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9 de março de 2017

Eu Vi: Chernobyl Diaries

chernobyl-diariesApenas a paixão pela franquia S.T.A.L.K.E.R. pode explicar 86 minutos perdidos Chernobyl Diaries (simplesmente "Chernobyl", na tradução nacional, o que faz muito sentido já que não há diário algum na história). Se você nunca penetrou na Zona e se deixou levar pelos seus mistérios, recomendo enfaticamente que experimente a série de jogos e passe longe desse filme.

Se já jogou, também recomendo enfaticamente que passe longe desse filme.

O único filme dirigido por Brad Parker, a produção de 2012 acompanha um grupo de turistas norte-americanos de férias que resolvem se arriscar em uma "excursão extrema": entrar na Zona de Exclusão de Pripyat, uma vasta região na Ucrânia abandonada e tomada pela radiação que vazou da usina nuclear de Chernobyl, em 1986. O lugar, de fato, exerce uma atração mórbida por suas ruínas e pela sombria tranquilidade de suas ruas e construções desabitadas. Já rendeu mais de um ensaios fotográficos de beleza surreal e documentários que apontam os horrores potenciais da energia atômica.

Aqui, a cidade de Pripyat é utilizada para o palco de um filme de "turistas-perdidos-cercados-por-ameaças". Não há muito espaço para poesia e muito menos para crítica social na produção.

Para quem conhece Pripyat apenas por S.T.A.L.K.E.R., a cenografia convence de que foi filmado no local: os prédios, as paredes descascadas, o silêncio ominoso, as ruas tomadas pelo mato, o céu cinzento, está tudo lá. Exceto que Chernobyl Diaries foi filmado na Hungria e na Sérvia, por razões óbvias. Mas em sua primeira metade, ele te transporta para essa Pripyat imaginária e abre a mente para as possibilidades de uma versão filmada dos jogos da GSC Software (que conseguiu autorização para filmar e fotografar os lugares reais para criar seus cenários).

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Mas nem só de atmosfera e cenografia vive um filme. Apesar do suspense que toma conta depois de um determinado ponto, é impossível ignorar os buracos no roteiro e o comportamento típico de personagens de filmes de horror, como sair de um lugar seguro "para verificar que barulho foi aquele lá longe" ou ocultar informações importantes dos amigos.

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O final do filme é a gota que faltava para transbordar sua paciência e te convencer que seu tempo se foi irrevogavelmente. A conclusão carece de lógica ou impacto e soa apressada.

Quer um filme sobre turistas encurralados em uma região habitada por aberrações afetadas pela energia nuclear? Tente The Hills Have Eyes. Quer um filme de ficção sobre os horrores de Chernobyl? Continue aguardando.

Ou vá jogar S.T.A.L.K.E.R..

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4 comentários:

Luiz Antônio disse...

Esse é um assunto que me fascina, já vi vários documentários e vídeos sobre Chernobyl.

Eu vi esse filme e realmente achei uma produção B que deixa muito a desejar.

Não entendo porque nunca foi feito nenhuma super produção sobre essa tragédia. Assim como não entendo como ainda não foi feita uma superprodução sobre o 11 de setembro.

Acho que, quando o assunto é real e catastrófico a turma de Hollywood não tem a mesma empolgação que tem quando é para as produções de super heróis.

Ainda dentro do assunto radioatividade: Acho que é justamente o extremo poder de destruição das bombas atômicas que mantém a "paz" mundial entre as grandes nações. Leandro Narloch explica muito bem sobre isso no capítulo "A teoria da paz nuclear" do livro Guia politicamente incorreto da história do mundo.

Shadow Geisel disse...

Também me interesso pelo assunto, mas nem nos meus maiores momentos de tédio nos menus da Netflix eu me atrevi a parar pra dar uma chance a esse filme. Pelas screenshots já parece genérico ao extremo. Não sei se é o caso, mas não suporto esses found footages de baixo nível como REC e tantos outros.

Marcos A. S. Almeida disse...

Luiz , também sou fascinado por esse assunto e essa ambientação de Tchernóbil . Recomendo firmemente a leitura do livro " Vozes de Tchernóbil - A história oral do desastre nuclear" que são relatos de testemunhas do acontecimento, de pessoas que sofreram literalmente na pele os efeitos do desastre. É muito triste mas recomendo. A autora é ganhadora do prêmio Nobel de Literatura.

Bem, eu acho que se Hollywood fizesse um filme não seria muito bem como todos nós desejamos...Então que permaneça sem fazer nada.

Luiz , concordo e vou mais longe: acho inclusive que essas bombas estão em mãos certas e por isso há o equilíbrio, no que diz respeito a uma guerra atômica.

Luiz Antônio disse...

Com certeza vou ler esse livro Marcos. Já vi que tem na Saraiva e na Amazon mas Vou procurar nas livrarias aqui da minha cidade para não gastar com o frete (versão em ebook só em último caso).

É oportuno lembrar que está previsto para este ano a colocação de um novo sarcófago que irá encobrir a usina de Chernobyl. Essa enorme estrutura que foi fabricada no Reino Unido será colocada inteira sobre trilhos pois isso possibilitou a sua construção longe da usina.

Sobre esse equilíbrio de forças tem dois filmes ótimos (apesar de não serem super produções) que mostram em que momento os físicos (quase todos alemães fugitivos do regime nazista) criadores do fim do mundo se questionaram se aquela tecnologia de fissão nuclear deveria ou poderia ficar no poder de apenas uma nação e decidem "vazar" esse conhecimento para a Rússia que liderava a extinta União Soviética. Os dois foram produzidos em 1989 sendo que um foi produzido para TV e se chama Os Senhores do Holocausto (Day One) com Brian Dennehy e o outro é O início do Fim (Fat Man and Little Boy) com Paul Newman.

Sobre as produções Hollywoodianas sobre Chernobyl (e 11 de setembro) acho que o problema maior é o fato de serem acontecimentos ainda recentes (a ferida ainda não cicatrizou) e existem muitos familiares de 1ª geração das vítimas ainda vivos e seria no mínimo "estranho" alguém assistir a encenação de um suposto familiar seu se decompondo ou sendo mutilado no telão com a riqueza de detalhes de uma produção de Spielberg como, por exemplo, é mostrado nos primeiros minutos do filme Resgate do Soldado Ryan que mostra o ataque costeiro na Praia de Omaha. Quem sabe daqui a alguns anos...

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