Retina Desgastada
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28 de dezembro de 2015

Por Mares Nunca Dantes Navegados

Desde a descoberta de Minecraft, meu filho e eu perseguimos o próximo jogo de simulação de mundo com elementos de sobrevivência. Na verdade, nós e metade do mundo, incluindo aí muitos desenvolvedores que aprenderam as lições da Mojang e forjaram um subgênero.

Entretanto, a maioria dos jogos disponíveis no Steam preferiram seguir o exemplo de DayZ para forjar seus Mundo-Cão Online. É o tipo de coisa que não tenho menor interesse de jogar, embora, de vez em quando, assista um vídeo aqui e outro ali de jogabilidade. Invariavelmente, todos seguem a mesma linha: 20 minutos do YouTuber falando, caminhando entre ruínas, coletando itens e tomando cuidado, apenas para morrer para uma bala aleatória disparada por outro jogador que nem se vê na tela.

É claro que eu não quero esse tipo de jogabilidade arremessada na cara do meu filho de oito anos. Então, procuramos alternativas.

Um vídeo leva a outro que leva a outro e esbarramos em Salt. O jogo está em Early Access, mas está mais polido que a média na categoria. E tem um grande diferencial: é single-player.

Salt 02

Baixei a versão demo do jogo para experimentar. Segundo a descrição, ela é idêntica ao jogo completo, exceto por estar limitada geograficamente à área inicial, embora eu não saiba como essa limitação aparece.

Em Salt, você é um náufrago em um arquipélago e precisa encontrar itens para garantir sua sobrevivência e enfrentar piratas e outros inimigos. Dando uma olhada na Wiki, a trama parece ser mais profunda do que isso e há missões secundárias, um pouco mais de propósito do que o Minecraft em si, mas não cheguei a ver essas ramificações.

Visualmente, Salt é esplendoroso. Uma versão super-saturada de um desenho animado, quase um Mirror's Edge tropical. Ao fugir do realismo, o jogo mantém o apelo para faixas etárias mais baixas, mas também funciona como um colírio para retinas desgastadas de tanto ocre e cinza dos jogos modernos.

A mecânica é bem simples: você explora uma ilha, extrai recursos, constrói itens, migra para a ilha seguinte. Essa simplicidade facilita muito a entrada no jogo, mas cansa depois de um tempo. Se é possível construir estruturas complexas e efetivamente parar com essa vida de nômade, essa opção não está disponível nas ilhas iniciais.

Salt

É uma cabana de caçador, mas não há vantagem nenhuma em morar nela.

A falta de elementos marcantes no cenário contribui para a sensação de se estar repetindo os mesmos passos de novo e de novo. Cada ilha possui menos recursos do que se poderia imaginar, o que te obriga a atravessá-la diversas vezes na esperança de não deixar nada para trás. Felizmente, a necessidade de sobreviver é bem baixa e você só precisa controlar dois atributos: fome e vida. A primeira, se zerar, não causa dano, apenas reduz a velocidade de regeneração da segunda. E a vida é fácil de restaurar. Em quatro horas de jogo, morri uma única vez, logo no início, apenas por não entender direito o sistema de combate e, ainda assim, meu oponente morreu junto.

A sensação de se lançar em direção ao mar revolto em uma canoa improvisada é assustadora. Mas Salt não entrega o perigo que você teme. O mar é apenas um inconveniente a ser transposto até a próxima ilha onde a rotina irá recomeçar.

Salt 03

É possível que eu tenha atingido o limite de ilhas disponíveis. São todas muito parecidas. Além, só horizonte infinito de potencialidades que o jogo ainda pode cumprir se e quando sair do Early Access. No seu estado atual, vale uma visita rápida, mas a fórmula se esgota depois de pouco tempo e não justifica o investimento.

Seguimos buscando o sucessor de Minecraft.

Enquanto isso, reinstalamos Minecraft.

Ouvindo: Sepultura - Still Flame
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5 comentários:

Michael Andrade disse...

Realmente é meio raro ver esse estilo de jogo sendo produzido apenas para o singleplayer. Eu possuo um preconceito e um pouco de raiva dos jogos que já são vendidos em early access. Há muitos casos em que o jogo nunca sai desse estado, arrecada uma boa quantia de dinheiro de jogadores esperançosos e é abandonado futuramente.

Aquino, o baixo FPS durante seu gameplay foi causado pela gravação concomitante à jogatina ou é culpa do próprio jogo?

Ah, se você e seu filho estão procurando um bom jogo de sobrevivência num mundo aberto, poderiam tentar jogar "Don't Starve Together". Eu me amarro nesse jogo. Sua arte é muito viva e transmite um ar meio misterioso e mágico. É um pouco difícil se acostumar e algumas mortes são inevitáveis até que se adquira confiança, mas a cada morte você aprenderá mais e mais. Há o modo singleplayer que pode ser jogado antes para experimentar. A wiki do jogo sempre pode ser lida para que você não cometa alguns erros durante a jogatina mas o legal mesmo é experimentar sem ler nenhum guia ou tutorial antes. Não me recordo se o jogo single precisa estar instalado para que o online seja jogado. O jogo se encontra no Steam.

C. Aquino disse...

Também não curto Early Access, embora haja casos, como o de Killing Floor 2, que valem a pena. Mas acredito que seja um para cada 10 picaretas tentando se dar bem ou desenvolvedores que não sabem muito bem o que estão fazendo.

Eu tenho um olho péssimo para FPS e, a menos que o jogo esteja lagadaço, não sei diferenciar queda de framerate. Para mim, o jogo rodou bem, mas confesso que não vi o vídeo que eu mesmo gravei além de alguns segundos! ahahaAHAHaha

Don't Starve e o Don't Starve Together já estão na minha Biblioteca, mas ainda não testei. Mas eu vi que não tem coop local...

Anônimo disse...

Vim aqui recomendar justamente Don't Starve. Não entendo o Steam direito mas lá fala "cooperativo". Alem de outras classificações de "multijogador".

The Ratman disse...

Na linha de minecraft, q joguei muito, há o Creativerse, gratuito na steam, que joguei mais de 30 horas, hehehheh. É praticamente o minecraft com gráficos mais bonitos e menos possibilidades de construção, pois não há o modo "criativo" e o jogador tem que coletar todos os blocos manualmente se quiser usá-los. Também pode ser jogado no multiplayer online.

The Ratman disse...

Na linha de minecraft, q joguei muito, há o Creativerse, gratuito na steam, que joguei mais de 30 horas, hehehheh. É praticamente o minecraft com gráficos mais bonitos e menos possibilidades de construção, pois não há o modo "criativo" e o jogador tem que coletar todos os blocos manualmente se quiser usá-los. Também pode ser jogado no multiplayer online.

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