde a moça punk usa uma guitarra, outro personagem emprega um bastão de críquete, mas o movimento e o impacto são iguais – e suas personalidades e diálogos são bastante limitados.

Quem chega em um jogo desses, do estilo beat 'em up, esperando história e conversa entre personagens está equivocado em suas prioridades. Mas, essa certamente é uma oportunidade perdida para a desenvolvedora, a de acrescentar um pouco mais de humor ao seu título. Porque é evidente que o jogo não é pra ser levado a sério, seja pelo nome, pela violência cartunesca ou pelos personagens estereotipados.

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London Calling!

Left 4 Bloody Dead

Esses quatro cidadãos estão perdidos em uma Londres exposta a uma quarentena, tomada por uma infinidade de criaturas mortas-vivas bizarras, com os mais repulsivos aspectos e níveis de periculosidade. A saída é trabalhar junto e abrir caminho na base dos sopapos. Embora o jogo até possa ser jogado sozinho, ele foi projetado para ser cooperativo entre quatro jogadores, localmente ou online (embora esteja um tanto vazio nesse quesito).

Existe até a possibilidade de combinar jogadores tradicionais com jogadores utilizando um dispositivo de Realidade Virtual, o que permite uma visão diferenciada do campo de batalha, mais próximo do 3D do que a visão 2D de todo mundo.

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Não, você não exagerou no Irish Coffee! Essa é a visão meio 3D de quem usa um dispositivo de Realidade Virtual

"Então, eu curto pancadaria. Eu jogo beat 'em up pela pancadaria. Tem pancadaria?", você pode estar se perguntando agora, talvez até mesmo com sotaque britânico (é tão maneiro…). Minha resposta é "bloody yes". Sim, tem pancadaria aos montes: Bloody Zombies traz um sistema de combos competente que permite aos mais ágeis encadear golpes exóticos, habilidades desbloqueadas, esquivas no último segundo e resultados explosivos contra os monstros e contra o ambiente.

A desenvolvedora chama o sistema de "free-form combat", mas o que você vê na tela é menos fluido do que a buzzword de marketing deseja passar; está mais para o compassado do que o frenético, ainda que seja satisfatório. Não há falta de sangue em cena, assim como membros voando e pedaços de carne.

A pancadaria é tão barra-pesada que aqueles que não estão acostumados poderão ter dificuldades em completar todos os 11 níveis. Em determinados momentos, a tela fica lotada de abominações e são necessários dedos ligeiros e bons reflexos para escapar com vida. Falta balanceamento no título e a frustração pode acabar entrando no lugar da diversão, principalmente contra determinados chefes.

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Mais agitado que show dos Beatles!

Anarchy in the UK

O charme de se passar por marcos culturais britânicos (como assim derrubaram o Big Bem?!) é o único diferencial deste jogo diante de tantos outros similares. Faltou um pouco mais de criatividade, seja no design dos níveis, seja nas caracterizações dos personagens, seja na diversidade de criaturas e até mesmo nas mecânicas de combate. A qualidade das animações também poderia ser um pouco mais aperfeiçoada. Em outras palavras, Bloody Zombies é um jogo de "quase lá": não possui falhas graves, mas tampouco se destaca na multidão.

A ausência de carisma pode acabar cansando em sessões mais longas. Felizmente, uma boa dublagem nas raras falas dos personagens e um estilo visual puxado para o quadrinho fundo de quintal salvam o pacote, isso se você curtir personagens conversando em jogos de pancadaria e quadrinhos fundo de quintal, obviamente.

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Punk Is Not Dead (mas o zumbi em breve estará…)

De resto, Bloody Zombies é um jogo sem maiores pretensões, para ser jogado com os mates, entre doses de ale, entre uma partida de arremesso de dardos e outra, enquanto The Clash toca em uma caixa de som estourada em um bar mais sujo que o banheiro de Trainspotting. E Deus salve a Rainha!

Ouvindo: The Lillingtons - Wrapped Around Her Little Finger
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